HEMORRAGIAS FLORAIS

Autoria: Luiz Roberto 

                Prefácio

                Dedico este livro aos meus pais e parentes, aos meus filhos, às meninas Ângela e Lila que minimizaram minha solidão, a Herculano Falcão que batalhou e criou-me a chance para que eu pudesse sanar uma antiga carência: chegar até vocês. Estou feliz!

Publicamos abaixo, algumas poesias extraídas de sua obra:

Engano

Quando eu era criança

Via os homens como gigantes.

Tive pressa em crescer,

Adulto sou.

Percebo tristemente,

somente agora,

Tardiamente,

o quanto estou menor.

 

Eu Pelo Avesso

Querida!

Venho de um tempo distante.

De terras distantes, onde meus pés,

deixaram pegadas pequenas,

em margens de rios

 

Existem árvores, que se ressentem

por não ter meu corpo entre seus falhos,

comendo com deleite frutos puros e inocentes

Como o eu de então, venho de um dia,

de primeiro beijo,

de minha primeira calça comprida,

de minha iniciação,

da incompreensão humana

 

E segui; partindo pra outras terras,

e deixei meu rio.

Sombreado por minhas árvores,

e pelo parto de minha infância.

Levei apenas, meu cigarro, uma esperança e

minhas calças; que não acompanharam

o crescimento de minhas alegrias e dores.

 

E desde então compreendi,

que as coisas materiais não são fiéis.

E continuei indo, crescendo,

Trocando de calças, de companhias;

trocando meus sonhos, meus anseios,

minhas alegrias e choros, e me pergunto:

Por que não?!

Era preciso! Foi-me preciso!

 

Fez-se necessário! Mas até quando?

Eu me pergunto!

Agora que já nos encontramos!

Você quando me encontrou!

Lembra-se?

Eu lhe falei da batalha recente

da qual tinha me saído perdedor;

Não era preciso dizer-lhe

Pois meu corpo,

visto através de meus olhos

assim evidenciava.

 

Sabe camponesa!

Se queres minha morte,

não é preciso fazer tudo,

basta apenas nada fazer!

 

Autobiografia Inacabada

O destino do homem,

É sempre amar uma mulher

Na minha meninice, houve:

A Dinorá, teve a Dodora e Glória a professora

 

Aos Doze anos amei Sônia, por quem senti desejo

E bem me lembro, ganhei meu primeiro beijo

 

Um beijo meio sem jeito,

Não foi, um daqueles beijos ardentes,

Foi dado com muita audácia e também 

Com muitos dentes.

 

Depois...

Bom! Depois é falta de ética.

 

Expectativa

Tenho receio que meus anseios sejam em vão

O cão ladra, pássaro se bate, gaiola inerte

e a caravana passa.

Quero,

palavra que envolve mil carências...

 

Quero ser, ter, amar, viver. Morrer,

quero ser...

Católico ou protestante, mestre e estudante

ser amado, ser amante.

 

Quero ter...

minha casa distante,

um rio sereno,

meu amor

constante e pleno...

 

Quero amar,

amor interminável

quero viver, como pretendo morrer,

nos braços de minha amada

quando dois, só formam um corpo,

num orgasmo muito louco...

 

Insubstituível

Quisera poder enganar-me

tentar procurar outras bocas

em seus lábios achar-me 

quisera abraçar outro corpo

matar o sufoco, de minhas vontades

apagar o estigma da sua maldade

quisera tirar meu amor do eterno

fazer uma inversão consciente

transformá-lo no éter, 

fazer-me contente

- Quisera, quisera somente quisera

nem tentarei;

nada adiantaria

você é você

o resto, tudo mais seria.

 

Sangrando

Dizer-lhe: - "Não lhe amo mais..."

Quanta mentira ouviríamos

Dizer-me - "Não me esqueça, voltarei!"

Que todos seríamos, se acreditássemos.

 

Eu quis somente, o nosso amor

Em meu rosto e ser, suportei

As pancadas, daqueles que invejaram

O nosso canto, e com egoísmo, o calaram.

 

É o que a vida tem me dado.

A flor que procuro fazer nascer;

Vejo morrer, sob as urinas dos vazios.

 

Seguirei sem você, é certo!

Mas no meu rastro, vais ver sempre;

A justa sombra, do homem injustiçado.

 

Dúvidas

As pedras atiradas em meu caminho

Me fazem forte? ou estarão cansando-me?

Trago um coração que sangra,

E encharca todo meu ser.

Eu sofro!

Faço outros sofrerem!

E novamente torno-me triste.

Queria tanto, transpirar paz,

inundar a todos, que de mim se acercam.

Preciso urgente, achar um meio

De dar início, a um final feliz.

 

Será?

Por que querer ser livro eternamente

será que é totalmente ruim,

ser prisioneiro do amor?

As borboletas são livres

mas quem pode afirmar que são felizes

por não ter que retornar

ao casulo, em que nasceram?

 

Herói

Vontade tenho, queria tanto

Abrir meu peito, cantar meu canto

E a noite então, já bem cansado

Em meu recanto.

 

No travesseiro, chorar meu pranto

Fazer de tudo não importa a hora

Estar consciente de que agora é agora

viver o tudo em fração de segundo

 

Sem me importar com o jornal

Se é bonito, feio ou mau

Amar com todo meu eu

Sem intervalo ou sessão

E manter um sorriso nos lábios

Na hora da extrema-unção...

 

Estigma

Sou, como fumaça de cigarro

provoca prazer, ao ser tragada

Desapareceu logo, no ar

Deixando, as pessoas marcadas.

 

Sim, como a rosa cheirosa

Perfeição sem limites

Cortam-na enfeita tudo

Fenece, deixa as pessoas tristes.

 

Sou arco-íres, borboleta, pôr-do-sol

Extasiante, perfeito, envolvente,

Todos supremos

Como eu, tão efêmeros.

 

Por que não sou como vacina?!

Queixam-se! nunca se esquece,

Marca, mas permanece!

 

Hemorragias Florais

Você me pergunta, me incita a dizer-lhe,

O que? Um montão de coisas, ou tudo sei lá!

Prá que? Não me coaja, prá mim é ruim,

destrói o sonho, de seu ser, sem coação!

Basta um sorriso, um pouco de mão,

Aí terás, como leitão na ceia do seu natal,

e nem me esquecerei de mandar: maçã na boca,

bastante tempero, vem corado, fogo no ponto.

 

É assim que quero ir prá mesa, na cama,

pros astros, a caminho de quem me ama,

deixa eu ser.

Pois tenho mais coisas a fazer,

cuidar do seu ser.

Há tanta gente que inveja as estrelas,

a lua, o sol, um abrir de flores.

Eu nada tenho de bom, a não ser lhe querer.

Pois o resto, só os pego se for prá você,

Estrelas, as trarei em suas mãos,

num quarto, nova, minguante, crescente pra cheia,

as maiores!

Com luas estrelares em qualquer noite,

Dia ou tarde.

 

Os sois invernais antes vividos,

em verões inesquecíveis, e quando

a frigidez do inverno,

tentar paralisar seu sangue,

farei vir finatonalmente

uma primavera de hemorragias florais.

Se você quiser fazer algo de importante

Cuida de mim, pois, terei afazeres

a me preocupar,

fazer tudo nascer, os quais acabei de escrever.

 

Fuga

Às vezes tento fugir

de minha idade tristonha

e voltar à minha infância,

aquela vida risonha.

 

Onde os amigos são bons,

falando em termos gerais,

com os adultos não me entendo,

são todos tão desiguais.

 

As crianças querem brincar,

bola de gude, pique, pular,

jogam pelada, vivem a cantar

Os adultos, só querem vingar!

Vê quem... Não importa.

Mas por que a revolta?

Pois quando crianças

Brincavam também.

 

Eram crianças normais.

Jogavam peteca, brincavam de roda,

pulavam quintais,

por vezes, havia briga

e a troca de mal.

Mas continuavam brincando

de cara fechada, lá no quintal,

apanhando pitangas, derrubando laranjas,

 

Não importava pra quem,

E de repente, por nada

comendo goiaba,

trocavam de bem.

E assim são as crianças de todo lugar.

 

Não importa a cor, condições sociais,

todos se irmanam,

jogando queimada, bancando mocinhos,

apostando corrida em todos locais

Depois crescem e mudam,

mas há um culpado para mudanças tão radicais.

 

São os próprios, a vida ou os pais?!

E é por isso, que tento fugir,

Fugir de minha idade tristonha, 

voltar a infância querida...

e ter uma vida risonha...

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