Há uma versão ligeiramente diferente dos mitos de origem do orixá da doença: lendas atribuem a Nanã a maternidade de um par de gêmeos, que seriam respectivamente Omulu e Obaluaiê.
 
De qualquer forma, em todas essas variações persiste a idéia básica do caráter de Omulu-Obaluaiê: a rejeição pela própria mãe e a necessidade de independência, de crescer com as próprias forças (mesmo que aceite a versão da ajuda providencial de Yemanjá). Em variadas narrativas, ao crescer, Omulu-Obaluaiê rejeitou a companhia e a ajuda de Yemanjá.
 
O orixá constitui, portanto, uma semelhança nova a Ossâim, no arquétipo do isolado, do indesejado, do que viveu, apesar de tudo parecer indicar que o caminho natural dele seria a  morte, já que era costume no reino de BENIN ( DAOMÉ) que as crianças nascidas defeituosas fossem jogadas na lagoa, pois se acreditava que elas não passavam de reencarnações dos espíritos da águas e por isso não deveriam viver entre os seres humanos comuns, habitantes da terra, do terreno sólido.
 
Também em relação a esta lenda se explicam as proibições alimentares de Omulu-Obaluaiê: o CARANGUEJO e a BANANA-PRATA. Quando jogado na água, ele foi atacado por um caranguejo que foi comendo sua pele. Incapaz de se defender, por ser criança, Omulu-Obaluaiê era presa do crustáceo até que surgiu Yemanjá. Essa afastou o bicho, recolheu o garotinho e o salvou, tratando-o com o óleo da folha da bananeira. Omulu-Obaluaiê sobreviveu, mas ficou definitivamente marcado, levando consigo cicatrizes desse processo traumático.
 
Exatamente essas cicatrizes seriam as responsáveis por um dos signos mais sombrios associados ao orixá, e pelo fato de seus filhos sempre dançarem com amplas vestes feitas de palha-da-costa que cobrem praticamente todo seu corpo, especialmente o rosto, que não deve nunca ser visto por ninguém. Muita vezes o movimento de seus filhos na dança parece o de uma pessoa que atravessa sofrimentos terríveis, com tremores, febres, convulsões e outros sintomas de fraqueza e doença. Essa imagem de pouca saúde talvez seja responsável pela grande lista de proibições alimentares ligadas ao orixá: carne de carneiro, peixe de água doce em geral, diversas frutas, além dos já mencionados: caranguejo e banana-prata.
 
A solidão, o jeito soturno é reforçado nas lendas, deixando claro que Omulu-Obaluaiê é a figura do rejeitado pelo destino, que começou a sofrer desde o momento do nascimento. Marcado, rejeitado, ofendido, Omulu-Obaluaiê usa seu terrível poder para assustar os seres humanos, já que não se considera uma figura passível de amor, o que é um mito relativamente comum a diferentes mito da cultura ocidental. Não se tenha pena dele, porém. Seu poder é devastador e esta à espreita,  sempre pronto para castigar os que não o respeitam, não permitindo como orixá que o tratem como o trataram como pessoa.
 
Obaluaiê ou Omulu (os nomes se referem a fases míticas, onde o mesmo deus seria mais jovem ou mais velho), é o energia que rege as pestes como a varíola, sarampo, catapora e outras doenças de pele. Ele representa o ponto de contato do homem (físico) com o mundo (a terra). A interface pele/ar. A aparência das coisas estranhas e a relação com elas. Ele também rege as doenças transmissíveis em geral. No aspecto positivo, ele rege a cura, através da morte e do renascimento.

Diz o mito que Obaluaiê é filho de Nana (a lama primordial de que foram feitas as cabeças - oris- humanas) e Oxalá, tendo nnasscido cheio de feridas e marcas pelo corpo como sinal do erro cometido por ambos, já que Nana seduziu Oxalá mesmo sabendo que lhe era interditado por ser ele o marido de Iemanjá.

Ao ver o filho feio e mal formado, coberto de varíola, Nanã o abandonou à beira do mar, para que a maré cheia o levasse. Iemanjá o encontrou quase morto e muito mordido pelos peixes, e tendo ficado com muita pena, cuidou dele até que ficasse curado. No entanto Obaluaiê ficou marcado por cicatrizes em todo o corpo, e eram tão feias que o obrigavam a cobrir-se inteiramente com palhas.

Não se via de Obaluaiê senão suas pernas e braços, onde não fora tão atingido. Aprendeu com Iemanjá e Oxalá como curar estas graves doenças. Assim cresceu Obaluaiê, sempre coberto por palhas, escondendo-se das pessoas, taciturno e compenetrado, sempre sério e até mal-humorado.

Um dia, caminhando pelo mundo, sentiu fome e pediu às pessoas de uma aldeia por onde passava que lhe dessem comida e água. Mas as pessoas, assustadas com o homem coberto desde a cabeça com palhas, expulsaram-no da aldeia e não lhe deram nada.

Obaluaiê, triste e angustiado saiu do povoado e continuou pelos arredores, observando as pessoas. Durante este tempo os dias esquentaram, o sol queimou as plantações, as mulheres ficaram estéreis, as crianças cheias de varíola, os homens doentes. Acreditando que o desconhecido coberto de palha amaldiçoara o lugar, imploraram seu perdão e pediram que ele novamente pisasse na terra seca.

Ainda com fome e sede, Obaluaiê atendeu ao pedido dos moradores do lugar e novamente entrou na aldeia, fazendo com que todo o mal acabasse. Então homens o alimentaram e lhe deram de beber, rendendo-lhe muitas homenagens. Foi quando Obaluaiê disse que jamais negassem alimento e água a quem quer fosse, tivesse a aparência que tivesse. E seguiu seu caminho.

Chegando à sua terra, encontrou uma imensa festa dos orixás. Como não se sentia bem entrando numa festa coberto de palhas, ficou observando pelas frestas da casa. Neste momento Iansã, a deusa dos ventos, o viu nesta situação e, com seus ventos levantou as palhas, deixando que todos vissem um belo homem, já sem nenhuma marca, forte, cheio de energia e virilidade E dançou com ele pela noite adentro. A partir deste dia, Obaluaiê e Iansã-Balé se uniram contra o poder da morte, das doenças e dos espíritos dos mortos, evitando desgraças aconteçam aos homens.

Os iorubás acreditam que este mito nos mostra que o mal existe, que ele pode ser curado, mas principalmente que é preciso ter consciência do momento em que ele terminou, sabendo recomeçar após um violento sofrimento.

Obaluaiê rege também a força da terra (herdado de sua filiação a Nanã). A umidade dela (por suas adoção por Iemanjá) e as doenças das plantações.

 
Numero: 13
Cor: preto, vermelho e branco
Símbolo: xaxará (um tubo de palha trançada com sementes mágicas e segredos dentro)
Dia da semana: segunda-feira
Comida: pipoca
Saudação: Atotô!
 
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