
![]()
Era uma
hora da manhã de sexta para sábado.
Mês de maio e o frio costumeiro onde eu estava desanimava alguma atividade fora
de local abrigado.
Retornava de São Paulo e já estava no Rio de Janeiro na altura de um município
conhecido por Queimados nome devido as queimadas para fazer pasto para o gado.
O trânsito totalmente parado o que pela hora intuía um acidente.
Arrastamo-nos por mais de meia hora ate chegar sobre a ponte que cortava um rio
famoso e já objeto de outras referências em crônicas e contos meus: o rio
Guandu.
Antes e sobre a ponte varias viaturas da Policia Rodoviária Federal e de
hospitais locais.
Como todo ser humano e ainda como profissional de imprensa tive aguçada a
curiosidade e após passar do local do acidente, estacionei meu carro e
dirigi-me para onde estava o movimento apresentando a minha carteira de
jornalista e da rádio onde trabalhava nessa época a Rádio Imprensa FM.
As autoridades presentes imediatamente acataram minhas credenciais e me
permitiram o livre acesso ao local informando que caíra da ponte um ônibus pela
hora relativamente vazio.
Alguns feridos sendo socorridos e lá embaixo no rio várias pessoas lutavam para
socorrer mais feridos
Era um grave acidente. O ônibus que mergulhara no rio Guandu aparentemente sem
explicação.
Como profissional busquei mais esclarecimentos até que alguém me disse: foi a
noiva.
No momento não dei importância e agora já me integrara em ajudar no socorro dos
feridos usando até uma corda que sempre carrego no meu carro e descendo até a
base da ponte na tentativa de socorrer alguém ou mesmo ajudar a resgatar algum
corpo.
O dia amanheceu e nem percebi e cansado atravessei a pista da Presidente Dutra
estrada do acontecimento e fui tomar um café, sempre perguntando como soi fazer
repórteres e novamente ouvi: Isso é coisa da noiva.
Agora mais calmo perguntei: que noiva?
E ouvi um dos mais bizarros e estranhos relatos de minha vida.
Ora chefe, muitas pessoas humildes chamam a quem estupidamente julgam superiores
de chefe, patrão, doutor , mesmo que sejam analfabetos, basta ter uma aparência
melhor. Voltando a narrativa ouvi algo que para supersticiosos até hoje
assusta.
A noiva era uma lenda urbana que persiste ainda e falava de uma jovem bonita e
elegante que se casara exatamente num município fluminense conhecido como Nova
Iguaçu num dia de sexta- feira de um frio mês de maio o famoso mês das noivas e
que a cristandade chama de mês de Maria sendo preferido por nubentes para suas
uniões matrimoniais.
Bem , realizado o casamento essa jovem emocionada e seu marido vieram para a
lua de mel num hotel carioca . Vieram de carro enfeitado com o famoso e tolo
recém- casados.
Ela e o marido, o marido e ela a já não mais noiva ainda de branco como se
casara.
Seu sonho ser levada no colo pelo esposo ao entrar na suíte do hotel.
Abrindo um parênteses uma vez fui realizar o sonho de uma mulher e levá-la no
colo para a suíte onde ia amá-la mas ela era tão gorda que tive que pedir ajuda
aos serventes do hotel para transportá-la, só então entendi porque o marido não
a carregou no colo na sua lua de mel. Como dizem por aí, só rindo mesmo.
Bem de volta aos recém – casados. No carro do esposo imagino as carícias loucas
que rolaram entre ambos , a essa época algumas bobas ainda casavam virgens.
Hoje só casam virgens as nascidas em setembro.
Ao cruzar a ponte de referência desse conto o carro perde o rumo e se precipita
no rio com o casal.
Capotando atira a moça fora do carro mas ainda descendo mergulha parte do
veiculo no rio deixando parte do lado de fora, porém, com o marido preso nas
ferragens com parte de seu corpo nas águas e parte na margem.
Numa luta insana para libertar o marido ela se machucou e ainda conseguiu e
então com dificuldade pelos ferimentos e pela ingrimidade da encosta que levava
ate a estrada num supremo esforço, subir em busca de socorro.
Em desespero e aturdida ela tenta fazer parar algum veículo que não tomando
conhecimento passa sem notá-la.
Depois de muito tempo sem conseguir ajuda ela retorna para o carro acidentado e
para seu terror ele desaparecera. Escorregara para o rio levando seu marido seu
amor sua paixão e todos seus sonhos de felicidade para sempre.
Ela entorpecida pela tragédia , o frio, a angustia e a tristeza retorna para a
estrada caminhando desvairadamente pela pista onde veículos trafegavam a mais de
100 km por hora.
Em determinado momento nova tragédia. Ela é atropelada e jogada longe sendo
então esmagada por vários carros que passavam terminava a vida e nascia a lenda.
Á partir desse dia todas as sextas feiras depois da meia noite surgia diante dos
veículos que ali trafegavam viam uma mulher de branco na pista acenando para os
carros que na tentativa de não atropelar essa visão caiam no rio normalmente
matando seus ocupantes.
Bem essa é mais uma historia de tristeza, de dor e de terror.
Já me referi a Sheakespeare no seu medos na sua crença do desconhecido.
A mim cabe contar e a vocês julgar, mas o fato é que no pedágio que antecede
essa ponte entre onze e meia e meia noite e meia diversos sabedores dessa lenda
urbana estacionam seus carros não se atrevendo a por ali passarem nesse horário.
Não sou supersticioso, mas uma vez nessa estrada um gato preto cruzou a minha
frente e era sexta feria treze e por via das dúvidas parei no pedágio e só sai
pela manhã.
Olha já nem me casei na igreja com medo de noivas e quanto a lua de mel eu a
tive três anos antes de me casar.
![]()
WebDesigner Isolda Nunes
Juliana® Poesias ²ºº³ - Copyrigth© ²ºº³
Todos os Direitos Reservados®
Melhor visualização 800x600 ou 1024x768
Salvador - Bahia - Brasil
