Morrer de prazer
   
Anderson Alencar

 

          Meu manto negro esconde minha ansiedade.
          A música inunda o ambiente de quase horror
          Amarrada no altar teu corpo semi –nu treme
          De medo mas de desejo com toda intensidade
          No medo reside a chama do desejo e do amor.
          Teu destino é incerto e suavemente tu gemes.

          Aproximo-me de ti e pela abertura de tua minúscula roupa
          Percebo reluzente o vermelho de teu sexo.
          Sexo pulsante, alucinado em intenso estertor.
          Tua vulva se contrai e dela aproximo minha boca.
          Teu arrepio percorre teu ser complexo,
          Varre teu corpo macio e sedutor.

          Todo de negro, inclusive na alma,
          num ritual extremamente excitante,
          preparo-me para com minha lança afiada
          penetrar no teu corpo ora sem calma,
          que respondendo ao momento delirante
          lança um grito indefinível para o nada.

          Estou cada vez mais perto e tua tontura
          não te deixa entender o que está para acontecer,
          rezo sobre teu soma como se fosse te entregar
          a um deus ou demônio de intensa luxúria.
          Tremes, e acaricio tuas coxas macias para mais te aquecer,
          arrepiadas, nervosas, no meio das quais eu vou penetrar.

          E beijo teu sexo...e em cachoeira louca
          eu liquido começa a fluir pelas tuas nádegas, loucura,
          porque sabes não ter solução salvo a tua entrega.
          Beijo teu corpo, teus rígidos mamilos e tua boca,
          e minha língua sugas com anseio e ternura.
          pois tua vontade agora já não nega

          Solto tuas pernas e teu tremor é tanto que mal a seguro,
          elas se abrem sozinhas sem saber porque acontece
          e entre elas cravo meu punhal num ritual delicioso.
          A morte do desejo que aplaco em teu corpo tão puro
          e no teu doce suicídio onde tua vontade falece,
          explodes comigo por esse morrer tão gostoso.

          E nesse vórtice louco nos fundimos num só ensejo,
          num prazer sem igual onde teu corpo é teu sexo,
          minha arma é o meu membro rígido de amor por você.
          Nosso gozo é a morte de nossos desejos,
          nossa morte é a ida para a eternidade sem nexo,
          a eternidade do amor, da paixão e do prazer .

 

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