
Dona da água doce e da água fria. Na África, mora no RIO OXUM, senhora da fertilidade, da gestação e do parto, cuida dos recém-nascidos, lavando-os com suas águas e folhas refrescante. Jovem e bela mãe, mantém suas características de adolescente. Cheia de paixão, busca ardorosamente o prazer. Vaidosa, é a mais bela das divindades e a própria malícia da mulher-menina. É sensual consciente de sua rara beleza e se utiliza desses atributos com jeito e carinho para seduzir as pessoas e conseguir seus objetivos. Com Oxóssi, vive seus momentos mais felizes. Seu arquétipo são de pessoas graciosas e elegantes, compaixão pelas jóias, perfumes e vestimentas caras.
São o símbolo do charme
e da beleza. Voluptuosos e sensuais, porem mais reservados que OYÁ.
Sob a aparência graciosa e sedutora, escondem uma vontade muito forte
e um grande desejo de ascensão social.
Para elas, o conforto, o
bom gosto e um toque aristocrático em tudo são essenciais.
Suas qualidades são comparadas com os rios calmos, doce e tranqüilo
na superfície, desconhecidos e potencialmente cheios de armadilhas
no fundo.
Diplomáticos e cuidadosas,
seus filhos medem muito bem o que falam e evitam os atritos frontais, sempre
tratando de seus interesses com cuidado e sutileza.
Oxum é a força dos rios, que correm sempre adiante, levando e distribuindo pelo mundo sua água que mata a sede, seus peixes que matam a fome, e o ouro que eterniza as idéias dos homens nele materializadas. Como as águas das rios, a força de Oxum vai a todos os cantos da terra. Ela dá de beber as folhas de Ossâim, aos animais e plantas de Oxóssi, esfria o aço forjado por Ogum, lava as feridas de Obaluaiê, compõe a luz do arco-íris de Oxumarê.
Oxum é por isso associada à maternidade, da mesma maneira que Iemanjá. Por sua doçura e feminilidade, por sua extrema voluptuosidade advinda da água, Oxum é considerada a deusa do amor. A Vênus africana.
Como acontece com as águas, nunca se pode prever o estado em que encontraremos Oxum, e também não podemos segura-la em nossas mãos. Assim, Oxum é o ardil feminino. A sedução. A deusa que seduziu a todos os orixás masculinos.
Diz o mito que Oxum era a mais bela e amada filha de Oxalá. Dona de beleza e meiguice sem iguais, a todos seduzia pela graça e inteligência. Oxum era também extremamente curiosa e apaixonada. E quando certa vez se apaixonou por um dos orixás, quis aprender com Orunmilá, o melhor amigo de seu pai, a ver o futuro. Como o cargo de oluô (dono do segredo) não podia ser ocupado por uma mulher, Orunmilá, já velho, recusou-se a ensinar o que sabia a Oxum.
Oxum então seduziu Exu, que não pôde resistir ai encanto de sua beleza e pediu-lhe roubasse o jogo de ikin (cascas de coco de dendezeiro) de Orunmilá. Para assegurar seu empreendimento Oxum partiu para a floresta em busca das Iyami Oshorongá, as perigosas feiticeiras africanas, a fim pedir também a elas que a ensinassem a ver o futuro. Como as Iyami desejavam provocar Exu há tempos, não ensinaram Oxum a ver o futuro, pois sabiam que Exu já havia roubado os segredos de Orunmilá, mas a fazer inúmeros feitiços em troca de que a cada um deles elas recebessem sua parte.
Tendo Exu conseguido roubar os segredos de Orunmilá, o deus da adivinhação se viu obrigado a partilhar com Oxum os segredos do oráculo e lhe entregou os 16 búzios com que até hoje as mulheres jogam. Oxum representa, assim a sabedoria e o poder feminino.
Em agradecimento a Exu, Oxum deu a Exu a honra de ser o primeiro orixá a ser louvado no jogo de búzios, e entrega a eles suas palavras para que as traga aos sacerdotes. Assim, Oxum é também a força da vidência feminina.
Mais tarde, Oxum encontrou Oxóssi na mata e apaixonou-se por ele. A água dos rios e floresta tiveram então um filho, chamado Logun-Edé, a criança mais linda, inteligente e rica que já existiu.
Apesar do seu amor por Oxóssi,
numa das longas ausências destes Oxum foi seduzida pela beleza, os
presentes (Oxum adora presentes) e o poder de Xangô, irmão
de Oxóssi, rompendo sua união com o deus da floresta e da
caça. Como Xangô não aceitasse Logun-Edé em
seu palácio, Oxum abandonou seu filho, usando como pretexto a curiosidade
do menino, que um dia foi vê-la banhar-se no rio. Oxum pretendia
abandoná-lo sozinho na floresta, mas o menino se esconde sob a saia
de Iansã a deusa dos raios que estava por perto. Oxum deu então
seu filho a Iansã e partiu com Xangô tornando-se, a partir
de então, sua esposa predileta e companheira cotidiana.
Cor: amarelo-ouro
Número: 5
Dia da semana: Sábado
Símbolo: abebê
(espelho)
Comida: Ipetê (feijão
fradinho com camarão)
Saudação: Ora
ieieu, Oxum!
LENDA OXUM
Certa vez, numa festa de Oxalá,
as sacerdotisas dos vários orixás, com inveja da de Oxum,
puseram-lhe um feitiço: quando todos se levantaram para saudar Oxalá,
ela ficou presa na cadeira e suas roupas ficaram sujas de sangue. Todos
riram e Oxalá ficou zangado. A sacerdotisa, envergonhada, tentou
se esconder, mas nenhum orixá lhe abriu a porta. Só Oxum
a recebeu e transformou as gotas de sangue em penas de papagaio. Sabendo
dessa magia, os outros orixás vieram prestar homenagem a Oxum e
Oxalá lhe deu a proteção das filhas de santo, que
durante a iniciação passaram a usar uma pena vermelha na
testa.
Houve um tempo em que os orixás
masculinos se reuniam para discutir sobre a vida dos mortais e não
deixavam as deusas participarem das decisões. Aborrecida com isso,
Oxum fez com que as mulheres ficassem estéreis e então tudo
deu errado na terra. Os orixás foram consultar Olorum e ele explicou
que sem a presença de Oxum com seu poder sobre a maternidade, nada
poderia dar certo. Os orixás, então, convidaram Oxum para
participar das reuniões: as mulheres voltaram a ser fecundas e todos
os projetos dos orixás tiveram bom resultado.
Quando Xangô se apaixonou
por Oxum, ela o recusou; então ele tentou violentá-la. Foi
impedido por Exu, que os separou, dizendo que eles só poderiam se
unir se ela o aceitasse livremente. Zangado, Xangô trancou Oxum numa
torre muito alta, dizendo que só a soltaria quando ela o aceitasse.
Oxum chorou muito; então Exu passou e perguntou o que acontecera.
Sabendo da história, foi correndo levar seu pedido de socorro a
Olorum. Este soprou em Oxum um pó que a transformou em pomba; assim,
ela pôde voar e sair da torre pela janela