O 25 de novembro para as mulheres

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira *

Em 25 de novembro comemorou-se  o Dia Mundial de Luta Contra a Violência à Mulher. A data foi  definida no I Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, realizado em 1981, em Bogotá, Colômbia. O dia foi escolhido para lembrar as irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa), assassinadas pela ditadura de Leônidas Trujillo na República Dominicana.
Em 25 de novembro de 1991, foi iniciada a  Campanha Mundial pelos Direitos Humanos das Mulheres, sob a coordenação do Centro de Liderança Global da Mulher, que propôs os 16 dias  de ativismo contra a violência às mulheres, que começam no dia 25 de novembro e encerram-se no dia 10 de dezembro, aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em  1948.
Estima-se que no Brasil a cada dia uma mulher é assassinada pelo seu companheiro. De cada três  mulheres  do mundo, uma já sofreu espancamento ou abuso sexual, segundo dados  da ONU. Há sua série de formas de violência que vitimam especificamente, ou prioritariamente, as mulheres. Das mais nefastas, o estupro: estima-se que menos  de 10% dos estupros aparecem nas estatísticas.
Em todo o mundo o combate à violência contra a mulher se constitui em uma preocupação fundamental dos movimentos sociais, a começar  pelo movimento de mulheres, em meados da década de 1970.
Uma pesquisa Ibope encomendada pelo Instituto Patrícia Galvão constatou  que a violência contra a mulher  é o problema que mais preocupa homens e mulheres. A violência contra a mulher dentro e fora de casa está em primeiro lugar, na frente de uma série de outros problemas, como câncer de mama e de útero e a Aids.
O Unifem – Fundo das Nações  Unidas para a  Mulher – denunciou em seu relatório anual que a violência  de  gênero provoca mais  mortes em mulheres entre 15 e 44 anos que o câncer. No Brasil, os registros das delegacias brasileiras  demonstram que 70% dos incidentes ocorrem dentro de casa e que o agressor  é o próprio  marido ou parceiro.
Para acabar com a violência doméstica é preciso  que o agressor  seja denunciado, que as mulheres tenham  coragem de ir numa delegacia expor seu problema.  Já está  em pleno funcionamento a Lei Maria da Penha, que impõe  penas mais duras aos agressores de mulheres. A lei é um instrumento de pressão e, com certeza, trará mudanças sociais no País, desde que o  Estado  dê garantias para que ela  funcione.  A aplicação depende  muito da vontade política de prefeitos, governadores e da sociedade. Também  é necessário que a pessoa agredida não desista da denúncia para que  a lei seja aplicada.
É preciso que se  estruture e que sejam instaladas mais  Delegacias de Atendimento Especializado à Mulher – elas  estão restritas aos grandes centros: nas cidades do interior e no meio rural, as mulheres  estão excluídas do serviço. E em geral essas delegacias não estão preparadas para lidar com o tema.
Alagoas deverá ganhar uma Vara Especializada em Violência Doméstica contra a Mulher. Nosso Estado foi também o primeiro a implantar  uma Secretaria Especializada da Mulher. O projeto de criação de uma vara para cuidar exclusivamente desse tipo  de caso será submetido à apreciação do Pleno do Tribunal de Justiça. A notícia foi veiculada dia 29,  na imprensa, e isso conta muitos  pontos em favor de Alagoas. É mais um avanço  do movimento  de mulheres e dos movimentos sociais que lutam contra a violência de gênero.

(*) é jornalista.
1