Jane
Jane tinha 5 anos quando se mudou para aquela rua, lá só tinha uma casa em ruínas que ficava de frente para a sua.
Já havia 7 meses que estava lá, rua deserta, às vezes apareciam uns clientes de seu pai, mas nenhuma criança. Como ela não estava na escola ainda, passava os dias brincando sozinha ou com a cabeça escorada na janela observando a casa.
Um dia quando ela pôs a cabeça pra fora ela viu um garoto
sentado no meio-fio. Parecia chateado. Então desceu para falar com ele.
Extremamente tímida, não sabia nem se lembrava como falar. Chegou junto e ficou
parada em frente a ele:
- O que você tem?
- Estou de castigo.
- Por que?
- Porque minha mãe é burra de ter se casado com o trouxa do meu pai.
Jane se assustou, ela nem em momentos de muita raiva tinha pensado coisas assim de seus pais, que dirá contar para os outros.
- Sei de uma coisa que vai te fazer ficar melhor.
Ele só levantou os olhos. Então ela o abraçou e deu-lhe um beijinho no olho. Depois levantou e pôs-se a correr de volta pra casa.
No dia seguinte, ao olhar por sua janela, o garoto estava lá.
- Ainda de castigo?- ela perguntou quando se aproximou.
- Não.
- Qual o seu nome?
- Severus.
- Jane.
Ele a olhou com seus olhos negros e ela correu para casa.
No dia seguinte ele não estava lá. Nem no outro, ou no outro.
Um dia quando estava voltando de um passeio com sua mãe o viu. Quando saiu para procura-lo ele não estava mais. Mas no outro dia estava.
- Você sumiu...
- Não tenho aprontado...
- Por que você veio aqui hoje?
- Não sei...
Ela beijou-lhe a ponta do nariz e saiu correndo. Ele piscou.
No dia seguinte, Jane sentou-se no meio-fio de sua casa (dela). Severus saiu do portão da frente e a viu do outro lado. Hesitou em ir ou não falar com ela. Optou em apenas sentar. Ficaram se encarando.
Os olhos azuis nos olhos pretos. Os olhos pretos nos olhos azuis. O vento brincando com os cabelos. Ela levanta. Tum-tum. Ela caminha. Tum-tum. Ele olha para cima. Tum-tum. O vento sopra. Ele se levanta. Ela chega bem perto. Tum-tum. Ele sente um leve toque macio e molhado em seus lábios. Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum.
As ultimas pontas do cabelo dela tocam seu rosto. Ela se vira e vai embora. Severus sorri.
Tum.
E nunca mais a vê.