QUARTO DE CASAL
O CASAL EM TERAPIA

Maria
Rita Lemos
O casamento adoece quando a comunicação dos pares fica cada vez
mais difícil, ou ainda quando os dois estão fechados um para o outro e
abertos para o mundo, abertos mutuamente e fechados para o mundo ou
ambas as hipóteses, isto é, fecham-se em si mesmos e fecham-se para tudo
e todos os que estão à sua volta.
casal não conversa. Pode até continuar tentando dialogar, mas o que se diz
chega ao ouvido do outro totalmente diferente do que se quis dizer, ou então
se diz o que quer e se ouve o que se quer ouvir.
É bem verdade que o velho ditado ainda vale, quando diz que “em briga
de casal não se mete a colher”. Mas muitas colheres, garfos e facas entram
na história, e felizmente um deles, que pode ajudar imensamente, é a terapia
de casais. Nela, os problemas que afetam normalmente os relacionamentos
são mediados por um(a) psicólogo(a) especializado, que ouve e coloca em
discussão, de forma neutra, o que realmente está acontecendo.
Há quem considere a terapia conjugal uma espécie de UTI, onde o
objetivo é tentar salvar a vida do casamento, ou seja, o diálogo, que está para
o casal assim como a respiração
está para a vida física de alguém.
O caminho que leva o casal ao consultório nem sempre é fácil. Muitas
vezes, os filhos é que abrem esse espaço, quando se tornam as
“campainhas” dos problemas vividos dentro da família. Quando se ouvem os
filhos e filhas, não é raro que se perceba que há uma crise familiar, muitas
vezes grave, e que vem adoecendo cada um dos membros. É muito mais fácil
mandar os filhos que assumir seus problemas e responsabilidades na crise.
Pais conscientes, porém, quando alertados, acabam buscando ajuda.
Normalmente, quem chega primeiro é a mulher, por natureza muito
interessada em manter a relação, e mais preparada, talvez até mais madura,
para aceitar seus limites e procurar acertar. No entanto, a “solidão a dois”
está sempre presente nas terapias conjugais, venham os casais
primeiramente ou depois dos filhos.
O processo é quase sempre o mesmo: ouvem-se os cônjuges
separadamente, às vezes por várias sessões cada um, até se decidir, junto
com o casal, quem está com maiores problemas: se um dos dois elementos
do par, ou a relação
Cândido Protásio , um psicólogo gaúcho especializado em terapia de
casais, separa quatro tipos de procura por terapia: os casais nos quais uma
pessoa precisa da dependência do outro para se sentir forte, os que
precisam depender do cônjuge como forma de auto-punição e por baixa
auto-estima, e os pares cujo relacionamento sexual está em baixa, ou
totalmente extinto.
Enfim, seja em que categoria um relacionamento que está ruindo esteja
enquadrada, sempre vale a pena tentar descobrir, e, quem sabe, restaurar o
que ainda pode ser reconstruído.
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