
Meus lábios sedentos abafavam seus
gemidinhos de desejo.
Nada me excita mais do que a excitação da
minha fêmea e ela estava excitadíssima.
Eu pedia que ela chamasse quando livrasse
sua boquinha da minha sede de seus lábios, o
meu nome. Adoro que no auge do desejo meu
nome suavemente corte o silêncio do momento,
além dos ruídos do prazer.
Ela sem vacilar dizia; Anderson “me beija”,
adoro teus beijos, adoro tua boca.
Repentinamente ela se aquieta e comenta
entre um suspiro e outro: amor você esta
bem?
Eu que embora não tivesse nos braços quem
desejasse, mas desejava nesse momento aquela
fêmea exuberante, seios pequenos, mamilos
rígidos, coxas roliças “bumbum” empinadinho,
que me deixavam louco de desejo como se
fosse a primeira vez com ela, respondi que
sim, estava muito bem especialmente pela
companhia dela realizando meus desejos.
(embora não meus sonhos).
Para ser franco fiquei preocupado. Será que
a minha performance da qual tanto me orgulho
estava deixando a desejar?
A madrugada se iniciava em sua primeira hora
e ainda esperava mais prazer para ambos.
Então comecei a sugar seus lábios, e só aí
percebi que algo não estava bem.
Imaginei a lembrança de outra boca na minha
de outros gemidos que aumentava meu desejo
de até lágrimas de uma fêmea que chorava
quando emocionada pelo prazer que extraia de
mim e de si mesma.
Confesso que uma onda de tristeza e saudade
me invadiu, mas era apenas isso que eu
senti-a.
Repentinamente ela me afasta e fala: amor
escutei um barulho acho que tem alguém na
porta.
Sou carioca e mesmo sendo raro acontecer
assaltos a motéis, eles acontecem mais do
que deveria.
Calmamente também, a afastei de mim e peguei
a minha arma na cabeceira e fiquei ao lado
da porta ouvindo se realmente havia alguém
ali fora.
Nada escutando retornei para junto dela
guardando a arma agora escondendo no
banheiro embaixo da toalha que ali havia. Às
vezes em assaltos as vitimas são trancadas
nos banheiros e eu sempre fico prevenido
para caso esse lamentável evento ocorra
comigo.
Juntei-me a ela que me abraçou um tanto
trêmula e ai ela me falou: amor você se
aborreceria se eu te pedisse para irmos
embora.
Como já era tarde mais de uma hora da manhã
eu já estava realizado pelo menos
sexual-mente, concordei e voltei ao banheiro
para pegar a minha arma quando ouvi soluços.
Achei que era ela, mas voltando vi que não
havia lágrimas na sua face. Ela me olhava
assustada e tremia de uma estranha maneira.
O que houve meu anjo perguntei. Ela tremendo
disse: escutei um choro ela falou cada vez
mais assustada.
Eu também escutei, mas deve ser a mulher da
suíte ao lado chorando de tristeza porque o
cara que está com ela não deu conta do
serviço comentei rindo mais para
tranqüilizá-la, mas também apreensivo.
Ela insistiu: vamos embora amor por favor
vamos logo, fico com você onde, quando e o
quanto você queira, mas vamos embora daqui.
Nunca discuto com intuições e se a dela
estava em estado de apreensão a minha também
começava a disparar um alarme de perigo.
Nesse momento senti medo.
Arrumamo-nos e nem pedi a conta, fomos
diretos para a recepção.
Deixei a porta entreaberta com a chave sobre
a mesa. Nosso consumo fora mínimo, sendo
duas Cocas, a cola é claro, meu único vício
é a paixão, mas não pelas drogas e sim pelas
alucinantes fêmeas. Bebi uma água mineral e
comemos duas barras de chocolates que adoro
e ela idem.
Chegamos na saída do motel tão angustiados,
que comentei com a recepcionista: boa noite
menina, para mim toda mulher é uma menina
não importa sua idade. Nossa, a suíte que
estávamos parece que tem um peso estranho,
mas bem incômodo, uma energia desagradável.
Foi nesse momento que com surpresa ouvi da
moça que atendia os hospedes o seguinte: o
senhor estava na suíte 10 ? Eu curioso
respondi que sim. Ela prosseguindo então
esclareceu. Olha se eu fosse a dona desse
motel fecharia essa suíte, pois todo mundo
que fica lá sai assustado e nem volta mais
aqui. Todos viram algo ou escutaram algo.
Como céptico (adoro essa palavra na sua
forma arcaica) e crendo que na vida tudo é
mera-mente material sorri e perguntei: mas
sempre foi assim essa suíte, afinal ela é
elegante, linda, mas realmente incômoda e
angustiante, triste, mas com um tom de
nostalgia que até por algum tempo fascina.
Ai a bomba que me levou a escrever esse
conto.
Não senhor, não era assim não, ficou assim
há uns dois anos desde que apareceu um casal
morto dentro dela e até hoje não foi
esclarecido se foi um pacto de morte um
duplo suicídio ou se um matou o outro e se
suicidou.
A moça chorou muito antes de morrer. Todos
no motel ouviram, mas o senhor sabe tem
gente que chora mesmo, falou sorrindo
maliciosamente, por isso ninguém ligou
muito.
O fato é que desde essa época todo mundo que
se hospeda ali, se sente mal ou vê e ouve
coisas que só de falar me dão medo. Eu nunca
entro nela sozinha e ate acompanhada, fico
apavorada. Se não tivesse um filho pequeno
para sustentar jamais estaria aqui.
Normalmente não fico em bares na madrugada,
mas diante do estado de desespero da menina
que realizou meus desejos com sua irrestrita
entrega, resolvi ir a praia mesmo com uma
suave e intermitente garoa e ficar sentado
com ela numa cadeira nesses quiosques que
envolvem a orla carioca.
Quando o sol timidamente surgiu entre nuvens
e chuviscos, levei-a para casa e fiquei
pensando em Sheakespeare.
Haverá mesmo mais mistérios entre o céu e a
terra do que alcança o meu conhecimento e a
minha vã filosofia?
Não sei, mas de uma coisa tenho quase
certeza: nunca mais entrarei na suíte 10.

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