Oxumarê é um orixá bastante cultuado no Brasil, apesar de existirem muitas confusões a respeito dele. Não se pode nem dizer que seja um orixá masculino ou feminino, pois ele é as duas coisas ao mesmo tempo: metade do ano é macho, a outra metade é fêmea. Por isso mesmo dualidade é o conceito básico associado a seus mitos e arquétipos.
Essa dualidade onipresente faz com que Oxumarê carregue todos os opostos e todos os antônimos básicos dentro de si: bem e mal, dia e noite, macho e fêmea, doce e amargo, etc. Nos seis meses em que é uma divindade masculina, é representado pelo arco-íris, que, segundo algumas lendas, é a ponte que possibilita que as águas de oxum sejam levadas ao castelo no céu de xangô. Nos seis meses subseqüentes, o orixá assume a forma feminina e se aproxima de todos os opostos do que representou no semestre anterior. É , então , uma cobra, obrigado a se arrastar gentilmente tanto na terra como na água, deixando as alturas para viver sempre junto ao chão, perdendo em transcendência e ganhando em materialismo. Sob esta forma, segundo alguns mitos, Oxumarê encarna sua figura mais negativa, provocando tudo que é mau e perigoso.

São persistentes e pacientes, não medindo esforço para atingir seus objetivos. São generosos ou avaros, conforme a situação econômica em que se encontram. Agitados e observadores, procuram constantemente o equilíbrio e a harmonia. E sua grande força é a eloqüência e a inteligência, armas que usam com muita habilidade na situação de ataque e defesa.
 

Oxumaré ou Oxumarê, é a energia das cores, da luz do sol após as chuvas, o arco-íris, e por isso mesmo associado às serpentes, que são muito coloridas e poderosas.

Conta o mito que apesar de tudo que houvera com Obaluaiê, Nanã e Oxalá tiveram outro filho. Este era Oxumarê. Contudo, como novamente eles haviam desobedecido os preceitos de Orunmilá, Oxumarê nasceu sem braços e sem pernas, com a forma da serpente, rastejando pelo terra, e ao mesmo tempo de homem. Mais uma vez decepcionada, Nanã abandonou Oxumarê.

Oxumarê entretanto possuía grande capacidade adaptativa e, mesmo sem membros para locomover-se, aprendeu a subir em árvores, a caçar para comer, a colher as batatas doces de que tanto gostava, a nadar e possuía imensa astúcia e inteligência.

Orunmilá, o deus da adivinhação do futuro admirando-se e apiedando-se dele tornou-o um orixá belo, de sete cores de luz, encarregando-o de levar e trazer as águas do céu para o palácio de Xangô. É Oxumarê portanto quem traz as águas da chuva e é a ele que se pede que chova.

Como seu percurso era longo, Oxalá, seu pai, fez com que ele tomasse a forma do arco-íris quando tivesse esta missão a realizar. Com as águas da chuva, Oxumarê traz as riquezas ao homens ou a pobreza. Oxumarê vive com sua irmã Ewá no fim do arco-íris.
 
Número: 10
Cor: as do arco-íris
Dia da semana: quinta-feira
Símbolo: Dã. (ma serpente enrolada numa árvore, simbolizando o poder da adaptação)
Comida: batata doce
Saudação: Arroboboi Oxumarê!
 
LENDA  OXUMARÉ
 
 
 
Quando Nanã abandonou o primeiro filho, Orunmilá ( o destino ) disse que ela iria ter um outro filho, tão belo quanto o arco-íris, mas que viveria longe dela, correndo mundo. Oxumaré nasceu como uma linda menina que recebeu o nome de Bessém; mas, seis meses depois, ela se transformou numa serpente que saiu se arrastando e pelos seis meses seguintes vagou pelo mundo. E esse foi seu destino desde então; por isso, Oxumaré tem ressentimento da mãe, pois não pode nem namorar, pois os homens fogem apavorados quando a moça vira cobra.
 

Quando Xangô e Oxum quiseram se casar, perceberam que seria difícil viverem juntos, pois a casa de Oxum era no fundo do rio e Xangô morava por cima das nuvens. Então, resolveram arranjar um criado que facilitasse a comunicação entre os dois. Falaram com Oxumaré, que aceitou servir de mensageiro entre eles. Só que, durante a metade do ano em que é o arco- íris, Oxumaré levava as águas de Oxum para o céu; não chovia e a terra ficava seca. Por isso, Oxumaré resolveu que, nos seis meses em que fosse cobra, deixaria o serviço. Nesse período, Xangô precisa descer até Oxum, e então acontecem os temporais da estação das chuvas.
 

Oxumaré era o babalaô da corte de um rei que, embora fosse rico e poderoso, não pagava bem seu sacerdote, que vivia na pobreza. Certo dia, Oxumaré perguntou a Ifá o que fazer para ter mais dinheiro; Ifá disse que, se ele lhe fizesse uma oferenda, ele o tornaria muito rico. Oxumaré preparou tudo como devia mas, no meio do ritual, foi chamado ao palácio. Não podendo interromper o ritual, ele não foi; então, o rei suspendeu seu pagamento. Quando Oxumaré pensava que ia morrer de fome, a rainha do reino vizinho chamou-o para tratar seu filho doente e, como Oxumaré o salvou, a rainha pagou-o muito bem. Com medo de perder o adivinho, o rei lhe deu ainda mais riquezas, e assim se cumpriu a promessa de Ifá.
 
Houve um tempo em que Oxumaré viveu no meio dos mortais. Ele era um grande babalaô, curandeiro e vidente. Seus dons eram tão grandes, que ele adivinhava tudo que iria acontecer e orientava as pessoas para mudarem os fatos segundo seu gosto. Isso começou a interferir nos destinos das pessoas e a prejudicar os projetos dos Orixás. Por isso, os Orixás decidiram afastá-lo da humanidade. Falaram com Olorum, que transformou Oxumaré num arco-íris, que deveria ficar para sempre no céu. Mas Oxumaré tanto pediu, que conseguiu autorização para voltar a ter contato com os humanos de 3 em 3 anos.

 
script>OXUMARÉ 1