| Felicidade
Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Felicidade é um estado de espírito e esta semana tive alguns exemplos que me fizeram entender que sou uma pessoa feliz se comparado a tantas outras que têm problemas superiores aos meus. Entendi que meus problemas de saúde e pessoais são ínfimos e que não posso reclamar tanto das coisas que acontecem em minha vida. Então agradeci a Deus pela vida e por tudo o que tenho. Passei cerca de uma hora numa fila de banco, embora a lei das filas determine que o usuário fique apenas por quinze ou vinte minutos, e enquanto eu esperava exaustiva e cansadamente a minha vez de ser atendida, ouvia um rosário de lamentações das pessoas que também aguardavam ser atendidas pelos funcionários do banco. Uma senhora, insatisfeita com o mundo, reclamava dos governos (municipal, estadual e federal), que para ela nada faziam, reclamava dos órgãos públicos e dos serviços prestados pelos funcionários e por ali saiu destilando veneno em tudo. Ela disse que não tinha votado em ninguém nas últimas eleições, porque não acreditava mais nos políticos e que tinha uma filha estudando na Alemanha que não quer mais voltar para o Brasil. Que o País não presta, o Estado não presta e o município de Maceió muito menos. Na hora eu fiquei incomodada com aquele discurso daquela mulher e pensei em revidar usando argumentos para dizer a ela que uma pessoa que pensa daquela forma contribui para que a situação fique pior, mas desisti de falar qualquer coisa e me calei. Fiquei só escutando e analisando aquela cena. Mas aquele discurso me incomodava a cada minuto e quase saí da fila do pagamento do meu IPTU atrasado. Não era para nós que estávamos na fila que aquela senhora deveria ter dado aquele depoimento. Deveria ter procurado alguém, a quem de direito para reclamar. Sei que foi apenas um desabafo, mas tem gente que exagera quando chega nesses locais e quer fazer terapia gratuita com quem está perto. Querem que os outros escutem e concordem com seus problemas, que lhes compreendam e que falem uma palavra de apoio. Outra senhora falava do marido. Dizia que ele deixava todos os pagamentos em suas mãos para que ela os efetuassem e que tinha saído de casa de manhazinha e não sabia a hora que ia voltar para casa por conta dos compromissos que tinha que resolver na rua e que tinha tomado dois ônibus errado e quase chega atrasada em outro compromisso. No mesmo dia, chegando no ponto de ônibus, me deparei com outra senhora, revoltada com o marido que tinha morrido há pouco tempo, mas que tinha deixado um monte de dívidas para ela pagar. Dívidas que foram contraídas com farras, amigos e amantes e que ela, inconformada, praguejada contra o falecido. Dei graças a Deus quando chegou o ônibus Novo Mundo via Centro, que me levaria até o meu trabalho. Não agüentava mais ouvir tanta história trágica, tanta confusão de vidas diversas e fui agradecendo a Deus pelo o que tenho e analisando no percurso que todas aquelas histórias dariam um bom romance do cotidiano. É jornalista |