Vai-se novamente o meu trenzinho
Nele vão a tristeza, a paixão e a saudade que sinto de tudo.
Uma nostalgia que seu apito traduz na madrugada em sua jornada de sofrimentos e angústias.
Para uns o medo, para outros a esperança e para mim, nada mais.
Dessa vez eu fico, pois meu tempo esta se exaurindo e não vale mais a pena viajar em busca do nada, pois o tempo queimou meu combustível, mas não o do trem da eternidade.
Ouço Villa Lobos que também se foi, só que ele fez o seu trem e eu não consegui nem viajar nele nem de carona.
Vá meu trenzinho resfolegue suavemente pela ravina, cercado de plantações e lavradores exaustos trabalhando entre animais mais cansados ainda e desiludidos como nossa expectativa..
Vá meu trenzinho rompendo os caminhos serras e vales, montes e escarpas vendo o menino correndo atrás de ti com a esperança dos jovens de um dia viajar no teu bojo que para uns é um sonho e para outros um pesadelo.
Xique, xique, xique, xique é o som que embora seja xique é simples como as melhores coisas da vida.
Nossa como é triste desistir dessa viagem, como fica um vazio quando você some no infinito ou na curva da estrada onde um dia eu sonhei com meu amor.
Deixo quedar meu semblante para não te ver mais, porem a saudade que já se avizinha não me permite fazer isso e te olho como se fosse a última vez. E quem sabe será!.
Como foi bom ir de estação em estação com outros sonhadores e esperançosos seres conhecer cupido, a moça da pousada, a paixão inesperada e o sonho da felicidade. Mas tudo acabou.
Agora é hora de parar. Rapidamente surge em minha mente a musica de Zeca Pagodinho e eu também vou deixar a vida me levar, não mais no trenzinho, mas na solidão do meu futuro, incerto e duvidoso como o de Beth Balanço de Cazuza cujo trem passou rápido, mas com glórias o meu nem isso teve.
Adeus meu trenzinho, é hora de ir, não eu, pois não sei a minha hora, mas você, pois no teu bojo não há vaga para desesperança.
Um dia quem sabe eu novamente viaje nesse trem uma ultima vez com a esperança dos crentes como diria o mestre Bandeira, deitado e dormindo profundamente.
Adeus meu trem, fico nesta penúltima estação, pois na próxima viagem estarei sem nem te ver, sem saudade, sem sofrimento, sem paixão, sem amor e sem esperança.
Vá na Paz e na Luz e me aguarde, um dia farei a minha última viagem no meu trenzinho vida.
 

 

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