
Talvez nada seja tão revelador da riqueza da linguagem brasileira quanto
os provérbios populares. Às vezes, eles constituem meras adaptações de
ditados de outros países, ou de frases célebres muito divulgadas; mas, com
mais freqüência, são fruto de criações espontâneas, de tiradas
inteligentes e espirituosas que divertem quem fala e quem ouve, e que logo
correm de boca em boca, para se perpetuar, depois, através das gerações.
Frases curtas e cadenciadas, expressam experiências, conselhos, observações
sérias ou satíricas sobre a vida, máximas de caráter moral, advertências de
fundo religioso. Eles estão aqui selecionados nestas páginas: provérbios,
verdadeira síntese da sabedoria e do talento poético do povo brasileiro.
A
A
amar e a rezar ninguém se pode obrigar.
A
bom entendedor meia palavra basta.
A
bom gato, bom rato.
A
cavalo dado não se olham os dentes.
A
César o que é de César, a Deus o que é de Deus.
A
concha é que sabe o calor da panela.
A
corda sempre arrebenta pelo lado mais fraco.
A
grandes males, grandes remédios.
A
justiça tarda, mas não falta.
A
lua não fica cheia em um dia.
A
má erva depressa nasce e tarde envelhece.
A
melhor espiga é para o pior porco.
A
mentira tem pernas curtas.
A
morte não espera.
A
necessidade ensina a lebre a correr.
A
necessidade faz a lei.
A
noite é boa conselheira.
À
noite todos gatos são pardos.
A
ocasião faz o ladrão.
A
palavra é prata, o silêncio é ouro.
A
palavras loucas, orelhas moucas.
A
perna não faz o que o joelho quer.
A
pior roda é a que mais chia.
A
pressa é inimiga da perfeição.
A
primeira pancada é que mata a cobra.
A
quem Deus não deu filhos, deu o diabo sobrinhos.
A
ruim capelão, mau sacristão.
A
santo que não conheço, não rezo nem ofereço.
A
união faz a força.
A
velho recém-casado, reza-lhe por finado.
Água
e conselho só se dão a quem pede.
Água
mole em pedra dura tanto bate até que fura.
Águas
passadas não movem moinhos.
Além
ou aquém, sempre vejas com quem.
Amarra-se
burro à vontade do dono.
Amigo
disfarçado, inimigo dobrado.
Amigos,
amigos; negócios, à parte.
Amizade
remendada, café requentado.
Amor
com amor se paga.
Amor
é a gente querendo achar o que é da gente.
Amor
e dinheiro não querem parceiro.
Amor
é sede depois de se ter bebido.
Anda
em capa de letrado muito asno disfarçado.
Antes
calar que mal falar.
Antes
causar inveja que dó.
Antes
fanhoso que sem nariz.
Antes
perder a lã que a ovelha.
Antes
só do que mal acompanhado.
Antes
tarde do que nunca.
Aqui
se faz, aqui se paga.
As
paredes têm ouvidos.
Asno
que a Roma vá, asno volta de lá.
Atrás
de quem corre não falta valente.
Azeite,
vinho e amigo: melhor o antigo.
B
Barriga
cheia, companhia desfeita.
Bastante
sabe quem não sabe, se calar sabe.
Boi
ladrão não amanhece em roça.
Boi
sonso, chifrada certa.
Batendo
ferro é que se fica ferreiro.
Beleza
não se põe a mesa.
Bem
sabe o asno em que casa rosna.
Bom
vinho dispensa pregão.
Briga
o mar com a praia, quem paga é o caranguejo.
Burro
velho não aprende.
C
Cada
cabeça, cada sentença.
Cada
leitão em sua teta.
Cada
louco com sua mania.
Cada
macaco no seu galho.
Cada
ovelha com sua parelha.
Cada
qual canta como lhe ajuda a garganta.
Cada
qual com seu igual.
Cada
qual sabe onde lhe doem os calos.
Cada
terra com seu uso, cada roca com seu fuso.
Cada
um dá o que tem.
Cada
um por si, Deus por todos.
Cada
um puxa a brasa para a sua sardinha.
Caiu
na rede é peixe.
Caiu
no saco é gato.
Caminho
começado é meio andado.
Cão
que ladra não morde.
Casa
arrombada , tranca na porta.
Casa
onda não há pão, todos brigam e ninguém tem razão.
Casa
o filho quando quiseres, a filha quando puderes.
Casa
onde não entra sol, entra o médico.
Casarás,
amansarás e te arrependerás.
Casa-te
e verás: perdes o sono e mal dormirás.
Cesteiro
que faz um cesto faz um cento.
Cobra
que não anda não apanha sapo.
Coice
de égua não machuca cavalo.
Coisa
oferecida ou está podre ou está moída.
Com
fogo não se brinca.
Comer
e coçar, é só começar.
Comer
para viver, e não viver para comer.
Confiança
não se dá e não se toma emprestado, conquista-se.
Contra
a má sorte, coração forte.
Coração
que suspira não tem o que deseja.
Cria
fama e deita-te na cama.
D
Da
discussão nasce a luz.
De
algodão velho não se faz bom pano.
De
boas intenções o inferno está cheio.
De
boi manso me guarde Deus, que de bravo me guardo eu.
De
casa de gato não sai farto o rato.
De
graça só relógio trabalha, e assim mesmo quer corda.
De
graça só se dá bom dia.
De
grão em grão a galinha enche o papo.
De
janeiro a janeiro o dinheiro é do banqueiro.
De
médico, poeta e louco, todo mundo tem um pouco.
De
pensar morreu um burro.
De
pequenino é que se torce o pepino.
De
tostão em tostão vai-se ao milhão.
Defunto
rico, defunto chorado.
Deixa
estar, jacaré, que a lagoa há de secar.
Depois
da batalha aparecem os valentes.
Depois
da calma vem a tempestade.
Depois
da tempestade vem a bonança.
Depois
de rapar não há o que tosquiar.
Desgraça
pouca é bobagem.
Deus
dá nozes a quem não tem dentes.
Devagar
com o andor, que o santo é de barro.
Devagar
se vai ao longe.
Dinheiro
não tem cheiro.
Diz-me
com quem tu andas que eu te direi quem tu és.
Do
homem é o errar, da besta, o teimar.
Do
prato à boca é que se perde a sopa.
Dois
bicudos não se beijam.
Dos
males, o menor.
E
É
leve o fardo no ombro alheio.
É
mais fácil prometer do que dar.
É
melhor andar a pé do que montar em burro magro.
É
melhor não soltar rojão antes do tempo.
É
melhor prevenir do que remediar.
É
na sela que o burro conhece o cavaleiro.
É
nos tempos maus que se conhecem os bons amigos.
É
preciso ver para crer.
Em
boca fechada não entra mosca.
Em
briga de marido e mulher, não metas a colher.
Em
casa de enforcado, não fales em corda.
Em
casa de ferreiro, espeto de pau.
Em
pé de pobre é que o sapato aperta.
Em
tempo de guerra, mentira é como terra.
Em
terra de cego, quem tem um olho é rei.
Enquanto
há vento, molha-se a vela.
Entrada
de leão, saída de cão.
Errando
é que se aprende.
Errar
é humano.
Erudito
sem obra é nuvem sem chuva.
Erva
má, depressa cresce.
Escreveu
não leu, o pau comeu.
F
Falar
é fácil, fazer é que é difícil.
Falar
sem pensar é atirar sem apontar.
Faz
mais quem quer do que quem pode.
Faça
o bem sem olhar a quem.
Fé
em Deus e pé na tábua.
Feio
é roubar e não poder carregar.
Ferro
se malha enquanto está quente.
Filho
de onça já nasce pintado.
Filho
de peixe, peixinho é.
G
Galinha
que canta é que é a dona dos ovos.
Gato
escaldado tem medo de água fria.
Generoso
como ninguém é aquele que nada tem.
Grande
gabador, pequeno fazedor.
Guarda
te do homem que não fala e do cão que não ladra.
H
Há
males que vem para bem.
Há
sempre um chinelo velho para um pé doente.
Homem
sem dinheiro é um violão sem cordas.
Hora
de morrer não tem retardo.
L
Ladrão
de tostão, ladrão de milhão.
Ladrão
que rouba ladrão tem cem anos de perdão.
Leite
de vaca não mata bezerro.
M
Macaco
velho não mete a mão em cumbuca.
Mais
anda quem tem bom vento do que quem
muito rema.
Mais
fácil é o burro perguntar do que o sábio responder.
Mais
fácil acender uma vela que amaldiçoar a escuridão.
Mais
vale burro vivo do que sábio morto.
Mais
vale um cachorro amigo do que um amigo cachorro.
Mais
vale um pássaro na mão do que dois voando.
Mais
vale um pé do que duas muletas.
Mais
vale um “toma”do que dois “te darei”.
Mal
virá que bem se fará.
Mão
de mestre não suja ferramenta.
Mãos
frias, coração quente.
Muito
riso, pouco siso.
Muitos
entram lambendo e saem mordendo.
Mulher
de cabelo na venta nem o diabo agüenta.
N
Nada
como um dia depois do outro.
Não
adianta gritar por São Bento, depois que a cobra mordeu.
Não
censure dor alheia quem nunca dores sentiu.
Não
deixes para amanhã o que podes fazer hoje.
Não
faças aos outros aquilo que não queres que te façam.
Não
é com palha que se apaga o fogo.
Não
é o mel para a boca do asno.
Não
é o sol que faz a sombra.
Não
há bem que sempre dure, nem mal que sempre se ature.
Não
há domingo sem missa, nem segunda sem preguiça.
Não
há regra sem exceção, nem mulher sem senão.
Não
há rosas sem espinhos.
Não
se amarra cachorro com lingüiça.
Nem
sempre o diabo é tão feio quanto o pintam.
Nem
tanto ao mar, nem tanto à terra.
Nem
todo dia se como pão quente.
Nem
tudo o que balança cai.
Nem
tudo que reluz é ouro.
Ninguém
fica para semente.
Ninguém
toca flauta e chupa cana ao mesmo tempo.
No
duro ninguém se atola, nem faz poeira no mole.
No
fim é que se cantam as glórias.
No
frigir dos ovos é que se vê a manteiga.
Nunca
digas: desta água não beberei.
O
O
barato sai caro.
O
boi é que sobe, o carro é que geme.
O
carro não anda adiante dos bois.
O
castigo anda a cavalo.
O
feitiço costuma virar contra o feiticeiro.
O
fim coroa a obra.
O
hábito não faz o monge (mas fá-lo parecer de longe).
O
homem propõe e Deus dispõe.
O
lobo perde o pelo mas não o vício.
O
medo é mau companheiro.
O
prometido é devido.
O
que é do homem o bicho não come.
O
que os olhos não vêem o coração não sente.
O
saber não ocupa lugar.
O
seguro morreu de velho.
O
sol nasce para todos, a lua para quem merece.
O
uso do cachimbo faz a boca torta.
Obra
apressada, obra estragada.
Onde
como um, comem dois.
Onde
há fumaça, há fogo.
Onde
o ouro fala, tudo cala.
Onde
vai a corda, vai a caçamba.
Os
cães ladram e a caravana passa.
P
Paga
o justo pelo pecador.
Palavra
de rei não volta atrás.
Palavras,
leva-as o vento.
Palavras
não enchem barriga.
Pancada
de amor não dói.
Panela
que muitos mexem foi sempre mal temperada.
Papagaio
como milho, periquito leva a fama.
Para
amigo urso, abraço de tamanduá.
Para
baixo, todos os santos ajudam.
Para
bom mestre não há má ferramenta.
Para
grandes males, grandes remédios.
Para
quem está perdido, qualquer mato é caminho.
Parecer
sem ser é fiar sem tecer.
Passinho
a passinho se faz muito caminho.
Patrão
fora, feriado na loja.
Pau
que nasce torto, não tem jeito, morre torto.
Pé
de galinha não mata pinto.
Pedra
que rola não cria limo.
Pela
boca morre o peixe.
Pelo
andar dos bois se conhece o peso da carroça.
Pelo
canto se conhece a ave.
Pimenta
nos olhos dos outros é refresco.
Pior
cego é o que não quer ver.
Pobreza
não é vileza.
Por
fora, bela viola, por dentro, pão bolorento.
Praga
de urubu não mata cavalo.
Primeiro
a obrigação, depois a devoção.
Q
Quando
a barriga está cheia, toda goiaba tem bicho.
Quando
a esmola é demais, o santo desconfia.
Quando
o dinheiro fala, tudo cala.
Quando
o pobre come frango, um dos dois está doente.
Quando
um burro fala, os outros abaixam as orelhas.
Quando
um não quer, dois não brigam.
Quanto
mais se vive, mais se aprende.
Quem
ama o feio, bonito lhe parece.
Quem
anda na chuva se molha.
Quem
ao moinho vai, enfarinhado sai.
Quem
avisa amigo é.
Quem
bem ouve, bem responde.
Quem
boa cama faz, nela se deita.
Quem
brinca com fogo se queima.
Quem
cala consente.
Quem
canta, seus males espanta.
Quem
casa não pensa, quem pensa não casa.
Quem
casa quer casa.
Quem
com os cães se deita, com pulgas se levanta.
Quem
com ferro fere, com ferro será ferido.
Quem
conta um conto aumenta um ponto.
Quem
dá aos pobres empresta a Deus.
Quem
de longe acena, de perto se condena.
Quem
desdenha quer comprar.
Quem
diz o que quer, ouve o que não quer.
Quem
é bom já nasce feito.
Quem
é vivo sempre aparece.
Quem
espera desespera.
Quem
espera sempre alcança.
Quem
furta pouco é ladrão, que furta muito é barão.
Quem
má cama faz, nela jaz.
Quem
muito fala, muito erra.
Quem
muito pede, muito fede.
Quem
muito quer saber, mexerico quer fazer.
Quem
muito se abaixa mostra o rabo.
Quem
não arrisca, não petisca.
Quem
não cansa, alcança.
Quem
não chora não mama.
Quem
não deve não teme.
Quem
não pode com mandinga não carrega patuá.
Quem
não pode morder não mostre os dentes.
Quem
não quer ser lobo não lhe vista a pele.
Quem
não se enfeita se enjeita.
Quem
não tem cão caça com gato.
Quem
nasce torto morre envergado.
Quem
nasceu para dez réis não chega a vintém.
Quem
nasceu para tatu morre cavando.
Quem
nunca comeu melado quando come se lambuza.
Quem
ovelhas cria, tolo é se não as tosquia.
Quem
parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é burro o não tem arte.
Quem
perde a honra pelo negócio, perde a honra e o negócio.
Quem
perde a vergonha fica dono do mundo.
Quem
planta colhe.
Quem
pode o mais, pode o menos.
Quem
procura acha.
Quem
quer a rosa, agüente o espinho.
Quem
quer vai, quem não quer manda.
Quem
quer vencer, aprenda a sofrer.
Quem
sai aos seus não degenera.
Quem
semeia ventos colhe tempestades.
Quem
tem boca não manda soprar.
Quem
tem boca vai a Roma.
Quem
tem rabo de palha não senta perto do fogo.
Quem
tem telhado de vidro não atira pedra no do vizinho.
Quem
tudo quer tudo perde.
Quem
vai ao mar perde o lugar.
Quem
vê cara não vê coração.
Querer
é poder.
R
Ri
melhor quem ri por último.
Ri-se
o roto do esfarrapado e o sujo do mal lavado.
Roma
não se fez num só dia.
Roupa
suja lava-se em casa.
S
Saco
vazio não fica em pé.
Santo
de casa não faz milagre.
São
mais as vozes que as nozes.
Se
queres ser bom juiz, ouve o que cada um diz.
T
Tamanho
não é documento.
Tanto
vai o cão ao moinho que um dia lá deixa o focinho.
Tempo
é dinheiro.
Tristezas
não pagam dívidas.
U
Um
dia é da caça, outro do caçador.
Um
homem prevenido vale por dois.
Uma
andorinha só não faz verão.
Uma
mão lava a outra, ambas lavam o rosto.
Urubu
quando está infeliz cai de costas e quebra o nariz.
V
Vão-se
os anéis, fiquem os dedos.
Vão-se
os gatos, folgam os ratos.
Vem
a ventura a quem procura.
Vingar
é lamber frio o que outro cozinhou quente demais.
Vintém
poupado, vintém ganho.
Viúva
rica com um olho chora, com o outro repenica.