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Um
pouco nervoso não por estar ali num motel com
ela, que era meu sonho de consumo em matéria de
mulher, porque mulher é o maior objeto de
consumo do homem, pois vendem o melhor produto
do mundo, o prazer.
Como eu dizia não era o motel, mas era ela, o
meu desejo louco, minha ambição, a mulher do
vizinho violento, que matava só de imaginar ter
sua fêmea em outros braços.
Ele o cara mau, o machão, o que comia todas, mas
nem de longe imaginava sua mulher gemendo de
prazer nos braços de outros, ser penetrada e
desmaiar de tanto tesão. Xingar e ser xingada,
bater e apanhar...Era uma loucura.
Foi nesse clima que entrei na garagem e confesso
nervoso desci a porta basculante ocultando meu
carro, mas não meus desejos e intenções.
Toquei-a quase desajeitadamente e me senti
flutuando.
Uma das coisas que mais aprecio nessa relação é
o namoro na garagem.
É gostoso e até romântico. O cheiro o
envolvimento os suaves “gemidinhos”
entrecortados pelos beijos pelo carinho ousado
que dispensa descrição.
Estávamos nessas preliminares quando ela me
afastando com doçura empurrando meu peito
calmamente me disse: amor, espere um momento.
Preciso ir lá dentro.
Eu que imaginei carregá-la no colo senti-me um
tanto frustrado, mas concordei saindo e abrindo
a porta do carro para impressioná-la com meu
cavalheirismo e dela ouvir mais algum elogio.
Mas ela saiu tão rápido quanto eu me excitei.
Segui-a e ela entrou no banheiro e imaginei que
trocava de roupa ou se perfumava para sua
entrega.
Entrega feminina é como anistia política, tem
que ser total, ampla geral e irrestrita.
Ela demorou, mas sempre que uma mulher se diz
pronta ainda leva uma hora se maquiando.
De repente um som. Parecia uma lixa grossa
ou um estrebuchar de lábios cansados como se
fosse um cavalo.
Dei pouca importância ao fato até que ouvi um
ruído desagradável de uma descarga sanitária.
Então o terror, o choque.
A porta do banheiro se abriu e um odor de fazer
Drácula tampar o nariz, emanou de lá e o pior
foi ouví-la dizer: amor eu estava com uma
diarréia terrível, sempre fico assim quando
estou para me menstruar, quase fiz no carro, por
sorte tinha muito papel aqui.
E para finalizar ela falou: agora vem aqui amor,
mas não me aperta muito porque se apertar posso
passar vergonha e te sujar todo. E ainda riu.
Até hoje não me lembro a desculpa que lhe dei
para fugir dali e quase deixar para buscar meu
carro depois.
Ao sair do motel contendo a decepção e o vômito,
vi um táxi e acelerando meu carro como podia,
quase joguei a “dama” pelo vidro do meu
automóvel para dentro do outro veículo.
Levei uma semana para conseguir outra ereção.
Ainda bem que minha mulher estava “naqueles
dias” e eu não tenho tendências vampirescas,
salvo para morder “pescocinhos”.
Anderson Alencar que desde
esse dia passou a servir antes para suas
companhias femininas mal intencionadas, um copo
de refrigerante misturado ao famoso e eficiente
elixir paregórico ou outro anti diarréico (por
via das dúvidas).

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