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AS ESCRITURAS MINEIRAS - SAIBAM
A SANTA DE BAEPENDI QUE VOAVA (Agradeço ao místico Marco ter-me dado uma entrevista da qual pude tirar os elementos para escrever esta crônica sobre a iluminação da santa de Minas Gerais e oficiosamente Padroeira do Sul de Minas.) Francisca de Paula de Jesus Isabel, mais conhecida como Nhá Chica, vivia de porta em porta rezando o Terço, as Ave Marias e conversando sobre religião com as mulheres de seu relacionamento. "Foi uma personalidade admirável" - dizia Dona Chiquinha Xatara, de Caxambu, que narrava muitas histórias sobre a Serva de Deus. Contam que ao final das reuniões espirituais ela sempre rezava a oração Salve Rainha. E chorava feito uma criança, repetindo indefinidamente a frase: Salve Rainha! Salve Rainha! Salve Rainha! Era nessas horas de entrega total ao nome sagrado de Nossa Senhora e ao Espírito de Deus, que as pessoas viam ela ficar suspensa um ou dois palmos do chão, levitando durante todo o tempo que durava o êxtase provocado pelo seu encontro com a Mãe Divina. Essa história foi passada de geração em geração até alcançar nossos dias. Foi o que me contou o místico Marco, que fez uma capela dedicada a essa santa na belíssima estância hidromineral de São Lourenço. Místico Marco: "E o que mais me apaixona em Nhá Chica é que ela conseguiu em vida uma grande proximidade com Nossa Senhora. Outra coisa que me apaixona em Nhá Chica é o fato dela ter alcançado a iluminação sendo analfabeta." Era uma mulher que andava no meio das boiadas, nos milharais, nas estradas ermas das roças do interior de Minas Gerais. Sempre carregando um guarda chuva. Não pertenceu à corte do Imperador D. Pedro II, não foi membro de nenhuma academia de letra, nada. Era ela sozinha! E quando a penumbra da noite descia sobre a Serra da Mantiqueira e os morcegos saiam de suas moradas escuras, a claridade da luz da vela tremeluzia na parede da pobre casa da santa. Absolutamente só e tranqüila, ela e o silêncio, sua clarividência aumentava, a presença da Divina Mãe tornava-se mais visível e ela via que sua alma se unia com a alma da Mãe Celestial. Um momento de consciência integral! O fogo da lenha esquentava a sopa. Nhá Chica alimentava-se antes de deitar. Um cheiro de jasmim vinha emanado da floresta e as corujas davam gargalhadas, pousadas nas árvores do quintal. Lá estava Nhá Chica ajoelhada em seu santuário, pobre, desprotegida, sem parentes, completamente dedicada ao serviço religioso de Maria Santíssima! Sua vida era orar pelos pobres, dar-lhes de comer e trabalhar pela construção de uma capela em homenagem a Imaculada Conceição. Por isso alcançou os dons de uma santa. Pisou na vaidade com um auto-domínio inigualável. Não tinha planos para este mundo. Aprendeu que o objetivo da vida é a integração com o Espírito Santo e que o método para alcançar a vida eterna é não fazer planos para o amanhã, nem de casamento, nem de filhos, nem de riqueza, nem de felicidade. Contam que ela usava apenas uma roupa. A pobrezinha tinha um único vestido que ia até os pés, de mangas compridas, e usava um pano na cabeça. Toda sexta feira trancava-se em casa e não recebia ninguém! Era o dia que ela consagrava principalmente para lavar sua roupa, limpar a casa e jejuar. E quando aquela roupa estava muito velha, ela mesma fazia outra igual e a usava até não servir mais. Depois fazia outra. Assim viveu Nhá Chica até o dia 14 de junho de 1895, data da sua morte. Era uma mulher iluminada, cheia de dons espirituais. Tinha uma vontade bem desenvolvida e os sentidos abertos. Era clarividente e clariaudiente. Mas o maior dom de Nhá Chica foi a pratica da caridade e o socorro aos doentes e necessitados. Crispim Arruda Copyright © 2004 Saibam Escrituras Mineiras - Todos os direitos reservados. |