Estes causos são uma coletânea de fatos verídicos, compilados pelo nosso amigo Marco Pacheco, para que a juventude de hoje possa conhecer um pouco daquilo que fomos ou vivemos num passado não muito distante.        Colaboração: © Marco Túllio Cícero Pacheco (Direitos Reservados)

(Foto: Marco Pacheco)

Crioulinho:

Estava um dia de Domingo, na parte da tarde bebendo, como sempre, Crioulinho, José Carcereiro, eu e Moreno Leão, que nesta hora dentre os demais já estava pra lá de Bagdá na churrascaria, quando adentrou, encostando pelo balcão o nosso amigo Bebé Ramos, dando mostras de já haver tomados umas. E o Crioulinho, como sempre muito reparador de tudo, perguntou ao Zé Carcereiro: será que o Bebé também está bêbado? E antes que o Zé respondesse, o Moreno, que era público e notório que já estava escutando pouco, respondeu: está, só não entendi o também!

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Heitor Faria:

Estava eu morando em São Paulo, lá pelos idos de 1969, quando um belo dia eu e Heitor Faria, saímos  para tomar umas e outras, e lá pelas tantas, ou melhor já de madrugada resolvemos ir embora, tendo o Heitor Faria me convidado para dormir em sua casa. Quando chegamos em sua casa,  lá estava a esposa deste, a boníssima Cilica, que vendo os dois chegarem de madrugada, já tomados de umas, foi logo dizendo: Heitor eu sabia que você só poderia estar com o Marco Pacheco, sendo logo retrucada pelo Heitor que disse: Não fale mau do Marco Pacheco não, pois este é o filho que eu queria , genro não, pois ele iria judiar muito de minha filha.

 

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Heitor quando de uma de suas várias vindas aqui em Raul Soares, quando por aqui residiam seu sogro Nelson Mosqueira e sua sogra a saudosa D. Nega, e já estando aqui por vários dias, mas não tendo prazo de poder conversar com os mesmos, pois seus afazeres em Raul Soares eram muitos, pois só chegava em casa de madrugada e quando acordava já tarde não tinha tempo para dar notícias dos seus em São Paulo, foi o mesmo interpelado numa madrugada pelo seu sogro o qual estava a sua espera que disse: hoje você não me escapa, pois se você não me der noticias de Cilica e dos meninos só eu indo a São Paulo para saber, no que na mesma hora foi retrucado pelo Heitor que disse: se você for diga a eles que eu estou bem, e bom dia que o dia já está quase clareando e tenho que dormir.

 

 

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Felisberto Faria:

Um dia estava o Felisberto contando as suas aventuras para o Careca e várias pessoas, dizendo que tinha elegido fulano a Prefeito, que certa época elegeu sicrano a Deputado, que a política por aqui tinha que passar em sua mão  e várias aventuras mais, quando o Marco Pacheco lhe perguntou: Capitão Relâmpago, pois assim era chamado pelo Careca (Hélcio Gouvêa) você foi isto tudo que falou e porque você nunca candidatou a nada, tendo o Felisberto lhe respondido: menino neste circo eu quero ser do porteiro ao trapezista, mas palhaço nunca.

 

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Dizem as más línguas que quando o Felisberto casou ele era dado a tomar umas e outras, a chegar tarde em casa o que não era aceito pela sua boníssima esposa D. Maria. Num Domingo, D. Maria convidou seus familiares para um almoço, tendo comparecido toda a clã dos Ramos, capitaneados pelo chefe Seu Manoel Ramos. Após o almoço, D. Maria começou a relatar que uns dos motivos do almoço era para expor que o Felisberto estava chegando tarde em casa, sempre com umas pela cabeça e que ela não estava nada satisfeita com o casamento. Felisberto como sempre um sagaz, saiu pela tangente dizendo: se você casou mau azar é seu, pois eu casei-me muito bem e boa tarde para todos que eu tenho que dar minhas voltas. 

 

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Quando estourou a revolução de 1964, se é que houve revolução, o policiamento foi todo recolhido e foram designados  vários civis para manterem a ordem nesta cidade, os famosos bate paus, e circulava pela cidade que logo logo seria nomeado um interventor. E como Raul Soares naquela época só havia um meio de sair da cidade que era a estrada de ferro e esta estava em greve, como os comboios estavam paralisados e por aqui pararam vários viajantes, que não tiveram como sair da cidade. Então qualquer pessoa estranha que era vista na cidade era motivo para se dizer que o mesmo era o interventor que havia chegado. Estando um dia um grupinho no Jardim Velho, em frente ao Hotel Natalino conversando quando sentou em uma cadeira um senhor com um olhar meio sisudo e pelos que lá estavam batendo papo parecia ser o interventor tão esperado, uns dizendo que era, outros falando que não era, quando o Felisberto Faria disse: pode deixar que eu vou saber agora se é ou não é e, aproximando do cidadão perguntou-lhe: de onde vens e para onde vais? O cidadão que também estava temeroso por causa da revolução foi logo tirando os documentos dizendo que era um viajante da firma tal e que ali estava tão somente porque não havia como sair da cidade, pois o trem estava de greve. O Felisberto pegou seu documentos conferiu e devolveu-os para o cidade e quando foi saindo o cidadão perguntou-lhe: e quem é o senhor? E o Felisberto na maior cara de pau respondeu-lhe: um simples curioso! Agora vocês imaginam o que aconteceu depois desta resposta, só sei que saiu porrete para todos os lados.

 

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Vardim do Ozório:

Um dia fui até o botequim do Vardim na rua Bom Jesus, como era o meu costume toda tarde, vocês imaginem para que! É para isto mesmo, tomar umas. E quando lá cheguei, o Vardim estava bravo com o seu irmão, o nosso artista Onofre. Perguntei ao Vardim o motivo daquela braveza toda tendo o Vardim me relatado que como o Onofre estava à toa, este pediu-lhe que cortasse uma lenha para a sua mãe e que o Onofre indo lá dentro do seu quarto voltou com o carnê de aposentado do INPS no qual dizia que se voltasse a trabalhar perderia o benefício, motivo pelo qual ele não poderia cortar a lenha, pois isto era trabalho e ele não queria perder o benefício.

 

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Estava um dia o Vardim em seu boteco com o rádio ligado e este estava em uma estação de música romântica, destas de matar qualquer um do coração, quando chegou o nosso amigo Zé Tomazinho, que gostava de um golinho, mas não era muito chegado a um acerto, que foi logo dizendo: Vardim não posso ouvir esta música que me dá uma vontade louca de beber e me serve uma aí, no que foi logo retrucado pelo Vardim que disse: por isso não eu desligo o rádio.

 

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Zé Tomazinho estava para ser aposentado pelo INPS e tinha sido chamado para a perícia e como não tinha dinheiro para ir a Ponte Nova procurou o Vardim, isto já no boteco que o mesmo possuía perto do Zé Barçante, pedindo-lhe o dinheiro emprestado para ir fazer a perícia. Vardim como sempre escorregando mais do que bagre ensaboado, termo que pedi emprestado ao Dr. Lamberto, pois era assim que este chamava o Escrivão Edson Cruz, mais tarde eu conto o porque, saiu fora do Zé Tomazinho dizendo que o dinheiro que tinha era a conta de comprar cigarros, pois aquele dia era o dia que a Souza Cruz passava e ela não vendia cigarros fiado e deu idéia ao Zé Tomazinho de ir procurar o Paulo do INPS que morava ao lado e ele poderia emprestar-lhe o dinheiro, tendo o Zé Tomazinho gostado da idéia e o mesmo saiu e foi a casa procurar o Paulo. Passaram alguns minutos e o Zé Tomazinho voltou bravo dizendo: Paulo nego à-toa, não sei o que o Paulo veio fazer em Raul Soares, que Ponte Nova tinha era expulsado o mesmo de lá. Vardim então disse que isto Zé Tomazinho Paulo é um cara tão bacana, qual o motivo de tantos xingos, no que respondeu Zé Tomazinho: você esta certo negar que sabe que eu não sou mesmo bom de paga, mas ele não, ele não me conhece direito como é que pode me negar o dinheiro?

 

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Arlindo Alfaiate:

Quando estourou a revolução em 1964 havia por aqui várias pessoas que faziam parte do famoso grupo dos 11, os quais estavam sendo perseguidos pelos militares e, diziam a más línguas, que entre estes estava o Arlindo Basdoni, conhecido como Arlindo Alfaiate. Morava com este a sua sogra, que não é privilegio dele, não combinava bem com ele. Dizia o Bom Cabelo, ele ainda vem aí, que um dia deu no Arlindo uma baita dor de barriga e que o motivo era a prisão de alguns integrantes do grupo dos 11 e que o mesmo foi parar até de cama. Aproveitando da situação, a sogra que até na porta era proibida de chegar pelo Arlindo, passou a ficar na mesma, cumprimentando todo mundo e querendo saber das novidades e perguntou a D. Zide, mulher do Zé Barçante: o Zide, ouvi dizer que estão prendendo vários comunistas tendo a Zide respondido que ouviu falar que sim, inclusive o pessoal do grupo dos 11, no que a sogra do Arlindo respondeu em alto e bom som: é mas tem muitos deles ainda para serem presos, inclusive alguns que estão escondendo até debaixo do cobertor alegando que estão muito doente. No que o Arlindo lá de dentro respondeu gemendo: É desgraçada, deixa a coisa passar que você ainda me paga.

 

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Velho Boanerges:

Estavam um dia jogando o Boanerges, seu Ovídio, eu e outras pessoas, quando lá pelas tantas, faltando cigarro, o Seu Ovídio, pai do Valdir e do João Paca, pediu ao Boanerges um cigarro, no que foi prontamente atendido. Passado alguns minutos  o seu Ovídio pediu ao Boanerges mais um cigarro no que foi novamente atendido pelo Boanerges. Passados mais alguns minutos foi o Boanerges interpelado mais uma vez pelo seu Ovídio pedindo mais um cigarro, no que lhe perguntou o Boanerges: seu Ovídio, o senhor fuma bem, cigarro não faz mau para o senhor? Tendo o seu Ovídio respondido: eu fumo, mas não trago não senhor , tendo o Boanerges lhe dito: é, mas o senhor devia trazer!

 

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Zé Bom Cabelo:

Zé Bom Cabelo queria um dia comprar um quilo de carne no Zé Barçante, mas como o Zé Barçante já era vacinado, não quis vender.Então Zé bom cabelo, muito malandro, resolveu bolar uma e sabia que quem comandava o Zé, apesar de sua cara de bravo, mas de grande coração era a Dona Zide. Procurou Dona Zide e começou a bater com ela uma prosa, até que Dona Zide perguntou o que ele estava querendo e ele então disse que queria comprar, aumentando a quantidade, três quilos de carne, mas que queria fiado e ele estava com medo do Zezé, como assim era chamado o Barçante pela Dona Zide. Dona Zide, como  mulher e com dó do Bom cabelo, logo ofereceu os seus préstimos e chegando ao açougue já foi logo dizendo: José, atenda aí o nosso bom amigo Cabelo. Zé Barçante  já foi logo perguntando: o que que você tá querendo. E  Bom ccbelo já foi pedindo três quilos de carne de primeira. Zé Barçante, muito contrariado, já foi logo cortando a carne e Zé bom cabelo prosseguindo a prosa com Dona Zide, perguntou-lhe: Dona Zide antigamente as moças daqui sofriam muito não é? Pois pelo que a gente vê casamento era muito difícil antigamente, não era? Foi o bastante para Zé Barçante esquecer que Dona Zide estava por perto para sair com Zé bom cabelo na cabeça.

 

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Dizia Zé Bom Cabelo que seu compadre Juquita ferroviário pegou um dinheiro emprestado no Banco e seu avalista era o Cícero Pacheco e como ele não pagou este teve que pagar. Cícero Pacheco, com sua ignorância ou será burrice mesmo, passou todos os dias a ir esperar Juquita na estação, mas Juquita, correndo do Cícero, passou a descer sempre antes dos pontilhões quando o trem vinha  e Cícero sempre perguntava pelo Juquita mas nunca o encontrava. Um belo dia o trem atrasou, o que não era novidade, e chegou na estação ali pelas 03 horas da manhã e Juquita carteando marra para o Bom Cabelo disse: você vai ver compadre, hoje vou descer na estação e vou passar em frente a casa do homem, para mostrar que não tenho receio de encontrar com ele, tendo Bom Cabelo respondido que não fazia vantagem nenhuma pelo adiantado da hora. Chegando, Bom Cabelo, que na época morava na Camilo de Moura, perto do Cícero, ali na casa no Quinquim, já ia para casa com Juquita a tiracolo carteando sua marra, quando viraram a esquina... Quem estava na sacada com um acesso de asma daqueles violentos e quase constante? O Cícero. Bom cabelo vendo o Cícero disse: é compadre, olha quem está lá em cima no sobrado. E como o Juquita não tinha como voltar, foi logo dizendo: é bom cabelo, ái de nos pobre se não fosse um home igual ao Cícero Pacheco, nos estávamos desgraçado. Foi o bastante para no outro dia Cícero Pacheco ir a estação procurar pelo Juquita, mas não o encontrando disse ao Bom Cabelo:  Cabelo, fala  com o Juquita que aquele negócio do aval ele não precisa preocupar não, pois quando ele puder ele acerta comigo.

 

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Sô Gino:

Quem não se lembra do Sô Gino o dentista que vendia dentadura na sacola. Pois o Sô Gino no final de sua vida, apesar de seu falecimento ocorrido no Asilo, onde por sinal foi muito bem tratado, teve a  infelicidade de morar em frente do Zé Barçante e ao lado da oficina de sapateiro do Luiz. O Sô Gino como sempre muito paquerador, começou a contar para o Luiz as suas falcatruas, que ele dizia fazer, mas pela idade, não era muito de acreditar. O Luiz Sapateiro, muito moleque, passou a escrever cartas para o Sô Gino dizendo que eram mulheres e marcando encontros com ele em lugares o mais distante possível. Inclusive, um dia que estava uma friagem danada, por ser mês de maio, ele, ou melhor a mulher, marcou um encontro com o Sô Gino perto da fabrica Tarza, mas que ele não poderia ir nem de japona e nem de chapéu. E no horário marcado, 09 horas da noite, lá foi o Sô Gino, sendo apreciado por toda a platéia que estava no boteco do João Artur ao lado do Zé Barçante. Logo que o Sô Gino saiu todo encolhido, o Luiz com a sua molecagem, pegou a bicicleta e partiu atrás. No outro dia eu, que era a única pessoa que o Sô Gino mostrava as cartas, perguntou-lhe: como é Sô Gino, foi feliz? No que Sô Gino tirou do bolso uma outra carta e mostrando-me, começou a xingar o Luiz e a carta dizia: Querido Gino. Você gostosão como sempre pontual, mas infelizmente não deu para aproximar, pois como você sabe sou casada e este vagabundo deste Luiz Sapateiro está desconfiado de alguma coisa comigo e está dando em cima de mim. Foi me seguindo, motivo pelo qual não pude aproximar-me de você. Aguarde nova carta. Beijos.

 

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Sô Gino, lá pelos idos de 1960, foi Delegado de Polícia, calça curta, quando havia nomeação pelo Chefe Político do distrito de São Vicente da Estrela. E aquilo para ele era a maior glória e o mesmo vivia carteando a maior marra com os freqüentadores do boteco do João Artur, dizendo que quando era Delegado em São Vicente não havia bagunça, pois ele era respeitado como Delegado e tal e coisa. O Luiz Sapateiro, o moleque de sempre, um dia chegou no boteco e lá estava o Sô Gino e a galera e o Luiz foi logo dizendo que quando era menino ele jogava no Juvenil do Operário e foi jogar em São Vicente da Estrela e que lá chegando todo mundo foi logo avisando para a meninada que procedessem direitinho que havia por lá um Delegado muito bravo. O Luiz então disse que nunca ouviu falar em Delegado bravo e que após o jogo no qual ele bagunçou em campo, resolveu a fazer umas bagunças e foi para o boteco do Flaviano, tomou umas e outras, deu uns tiros para cima e que até hoje tinha vontade de saber quem era o tal Delegado bravo que não apareceu para tomar as providências. Vocês nem imaginam o que aconteceu, Sô Gino foi lá no seu quarto buscou uma garruchinha e queria porque queria comer o Luiz no tiro.

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Estava um dia batendo papo na porta do Arlindo Alfaiate com o mesmo quando por nós passou o Sô Gino e disse: Arlindo você é um vagabundo. Nós dois ficamos assustados, mas como naquele pedaço tudo acontecia antigamente, procurei o Sô Gino e perguntei o que estava havendo, tendo o Sô Gino me mostrado uma carta que dizia: Gino estou apaixonada por você, você é o home mais gostoso que conheço, logo logo marcarei um encontro com você. Não mostre esta carta para o Arlindo Alfaiate, pois ele é apaixonado por mim e vive me perseguindo. Sua Querida. Imaginem vocês quem escreveu a carta? Adivinharam. O moleque do Luiz Sapateiro.

 

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O Luiz Sapateiro estava um dia no boteco do João Artur, quando por lá chegou o seu Luiz Dentista. E era vizinho do Luiz Sapateiro o Zé Geraldo, consertador de televisão. Seu Luiz foi logo confundindo o Luiz com o Zé Geraldo e disse, apontando para o Luiz Sapateiro será que você poderia dar um pulo lá em casa e consertar minha televisão? Luiz, muito moleque, foi logo dizendo:  pode ir que daqui a pouco irei. O Seu Luiz Dentista montou na sua bicicleta e foi embora, mas chegando na esquina da rua José de Oliveira, encontrou com o Zé Geraldo e viu que não foi com o Zé Geraldo que havia conversado e voltou que nem uma bala e foi logo chegando e saindo com o Luiz Sapateiro na cabeça, chamando-o de moleque, vagabundo, que dava um tiro na cara dele e o Luiz, na maior cara de pau, respondeu: uai que que eu tenho com isso. Você só me pediu que consertasse a sua televisão, não me perguntando se eu entendia de televisão e eu disse que ia consertar, pois a minha lá de casa sou eu mesmo quem conserto.

 

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Zé Carcereiro:

 

Estavam uma vez em Guaraparí, Zé Carcereiro, Moreno Leão, Nei Pereira e eu, já por lá estavam uns 3 dias, quando o Irany Machado chegou perto de nós, no bar do Pedro, e perguntou o que nós fomos por lá fazer. Quando respondemos que fomos a praia, tendo o Irany dito que já faziam uns 3 dias que estava vendo que nós nem a camisa havia tirado e nem saído do Bar do Pedro.(clique aqui para ver a foto)

 

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Certa manhã eu e o Nei Pereira, quando estávamos  hospedados no Guaraparí Country Clube, fomos  chamar o Seu Moreno e o Zé Carcereiro no hotel Guará, onde estavam hospedados, hotel de propriedade do Dr. Aprígio, grande amigo do Seu Moreno. Chamaram os dois e eles desceram e nem passaram pelo restaurante do hotel, indo direto para um boteco em frente e pediram um conhaque Dreher e o Marco Pacheco, que naquela época achava um absurdo beber antes do café, e mais tarde isto tornou-se rotina em sua vida, interpelou-os dizendo: mas antes do café? Tendo o Seu Moreno dito que a melhor coisa era beber antes do café, pois o estomago estava adormecido e assim o acordava. Foram para a praia, ou melhor para o Bar do Pedro lá em Muquiçaba e lá pelas 4 horas da tarde resolveram ir ao Omar Peixada comerem aquela famosa peixada, pois o Seu Moreno era um bom de prato. Comeram a peixada e o Marco Pacheco deu a idéia de deixarem os carros por ali e irem fazerem uma caminha, mas Seu Moreno disse que ainda ia tomar uma cerveja, e o Marco Pacheco perguntou mas Seu Moreno tomar cerveja após o tanto que o Senhor comeu, no que o Moreno respondeu: Os Alemães só bebem após a refeição.

 

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Bebé Ramos:

Estava um dia na Prefeitura batendo um papo com meu amigo Bebé, quando por lá chegou um viajante e foi cumprimentando o Bebé e perguntando-lhe: como é seu Bebé, tomando suas cervejas? No que o Bebé respondeu que só estava tomando no fim de semana. Saindo o viajante, perguntei ao Seu Bebé que negócio era aquele de fim de semana, sendo que um dia antes, que era quarta feira, eles haviam tomado umas no Porão, no que o Seu Bebé respondeu que ele só bebia sim no fim de semana pois, na Segunda feira, que era princípio de semana, ele nem de casa saia, o que foi devidamente comprovado como de fato pelo Júlio Nesce: ele não saia de casa na segunda.

 

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Tãozico Weber:

Na eleição de 1970, Wiron 70, eram os propagandistas da campanha Tãozico Weber, Marco Pacheco e chofer da rural, o Zé Patrola. E estava para ser aprovado pelo Congresso Nacional a Lei do Divórcio, de autoria do saudoso Nelson Carneiro. E numas andanças pelos lados de Bicuíba, interpelei o Tãozico Weber sobre o que ele achava da Lei do Divórcio, tendo Tãozico me dito que era contra, no que me levou ao espanto,  já que naquela época era fã de carteirinha pela Lei de Nelson Carneiro e achava que Tãozico Weber, por ser uma pessoa liberal, que também fosse favorável à Lei. Passado o momento de espanto e andando mais alguns quilômetros, perguntei ao Tãozico porque ele era contra a Lei do Divórcio, no que respondeu de pronto: Marco, para haver o divórcio qual é a primeira coisa que tem que haver? No que Marco respondeu que era o casamento, tendo Tãozico respondido que como poderia ser a favor do  Divórcio se ele já era contra era o casamento.

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Estavam um dia Tãozico Weber e Miguel do Correio tomando umas e outras, e na época estava havendo a revolução Chilena, que culminou com a queda do Allender, quando resolveram Tãozico e Miguel ajudarem o Allender, pois pelas notícias transmitidas pelos Jornais, Rádios e Televisões,  o coitado estava sendo massacrado e como o único meio de transporte disponível por eles era um velho Jeep que o Miguel possuía, embarcaram no mesmo. Mas como eram poucos, resolveram passar por  Coronel Fabriciano onde residia Tomaz Weber, irmão do Tãozico e com ele aumentarem o poderio de fogo. Chegando a Coronel Fabriciano, contaram ao Tomaz o motivo da visita e o mesmo prontificou em ajuda-los naquela perigosa missão, mas como tudo deve haver a festa de despedida, resolveram faze-la antes, indo os três até um bar, já imaginaram que a festa de despedida foi o motivo pelo qual houve a queda do Allender,  pois se não houvesse a festa de despedida, onde foram consumidas várias garrafas de cerveja e outras coisas mais, o Allender poderia estar no poder e quem sabe Tãozico, Miguel e Tomaz serem o Che Guevara do Allender. Então está mais do que certo quem disse: para acabar com uma revolução no Brasil basta marcar o desfile da Mangueira, um Fla X Flu e uma cervejada.

 

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Helcio “Careca” Gouveia:

Quando o Careca possuía o Bar que foi do Seu Sogro o Sô Nico Chaves toda tarde reuniam-se por lá várias pessoas, como Hélio Valle, Adão Soldado,  Luiz Relojoeiro, João Cocão de Almeida, eu e outras pessoas mais e nos fundos havia um cômodo, onde se jogava um Ramez, que é um jogo de baralho. E lá estavam reunidos jogando, quando chegou uma senhora, já de idade e perguntou quem era o Senhor Careca. Hélcio com sua educação peculiar, já foi perguntando para a senhora que intimidade são estas de Senhor Careca e se identificou como Hélcio Gouveia, Comissário de Menores. A pobre senhora, já se sentindo intimidada, disse-lhe que estava ali para reclamar com ele, pois um burro tinha morrido lá perto de sua casa e que estava dando um mau cheiro danado, o que foi o bastante para o Careca responder o que ele tinha com isso, que ela deveria fazer tal reclamação na Prefeitura que era o órgão competente. A Senhora agradeceu e foi saindo jururu, mas, como sempre, o Hélio Velhinho Valle não deixa para depois, chamou a Senhora e disse ao Hélcio que a Senhora tinha toda razão em fazer tal reclamação, no que o Careca disse que não tinha nada a ver com o negócio e foi motivo para uma discussão, tendo o Helio Valle dito que a Senhora tinha procurado a pessoa certa, pois o que ele percebeu era que o burro era de menor e aquilo era trabalho sim para o Comissário Careca.

 

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Neves Chaves:

Conta-se que um dia estava o Neves Chaves vindo de Ponte Nova de trem, quando começou a conversar com uma pessoa que estava assentado de seu lado e começou a contar que ele morava em Raul Soares, que o seu pai era um grande comerciante em Raul Soares, que tinha um cunhado que era dono do maior hotel da região, que o seu outro cunhado era sócio da maior loja da região e que um seu outro cunhado era proprietário da maior pedreira da região e que um outro seu cunhado era aviador. Mas como sempre há uns que gostam de atrapalhar as fanfarrices dos outros, interpelou o Neves dizendo que concordava que o seu pai era um grande comerciante, que um seu cunhado era dono de um hotel, que outro seu cunhado era sócio da loja, que o outro era dono de pedreira, mas que aviador este ele não conhecia, tendo o Neves respondido: então você não conhece o Majesti, aviador de receita na farmácia do Pedro Galvão? É, estava certo o Neves.

 

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Tidinho da Sá Noz:

Estava um dia o Tidinho em um buteco na Vila Esperança tomando umas e outras juntamente com o Zé Tomazinho, quando por lá apareceu um viajante e o Tidinho já querendo serrar uma cachaça começou a conversar com o viajante, dizendo que ele era militar reformado, que tinha servido na Polícia Militar do Rio de Janeiro e que havia sido reformado como Sargento, que quando o famoso cantor Chico Alves morreu, foi ele quem fez a ocorrência do acidente. Mas, como o dono do boteco viu que já estava demais, falou para ele parar de contar vantagem, pois ele nunca havia sido militar, que ele estava inventando tal história, no que foi prontamente salvo pelo Zé Tomazinho, que já estava também querendo serrar a cachaça do viajante, que disse que aquilo tudo que o Tidinho estava falando era verdade, pois ele também estava junto na patrulha que fez a ocorrência, no que concordou o Tidinho, mas que somente discordou do Zé Tomazinho, o que foi motivo até para briga, quando o Zé Tomazinho disse que o Tidinho era o Sargento da patrulha e ele Zé Tomazinho era o Capitão e que era o comandante da mesma.

 

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Crioulinho e Marco Pacheco:

 

Estavam certo dia, o que era costume, eu e Crioulimho tomando umas e outras no Bar da Reta, sendo que Crioulinho tomava umas cervejas e eu, no meu famoso e venerado Conhaque Dreher, quando depois de várias cervejas tomadas pelo Crioulinho e uma dezena de conhaques tomados por mim, resolvemos ir embora. Vindo nós para Raul Soares no carro dirigido por mim, ao passarmos perto da entrada da Vila Esperança, o carro deu um solavanco violento, pois o carro estava em certa velocidade e havia um quebra molas no asfalto, quando eu, tomando aquele susto, exclamei em alto e bom som: QUE QUE ISTO? E o Croulinho naquela calma que Deus lhe deu somente respondeu: CONHAQUE!

 

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Sô Zé Maia:

 

Numa de suas vindas a Raul Soares, o que agora já está bem escasso, o Didi num Domingo resolveu tomar umas cervejas com os amigos, o que era ordem natural das coisas, quando lá pelas 12:00 horas, horário do almoço do do Sô Zé Maia, foi o Zé Renato, que na época era menino, chamar o Didi para o almoço, tendo o mesmo dito ao Zé Renato que podia ir que ele estava tomando o último copo, tendo o Zé Renato voltado e dito para o Sô Zé Maia o que foi dito pelo Didi. Lá pelas 12:30 horas voltou o Zé a chamar o Didi, tendo ele respondido que podia voltar que ele já ia, pois estava tomando o último copo. Pelas l3:00 volta o Zé, tendo o Didi respondido que já ia que estava tomando o último copo. Por fim resolveu o Sô Zé Maia ir pessoalmente chamar o Didi e este quando disse que já ia, pois estava tomando o último copo, foi imediatamente interpelado pelo Sô Zé Maia que tomando o copo da mão do Didi disse se este era o último copo que ele podia ir, pois ele mesmo ia tomar para ele, virando o mesmo de uma vez garganta abaixo. Vocês já imaginaram o mau que passou mais tarde o Sô Zé Maia, pois o mesmo até aquele data, imagino eu, nunca havia provado um gole sequer de cerveja.

 

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Estavam um dia Beto Maia, Fernando Maia, Afonso Pacheco, Zezé Andrade e outros mais tomando umas cervejas no Bar perto do Flamê, isto lá pelas 2 horas da madruga, e eles iam tomando as cervejas e colocando debaixo da mesa. Quando por lá chegou o Sô Zé Maia para chamar os meninos e foi logo dizendo que estava muito tarde, que no outro dia eles teriam que levantar cedo para irem a missa e que além do mais eles deveriam ter dó do dono do Bar, pois eles estavam até aquela hora fazendo hora com o comerciante, pois só haviam tomado uma só cerveja. É que o Sô Zé Maia só havia visto em cima da mesa e não teve a curiosidade de ver que debaixo da mesa haviam mais de duas dezenas da mesma.

 

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Toza:

Estavam na porta da churrascaria o Artur “Toza” Domingues e o Zé Carcereiro  tomando umas cervejas e o Marco Pacheco tomando uma soda limonada, pois estava o mesmo dando umas das suas famosas descansadas.O assunto era o efeito do Viagra.Quando, por acaso,  por lá passou a Faísca, com aquela sua magreleza, com um shortinho daquele tamanhozinho, o Toza disse: é eu só acredito no efeito do viagra, se um velho com seus 70 anos tomar o viagra e encarar a Faísca, pois pelo que tenho ouvido falar eles tomam o viagra e saem com estas menininhas novas e bonitinhas.Eu quero ver é encarar a Faísca.

 

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Paulo Quininha:

Conta o Hélinho Valle que quando os irmãos Valle possuíam comercio em Raul Soares, o campeão de venda era o Paulo "Quininha" Bicalho , que na época deveria estar com uns 15 anos de idade. Conta-se que certo dia chegou na loja um senhor, com uma capa gaúcha, de bota e o Paulo naquele afã de vender, foi logo para perto do homem oferecendo mercadoria, puxando o homem pelo braço para mostrar outras mercadorias que estavam em outra sessão, e o homem agradecia o Paulo, dizendo que somente estava dando uma espiada. Quando o Paulo resolveu perguntar ao homem se ele era proprietário em Raul Soares de alguma fazenda, o homem respondeu que não, que ele era o novo Delegado que havia chegado para cidade.Vocês não imaginam que custo foi tirar o Paulo de um cômodo que havia nos fundos da loja, pois foi para lá que o mesmo correu, precisando do Fernando Valle ir lá com o Delegado e explicar para o Paulo que o Delegado havia elogiado o interesse que o menino havia demonstrado pelo trabalho.

 

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Nesta mesma loja os irmãos Valle lutavam desbragadamente para acabarem com os ratos, quando não foi que os mesmos descobriram que o Paulo “Quininha” BicalhoTorres quando recebia a sua marmita para almoçar, ia lá para os fundos  e que somente batia na beirada da marmita e os ratinhos vinham tudo em fila porque estava tratando deles com o maior carinho?!

 

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Tãozinho Ágata:

Quando o Helcio “Careca”Gouveia e a Marita montaram o Hotel Majestica moravam na parte de cima o Tãozinho Ágata, Antonio e Fernando Faria e o Aristeu. E o Careca era doido para que eles saíssem, pois assim aumentaria a capacidade do hotel, mas eles eram duro na queda e não queriam sair de jeito nenhum. O Careca nesta época possuía uma gatinha que ele dizia ser ensinada, que a mesma obedecia a tudo que ele mandava. E o Tãozinho Ágata possuía um curió que era um portento. Como em Raul Soares tudo é uma gozação, contaram para oTãozinho que o Careca estava treinando sua gatinha para ir por meio de uma corda até a sacada de seu quarto comer o curió. Passaram-se uns tempos, a gatinha sumiu e o Careca acredita piamente até hoje que foi o Tãozinho quem mandou matar a gatinha e inclusive deu o couro da mesma para o Zitinho Sapateiro fazer  um sapato e que ainda teve a coragem de oferecer ao Careca para que o comprasse.

 

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Cícero Pacheco:

Lá pelos idos de 70 estava o Marco Pacheco e o Celso Fialho lá pelas tantas na Zona Boemia, como sempre fazendo uma das suas arruaças, com umas e outras no coco. Quando não sei mais por qual motivo foi o Celso detido pelo Cabo Freitas, que mandou a patrulha levar o Celso para a cadeia. O Marco tomando as dores do Celso, com a cara cheia, foi para a porta da cadeia e começou a dizer que se não soltasse o Celso ele não sairia dali, o que foi o bastante para que o mesmo também fosse recolhido ao cubículo. Mas como ainda havia umas pessoas na rua, inclusive o ronda que era o Nicolau, este contou para o Zizito Sena, que imediatamente comunicou ao Baliza, que na época era o Delegado Municipal, e este mandou um recado para a guarda que soltassem os detidos. No outro dia, isto é lá pelas 10 horas, o Cícero Pacheco acordou o Marco e com ele foi até a casa do Baliza, tendo o Marco pensado que o seu pai iria contar a maior pelada ao Baliza pelo fato ocorrido na madrugada. Ledo engano, pois quando lá chegou e o Baliza disse que tinha tomado providências enérgicas mandando soltar os meninos na mesma hora, tal não foi o espanto do Marco quando o Cícero contou a maior pelada ao Baliza, dizendo que ele havia feito muito mal, pois o Marco deveria ter ficado preso para que o mesmo tomasse vergonha na cara e procedesse como homem. ÊTA PAIZÃO. MUITO OBRIGADO.

 

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Zé Augusto Noronha:

Quando o Coca filho do Sô João Firmino e Dona Marlene era menino e que ele ia lá na barbearia do Vico, o pessoal perguntava para ele qual era o irmão que ele mais gostava e este respondia que era o Marcelo, pois este lhe dava dinheiro e eles então perguntavam para o Coca qual era o irmão que eles menos gostava e ele respondia que era o Zé Augusto, pois este lhe tomava o dinheiro.

 

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Aposentadoria:

 

Quando foi Juiz de Direito em Raul Soares, o Dr. José Domingues Ferreira Esteves, hoje Juiz do Tribunal de Alçada de Minas Gerais, houve um pedido de interdição do nosso amigo Trampudo, que na época era funcionário da Prefeitura Municipal, pois o mesmo já estava dando sinal de sofrer das faculdades mentais. Como o processo de interdição tem uma fase em que há necessidade, ou melhor antigamente havia, hoje como já estou por fora, não sei se continua, foi o Trampudo encaminhado ao Forum local para o devido interrogatório. E este é feito pelo Juiz que, dentre várias outras perguntas ao interrogando, pergunta quem é o Presidente da República, quem é o Prefeito;  mostra-se ao interrogando uma notas de valores e nisso tudo o Trampudo foi respondendo certinho. O Juiz então passou a perguntar ao Trampudo se ele gostava de futebol, se gostava de dançar, se gostava de música, no que o Trampudo tudo respondia negativamente. O Juiz já estava até quase acreditando que o Trampudo não estava ainda no caso de ser interditado, quando resolveu perguntar ao Trampudo do que ele mais gostava, tendo o mesmo respondido na mesma hora, mostrando suas mãos, dizendo que a única coisa de que ele gostava mesmo era de TRABALHAR. E eu, que na época era o Escrivão do feito e estava participando da audiência como datilógrafo, respondi na mesma hora para o Juiz: Doutor pode aposentar o homem que ele tá maluco mesmo.

 

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Estava eu conversando com o nosso querido José Macário "Micitas do Issás" na porta do bar da esquina, quando perguntei ao mesmo se este já havia se aposentado do Banco, e ele me respondeu que sim. Então eu disse que quando me aposentei, e já haviam se passado cinco anos,  o que mais me deixou chateado foi  quando descobri que não podia mais tirar férias, no que o Macarius me disse que não teve estes problemas, pois ele se aposentou, mas continuava fazendo as mesmas coisas que fazia quando trabalhava no Banco. Então eu lhe disse que ele não teve vantagem nenhuma em se aposentar, e lhe perguntei o que ele estava fazendo, e este me respondeu: NADA.

 

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Nansen Torres:  

Nos idos de 70 estava eu conversando com o meu Valentino - Nansen Torres - e ele me dizendo que estava tendo problemas com a sua mulher, que estava pensando em desquitar, e na época isto para mim era o fim do mundo, dizendo que inclusive havia tempos já tinha uma amante. Eu abismado com tudo aquilo, tentei ponderar dizendo  ao Nansen que apesar de não conhecer bem sua mulher, mas pelo que já havia me falado sobre ela, parecia-me gente boa e tal e coisa. Quando o Nansen, com aquela calma peculiar e seu jeito total de carioca, disse-me que uns dos motivos também que o estavam levando a separar de sua esposa era que seu filho já estava crescendo, virando rapaz. Eu na minha inocência, disse-lhe que isto não era motivo para separação dos pais e o Nansen, como homem vivido na velha Guanabara, me respondeu: Marco, você já pensou, meu filho crescendo, torna-se rapaz e ele descobre que eu transo com a mãe dele: ele vai ficar meu inimigo, rapaz, vai até querer me matar. Fala a verdade, você continuaria meu amigo se soubesse que eu transo com a sua mãe? É Nansen tá bom. Valeu GAROTO.

 

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Hélcio "Careca" Gouveia:  

Estava um dia o Careca conversando numa roda de amigos, quando perguntaram eles pelos filhos Neneco e Regina, tendo o Careca dito que já haviam se casado, tinham filhos... Um dos amigos comentou que geralmente os avós gostavam de todos os netos, mas que sempre um se destacava dos demais. O  Careca disse que isto era verdade, pois dos netos o que ele mais gostava era o Leandro, filho do Neneco. Mas eu, que também residia em Juiz de Fora e sempre estava na casa do Careca, contestei dizendo que não era verdade, pois o Leandro quase não ia na casa do dele. E o Careca na mesma hora disse que era por isto mesmo, pois ele não indo a sua casa era o que menos enchia o saco. É, depois que a gente fica mais velho, e vem os nossos, é que vemos que o Careca tinha toda a razão, pois neto é muito gostoso, mas com os pais.

 

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Zé Bom Cabelo:

 

Dizia o Bom Cabelo que, quando por aqui ainda existia o barracão, moravam em Raul Soares vários ferroviários e um deles, que não me recordo o nome, começou, apesar de pouca idade, a falhar, ou melhor,"não dar no couro" sexualmente, levando o mesmo a procurar o Dr. Wilson, que na época era o Médico da Classe. Lá chegando, o médico fez a consulta, mas não viu nada que pudesse estar inibindo o bom desempenho do ferroviário que, diga-se de passagem, era uma classe respeitada. Mas resolveu assim mesmo dar um remédios, mais para efeito psicológico. Passado alguns dias, lá voltou o ferroviário, dizendo que de nada estava adiantando os remédios e que o mesmo já estava até com vergonha da distinta esposa, pois apesar da fama dos ferroviários de mulherengos, ele era uma das exceções. Disse que depois de casado, não se lembrava de haver tido um caso extra-conjugal. O Dr. Wilson examinou novamente o ferroviário, fez umas perguntas e resolveu pedir-lhe que no outro dia levasse sua distinta esposa ao seu consultório, pois imaginou que poderia estar havendo alguma coisa com o mesmo que estava sendo omitida. No outro dia o ferroviário aportou ao consultório, acompanhado da distinta esposa que foi logo apresentada ao médico. Disse o Bom Cabelo que o Dr. Wilson, quando viu a mulher, falou para ele: é meu amigo. Estive pensando no seu caso e já vi que o seu problema é irreversível. É melhor você ir se acostumando, pois o seu caso é incurável e a medicina até o momento não teve recurso para isso e eu não vejo meio de curá-lo. Vocês já imaginaram que o problema do ferroviário era a distinta esposa, que era um bucho.

 

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Dim Pascoal:

 

Contava o nosso querido amigo Tãozinho Carcereiro, que Deus levou de nos tão cedo, que o Dim Pascoal, pai do nosso dileto amigo e jornalista Pascoal "Cid Moreira", quando jovem, tocava em um conjunto aqui de Raul Soares, herdando o Pascoal o seu dom musical. Que certa época, foi o conjunto tocar na vizinha cidade de Bom Jesus do Galho e que lá pelas tantas, em um intervalo, resolveu o Dim ir a um boteco tomar um conhaque, pois sua bebida predileta era Conhaque. Lá chegando, perguntou ao dono do boteco se este tinha Conhaque de alcatrão de São João da Barra, tendo o Dim tomado a dose, que por sinal não foi pequena, num gole só. Lá no boteco encontrava-se várias pessoas e o Dim, ou por esquecimento, ou por não conhecer o costume local, não ofereceu a bebida para as demais pessoas. Neste momento, um cidadão se condoeu pela falta do Dim e aproximando do mesmo manteve com este o seguinte dialogo: Companheiro você gosta bem de um conhaque não? Tendo o Dim respondido que sim, mas só se fosse o legítimo Conhaque de São João da Barra. Tendo o cidadão lhe perguntado como é que ele conhecia o legítimo Conhaque de São João da Barra, o Dim, dando uma risada e dito que era fácil, pois era só pegar a garrafa e ver se fosse fabricado em São João da Barra, Estado do Rio de Janeiro, podia tomar que era o legítimo. No mesmo instante, o cidadão solicitou ao vendeiro que trouxesse uma garrafa e pediu ao Dim que desse uma olhada se era legítimo, tendo o Dim certificado que era. Pediu então o cidadão ao vendeiro um copo e serviu para o Dim, dizendo:  você gosta mesmo de conhaque e conhece o produto, mas você esqueceu que havia por aqui outras pessoas que poderiam gostar e você não ofereceu. Por isso nós estamos lhe oferecendo esta garrafa, para você toma-la toda. Sem entender bem o que estava acontecendo,  Dim agradeceu, dizendo que estava tocando no conjunto que estava fazendo o baile. Mas o cidadão não aceitou a desculpa e mandou que ele tomasse assim mesmo. Dim relutou um pouco a começar a tomar, mas logo desistiu quando um outro cidadão, que por lá estava, gritou lá do fundo do boteco: deixa o homem pra lá Pinta Roxa! Aí é que o Dim viu que estava falando com o Pinta Roxa, um famoso pistoleiro que andou por nossas bandas, atemorizando o povo e que acabou tendo um fim trágico nas mãos do famoso Cabo Massaú. Contava o Tãozinho que o Dim só se lembrava que começou a tomar o conhaque. Mas só acordou no outro dia, do lado de fora do boteco, dormindo com a garrafa de conhaque vazia de um lado e o pandeiro, instrumento que tocava, do outro e com um gosto de fel danado na boca.

   

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Vardim do Osório:

 

Quando faleceu, por sinal prematuramente, o nosso querido Milton do Rodobar, correram imediatamente para o hospital, assim que souberam que o mesmo tinha sido hospitalizado em estado grave, Marco Pacheco e Vardim do Osório. Quando lá chegaram depararam com o Dr. Wilson, que estava saindo do bloco cirúrgico e foi logo dizendo bravo e em alto som: eu já falei com vocês que cachaça mata um, pois Raul Soares com este calor danado não é propício a bebidas de dose. E o Vardim na mesma hora disse ao Marco Pacheco: "Marco, vamos logo mudar para Bicuíba ou Vermelho Velho, pois lá o clima é bem mais fresco."Aí vocês já imaginam o que o Dr. Wilson falou para os dois".  

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