
É um orixá feminino, não é oya nem oxum, embora seja freqüentemente confundida com esses orixás.
É a serpente fêmea que choca os ovos, esta intimamente ligada a oxumarê, ela usa uma coroa longa ( até os quadris), feita de palha-da-costa e búzios.
Ela foi presa em um formigueiro por omulu e odé. Desencantada e louca de ciúmes, depois de juntos, ewá acertou odé com flechas; odé caiu sobre um poço de mel e afogou-se. Ewa vendo aquilo, correu para salva-lo e seu sangue esguichou-se por sua roupa, sendo assim, a mesma sempre se traja de vermelho, em sinal de respeito a odé.
A filha de ewá muda muito
de personalidade assim como o clima, pode mudar várias vezes ao
dia, são encantadores, auto confiantes e tagarelas, remexem-se todo
tempo, temperamentais e orgulhosas, mesmo errando não dão
o braço a torcer. Adoram ser o centro das atenções.
Muito pouco se sabe atualmente
sobre Ewá.
Ela é também filha de Nanã, e é vista como horizonte, o encontro do céu com a terra, do céu com o mar. Ewá representa ainda outros horizontes, como a interface onde se tocam a vida e a morte, o dia e a noite e outros. Assim, todas as transformações, mudanças e adaptações são regidas por ela.
Ewá é virgem, bela e iluminada. Apesar desta beleza e do assédio dos orixás masculinos, nunca quis se casar, sendo uma moça quieta e isolada, voltada para o conhecimento dos segredos das transformações.
Nanã, preocupada com sua filha, pediu a Orunmilá que lhe arranjasse um amor, um casamento, mas Ewá desejava viver sozinha, dedicada à sua tarefa de fazer cair a noite no horizonte, puxando o sol com seu arpão.
Como Nanã insistisse em seu casamento, Ewá pediu ajuda a seu irmão Oxumarê, o arco-íris, que a escondeu no lugar onde ele se acaba, por trás do horizonte, e Nanã não mais pôde alcançá-la. Assim, os dois irmãos passaram a viver juntos, para sempre inatingíveis. Ambos regem o intangível e Ewá também é compreendida como a energia que torna possível o abandono do corpo e a entrada do espírito numa nova dimensão.
No Brasil poucos candomblés cultuam Ewá, pois dizem que o conhecimento sobre as folhas necessárias ao seu culto foi perdido durante o processo de aculturação dos africanos escravos.