
Traduzido por Olga Dandolo
Conteúdo: Introdução. A Ressurreição
de Cristo. A
relação entre a páscoa dos hebreus (Antigo Testamento) e a
Páscoa Cristã (Novo Testamento). Profecias a respeito da morte e
Ressurreição do Messias.
Frutos da Ressurreição de Cristo. Missa da Páscoa. Cânone da Páscoa.
Suplemento: O Sermão
Pascoal de São João Crisóstomo. Nota, Observação. Homlia de São
João Crisóstomo
Ressurreição
de Cristo — fundamento da nossa fé. É a primeira, a mais
importante, Verdade maior. Com a proclamação da
Ressurreição de Jesus Cristo, os Apóstolos iniciavam seus
sermões. Assim como com a morte de Cristo na Cruz foi realizada a
purificação dos nossos pecados, também com a sua Ressurreição
nos foi dada a vida eterna. É por isso que para as pessoas de fé
a Ressurreição de Cristo é a fonte da alegria constante,
incessante júbilo, alcançando seu cume na festa da Santa Páscoa
Cristã.
Nesta brochura relataremos
como sucedeu a Ressurreição de Jesus Cristo, mostraremos a
relação entre a Páscoa e páscoa dos hebreus do
Antigo Testamento; citaremos as profecias do Antigo Testamento a respeito da
Ressurreição do Salvador, contaremos o sentido
(significação) da ressurreição de Cristo para nossa
vida e a vida de toda humanidade. No final mostraremos os principais momentos
do ofício divino e cânones de Páscoa.
Provavelmente
não existe uma única pessoa no mundo que não tenha ouvido
falar a respeito da morte e Ressurreição do Nosso Senhor Jesus
Cristo. Mas, naquele tempo, quando os fatos de sua morte e Ressurreição
foram tão amplamente conhecidos, sua essência espiritual e seu
sentido interior surgem como mistério da sabedoria de Deus,
justiça e Seu amor infinito. Os maiores cérebros humanos, com
impotência inclinavam-se perante esse mistério inconcebível
da salvação. Não obstante, os frutos espirituais da morte
e Ressurreição do Salvador são acessíveis à
nossa fé e sensíveis ao coração. E graças
à capacidade que nos foi dada de percebermos a luz espiritual da verdade
Divina, somos convictos de que o Filho Encarnado de Deus em verdade morreu
voluntariamente na Cruz para a purificação dos nossos pecados e
ressuscitou para nos dar a vida eterna. Sobre esta convicção
está baseada toda nossa concepção religiosa.
Agora, resumindo, vamos nos
recordar dos principais acontecimentos ligados à
Ressurreição do Salvador. Conforme narram os evangelistas, Nosso
Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz na Sexta-feira, perto das 3 horas
após o almoço, na véspera da Páscoa hebraica.
Naquela mesma noite, José de Arimatéia, um homem rico e honrado,
juntamente com Nicodemus tiraram o corpo de Cristo da Cruz, ungiram-No com
substâncias aromáticas, envolveram com linho (Sudário),
conforme as tradições judaicas e sepultaram numa gruta de pedra.
Essa gruta foi cortada por José para seu próprio sepultamento,
mas por amor a Jesus cedeu-a. A referida gruta encontra-se no jardim de
José, perto de Golgotá, onde Cristo foi crucificado. José
e Nicodemus eram membros do Sinédrio (a corte suprema judaica) e ao
mesmo tempo eram discípulos secretos de Cristo. A entrada da gruta, onde
eles sepultaram o corpo de Jesus, foi fechada com uma enorme pedra. O
sepultamento foi feito rapidamente e não conforme as leis, pois nessa
noite iniciava-se a celebração da páscoa hebraica.
A despeito da
celebração no Sábado de manhã, os sacerdotes e
escribas foram até Pilatos e pediram sua autorização para
colocar soldados romanos para guardarem o túmulo. Foi colocado um lacre
na pedra que fechava a entrada do sepulcro. Tudo isto foi feito como
precaução, pois eles se lembraram das predições de
Jesus Cristo, que Ele ressuscitaria no terceiro dia de sua morte.
Onde esteve o Senhor e Sua
alma após Sua morte? Conforme a crença da Igreja, Ele desceu ao
inferno junto com Seu sermão salvador e retirou de lá aqueles que
acreditavam Nele (1 Pe 3,19).
No terceiro dia após
Sua morte, no Domingo, de manhã cedo, quando ainda estava escuro e os
guardas se encontravam em seu posto na sepultura lacrada, o Senhor Jesus Cristo
Ressuscitou dos mortos. O mistério da Ressurreição, assim
como o mistério da encarnação, — são inconcebíveis.
Com a frágil mente humana, nós entendemos esse acontecimento da
seguinte maneira: que no momento da Ressurreição a alma do Filho
de Deus voltou ao Seu corpo, e em conseqüência o corpo reviveu e
ficou imortal, vivificado e espiritualizado. Depois disto, o Cristo
ressuscitado deixou a caverna sem derrubar a pedra e sem violar o lacre. Os
guardas não viram o que aconteceu na caverna, e após a
Ressurreição de Cristo continuavam vigiando o túmulo
vazio. Em seguida aconteceu um terremoto, e então um Anjo de Deus desceu
do céu, afastou a pedra da entrada do túmulo e sentou-se sobre
ela. Ele tinha a aparência de um raio e sua roupa era alva como a neve.
Os guardas, assustados com o Anjo, fugiram.
Nem as esposas dos
produtores de mirra, nem os discípulos de Cristo, sabiam de nada do
acontecido. Como o sepultamento de Cristo foi feito rapidamente, as esposas dos
produtores de mirra combinaram que iriam ao túmulo no dia seguinte ao
dos festejos da páscoa hebraica, ou seja, no Domingo, e terminariam a
unção do corpo do Salvador com aromas e bálsamos. Elas
inclusive não tinham conhecimento dos guardas romanos nem do selo.
Quando a aurora começava a surgir, Maria Madalena, “outra” Maria, Salomé
e algumas outras mulheres honradas foram até o túmulo levando a
mirra perfumada. Pelo caminho, elas refletiam perplexas: “Quem irá retirar
a pedra do túmulo?” — pois, conforme explica o Evangelho, a pedra era
imensa. A primeira que se aproximou do sepulcro foi Maria Madalena. Vendo a
sepultura vazia, ela correu para trás até aos discípulos
Pedro e João e contou-lhes a respeito do desaparecimento do corpo do
Mestre. Um pouco mais tarde chegaram ao túmulo outras portadoras de
mirra. Ela viram um jovem vestido de branco sentado do lado direito do
túmulo, o qual lhes disse: “Não se assustem, posto que sei que
vocês procuram pelo Cristo crucificado. Ele Ressuscitou. Andem e digam aos
discípulos Dele que eles O verão na Galiléia.” Emocionadas
com a notícia inesperada, elas apressaram-se para ir ter com os
discípulos.
Entre tanto os
Apóstolos Pedro e João, tendo ouvido de Maria sobre o acontecido,
vieram correndo à caverna: Porém, tendo encontrado ali apenas a
mortalha e o tecido o qual estava na cabeça de Jesus voltaram perplexos
para casa. Depois disso Maria Madalena voltou ao local do sepultamento de
Cristo e começou a chorar. Nesse momento ela viu na sepultura dois Anjos
vestidos de branco, os quais estavam sentados — um à cabeceira, outro
aos pés, de onde estava deitado o corpo de Jesus. Os Anjos perguntaram-lhe:
“Por que você está chorando?.” Após ter respondido aos
Anjos, Maria voltou-se e viu Jesus Cristo, mas não o reconheceu. Pensando
que se tratava de um jardineiro, ela perguntou: “Meu senhor, se você O
retirou (Jesus Cristo) então diga onde O colocou e eu O pegarei.”
Então, o Senhor disse para ela: “Maria!.” Ao ouvir a voz conhecida e
tendo se voltado para Ele, ela reconheceu a Cristo e gritou: “Mestre” e
jogou-se a Seus pés. Mas o Senhor não permitiu que ela O tocasse,
mas ordenou que fosse Ter com os discípulos e lhes contasse sobre o
milagre da Ressurreição.
Nessa mesma manhã os
guardas chegaram até aos sumo-sacerdotes e lhes relataram a respeito da
aparição do Anjo e da sepultura vazia. Essa notícia deixou
as autoridades judaicas muito agitadas: Cumpriram-se seus pressentimentos
inquietantes. Agora para eles antes de mais nada era necessário preocupar-se
para que o povo não acreditasse na Ressurreição de Cristo.
Tendo reunido o conselho, eles deram muito dinheiro aos soldados ordenando que
propagassem e espalhassem o rumor dizendo que os discípulos de Jesus
à noite, na hora em que os guardas dormiam, roubaram Seu corpo. Assim
fizeram todos os guardas, e o boato sobre o roubo do corpo do Salvador se
manteve por longo tempo entre o povo.
No primeiro dia de Sua
Ressurreição, o Senhor apareceu algumas vezes aos seus
discípulos, os quais se escondiam individualmente ou em pequenos grupos
em diversos lugares de Jerusalém. De acordo com as
tradições da Igreja, Cristo primeiramente apareceu à Sua
Mãe e com isto consolou Sua aflição materna. Depois, o
Senhor apareceu às outras esposas dos feitores de mirra, lhes dizendo:
“Alegrem-se!” Elas, por sua vez, se apressaram em dividir esta alegria com
outros Apóstolos. Nesse mesmo dia o Senhor apareceu ainda para o
Apóstolo Pedro e a dois discípulos — Lucas e Cléofas que
estavam a caminho de Emaús. À noite Ele apareceu para todos os
Apóstolos, os quais estavam reunidos para condenar os boatos sobre Sua
Ressurreição. Com medo dos judeus, eles se trancaram em uma das
casas de Jerusalém (pela tradição na sala onde aconteceu a
Santa Ceia e onde sete semanas após a Páscoa o Espírito
Santo desceu sobre os Apóstolos).
Depois de uma semana, o
Senhor novamente apareceu aos Apóstolos, incluindo Tomé, o qual
estava ausente na primeira aparição do Salvador. Para dispersar
as dúvidas de Tomé a respeito de Sua Ressurreição,
o Senhor permitiu que ele tocasse Suas chagas, e Tomé, agora convencido,
caiu aos Seus pés, exclamando: “Meu Senhor e meu Deus!” Conforme narram
os evangelistas, durante o período de quarenta dias após Sua
Ressurreição, o Senhor ainda apareceu algumas vezes aos
Apóstolos, conversou com eles e dava-lhes as últimas
instruções. Um pouco antes da Sua Ascensão o Senhor
apareceu para mais de cinqüenta crentes.
No quadragésimo dia
após Sua Ressurreição o Senhor Jesus Cristo, na
presença dos Apóstolos subiu aos céus e desde então
Ele está sentado à “direita” de Seu pai. Os Apóstolos,
encorajados com a Ressurreição do Salvador e Sua gloriosa
Ascensão, voltaram à Jerusalém para aguardar a descida do
Espírito Santo sobre eles, conforme lhes prometeu o Senhor.
Conforme nós
sabemos, o tempo antigo era um período de preparação do
povo hebreu para o advento do Messias. Por esta razão, alguns
acontecimentos na vida do povo hebreu e especialmente as profecias dos
profetas, referiam-se à vinda de Jesus Cristo e a chegada do Novo Testamento.
O Antigo Testamento, através das palavras do Santo Apóstolo Paulo
era o portador da criança para Cristo e “sombra de futuras bênçãos” (Gal. 3:24; Heb.
10:1).
A ocorrência mais
significativa na história do povo Judeu foi a libertação
da escravidão egípcia nos tempos do profeta Moisés, a
1.500 anos antes de Cristo. Esta libertação passou a ser
comemorada na festa nacional da páscoa dos judeus, juntamente com outros
acontecimentos, em conexão com a libertação do Egito: a
derrota, pelo Anjo, dos primogênitos egípcios e a graça das
crianças judias em cujas casas eram feitos sinais de sangue do cordeiro
de páscoa (daí a palavra “Páscoa” — “passar perto;”) o
milagre da passagem pelo Mar Vermelho e naufrágio das tropas
egípcias que perseguiam os israelitas; e então o recebimento da
Lei (os Dez Mandamentos) no monte Sinai, pelo povo judeu. Foi quando o povo
hebreu passou a ser considerado como o povo de Deus. Desde aquele tempo, os
judeus festejando a páscoa e seguindo os costumes dos seus antepassados,
com orações e cerimônias simbólicas fazem oferendas,
mas eles fazem com o cordeiro pascal.
Com a coincidência
significativa da morte e Ressurreição do Nosso Senhor Jesus
Cristo com os festejos da páscoa dos hebreus, é preciso notar a
indicação de Deus na ligação interior profunda
entre estes dois acontecimentos, a respeito dos quais o Santo Apóstolo
Paulo escreve detalhadamente em sua epístola aos Hebreus. Confrontaremos
a seguir os acontecimentos paralelos das duas Páscoas.
|
Páscoa do Antigo
Testamento |
Páscoa do Novo Testamento |
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O empenho do cordeiro sem defeito de
Páscoa a salvação dos primogênitos israelitas com
o sangue dele (Gen. 12). A passagem milagrosa dos israelitas no Mar
Vermelho e a salvação da escravidão egípcia
(Exo.14:22). A legislação no Monte Sinai no
50o dia após a saída do Egito e a conclusão
da aliança com Deus (Exo. 19). O saborear milagroso do maná enviado
pôr Deus (Exo. 16:14). A peregrinação de 40 anos pelo
deserto e as diversas provações, as quais reforçaram nos
israelitas a fé em Deus. A colocação da serpente de
bronze. O hebreu que a olhasse era salvo de ser mordido pôr serpentes
venenosas (Num. 21:9). A entrada dos hebreus na terra prometida por
nova Ter- seus pais. |
A crucificação do Cordeiro de
Deus, por Cujo Sangue os primogênitos do Novo Testamento mento
(cristãos) serão salvos (1 Ped. 1:19). O batismo na água e a
salvação do domínio do demônio (1 Cor. 10:1-2;
veja também em Romanos o 6o e 7o
capítulos). A vinda do Céu do Espírito
Santo sobre os Apóstolos no 50o dia após a
Páscoa e a instituição do Novo Testamento (Ato. 2). O saborear do pão
Celestial — Corpo e Sangue de Cristo na Liturgia (Joã. 6o
capítulo). Provações e
dificuldades da vida que cada cristão tem de suportar. Livramento e
salvação do remordimento da serpente espiritual, demônio,
através da força da Cruz (Joa. 3:14). A promessa de novos céus e
uma nova Terra, onde habitará a verdade (2 Ped. 3:13). |
Nós podemos ver nestas comparações de
acontecimentos pascais que os da páscoa do antigo Testamento anteciparam
as grandes mudanças espirituais as quais seriam concretizadas na vida
dos homens após a Ressurreição do nosso Salvador. Eis
porque os Apóstolos, comemorando a Páscoa do Novo Testamento
afirmavam: “Nossa Páscoa — Cristo,
foi sacrificado por nós!” (1 Cor.5:7).
Muitos profetas do
Antigo Testamento se pronunciam a respeito da Ressurreição do
Messias. Dentre eles, deve-se destacar aqueles que profetizavam que o Messias
seria não somente um homem, mas também Deus e por conseguinte,
será imortal por Sua divina natureza. Vejamos, por exemplo: Salmos: 2,
44 e 109; Gen. 9:6; Jer.23:5; Miq. 5:2; Mal. 3:1. Também profecias a respeito
do Reino Eterno foram feitas, por exemplo: Gen. 49:10; 2 Sam 7:13; Salm 131:11;
Ezeq 7; Dan 7:13; pois, o Eterno Reino espiritual se supõe ao Rei
imortal.
Entre as profecias corretas
sobre a Ressurreição de Cristo, a mais clara vem a ser a de
Isaias, 700 anos antes de Cristo, que ocupa todo o capítulo 53 de seu
livro. O profeta Isaias, o qual escrevendo o sofrimento de Cristo com tantos
detalhes, como se estivesse presente aos pés da Cruz, termina sua
narração com as seguintes palavras:
“A Ele foi destinado o túmulo com os mal feitores, mas Ele foi sepultado num túmulo de alguém rico, pois não cometeu pecado, e não havia mentira em seus olhos. Mas Deus achou apropriado entregá-lo ao sofrimento. Porém quando Sua alma trouxer o sacrifício da conciliação, Ele verá eterna a futura geração. E a vontade de Deus será cumprida pela mão Dele com êxito. Na proeza de Sua alma Ele vai olhar com benevolência. Através de Seu conhecimento, Ele, o Justo, Meu Servo, absolve a muitos e levará seus pecados sobre Sí. Por isso Eu Lhe darei parte entre os grandes e Ele irá dividir o prêmio com os fortes.”
As palavras finais desta profecia falam diretamente que o Messias,
após Seus sofrimentos de salvação e morte,
Ressuscitará e será glorificado pelo Deus Pai.
A respeito da
Ressurreição de Cristo, o rei Daví também fez
profecias no salmo 15, em nome de Cristo, onde diz: “Ponho sempre o Senhor
diante dos olhos; pois que ele está a Minha direita, não vacilarei.
Por isso Meu coração se alegra e Minha alma exulta. Até
Meu corpo descansará seguro. Porque Tu não abandonarás
Minha alma na habitação dos mortos, nem permitirás que Teu
Santo conheça a corrupção. Tu Me ensinarás o
caminho da vida; há abundância de alegria junto de Tí e
delícias eternas à Tua direita” (Salm 15:8-11. Veja também Ato 2:25 e 13:35).
Desta maneira, os profetas
estabeleceram ao seu povo o fundamento da fé concernente a chegada e
Ressurreição do Messias. Eis porque os Apóstolos
propagavam com tanto sucesso a fé
na ressurreição de Cristo, entre o povo hebreu, a despeito
dos obstáculos colocados pelos chefes religiosos da nação
hebraica.
“Assim
como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão” (1 Cor. 15:22). Estas palavras
apostólicas dizem não apenas sobre a ressurreição
física das pessoas, mas em primeiro lugar, sobre o renascimento da alma.
Assim como a morte se dá de duas maneiras — espiritual e física,
assim também é a ressurreição — espiritual e
física. A morte de Adão, como resultado de prejuízo moral,
passou para todas as pessoas. A Ressurreição de Cristo apareceu
como o início de nossa ressurreição espiritual, o
despertar da tendência espiritual dentro de nós, e também o
renascimento moral. Com referência a esta ressurreição
espiritual dos crentes, Deus disse: “Vem
a hora, e já está aí, em que os mortos ouvirão a
voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão” (Jo 5:25).
Em vista disto, na
iminência da ressurreição de todos os mortos, deve-se
diferenciar a ressurreição temporária daqueles mortos os
quais o Senhor Jesus Cristo e Seus discípulos ressuscitavam, conforme o
Evangelho e os Livros dos Apóstolos. Por exemplo: a
ressurreição da filha de Náira, do filho da viúva
de Nain e de Lázaro, o qual já estava no caixão há
quatro dias, e outros. Aquelas eram as ressuscitações temporárias
tanto que, após um determinado tempo os ressuscitados novamente
morreram, assim como todas as pessoas. Porém, a
ressurreição universal dos mortos será eterna na qual as
almas das pessoas se unirão para sempre com seus corpos. — Diante da
ressurreição universal, as pessoas justas e corretas se
erguerão transformadas, inspiradas e imortais. O primeiro ressuscitado
com este corpo renovado e inspirado foi o Senhor Jesus Cristo, a quem o
Apóstolo chama de “Primícia
dos que morreram” (1 Cor. 15:20). Então, no Reino de Seu Pai, os
justos resplandecerão como o sol. Aquele que tem ouvidos, ouça
(Mat. 13:43).
A festa da Páscoa
cristã é celebrada pelos cristãos ortodoxos com imensa
alegria porque eles, nos dias da Páscoa, mais do que em outras
épocas, sentem a força do renascimento da Ressurreição
de Cristo — cuja força destitui o domínio das trevas, libertou as
almas do inferno, abriu as portas para o Paraíso, venceu os laços
da morte, derramou vida e luz nas almas dos crentes. É admirável
ainda, que a alegria da Páscoa se dissemina para uma quantidade
tão grande de pessoas — não apenas nos que crêem profundamente
mas também naqueles mais afastados de Deus. Na Páscoa o mundo
todo, e parece que até a natureza sem alma, se alegram pela
vitória da vida perante a morte.
Não existe missa
mais iluminada e radiante do que a da Páscoa Ortodoxa. A missa da
Páscoa inicia-se com a procissão ao redor da Igreja, com velas
acesas nas mãos de todos os fiéis e com o cântico: “Tua
Ressurreição, Ó Cristo Salvador; Os Anjos cantam nos
Céus: e Concede a nós na terra Te glorificar com o
coração puro.” Essa procissão relembra o cortejo das
mulheres que foram ao túmulo do Salvador, pela manhã bem cedinho
para ungir com mirra seu Corpo Sagrado. Tendo contornado a Igreja, a procissão
detém-se diante das portas principais fechadas e o sacerdote inicia as
Matinais exclamando: “Salve Santíssima, consubstancial criadora da vida
e indivisível Trindade....” Em seguida, todos os sacerdotes e diáconos
(como o anjo que anunciou a Ressurreição de Cristo), cantam por
três vezes: “Cristo ressuscitou dos mortos, repara a morte com a morte, e
àqueles que estão no túmulo a vida é dada.” O canto
dos sacerdotes é seguido pelo côro. Então, o sacerdote mais
velho proclama as palavras proféticas do salmo: “Que Deus ressuscite e
disperse Seus inimigos.” As palavras finais de cada verso são seguidas
pelo canto alegre do côro “Cristo ressuscitou.” Em seguida os sacerdotes
e diáconos repetem o início do troparion: Cristo ressuscitou dos
mortos, repara a morte com a morte, e o côro termina: “e àqueles
que estão no túmulo a vida é dada. Nesse instante as
portas da Igreja são abertas, todos entram e inicia-se a grandiosa
ladainha (pequenos pedidos) com o cântico: “Senhor, tem piedade”; em
seguida canta-se os cânones de Páscoa: é “dia da
Ressurreição,” composto por São João de Damascus.
Durante esses
cânticos, os sacerdotes repetidamente incensam o templo inteiro e fazem
saudação aos fiéis com as palavras: “Cristo ressuscitou!,”
à qual todos respondem com vigor: Em verdade ressuscitou.” Ao final da
Matinal é lido o sermão inspirador de São João
Chrisóstomo, o qual inicia-se com as palavras: “Quem quer que seja
devoto...”
As habituais “Horas”
não são lidas; elas são substituídas por
cânticos de hinos de Páscoa. A Liturgia inicia-se logo após
a “Zaútrinia.” Em lugar dos Salmos habituais, são cantados
antífonas especiais (pequenas preces com versos); em lugar do
cântico da Trindade, é cantado “Tantos quantos foram batizados em
Cristo. O Evangelho lido é a respeito do nascimento imortal do Filho de
Deus de Deus Pai e da Divindade de Jesus Cristo, Verbo de Deus (Joã.
1:1-17), o qual Ele provou através de Sua Gloriosa Ressurreição.
Quando são vários sacerdotes que estão presente no
ofício, o Evangelho é lido em vários idiomas; isto
significa que os Apóstolos pregavam a várias nações
a respeito da Ressurreição, em seu idioma nativo.
Em lugar do cântico
usual glorificando a Virgem Maria, é cantado:
“O Anjo proclamava
à Abençoada: Virgem, Pura, alegra-Te! E novamente eu digo: Alegra-Te!
Teu Filho ergueu-se do túmulo no terceiro dia após a morte e
ressuscitou os mortos: povo, alegre-se!”
Seja glorificada, seja
glorificada, Nova Jerusalém (Igreja de Cristo), pois sobre você
brilhou a Glória de Deus: celebra e festeja Sion (Igreja de Cristo)! E
Tu, Pura, alegra-Te com a Ressurreição dAquele que nasceu de
Tí!
Após, é feita
a consagração do “Artos” (Pão bento). Este é um
Pão especial, onde é representada a Ressurreição de
Cristo. No seguimento do ofício o “Artos” é partido em
pedaços e distribuído entre os crentes em memória à
aparição do Cristo ressuscitado aos Apóstolos Lucas e
Cleópas (os quais O reconheceram após Ele Ter partido o
pão). No primeiro dia da Santa Páscoa são benzidos ovos,
queijo e manteiga, e também panetones, com os quais os crentes terminam
com o jejum. No dia da Santa Páscoa, os cristãos ortodoxos se
cumprimentam entre sí com beijo fraterno com as palavras: “Cristo
ressuscitou” e fazem troca de ovos vermelhos, os quais simboliza a
Ressurreição. Durante todos os dias da Semana da Páscoa,
as portas do Altar permanecem abertas como sinal de que a
Ressurreição de Cristo abriu a todas pessoas a entrada para o
Céu. Começando com o primeiro dia da Santa Páscoa até
a Vesperal da Santíssima Trindade (durante 50 dias) não se deve
fazer reverências ou saudações até o chão.
Eirmos: É o dia da Ressurreição! Fiquemos
radiantes, homens! Páscoa! A Páscoa de Deus! Pois Cristo nosso
Deus nos trouxe da morte para a vida e da terra para o Céu, enquanto
cantamos hinos de triunfo!
Refrão: Cristo ressuscitou dos mortos (antes de cada
troparion).
Purifiquemos nossos
sentimentos e veremos Cristo, iluminado pela luz inacessível da Ressurreição,
e ouviremos claramente Dele: “Alegrem-se!” enquanto cantamos hinos de triunfo.
Refrão: Cristo ressuscitou dos mortos.
Os Céus dignamente
se alegrarão, o universo estará feliz, e o mundo inteiro,
visível e invisível, estará em festa, pois Cristo, nossa
eterna felicidade, se ergueu — alegria eterna!
Eirmos: Venham, bebamos da nova bebida, que não brotou
milagrosamente de uma pedra árida, mas da fonte incorruptível — o
Túmulo de Cristo, em Quem nos sustentamos (Exo. 17:6).
Refrão: Cristo ressuscitou dos mortos.
Agora tudo encheu-se de luz
— o céu e a terra, e lugares mais ocultos; que toda
criação celebre a Ressurreição de Cristo, na Qual
nos afirmamos.
Ontem eu fui sepultado
conTigo, Oh Cristo, e hoje eu me ergo conTigo ressuscitado; ontem eu fui
crucificado conTigo. Glorifica-me. Oh Salvador, em Teu Reino (Rom. 6:3-4).
Eirmos: Possa o divino profeta Habacuc colocar-se conosco em guarda
e nos mostrar o Anjo iluminado dizendo claramente: hoje a
salvação veio ao mundo, pois Cristo ressuscitou como Onipotente
(Hab. 2:1, Is. 9:6).
Refrão: Cristo Ressuscitou dos mortos.
Nossa Páscoa — Cristo se revelou como do sexo masculino, como
filho do ventre da Virgem. Ele é chamado de Cordeiro — como oferenda
para alimento — como Purificador do mal e como Deus verdadeiro — proclamado
perfeito (Exo. 12:5).
Cristo, nossa Corôa
abençoada — como um cordeiro novo, voluntariamente Se sacrificou por
todos na Páscoa purificadora, e novamente resplandeceu, Sol
magnífico da verdade.
Davi, o antepassado de
nosso Divino Deus, dançava com todas as suas forças diante da
Arca do Senhor; e nós, povo abençoado de Deus, vendo a
execução dos protótipos, nos alegremos divinamente, pois
Cristo ressuscitou, como Onipotente! (2 Sam. 6:14).
Eirmos: Vamos nos erguer no profundo amanhecer e em lugar da mirra,
oferecer um hino ao Senhor, e veremos a Cristo — Sol da verdade, instrutor da
vida para todos.
Refrão: Cristo ressuscitou dos mortos.
Tendo visto a Sua infinita misericórdia, Oh Cristo, aqueles
mantidos nas cadeias do inferno, alegremente apressaram-se para a luz,
glorificando a Páscoa eterna!
Com lanternas nas
mãos, vamos ao encontro de Cristo, saído do túmulo como um
noivo, e com fileira de Anjos celebrando, celebremos a Páscoa do Deus da
Salvação.
Eirmos: Tu desceste, Oh Cristo, às profundezas ocultas da
terra e destruíste as eternas barreiras que mantinham os prisioneiros
cativos, e no terceiro dia, tal qual Jonas saiu do ventre da baleia,
saíste do túmulo (Jon. 2:11).
Refrão: Cristo ressuscitou dos mortos.
Tendo mantido o lacre da
Virgem intacto com Teu nascimento, Oh! Cristo, Tu Te ergueste do túmulo
sem violar o lacre, e nos abriste as portas do Paraíso.
Oh, meu Salvador, como
Deus, Sacrifício indestrutível! Voluntariamente Se oferecendo ao
Pai, Tu, Te ergueste do túmulo, ressuscitaste junto a Adão.
Não obstante que Tu
desceste ao túmulo, Oh Imortal, entretanto Tu exterminaste o povo do
inferno, e Te elevaste novamente como vencedor, Oh, Cristo, nosso Senhor,
dizendo às mulheres que portavam a mirra: alegrem-se! E dando paz aos
Seus Apóstolos, e oferecendo Ressurreição aos arruinados.
Ikos: As portadoras de mirra solteiras que anteciparam a aurora e buscaram,
como aqueles que procuram o dia, seu Sol, Aquele que era antes do sol e que uma
vez esteve no túmulo. E elas gritaram reciprocamente: Amigos, venham,
vamos ungir com aromas Seu Corpo Vivificante e sepultado — a Carne Que ergueu
Adão, e Que agora está no túmulo. Vamos, apressemo-nos,
vamos venerar; e vamos levar a mirra como um presente a Ele, que está
enrolado, mas ainda não enfaixado, e sim na mortalha (sudário). E
vamos chorar e clamar: Levanta-Te, Oh! Senhor, Que ofereceu a
Ressurreição aos caídos.
Tendo contemplado a
Ressurreição de Cristo, vamos adorar o Sagrado Senhor Jesus, o
único Impecável. Nós veneramos Tua Cruz, Oh! Cristo, e Sua
Santíssima Ressurreição nós louvamos e
glorificamos; por Tua habilidade, nosso Deus, só conhecemos a Tí;
nós chamamos por Teu nome. Oh, venham, todos fiéis, vamos
venerar.
Sagrada
Ressurreição de Cristo. Através da Cruz, a alegria chegou
para o mundo todo. Eterno louvor ao Senhor, vamos glorificar Sua
Ressurreição. Pela Cruz, Ele destruiu a morte pela morte. (repetir 3 vezes).
Jesus, tendo se erguido do
túmulo, conforme Ele profetizou, nos deu a vida eterna e grande misericórdia. (repetir 3 vezes).
Eirmos: Ele, Que salvou as crianças da fornalha, se fez
homem, sofreu, como um mortal, e através do Seu sofrimento, vestiu a
mortalidade com a graça da imortalidade. O único Deus dos homens,
Abençoado e Glorioso.
Refrão: Cristo ressuscitou dos mortos.
As mulheres sábias e
devotas Te seguiam com a mirra; mas Aquele que elas procuravam com lágrimas
como morto, elas reverenciaram com alegria, como ao Deus vivo, e contaram aos
Teus discípulos, Oh! Cristo, as boas notícias da Páscoa
mística.
Nós celebramos a
mortificação da morte, a destruição do inferno, o
início de outra vida, a vida eterna e saltamos de alegria e glorificamos
o Responsável por tudo, o único Deus dos homens, Abençoado
e Glorioso (Ose. 13:14).
Pela verdade a santíssima
e supremas festa é esta noite de salvação radiante de Luz,
o prenúncio do dia brilhante da Ressurreição, na qual a
Luz Eterna brilhou do Túmulo materialmente, para todos.
Eirmos: Este é o Dia escolhido, o único, o primeiro
dos sábados — a festa das festas e o triunfo dos triunfos; neste dia
bendizemos Cristo para sempre!
Refrão: Cristo ressuscitou dos mortos.
Vinde ao dia glorificado da
Ressurreição, compartilhemos do fruto do novo vinho, divina
felicidade, Reino de Cristo, glorificando-O, como Deus, para sempre.
Lança o teu olhar,
Oh! Sion, e olha ao teu redor: Eis que se estenderam as tuas crianças,
como luzes divinas do norte, sul, leste, do mar e do levante, Abençoando
em Tí Cristo, para sempre (Isa. 60:4).
Pai, Todo Poderoso, e Palavra
e Espírito — Único Ser em três Unidades, Altíssimo e
Divino! Em Tí nós fomos batizados e iremos Te glorificas para
todo o sempre.
Eirmos: Brilha, brilha, nova Jerusalém; pois a Glória
do Senhor brilhou sobre tí; festeja e alegra-te agora, Oh! Sion. E Tu, a
Pura Mãe de Jesus, alegra-Te pela ascensão Dele, a Quem deste a
Luz (Isa. 60:1).
Refrão: Cristo ressuscitou dos mortos.
Oh, como é divina,
dócil e maravilhosa a Tua palavra, Oh Cristo! Tu prometeste estar conosco
até o fim do mundo. Tendo esta esperança de apoio, nós,
crentes, nos alegramos (Mat. 28:20).
Oh, Páscoa,
Magnífica e Sagrada, Oh, Cristo! Força e palavra de Deus! Permita
a nós nos unirmos completamente a Tí no dia infinito do Teu Reino
(Cor. 5:7; 13:12).
Refrão1: Glorificai, Oh, minha alma, Cristo o doador
da vida, Aquele que se ergueu do Túmulo no 3o dia. Brilha,
brilha, nova Jerusalém; pois a Glória do Senhor brilhou sobre
tí; festeja e alegra-te agora, Oh! Sion. E Tu, a Pura Mãe de
Jesus, alegra-Te pela ascensão Dele, a Quem deste a Luz.
Refrão 2: Glorificai, Oh, minha alma, Cristo o doador
da vida, Aquele que se ergueu do Túmulo no 3o dia.
Refrão 3: Cristo na Nova Páscoa, a Vítima
viva sacrificada, o Cordeiro de Deus Que tirou os pecados do mundo.
Troparion: Oh Divina, Oh Querida, Oh doce Voz!
Tú, oh Cristo, nos prometeste fielmente estar conosco até o fim
do mundo. E nos apoiando firmemente nesta promessa como uma ancora de
esperança, nós os devotados nos alegramos.
Refrão 4: O Anjo gritou para Aquela que é cheia
de Graça: Alegra-Te, Virgem Pura! E de novo eu digo: Alegra-Te! Teu
Filho ressuscitou do Túmulo no 3o dia e ressuscitou os
mortos. Alegra-se, povo! (repetir novamente: “Oh Divina, Oh Querida”).
Refrão 5: Rugindo majestosamente, como o Leão de
Judá, Tu adormeceste, e Tu ergueste os mortos de todos os tempos
passados. (repetir novamente: “Oh Divina, Oh Querida.”..).
Refrão 6: Maria Madalena correu ao sepulcro e viu
Cristo e falou com Ele como se fosse jardineiro.
Troparion: Oh, Páscoa Grande e Sagrada, Cristo!
Oh, Sabedoria, Palavra e Povo de Deus! Permita que possamos com a máxima
perfeição, partilhar de Tí no Dia infinito do Teu Reino.
Refrão 7: O Anjo resplandecente falou às
mulheres: Parem com as lágrimas, pois Cristo ressuscitou.
Refrão 8: Povo, alegre-se, pois Cristo ressuscitou,
pisou na morte e ressuscitou os mortos.
Refrão 9: Hoje toda humanidade está feliz e
alegra-se, pois Cristo ressuscitou e o inferno foi vencido.
Refrão 10: Hoje o Mestre conquistou o inferno e ergueu
os prisioneiros dos tempos, os quais estavam presos num amargo cativeiro.
Refrão 11: Alegra-Te, Oh Virgem! Alegra-Te, Oh
Abençoada! Alegra-Te, Oh Gloriosa! Pois Teu Filho ressuscitou do
Túmulo no 3o dia. “Katabasia”: Brilha, brilha, nova
Jerusalém; pois a Glória do Senhor brilhou sobre tí;
festeja e alegra-te agora, Oh! Sion. E Tu, a Pura Mãe de Jesus,
alegra-Te pela ascensão Dele, a Quem deste a Luz.
(Arcebispo de Constantinopla).
Há alguém que é amante devoto de Deus?
Deixa-os desfrutar esta festa resplandecente!
Há alguém que é um servo grato?
Deixa-os se deleitarem e entrarem na alegria de seu Criador!
Há alguém aborrecido com o jejum?
Deixa-os receber agora suas remunerações!
Se alguém trabalhou na primeira hora, deixa-os receberem suas
gratificações!
Se alguém chegou após a terceira hora, deixa-o juntar-se
à Festa com gratidão!
E ele, que chegou após a Sexta hora, não o deixa duvidar;
ou ele também sustentará a perda.
E se alguém se atrasou até a nona hora, não o deixa
hesitar; mas deixa-o vir também.
E ele, que chegou sòmente na décima-primeira hora,
não o deixa Ter medo por sua demora.
Pois Deus é Bondoso e recebe o último igual ao primeiro.
Ele dá paz a aquele que chega na décima-primeira hora,
tanto quanto se ele tivesse trabalhando desde a primeira hora.
A estes Ele dá e junto aos outros Ele concede.
Ele aceita o trabalho tanto quanto acolhe o esforço.
A proeza, Ele honra, e a intenção, Ele aprova.
Vamos todos entrar na alegria de Deus!
Primeiro e último, igualmente recebem sua recompensa; rico e
pobre, se alegram juntos!
Sensato e preguiçoso, celebram o dia!
Você que guardou o jejum, e você que não jejuou,
alegrem-se hoje, pois Mesa esta farta com opulência!
Festeja regiamente, o novilho é cevado.
Não deixe ninguém ir com fome. Participem todos da
taça da fé!
Desfrutem todas riquezas de Sua bondade!
Não permita que ninguém se aflija em sua miséria,
Pois o reino universal foi revelado.
Não deixa ninguém lamentar-se porque caiu de novo e
novamente;
pois o perdão ergueu-se do túmulo.
Não deixa ninguém temer a morte, pois a Morte do nosso
Salvador nos libertou.
Ele a destruiu por tê-la suportado.
Ele destruiu o Inferno quando desceu até ele.
Ele o colocou num túmulo mesmo que ele tinha o gosto de Sua
carne.
Isaias profetizou isto quando disse,
“Você, oh inferno, se perturbou quando O defrontou”
O inferno estava em tumulto porque foi liquidado.
Ele estava em tumulto porque está escarnecido.
Estava em tumulto pois está destruído.
Está em tumulto, pois está aniquilado.
Está em tumulto, pois agora está prisioneiro.
O inferno pegou o corpo, e descobriu Deus.
Tomou a terra e encontrou o Céu.
Tomou o que viu, e vencido pelo que não viu.
Oh, morte, onde está sua tormenta?
Oh, inferno, onde está sua vitória?
Cristo está ressuscitado, e você, oh morte, está
aniquilada!
Cristo está ressuscitado, e os perversos estão derrubados!
Cristo está ressuscitado, e os Anjos se alegram!
Cristo está ressuscitado, e a vida está libertada!
Cristo está ressuscitado, e o túmulo está vazio da
morte; pois Cristo se ergueu da morte,
Estão vindo os primeiros-frutos daqueles que adormeceram.
A Ele a Glória e o Poder para todo o sempre. Amém!
A respeito do Milagre
da Ressurreição de Cristo dos mortos, há o testemunho do
fogo abençoado, o qual se acende todos os anos na noite de Páscoa
em Jerusalém, no Templo da Ressurreição de Cristo, o qual
foi construído no local do sepultamento e Ressurreição do
Salvador. A origem deste fogo é inexplicável. Quando o fogo
abençoado surge, ele não queima podendo ser passado pelo rosto.
Apenas após algum tempo ele adquire a temperatura normal de fogo. O
Patriarca Ortodoxo de Jerusalém (ou seu substituto), após receber
o fogo, acende velas com ele e imediatamente as distribui entre os muitos
crentes que se encontram no Templo. O fogo abençoado causa uma enorme
impressão em todos os presentes e os torna felizes. É
magnífico também notar que o fogo abençoado desce apenas
para os ortodoxos e sempre na Páscoa Ortodoxa. Representantes de outras
religiões, os quais também oram Nesse Templo, não recebem
o fogo.
A páscoa dos hebreus é celebrada no 14o dia do
mês lunar de Nissan. Esse dia sempre acontece na primavera, na lua cheia.
A Páscoa Cristã é estreitamente conectada com a
páscoa dos judeus. O Primeiro Concílio Ecumênico tendo se
reunido em Nicéia no ano 325, decretou que a Páscoa Cristã
fosse celebrada no Domingo, no equinócio primaveril, e obrigatoriamente
após a páscoa dos judeus. De acordo com essa
ordenação do Concílio e com cálculos
astronômicos, os estudiosos alexandrinos desenvolveram um sistema para
calcular a Páscoa Cristã para cada ano. Assim, surgiu a
“Pascoalha,” — tabela dos dias da Páscoa para muitos anos adiante.
Alterações dos dias de Páscoa se repetem a cada 532 anos
(indiction). De acordo com a “Pascoalha,” a Páscoa Cristã que
acontece mais cedo, acontece no dia 22 de março pelo estilo antigo (4 de
abril pelo novo estilo), e a mais tardia — 25 de abril (estilo antigo), 8 de
maio (novo estilo), com o movimento da Páscoa, movimentam-se
também o Grande Jejum e a celebração da Entrada do Senhor
em Jerusalém (Domingo de Ramos), que acontece uma semana antes da
Páscoa; a Ascensão de Cristo (no 40o dia após a
Páscoa) e a Santíssima Trindade (no 50o dia
após a Páscoa). De acordo com a “Pascoalha,” a Páscoa em
1.999 foi no dia 11 de abril; no ano 2.000 ocorrerá em 30 de abril; em
2.001 — 15 de abril; 2.002 — 5 de maio.
A Ressurreição de Cristo foi testemunhada por Anjos e
Apóstolos: Mat. 28:5-7, Mar. 16:5-7; Luc. 24:4-7. 1Cor. 15:15; Seus
inimigos Mat. 28:11-15, e mais de tudo — por aquele mar de milagres, os quais
aconteciam e continuam acontecendo em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Quem tiver piedade e amor a Deus,
regozige-se nesta gloriosa e brilhante festa. Quem for servo bom, entre e
alegre-se no gozo de seu Senhor. Quem suportou a fadiga do jejum, receba agora
a recompensa; quem trabalhou desde a primeira hora, receba hoje o seu justo
salário. Quem veio após a terceira hora, festeje com
gratidão. Quem chegou após a sexta hora, entre sem hesitar,
porque não será renegado. Quem atrasou-se até a nona hora,
venha sem receio e medo. Quem chegou somente na décima primeira hora,
não tenha medo por causa de sua demora, porque o Senhor é generoso.
Acolhe o ultimo como o primeiro; remunera o operário da décima
primeira hora como o da primeira; cobre um com sua misecórdia e outro
com sua graça. é generoso com um e ao outro concede; aceita as
obras e abençoa a intenção, recompensa o trabalho e louva
a boa vontade.
Entrai pois todos no gozo de nosso Senhor. Primeiros e ultimos, recebei a
recompensa; ricos e pobres, alegrai-vos juntos; justos e pecadores, honrai este
dia; os que jejuaram e os que não jejuaram, regozijai-vos uns com os
outros; a mesa é farta; saciai-vos á vontade; o vitelo é
gordo, que ninguém se retire com fome; participem todos do banquete da
fé, que todos recebam a riqueza da graça; que ninguém se
constranja da pobreza, porque o reino universal foi proclamado; que
ninguém chore por causa de seus pecados, porque o perdão jorrou
do tumulo. Que ninguém tema a morte, porque a morte do Salvador nos
libertou a todos. O salvador destruiu a morte, quando a ela se submeteu;
despojou o inferno quando nele desceu. o inferno tocou seu corpo e foi
aniquilado. Foi isto que profetizou Izaias, exclamando: o inferno ficou aflito
ao encontrar-te; aflito, pois foi arruinado; aflito e menosprezado; foi
executado e menosprezado; aflito pois foi subjugado. Agarrou um corpo e
encontrou um Deus; apossou-se da terra e achou-se diante do céu. Pegou o
que viu, e caiu naquilo que não viu. Onde está o teu
aguilhão, ó morte! Onde está a tua vitória,
ó inferno? Cristo ressuscitou e foste arrazado; Cristo ressuscitou, e os
demonios foram vencidos; Cristo ressuscitou e os anjos rejubilam-se; Cristo
ressuscitou e a vida foi restituida; Cristo ressuscitou e não ficou mais
nenhum morto no tumulo, porque Cristo pela sua ressureição dos
mortos tornou-se primaz dentre os mortos. A êle a glória e o poder
pelos séculos dos séculos. Amém.
Cristo Ressuscitou! Em verdade Ressuscitou
