Festa de Santa Maria Madalena

* Por Olívia de Cássia Cerqueira


Durante nove noites, de 24 de janeiro a 2 de fevereiro, a comunidade católica do município de União dos Palmares festeja a sua padroeira, Santa Maria Madalena.  A festa  tem início  com a procissão da bandeira, e termina no dia 2 de fevereiro, com a procissão da santa, ponto culminante  do evento, que reúne pessoas de vários  municípios e estados, além dos nativos do lugar.
A cidade  teve origem em um povoado chamado Macacos, no século XVIII, à margem esquerda do rio Mundaú. As primeiras habitações surgiram nas proximidades de um cruzeiro denominado Cerca Real dos Macacos e foi o português Domingos José de Pino quem doou a imagem de Santa Maria Madalena e construiu a primeira capela do local, dedicada à santa. 
Este ano, a paróquia de União está completando 170 anos. A partir daí,  a população reverencia, todos os anos a sua padroeira. No domingo, dia 16 de janeiro,  aconteceu a tradicional procissão do mastro, que reuniu centenas de fiéis, que acompanharam o evento a  pé, de bicicleta, a cavalo e de carroça.
Todos os anos a tradição se repete e a fé em Santa  Maria Madalena  é renovada pelos palmarinos e visitantes, por meio do pagamento das promessas que são feitas durante o ano todo. Para quem acredita na força e proteção da santa, ela é a protetora maior da região.
A emoção  dos fiéis  fica por conta do erguimento do mastro (um tronco de madeira de enormes proporções), que  é erguido  em frente à igreja matriz, em época da festa.  Segundo os pesquisadores, o município de União dos Palmares é um dos poucos, senão o único, que realiza a procissão do mastro, que já se tornou  uma tradição secular e faz parte do calendário turístico-religioso da região. A procissão de Santa Maria Madalena, que acontece no dia 2 de fevereiro, também é outro ponto alto da festa.
A vida de Santa Maria Madalena foi retratada pela tradição cristã, pelos textos de pesquisadores  e católicos  fiéis à sua história, que afirmam ter sido ela  “uma das personagens mais enigmáticas do Novo Testamento”.  Ela está nominalmente presente nas passagens mais marcantes na vida de Cristo, como a Paixão e a Ressurreição,  é a discípula que ama o mestre acima de tudo e é testemunha da Sua Ressurreição, sendo a portadora da Boa-Nova.
Santa Maria Madalena, segundo os pesquisadores,   pode ser considerada a primeira apóstola,   e  possui um papel de suma importância como portadora da Luz e como símbolo do verdadeiro cristão.
“Para muitas  organizações religiosas,  Maria Madalena era uma mestra e seus ensinamentos eram oralmente transmitidos. Apesar disso, ela teve toda uma simbologia gerada em torno de si, que acabou velando o verdadeiro significado de sua participação na vida e na obra de Jesus Cristo”, dizem os pesquisadores.
Mas a imagem que se formou em torno dela foi a de pecadora, provavelmente uma prostituta, que foi purificada pelo Cristo, e como prova de seu amor espiritual, lavou os pés do Senhor e os enxugou com os próprios cabelos. “Como mulher cheia de pecados, ela representou o papel feminino tradicional, a transmissora do pecado original, que após ser curada, passou sua vida em penitência e arrependimento”.
Conforme os textos das escrituras, na época de Jesus  era  permitido que mulheres ajudassem e servissem com seus bens a rabinos e seitas, porém não lhes era facultado participar ativamente dos rituais e eram separadas nas sinagogas. “Mas Jesus  quebrou várias dessas regras estabelecidas pela comunidade judaica, e deu um papel mais importante às mulheres dentro de seu grupo, entre elas a  Maria Madalena”.

* Jornalista, natural de União dos Palmares
Janeiro de 2005
1