SOS Rio Mundaú

* Olívia de Cássia Correia  de Cerqueira


Neste texto de hoje quero abordar um tema que vem sendo deixado de lado e que precisa ser retomado com urgência: a poluição do Rio Mundaú e suas conseqüências para a economia e o meio ambiente do Estado de Alagoas. O Rio Mundaú, que nasce em Garanhuns-PE, corta entre outros municípios as cidades de União dos Palmares, Branquinha, Murici, entre outros municípios, deságua na lagoa de mesmo nome, em Maceió, e precisa de socorro o mais rápido possível.
Rio das lembranças da minha infância, onde costumava tomar banho, ele está morrendo. Lembro que era estreito e muito fundo em alguns locais e, às suas margens, havia muitas barreiras com plantações de bambu, ingá, manga, amêndoa, entre outras espécies, que protegiam as encostas, na Rua Demócrito Gracindo, a Rua da Ponte, no Jatobá e na Cachoeira, isso em União dos Palmares. 
Por conta de sua profundidade em alguns locais, o rio tinha uns famosos porões, que todo mundo temia. E as histórias de afogamento às vezes eram freqüentes em União. As barreiras do rio eram onde terminavam os quintais das casas construídas às suas margens, mas com o passar do tempo foram desmatando aquela orla fluvial, o que foi causando o assoreamento do Mundaú. As barreiras foram para dentro do rio, tornando-o raso e largo, por conta do desmatamento resultando em grandes enchentes e destruições em época de inverno, quando chove muito.
O Mundaú era povoado por várias espécies de peixe, principalmente a traíra, aratanha (espécie de camarão de água doce), pitu e piaba, mas quase que desapareceram na  região de União dos Palmares devido a poluição, ao lixo jogado nas margens do rio, dejetos, animais mortos e a tiborna, que também passou a ser jogada em abundância, durante muitos anos, pelas usinas de cana-de-açúcar.
O Rio Mundaú é um dos mais importantes do Estado e precisa de ações que venham despoluí-lo. Dá-me uma dor no peito quando vou a União dos Palmares, visito a Rua da Ponte e vejo o estado em que se encontra o Mundaú da minha infância. É de dar pena de ver tanta sujeira no rio: lixo doméstico jogado, animais mortos, pneus e esgoto doméstico.
Sugiro aqui que todos os setores ligados ao meio ambiente, autoridades municipais e estaduais se unam no sentido de que façam uma campanha de revitalização do rio, para que se tenha mais uma fonte de renda para a região dos quilombos, onde ele possa ser repovoado das espécies de peixe que havia antes em suas águas e as pessoas mais necessitas possam voltar a pescar tirando dali o seu sustento. É uma alternativa que pode ser viável. 

* É jornalista
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