| Preconceito racial e consciência
Olívia de Cássia Correia de Cerqueira * Passadas as comemorações do dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência negra, quando se homenageia o negro Zumbi, não se pode deixar que o tema do preconceito racial caia no esquecimento, fato que sempre acontece na maior parte do Brasil, principalmente em Alagoas, só sendo lembrado uma vez ou outra quando se denuncia algum caso na imprensa. Muita gente só lembra que o preconceito existe quando chega o 20 de novembro. O preconceito racial é muito disfarçado, em nome dele já se cometeu muita injustiça contra negros e mestiços. Ele se baseia na crença segundo a qual as capacidades humanas são determinadas pela raça ou grupo étnico, muitas vezes expressa na forma de uma afirmação de superioridade de uma raça ou grupo sobre os outros. Pode manifestar-se como discriminação, violência ou abuso verbal. Mas esse tipo de prática precisa ser combatida e denunciada. As primeiras concepções racistas modernas surgiram na Espanha, em meados do século XV, em torno da questão dos judeus e dos muçulmanos. Até então os teólogos católicos limitavam-se a exigir a conversão ao cristianismo dos crentes destas religiões para que pudessem ser tolerados. No Brasil, um dos fatores que marcam o racismo é a inserção do negro no mercado de trabalho. A desigualdade de oportunidades entre os grupos raciais ainda é muito gritante. Para diminuir esse quadro o governo Lula criou a questão das cotas para negros nas universidades, mas a ação do presidente causou e está causando polêmicas. Talvez não tenha sido compreendido na sua intenção. “Podemos, com certeza, afirmar a existência de uma reserva de mercado em determinadas profissões que privilegia alguns indivíduos em função da cor da pele. É o que podemos constatar em amplos setores profissionais na sociedade brasileira. Enquanto algumas ocupações são deliberadamente preenchidas por brancos, onde estão situados os maiores rendimentos e as melhores oportunidades, outras abrigam aqueles indivíduos com menores possibilidades escolares e profissionais, como é o caso dos negros, auferindo rendimentos inferiores”, diz o site da Universidade de Minas Gerais sobre o preconceito racial. Em União dos Palmares, terra de Zumbi, onde se instalou o maior e mais importante quilombo do Brasil, o Quilombo dos Palmares, está sendo construído um memorial que deverá atrair turistas de todo o mundo, o que vai trazer benefícios para aquela região dos quilombos. Mas para que os turistas cheguem e levem uma imagem positiva do local é preciso se aprimorar muita coisa, principalmente a questão do preconceito que precisa ser trabalhada nas escolas. Em primeiro lugar é necessário que as escolas do município trabalhem com a história da escravidão, Zumbi e os quilombos, em todos os meses do ano, incentivando e dando suporte para que os alunos sejam transmissores da cultura negra. Em segundo lugar a cidade de União dos Palmares vai precisar de suporte e se estruturar em todos os sentidos para receber tantos visitantes: restaurantes e pousadas que tragam um pouco da culinária tradicional da cultura negra, treinamento de guias-mirins, pessoas capacitadas que prestem informações aos visitantes, entre outros pontos. * Jornalista |