Nome da fic: Draco - o erro de Snape
Autor: Sarah Severa
Par: Personagem original/Snape; Narcisa Malfoy/Snape
Censura: NC-17
Spoilers: Até o quinto livro
Resumo: Snape cai em tentação por uma aluna de Hogwarts, deixando seu desejo falar mais alto, mas se vê desesperado pelas conseqüências desse ato, e corre para os braços da única pessoa em quem realmente confia:Narcisa. Mas ele não podia imaginar o que ainda estava por vir: talvez a paternidade. Essa fic é grande. E promete.
Advertências: Os personagens não são meus, e não estou lucrando com essa fic, todos pertencem a J.K. Rowling, exceto pela personagem original, Agatha Malfoy.
Agradecimentos: Galera, agradeço a vcs que estão lendo minha fic... E a todos que me ajudaram a encontrar um lugar para publicá-la!!!! Por favor, mandem suas criticas pro meu mail: saraheu@hotmail.com!!!!


Capítulo 1 – A fraqueza de Snape

Era mais uma manhã de inverno. Sem nada de especial, aparentemente. Severus Snape, o charmoso mestre de poções, encontrava-se em seus aposentos nas masmorras, debruçado em sua escrivaninha, corrigindo redações do sétimo ano sobre Poção Polissuco. "Uma poção perigosa..." pensava, mas decidira que no sétimo ano, por ser o último, teriam maturidade o suficiente para aprendere-la sem causar estragos, além do mais, poderia ser útil em seus futuros empregos, situações...
Ele estava ali desde às quatro da manhã, já que acordara esse horário e não conseguira dormir mais... Acordara pensando na primeira aula de ontem, com os alunos do sétimo ano da Sonserina e com o pessoal da Corvinal... Não pensara bem na aula, e sim no que acontecera depois desta... Fora algo tão perturbador, mas ao mesmo tempo tão provocante, tão... Não! Não deveria pensar nisso. Era errado, não possuía ética, nem moral...Ele era um homem de princípios, não um vulgar qualquer...
Decidiu se concentrar nas redações, que por sinal estavam muito pobres de informação, sem contexto, concordância... "Como esses delinqüentes conseguem estar no último ano? " pensara, indignado, quase se arrependendo de ter dado um tema tão sério para dissertarem, quando pegou a próxima folha sobre a pilha no canto da escrivaninha. Era dela. Era ela... Leu o nome novamente, e levou a folha próxima ao nariz adunco, suspirando e soltando um gemido de prazer ao exalar aquele perfume que outrora pudera sentir tão próximo. Colocou a folha novamente sobre a mesa, e começou a lê-la:

"... essa poção possui o poder de nos transformarmos em outra pessoa, adquirirmos as características físicas da pessoa, mas não seus sentimentos ou emoções, seria apenas como uma carapaça. A vantagem real é que podemos nos tornar também mais atraentes e mais maduras para poder conquistar certos professores..."

Ele não pode conter um sorriso maroto naqueles lábios outrora crispados. Ah, aquele espírito jovial era realmente atraente. E aquela audácia, afinal, nenhum aluno ousara brincar e fazer piadas em suas redações, pois sabiam o professor rígido que tinham... Mas ela não. Não tinha medo brincar com ele. Ela ousava. Caía de cabeça nas coisas, nas emoções, tão diferente dele, que sempre fora fechado, distante da vida e de seus prazeres, reservado, cauteloso... Ela sabia onde pisava, sabia que de alguma forma o havia enfeitiçado, excitado, provocado seus sentidos de uma forma macabra mas inspiradora. Ela já vinha tentando-o há muito tempo, desde o ano passado, e aos poucos foi conseguindo mexer com seus sentidos masculinos, levando-o à flor-de-pele. Ele não possuía ninguém, sempre confinado, preocupado com seus deveres na escola e principalmente com o trabalho de espião de Dumbledore, que não sobrava tempo para intimidades com quem quer que seja. Sua vida inteira havia sido assim, sempre colocando objetivos profissionais na frente de pessoas... Por isso nunca dera certo com ninguém. Mas tinha tentado com tão poucas...Mas já havia muito tempo desde a última vez em que ficara com alguém... Apesar de ser um bruxo, era homem. E os homens sempre têm necessidades do corpo, mais que da alma.
Uma batida repentina na porta o assusta. A nuvem de pensamentos sutis se esvai. Ele vira-se para a porta atônito, como se a pessoa do outro lado havia ouvido seus pensamentos baixos de delírio humano... Mas logo a voz do outro lado diz, suavemente: "Severo, sou eu. Posso entrar?" "Claro, diretor" responde Snape reconhecendo imediatamente a voz de Alvo.
A porta é aberta, e Snape levanta-se para receber o diretor com educação. " Bom dia" diz. "Muito bom, por sinal, Severo", responde um Dumbledore animado. "Preciso que tenhamos uma reunião hoje, na minha sala, após o almoço. Aproveitemos que hoje é domingo e você tem o dia livre de aulas". "Como quiser, diretor. Estarei lá após o banquete" disse um Severo meio desconfiado e curioso. "Bem, então, já vou", disse Dumbledore indo em direção a porta, e quando estava prestes a fechá-la às suas costas, virou-se para o professor e comentou: " Não precisa ficar ansioso. Na hora certa, saberá", e fechou a porta calmamente, com seu jeito de que às vezes está no "mundo da Lua".
Snape não pode deixar de ficar curioso com aquela reunião, mas, já que teria que esperar, achou melhor passar o tempo continuando a corrigir as redações...
Após o banquete, encaminhou-se para a sala de Dumbledore. Lá, encontrou a cadeira do diretor vazia. Então avistou Fawkes, e sua bela plumagem vermelha escarlate, a cor da paixão, do desejo, do batom dela...Nem percebeu quando Alvo chegou saindo de uma outra porta. " Acho que minha notícia irá agradar-lhe Severo. Talvez apenas em parte, claro.". Snape, que estava de costas acariciando a ave, sobressaltou-se. " Ah, claro, diretor, sim." "Queira sentar-se, por favor, Severo", disse Dumblesore sentando-se também em sua imponente cadeira. Snape obedeceu-o imediatamente. " Consegui descobrir onde Voldemort irá se reunir com seus Comensais", começou o diretor, " e creio que seria a oportunidade perfeita para que você retire informações valiosas dele e de seus comparsas", disse um Dumbledore pensativo. " E quando seria, diretor?" "Amanhã, pela tarde. Sei que é estranho eles se reunirem nesse período do dia, mas creio que seja uma estratégia. E não se preocupe com suas aulas", disse Alvo percebendo que o professor iria se manifestar, " eu mesmo me encarregarei de substituí-las". Snape limitou-se a responder: "Será uma honra".
Caminhando lentamente pelo corredor da masmorra, em direção aos seus aposentos, Snape estava pensativo. A notícia do diretor pegara-o de surpresa, mas é claro que era muito boa. Toda e qualquer informação era importante e poderia servir de grande ajuda. Só achara que não teria muito tempo para se preparar, meio que em cima da hora. Afinal, não era fácil passar por Comensal sabendo que a qualquer momento Voldemort poderia descobrir a traição. Mas valeria a pena. E assim limpava um pouco sua consciência por ter servido ao mal durante tantos anos.
Ele caminhava cabisbaixo, ansioso, quando, de repente, escutou aquela voz. Era ela. Chamando-o. Aquela voz que fazia seus poros dilatarem de delírio, aguçarem-se, seu cheiro. Virou-se. Ela vinha em sua direção. Como sempre, o decote provocante, demonstrando os seios fartos, tão juntinhos, balançando com o movimento. Eram tão chamativos... Aqueles cabelos, longos, levemente ondulados, louros, com fios acobreados, tão cheirosos, dançando ao compasso de seu corpo de curvas generosas, encorpadas...Era maravilhosa. Quando ela finalmente chegou até ele, ficou bem próxima, só poderia estar mais próxima se fossem um único corpo. De perto ele poderia apreciar melhor aqueles belos seios tão redondinhos, vistos de cima, já que era bem mais alto do que ela. Ele não poderia olhá-la daquela forma, era um professor, onde estava sua ética? Apesar de ontem, poderia colocar uma pedra e fingir que nada havia acontecido, mas ela era provocante demais...Resolveu desviar os olhos para os olhos dela, tão belos, onde o oceano tocava o céu e mesclava-se num tom esverdeado profundo, brilhantes. " O que deseja, senhorita Malfoy?", finalmente pronunciou, tentando parecer indiferente, mantendo o olhar fixo nos olhos dela. "Bom, na verdade, eu gostaria de falar sobre a redação, Senhor Mestre das Poções!" disse Agatha no seu tom jovial e divertido, zombando da formalidade dele. Snape segurou o riso e disse: " Diga, o que quer saber sobre a redação?" " Preciso que você, digo" disse ela olhando para os lados confirmando se ninguém escutara " que o Senhor deixe que eu mostre. Preciso tirar uma dúvida urgente, mas não lembro de cor o trecho da minha redação", a menina disse quase cochichando, e deu um sorriso sensual. "Desculpe-me, mas terá que esperar. A Senhorita sabe perfeitamente que os alunos não têm permissão para invadir o aposento de seus professores" disse um Snape cada vez mais encantado, e, no fundo, contrariado. Afinal, tê-la no seu quarto era o que ele mais queria. "Não vou invadir!" disse Agatha divertida, " porque vou com a sua companhia e autorização!" e, falando isso, pegou na mão direita de Snape e começou a puxá-lo em direção ao seu aposento , em meio à risadas: " Ande! E pare de olhar para os lados, não há ninguém aqui na masmorra!". Snape, no começo, tentou resistir, mas a verdade foi que seu impulso falou mais alto, embalado pelas risadas dela, seus cabelos esvoaçantes, sua mão tão delicada, branquinha, quente e macia que apertava a mão dele tão grande, forte, rude. Apenas conseguiu perguntar: "Como a Senhorita sabe onde ficam meus aposentos?" " Sei muito mais sobre você do que pensa, professor!" respondeu Agatha com uma ponta de orgulho. Pelo caminho, sendo guiado por ela, Snape pensava em como a deixava ter tanta liberdade com ele, dispensando as formalidades, ele nunca permitira isso a nenhum aluno. " Mas, estranhamente, com ela, não consigo brigar..." pensou, surpreso.
Chegaram finalmente, nos aposentos do Mestre de Poções. Ela parou abruptamente, e fitou-o como se esperasse que ele pegasse a chave e abrisse a porta. E foi exatamente o que ele fez. Enquanto girava a chave na maçaneta, pensava se isso não era uma loucura... Trazer uma aluna em sua privacidade não era típico, aliás, ele nunca permitira que ninguém adentrasse em seu mundo, no qual mantinha-se preso. Mas finalmente destrancou a enorme porta de carvalho, espessa e imponente, e abriu-a. Agatha entrou na frente, como se fosse um lugar familiar, observou a cama larga, bem arrumada, com lençóis brancos. Uma escrivaninha num canto, próxima à lareira, que encontrava-se acesa por uma pequena chama, como se estivesse ardido durante horas. Observou uma outra porta, que levava provavelmente ao banheiro, e mais uma terceira, que supôs ser um pequeno hall.
Snape entrou em seguida, fechando a porta para que ninguém os visse, afinal, não queria fofocas pela escola sobre ele e uma garota do sétimo ano. Também porque ela só estava ali para tirar uma dúvida, o que ele deveria fazer por obrigação.
Ela tirou o casaco, que já estava aberto, e jogou-o com a maior naturalidade em cima da cama. Depois virou-se para ele e deu um sorriso. Ele não pôde deixar de notar sua boca tão bem desenhada, de um batom escarlate, vivo. Percebeu também sua cintura tão delicada, já que a blusa que vestia por baixo do casaco era branca, meio transparente, e bem colada, por dentro da saia de prega preta.
" Hum, bem, senhorita, pode me dizer qual é a sua dúvida?" disse ele, tentando desviar seus pensamentos. " Claro que posso, assim que ver minha redação e encontrar a parte de que falo" respondeu Agatha, sempre com uma ponta de sorriso nos lábios. Então, foi em direção à mesa do professor, inclinou-se um pouco para a frente, ficando de costas para ele, e começou a procurar pela sua tarefa. Snape aproximou-se, dessa vez com os olhos vidrados nas pernas da garota. Grossas, bem definidas, com pelos loiros, fininhos, quase transparentes. Suas coxas eram tão... Snape balançou a cabeça, no instante em que sentiu que aquilo estava ficando extremamente sério. Sentiu seu membro inchar em sua calça negra, que usava por baixo de sua longa capa, também negra como seus cabelos escorridos. Ele não poderia mais pensar aquelas coisas, não poderia ficar mais dentro daquele quarto a sós com ela. Ele já sabia que ela conseguia fazê-lo perder a razão, como ontem... Aquele beijo que ela havia lhe dado, de sopetão, serviu para confirmar que ele não poderia resistir àqueles lábios tão macios, suculentos, vermelhos...! Ele precisava tirá-la de lá o mais rápido possível, ou não poderia responder por seus atos. Foi quando ela interrompeu seus pensamentos: " Aqui, professor! Achei, no quinto parágrafo" disse, "venha ver!". Ele caminhou em sua direção, ficando bem próximo dela. Tanto que poderia sentir sua respiração quente, densa. Ela ainda estava ofegante da corrida que fizeram rumo aos aposentos dele.
Ela começou a falar, colocando a perna direita sobre a cadeira próxima, fazendo com que sua saia subisse mais, deixando a coxa ainda mais visível... Snape tentava se concentrar no que ela falava, tentava ignorar toda aquela sensualidade que ela emanava. Estava provocando-o. E estava funcionando. Ela chegava cada vez mais perto, insinuando também os seios, atitudes digna de uma mulher fatal, que ao mesmo tempo era menina, travessa, jovem, leve. Mas a verdade é que ele não conseguia desviar os olhos daqueles seios fartos, daquelas coxas, boca... O tesão foi subindo de seu ventre, sentiu aquele impulso dominar seus sentidos, de repente, era um animal. Um lobo. Feroz, passou uma mão pela cintura dela, e puxou-a para si, colando-a ao seu corpo, sentindo seus mamilos em seu peito, e delirou de prazer. Colocou a outra mão em sua coxa, deslizando até atingir a nádega, que apertou com ferocidade. Ela uivou de prazer. Então ele sentiu que ela também queria, era sua. Entregara-se totalmente. Ele não conseguia mais pensar, só agir. Começou a beijar aquela boca pequenina com sofreguidão, enquanto escorregava uma mão para os seios, e apertou-os, quase explodindo de desejo. Desceu a boca pelo pescoço suave dela, e o lambeu, passeando com a língua, chegando em seu colo, em seus seios. Arrancou a blusa dela com fúria, como se aquilo fosse um grande obstáculo para seu objetivo. Admirou por um instante o sutiã vermelho, depois abaixou-o até as costelas, de modo que os seios pulassem, mostrando-se ainda maiores, rijos, perfeitos. Começou a mordê-los, lambê-los, apertá-los. Ela delirava, gemia, apertava os ombros do professor, cada vez mais forte. Ele não estava agüentando de excitação, seu pênis cada vez mais ereto, sua cabeça à mil tentando explicar, mas ao mesmo tempo embriagada de loucura, de vontade. Esquecera quem era. Apenas sabia que era homem, com toda aquela malícia, com toda aquela tara, era um homem e nada mais, e portanto era invadido por todo tipo de idéias e desejos. Pegou-a pela cintura e sentou-a na escrivaninha, com as pernas abertas. Agatha começou a tirar a capa e a camisa dele, enquanto ele a ajudava e ao mesmo tempo esfregava-se em sua pele tão branca e macia. Então abaixou a calça até os joelhos, pois não podia esperar mais. Enfiou a mão na saia dela e tirou a calcinha também vermelha, arremessando-a para trás. Levantou a saia e penetrou-a. Ela abriu ainda mais as pernas, derrubando as provas que antes estavam sobre a mesa. Ele começou a fazer movimentos cada vez mais intensos, à medida que ela gemia mais alto, e arranhava suas costas, com tanta força, que os arranhões acabaram sangrando, mas ele não ligava para a dor, porque só podia sentir prazer. Naquele momento, poderia largar tudo, fazer tudo o que quisesse. Cada vez com mais força, empurrando as nádegas dela para si e apertando-as. E então ele explodiu, lambuzando-a, e também à mesa. Estava relaxado, como há muito não se sentia. Estava em paz, completo, suado e ofegante, como ela, que também parecia ter chegado ao ápice de seus desejos, mas com um rosto ainda mais radiante, e vermelho. Foi então que ele olhou para a mesa, e viu que além do esperma, estava suja de sangue: ela era virgem.
E de repente ele sentiu-se envergonhado, sujo. Havia feito algo errado, proibido pela escola, pelo bom senso. Ela tinha apenas dezessete anos, ele trinta e nove. Ela era apenas uma criança, uma aluna, era pura, e ele havia tirado algo muito importante para ela, e sem amor. Havia agido apenas pelo sexo, sabia que não a amava. Sua dignidade sumira perante seus olhos. Não poderia mais olhá-la com autoridade, nem a mais ninguém. Sua cabeça doía, ele estava confuso demais, desconexo. Foi então que ela percebeu algo, e indagou-lhe: " Professor? O que há? Está tão estranho...Fiz algo errado? Me perdoe, é que...Eu...Te amo, muito..." Snape apenas pôs a mão na cabeça.
Ele não sabia o que fazer, o que dizer. É claro que ela não havia feito nada errado, ao contrário, havia sido a melhor transa da vida dele, pois havia muito desejo de ambas as partes. Mas ela desejava-o por amá-lo. Ele, a quis pela beleza, sensualidade, insinuação. Nada mais do que isso. Ela estava se declarando, e ele não poderia dar nada em troca. Mas era nova demais para saber o que queria. O melhor seria esquecer tudo, fingir que nunca haviam nem mesmo conversado fora da sala: "Agatha, seria melhor esquecermos tudo o que aconteceu aqui. Nós jamais poderíamos ter feito isso. O melhor é esquecer. Vista-se", disse um Snape tenso, vestindo as calças e a camisa, enquanto sua consciência martirizava-o. Mas Agatha não moveu-se. " Então é assim? Eu me entrego totalmente, para depois o senhor me mandar embora? Não sabe o que sinto, não sabe o quanto esperei por isso... Eu te amo tanto, desde o ano passado! Mas você nem liga...!", disse ela, chorando. Colocou as mãos no rosto, para esconder seu gesto de fraqueza. Snape ficou arrasado, mas não queria demonstrar. A velha mania de querer parecer frio e distante demais para não sentir. Mas dessa vez não conseguiu. Abraçou-a. Sentiu novamente aquela pele tão suave, o perfume dos cabelos, dessa vez bagunçados. Agora ela era apenas uma menina frágil. Tão diferente da mulher fatal que o excitara. Mas ele não a amava, e nem poderia. Decidiu por um fim em tudo isso, de uma vez, teria que ser frio para isso, mas as coisas não poderiam continuar como estavam: " Senhorita Malfoy, eu sou um professor. Você, uma aluna. Nós jamais poderemos ter algo. Acredito que para o bem de ambos, teremos que colocar uma pedra nesse assunto. Eu errei, e peço que me perdoe, jamais voltará a acontecer...", disse Severo, parecendo decidido e distante, mas no fundo muito dolorido por machucá-la daquele jeito. "Vou ao toalete para que a Senhorita possa se trocar e sair", falou duro, se dirigindo para a porta do toalete, e trancando-se lá. Agatha teve apenas tempo de dizer, ainda chorando: " Você é insensível, montro! Eu nunca vou poder esquecer, eu...", mas ele já havia fechado a porta. Então, aos soluços, magoada, ela levantou da escrivaninha, abaixou a saia, arrumou o sutiã, vestiu o casaco, fechando-o, e enfiou a blusa, que estava rasgada, no bolso interno do casaco. Saiu, então, batendo a porta com muita força.
Snape, trancado no banheiro, lavava o rosto com água, tentando colocar os fatos em ordem, tentando explicar, entender o que acontecera. A verdade é que doía muito fazer isso com ela. Suas palavras ainda perfuravam sua mente: "Monstro!... eu te amo...", mas tentava se convencer de que ela não o amava. Era apenas uma paixão de criança que passara do limite. Mas que seria esquecida, mais cedo ou mais tarde. O tempo tudo curava. O que ele não poderia era deixar isso crescer, manter um caso com uma aluna de Hogwarts, se fosse descoberto, mancharia para sempre o nome da escola. Seria acusado de pedófilo pelos pais da garota e de tantos outros alunos... Não poderia fazer isso com Dumbledore, nem com ele mesmo. E além do mais, ele não a amava. Fora apenas um impulso, e só isso. Por mais que realmente se sentisse um monstro, deveria encarar a verdade: agira como um animal. Irracional. Mas isso jamais voltaria a acontecer...

Obs: Quero esclarecer umas coisinhas que acho que não ficaram muito claras no primeiro capítulo: Agatha Malfoy é irmã caçula de Lúcio. Essa história se passa antes de Harry  Potter nascer (para a sorte de Snape?), quando Voldemort ainda estava no poder. Espero que gostem da segunda parte, e comentem com suas críticas, please!!!

 

 

Capítulo 2 A primeira grande notícia

 

 

    Essa já era a quinta noite seguida que Snape não conseguia dormir direito. Eram 3:00hs da manhã, e ainda não havia nem ao menos cochilado. Desde que havia fraquejado com Agatha, não conseguia parar de se culpar. Adicionando-se ainda o fato de que a última reunião com os Comensais da Morte não havia sido nada boa. Severo não conseguira extrair muitas informações importantes, pois havia sido hipnotizado por Voldemort. Não sabia como isso tinha acontecido, mas sabia que o Lord das Trevas havia mexido com ele. Por algum motivo – que Snape talvez soubesse qual era - não havia conseguido se concentrar o suficiente para praticar oclumência com a habilidade necessária. Então foi um alvo fácil para Voldemort. Ficara inconsciente por horas, acordara assustado, e chegara a Hogwarts ainda perturbado. A impressão que Severo tinha era de que haviam sugado suas lembranças, todas elas, e depois as recolocado de volta, todas embaralhadas e bagunçadas. Por esse motivo sua cabeça doía constantemente...

     Já que não conseguiria dormir, resolveu levantar e dar uma volta pelos jardins escuros da escola. Vestiu sua capa por cima do camisão cinzento, e saiu.

    Os terrenos estavam calmos e silenciosos, a não ser pela movimentação das corujas que saíam para caçar. A lua estava enorme e brilhante, e havia uma brisa gostosa que fazia os cabelos de Severo moverem-se ligeiramente.  Ele caminhava lentamente, absorto em pensamentos. A imagem de Agatha ainda invadia sua mente com freqüência, embora não a tivesse visto mais desde o último domingo. Talvez a garota estivesse evitando encontra-lo, e estava certa. Ele também fazia  mesmo. Não poderia negar que havia se pego pensando nela, como a mulher atraente que era. Mas dispersava essas idéias assim que elas surgiam. Na verdade, estava lutando muito contra todo aquele desejo que crescia nele, de possuí-la novamente. Não poderia negar ela o havia despertado. Seu corpo pedia por mais uma dose. Mas sua mente repugnava aqueles pensamentos baixos... Foi então que se deu conta dos primeiros raios de sol, que se espalhavam pelo céu, em volta do castelo. Andara tão absorto em suas idéias que havia esquecido completamente do tempo. Resolveu correr, se quisesse chegar á tempo para dar a primeira aula. No caminho, sentiu como se alguém o observasse, no arbusto próximo. Mas não teve tempo de averiguar, e concluiu ser apenas algo se sua cabeça.

    Desceu para tomar o café apressado, logo após ter se trocado de qualquer jeito, de modo que suas vestes estavam meio amarrotadas e o colarinho estava embolado para dentro. Sentou-se a mesa dos professores, observando que seus colegas já estavam terminando a refeição. Pegou algumas torradas, e quando ia passar a geléia, sentiu uma mão em seu ombro. Alvo Dumbledore estava parado atrás de dele, com uma expressão paternal e um tanto quanto preocupada: “Severo, será que eu poderia dar uma palavrinha com você? Não lhe tomarei muito tempo, juro”. “Claro, diretor”, respondeu Snape com uma ponta de decepção de ter que abandonar suas torradas, pois estava faminto. Levantou-se, então, e acompanhou Alvo até o saguão de entrada, de modo que nenhum aluno ou professor os ouvisse. “Sabe, Severo...”, começou Dumbledore, “ ando te observando, e... creio que está bem?” “Claro que estou, diretor. Não poderia estar melhor”, mentiu Snape, um pouco mais expressivo do que pretendia. Alvo o observou por cima dos aros de seus oclinhos de meia- lua, com um olhar desconfiado, e disse: “Severo, tenho notado que talvez esteja meio perturbado desde o último domingo...”. Snape sentiu um tremor. Será que ele descobrira? Será que Agatha havia contado? Porque ela faria isso? Disse depressa, nervoso: “Eu, perturbado? Não diretor, estou apenas cansado, muitas redações...”. “Severo”, interrompeu-o Alvo, ”Te conheço muito bem, e você sabe disso. Se estiver ocorrendo algo, pode se abrir comigo. Me refiro, principalmente, á reunião dos Comensais que presenciou no domingo. Talvez tenha acontecido mais coisas do que você me contou.” O olhar de Dumbledore era calmo, mas profundo, como se estivesse vendo cada pensamento que passava  na cabeça de Snape. Este, por sua vez, se sentiu aliviado em saber que o diretor se referia ao seu encontro com os Comensais, embora soubesse que Alvo tinha razão. Havia ocultado muitas coisas daquele encontro, inclusive que não havia conseguido praticar oclumência antes de Voldemort invadir sua mente. Nem tinha mencionado, tão pouco, que tinha a certeza de que o Lord das Trevas havia bagunçado suas lembranças. Encarou Alvo por uns minutos, e finalmente disse: “Não existe mais nada a dizer, diretor. Contei-lhe tudo o que vi, e foi só...” Snape foi interrompido pela sineta, que tocou estridente, anunciando o começo das aulas do dia. “...e não precisa se preocupar comigo. Estou muito bem. Agora, se me der licença..., ”, acrescentou, já se dirigindo ás masmorras, deixando um Dumbledore pensativo e pouco convencido.

    O dia passou voando. Mas Snape deu graças a Deus quando soou o sinal da última aula. Esperou até que todos os alunos se retirassem, e saiu em direção aos seus aposentos. O que ele mais queria era tomar um bom banho, deitar e dormir. Quem sabe conseguisse pelo menos cochilar um pouco essa noite, talvez assim sua cabeça parasse de doer tanto. Chegando ao seu quarto, foi direto tomar o tão esperado banho, e caiu na cama. Cobriu-se, fechou os olhos,  e esperou. Nada. Continuava acordado como nunca. Virou-se de bruços,  esticou-se. Nada. Um calor começou a toma-lo, incomodá-lo. Pegou a varinha, na mesa de cabeceira, e murmurou uns feitiços para que a janela se abrisse, e a lareira apagasse. Fechou os olhos novamente. Quando estava quase adormecendo, começou a ouvir um zumbido em seu ouvido. Um mosquito idiota voava sobre sua orelha. Lançou-lhe um tapa certeiro. Virou-se novamente, e finalmente adormeceu. Sonhou que caminhava por uma sala circular branca, com o chão branco, as paredes brancas, e a única porta que tinha, também branca. Não havia janelas. De repente, a porta se abriu, e dela surgiu...Voldemort. Ele gargalhava, de um modo debochado e demente. E segurava algo em seus braços. Algo pequeno, que estava enrolado em um pano preto, sujo e rasgado. Snape não sabia o porque, mas sentiu um desespero imenso ao ver aquilo enrolado naquele pano, nos braços do Lord. Correu para arranca-lo das mãos de Voldemort, sentindo uma dor imensa no peito. Mas, por algum motivo, não conseguia alcança-los. Por mais que corresse,a porta parecia nunca chegar. Seu coração acelerou-se, ele tropeçou nas vestes, e acordou assustado. Estava caído no chão, ofegante, suado, tremia. Sua cabeça doía como se a perfurassem com uma espada. Levantou-se, ainda meio tonto. Foi até o banheiro, lavou o rosto. O que era aquilo? Um pesadelo tão confuso, mas tão real... O que havia enrolado no pano preto? Respirou fundo. “Tolices, é só isso. Não há nada de mais, apenas um simples pesadelo.”, pensou consigo mesmo, tentando se convencer. Mas sabia que não conseguiria mais dormir. Olhou no relógio sobre a escrivaninha: eram três da manhã. Decidiu ir tomar um ar fresco novamente. Vestiu sua capa para esconder o camisão, mais uma vez, e foi explorar os terrenos de Hogwarts.

    Snape caminhou durante muito tempo, sentindo aquela brisa prazerosa em seu rosto. Aquilo talvez fosse a única coisa que o acalmasse de verdade. Foi então que sentiu novamente aquela sensação de que estava sendo observado. Olhou ao redor, tentando ver algo, mas estava muito escuro, a não ser pelo luar, que iluminava os terrenos de forma parcial.  Mesmo que quisesse, não conseguiria encontrar nada nem ninguém naquelas condições. Resolveu deixar isso pra lá, e sentar na beira do lago. Era uma vista muito agradável, o reflexo do céu escuro sobre a superfície da água. Não que ele gostasse dessas sentimentalidades, mas teve que admitir para si mesmo que aquela beleza natural realmente o acalmava... Ele estava distraído, quando sentiu que alguém o abraçava pelas costas. Virou-se, atônito. Era ela. Agatha. Sorria para ele daquela forma jovial, que só ela sabia como. Ele não acreditou no que via. O que ela fazia ali? Estivera evitando-o durante toda a semana, e de repente o seguira até lá? “O que faz aqui, senhorita?”, disse querendo parecer bravo, mas não conseguindo esconder o espanto. Ela ajoelhou-se ao lado dele. “Vim admirar o luar com o senhor! Espero que não me dê uma detenção por isso!” Ela sorriu maliciosamente. “Se bem que eu não me importaria de ter que passar mais tempo contigo, a sós!”. Snape admirou-a por um momento. Estava com uma camisola rosa, de alcinha, e acima do joelho. Por cima, usava um hobby branco de seda, e calçava apenas meias, também rosas. Seus cabelos estavam presos em duas belas tranças. Ela sorria de uma forma contagiante. Ele segurou um sorriso, e disse, querendo ser severo: “Creio que esteja desrespeitando os regulamentos da escola, mocinha. Quero que entre agora e volte para o seu dormitório.” Mas no fundo, Snape sabia que queria que ela ficasse. “Além do mais, é extremamente perigoso andar sozinha pelos terrenos de madrugada!”, acrescentou, ainda sem desgrudar os olhos dela. Agatha então aproximou seus lábios do ouvido dele, e disse, quase num sussurro: “Não estou sozinha. Estou com você. Então, nada de mal vai me acontecer!”. Ela colocou uma mão sobre a perna dele, e sibilou, ainda mais baixo: “O máximo que pode ocorrer é você abusar de mim, outra vez...”, e, ao dizer isso, lambeu a face de Snape, que havia se virado bruscamente: “Eu...”, seu corpo tremeu ao sentir a língua dela tocar-lhe outra vez, “ Eu não abusei da senhorita, acho que o que ocorreu foi com o consentimento de ambos e..”, o professor foi interrompido pelo dedo de Agatha, que ela colocara em seus lábios para calá-lo. Então disse ela, divertida: “Eu sei! Estava apenas provocando-o! Sabe que adoro te ver nervoso!“. Snape não resistiu, e deixou escapar uma ponta de um sorriso. Ela era tão bela! Tão doce, tão divertida... Houve um silêncio em que eles apenas se olharam, de forma intensa. O olhar de Agatha era astuto, sensual. Snape apenas a admirava. Ela ficou de frente para ele, ainda ajoelhada, de modo que se apoiava nos joelhos do Mestre, que estavam dobrados. Snape apenas a observava, ainda incapaz de dizer algo.  De repente, ela começou a passar a mão na parte interna das coxas do professor, acariciando –o . Snape lambeu os lábios, incapaz de impedí-la, e soltou um gemido de prazer. Ela então tirou o hobby, e jogou-o no chão. Sua camisola era colada e decotada. Snape não pode deixar de reparar naqueles seios fartos, que outrora havia beijado. Ela chegou ainda mais próxima dele, e beijou sua testa, colocando os seios em seu rosto. Snape começou a sentir um calor que subia de seu ventre de forma violenta, mas era um calor muito agradável. Ela lambeu os lábios dele, e começou a beija-lo, intensamente, uma mão ainda na parte interna da coxa do professor, quase tocando a região do órgão dele, que ela sentia estar ficando cada vez mais duro. Ele, então, passou uma mão pela cintura dela, e com a outra agarrou seu seio. Ela gemeu. Ele ardia em uma febre deliciosa, sentia que ia explodir. Agatha começou a tirar o hobby verde dele. Foi então que Snape voltou a si. Estava prestes a cometer o mesmo erro de antes. Transaria com uma aluna, novamente,  sob o nariz de Dumbledore? Iria novamente bancar um animal? Não! Jurou que não faria isso de novo, nem com Agatha, nem consigo mesmo. Por mais que a desejasse outra vez, deveria resistir, agir como um professor, ético como sempre fora. Mas a verdade é que estava cada vez mais excitado. Precisava parar com isso agora. Segurou então a mão de Agatha, e disse, ofegante: “Não!”. Ela o olhou, assustada. “Agatha, não quero que o erro se repita mais uma vez, isso não está certo e...”, mas ela interrompeu-o com mais um beijo, depois lambeu os lábios do Mestre, mordeu-os, e apertou o pênis dele, fazendo com que ele uivasse de êxtase. Ainda massageando o órgão do professor, sibilou em seu ouvido: “Eu te quero, e sei que está louco pra transar comigo outra vez...”. Snape não agüentou. Jogou-a no chão, e se deitou por cima dela. Começo a beija-la com desejo, lambendo seu pescoço, apertando seus seios com violência. Era disso que estava precisando a semana toda, concluiu, enquanto arrancava a camisola dela, rasgando-a, e mordia seus seios, tão deliciosos, rijos. Ela também arrancava a capa e o camisão dele, com fúria, apertando suas costas, descendo uma mão pelo abdômen dele, enquanto que com a outra apertava a cabeça dele contra seus seios, gritando, gemendo. Snape então deslizou a língua pela barriga da garota, até a “região sexual” dela. Agatha, ao sentir a língua quente do mestre invadi-la com tanto desejo,  gozou de tanto prazer. Ele então voltou a beija-la, passando as duas mãos por baixo da garota, apertando as nádegas dela com  tesão. Ela começou a lamber os mamilos de Snape, ainda gemendo, e mordeu-os, ainda com uma mão a massagear o pênis dele. Snape ofegava, transpirava de êxtase. Se coração batia agora mais forte, como se a qualquer momento sairia pela garganta.  Começaram a se beijar novamente, rolando na grama, os corpos colados. Foi então que rolaram para dentro do lago, que estava muito frio. Mas não se importaram. Continuaram a ser beijar lá dentro, até que Snape agarrou-a, sentou Agatha numa pedra que estava submersa, de modo que estavam apenas com a metade do corpo pra fora da água. Então ele a penetrou, sentindo que explodiria a qualquer momento. Ela gemeu, tão intensamente como se estivesse nascendo naquele momento. Ele agarrou as nádegas dela, empurrando-a com fúria pra perto de si, com movimentos cada vez mais rápidos, alucinados. Era a sensação mais gostosa do mundo, sentir-se dentro dela, com a água fria batendo em suas costas, sob o único testemunho da lua, sentindo aquela brisa em seu rosto. Mais uma vez não sabia quem era. Sentiu-se apenas como um raio, uma luz, que estava prestes a raiar, explodir. Já não sentia mais dor de cabeça. Não pensava, só agia. Seus movimentos estavam cada vez mais frenéticos, agindo sob o único impulso do prazer. Foi então que ele chegou ao seu ápice, lambuzando-a. Retirou-se dela, ainda ofegante, suado, mas com um sorriso enorme em seu rosto, o primeiro em muitos anos. Ela também ofegava, estava vermelha, e sorria de um modo como se nunca houvesse se sentido mais completa. Ele não resistiu aquele sorriso. Beijou-a, mordendo seus lábios lentamente. Agatha, se desvencilhando,  falou: “Você me amou com paixão, professor. Mais uma vez... Como pode dizer que não sente nada por mim?”. Snape vacilou. Aquela pergunta era um tanto inusitada. Pensou por um momento, e disse, num sussurro: “Em primeiro lugar, acho que me sentiria melhor se não me chamasse de ‘professor’, pelo menos aqui... E, em segundo...acho que o que aconteceu aqui foi maravilhoso, Agatha, mas não quer dizer que nos compromete, entende? Você me procurou...”. “É verdade, eu te espionei também na outra noite... Já que você não me procuraria mais, resolvi vir atrás... Porque acho que está enganado sobre seus sentimentos! Do contrário, não me amaria dessa forma, tão intensa...!”, disse a garota, esperançosa. Mas Snape estava muito incomodado com essa pressão, e com as tolices que ela dizia. Afinal, era fácil para ele, um homem já há muito tempo sem se relacionar com ninguém, se deixar seduzir por uma jovem tão atraente como ela. Mas isso não queria dizer que a amava... era apenas...tesão. Mas como explicaria isso a ela sem magoá-la? “Agatha...”, começou, cauteloso. “Eu...creio que existam muito mais motivos para explicar esse acontecimento, do que o amor propriamente dito....”. “É mesmo? Quer dizer então que não passo de uma diversão pra você, professor?”, despejou uma Agatha estérica, “Não sou nada pra você além de um par de seios, uma distração depois de todo o stress de Hogwarts, uma vadi...”, Snape colocara sua mão sobre a boca da garota, “Basta de tolices! Eu jamais a usaria assim,  com quem pensa que está falando? Lembre-se que quem veio me procurar foi a senhorita!”. Mas ela, inesperadamente, o empurrou para trás, fazendo com que Severo afundasse de costas no lago, enquanto Agatha se dirigia para os terrenos, para pegar suas roupas. Ele se retirou da água com ferocidade, e também foi para a margem. “O que pensa que está fazendo, menina?”, Snape estava irritado. Ela, se vestindo, encarou-o por um segundo e disse:” O senhor é baixo, é...”, ela começara a chorar, “...vejo que me enganei...eu... nunca poderei amar alguém como o amo, mas você nem liga!” , ela gritava, se esquecendo completamente de que no castelo todos dormiam. “Fale baixo, ou quer que Hogwarts toda nos veja?”, Snape estava desesperado, sem saber como agir. Não sabia se a abraçava, ou dizia algo. “Por, que, professor?  Está com medo agora? Medo de que me vejam contigo? Medo de me assumir? Medo...de amar?”, Agatha soluçava, visivelmente magoada. Essa última pergunta fizera o Mestre de Poções oscilar. No fundo, sabia de seu medo de amar outra vez, embora não confessasse isso nem para si mesmo. Na verdade, talvez ainda amasse, mas um amor distante e proibido. “Olha, Agatha. Não quero te fazer sofrer, mas a verdade é que realmente não a amo, e nunca lhe ocultei isso. Gosto muito dos momentos que estou com você, me faz esquecer dos meus problemas, fugir um pouco dessa realidade... Mas jamais passará disso...”, disse um Snape pesaroso. Mas ela, enfurecida, tacou-lhe seus sapatos, chorando ainda mais, e balbuciou: “Eu... Nunca mais me terá... se um dia tiver coragem de assumir....”, suas palavras eram desconexas, mas sua expressão era de dor. A dor pior que existe: do coração. Então repentinamente, ela saiu correndo para o castelo, sem olhar para trás. Severo gritou: “Agatha, espere!”. Saiu correndo atrás dela, puxando-a pelo braço, mas ela gritou, soluçando: “Me deixe em paz! Eu te odeio! Te odeio pra sempre, seu monstro!”, e, se soltando do braço do Mestre, retomou sua corrida, ainda chorando alto. Snape apenas a olhou,  impotente, uma dor no peito o invadindo. Novamente se sentia péssimo. Caminhou, então,em silêncio, para seus aposentos.

    Finalmente o dia amanhecia, com um céu limpo, de um azul anil que refulgia felicidade. Mas a única coisa que Severo não sentia naquele momento, era felicidade. Esperara o dia raiar ali, em sua velha poltrona de chintz, martelando tudo o que acontecera naquela madrugada. Novamente, a culpa era sua. Se não tivesse se envolvido outra vez, se tivesse sido forte o bastante para resistir... Como se deixara levar por uma reles estudante? Uma garota, que tinha metade de sua idade? Não podia negar que passara momentos deliciosos, que lhe excitava só de lembrar, mas, no fundo, sabia que agira errado, mais uma vez. Por que Agatha tinha que estragar tudo com aquele ataque? Por que o procurara se já sabia muito bem quais eram os sentimentos dele em relação a ela? O que ela esperava? Que ele marcasse a data do casamento no dia seguinte, ou lhe comprasse uma aliança de compromisso? Ela sabia perfeitamente bem que a relação deles era proibida. O que esperava? Que ele largasse sua carreira em Hogwarts pra viver com ela em uma casinha de madeira, se nem ao menos a amava? Ela era bela, sensual, agradável, mas tudo não passava de uma atração. Muito forte, mas nada mais do que isso. Ela soubera aproveitar que ele estava carente... Mas não podia esperar amor entre duas pessoas que estão unidas somente pelo sexo. Além do mais, ele não queria se prender a ninguém. Nunca precisara disso... Talvez até precisasse, mas seu coração sabia muito bem quem era sua dona, e definitivamente não era a irmã caçula de Lúcio Malfoy, não... Agatha era, e ele teria que admitir, por mais duro que fosse, um consolo, por não ter quem realmente queria ao seu lado... Ou quem um dia desejara ter...

 

    Num domingo, Snape limpava seu armário, que usava como estoque, quando escutou alguém bater em sua porta. “Severo? Será que posso lhe falar?”, disse um Dumbledore educado. “Claro, diretor, fique á vontade”, gritou o professor  de dentro do armário. Saiu, então, ainda com um pote contendo patas de aranha nas mãos. “Em que posso lhe servir, diretor?”, disse, apontando com um gesto uma cadeira, na qual Alvo se sentou. Ele, então, observou Snape longamente através de seus oclinhos, e disse, finalmente:” Você realmente anda abatido, Severo. Não negue” – Dumbledore fez um gesto com a mão aberta no ar – “Sei muito bem quando alguém está com problemas, Severo. Creio que sabe que pode confiar em mim, não?”. “Mas é claro, diretor, eu confio inteiramente no senhor!”, Snape estava sem jeito. “Se confiasse, já teria me contado o que está lhe atormentando. Quem sabe posso ajudar? Não se esqueça, Severo, que ninguém consegue viver completamente sozinho. Precisamos de alguém, em algum momento de nossa vida, ou em todos. Tolos são os que não admitem isso...” , o olhar de Dumbledore era penetrante. Snape sentiu a  face corar levemente, e se defendeu: “Na verdade, diretor, apenas ando tendo uns pesadelos, é só isso... Achei que não deveria preocupar-lhe com tamanha besteira...”. “Somente...pesadelos? Bom... se quiser me contar tudo com clareza, toda a verdade, me procure. Não vou lhe obrigar a nada, deixo a decisão por conta de sua consciência... Sabe, ela ainda é nossa melhor amiga, Severo...”, disse Alvo, dando uma piscadela para Snape, e saindo calmamente de sua sala. O professor o seguiu com o olhar, sentindo –se tentado a desabafar com Dumbledore tudo o que andara sentindo, todos esses pesadelos, sempre iguais e desagradáveis... Andava se sentindo tão só, após aquela briga com Agatha, que os separara totalmente... O diretor tinha razão, não poderia carregar tudo sozinho, precisava de alguém para compartilhar tudo... Mas sabia que não conseguiria se abrir totalmente com Dumbledore.... Voltara ao seu armário, limpando o estoque, quando uma nova batida em sua porta o sobressaltou. Crente de que era novamente o diretor, Snape diz, saindo do armário: “Entre! Talvez o senhor te...”, mas calou-se abruptamente ao ver quem batera. Agatha entrou na sala do mestre, encarando os próprios pés com grande interesse.  Fazia um bom tempo que não se falavam, nem se viam tão de perto, e ele reparou que ela havia engordado ligeiramente. Houve um silêncio incômodo, então Snape, se recuperando do choque de vê-la ali, em sua sala, disse:”O que deseja, senhorita Malfoy?”. Agatha finalmente o encarou. Chegou mais próxima dele, com os lábios próximos ao ouvido do professor, e sibilou, num sussurro suave, mas com um tom de desespero : “Estou grávida... Vamos ter um filho!” . Essas palavras atingiram Snape como um chicote em sua face, seu coração parara bruscamente de bater. Ele apenas deixou cair o pote de vidro que segurava contendo benzoar  com estrépito...

 

 

Capítulo 3 – A segunda grande notícia

 

Agatha o encarava com um olhar de pânico. Havia se afastado do Mestre com agilidade, para fugir do pote de vidro que acabar de cair, espalhando cacos afiados para todo o lado. Mas Snape nem ao menos se movera. O vidro se espatifou sobre seus pés, mas ele não ligou. Talvez precisasse se cortar, sentir dor, sangrar, para ver se aquilo não era um sonho. Mantinha a esperança de que ouvira errado, quando, com esforço, sibilou: “ O ...o que você disse?”. Agatha ainda o encarava com medo, e disse, receosa: “Que...eu estou...grávida.”. Ela voltou a encarar os pés com grande interesse, seu rosto enrubescera. A cabeça de Snape doía, e girava, louca para entender, mas não conseguindo explicar o que aquelas palavras queriam dizer. Ele ainda olhava a menina com a expressão mais incrédula do mundo. Seus olhos faiscavam. Um caco de vidro se enfiara em sua perna. Começava a sangrar, arder. Mas ele não ligava. Continuou imóvel. Ela olhou-o de rabo- de –olho. Ele finalmente disse: “A senhorita não pode estar falando sério... Isso é... ridículo. Não aceito esse tipo de brincadeira, Agatha!”. Mas a menina, incapaz de se conter, disparou, indignada: “Eu não estou brincando!”, começara a chorar mais uma vez, uma expressão de desespero no olhar, “Você acha que eu brincaria com uma coisa dessas? Estou angustiada, não sei o que fazer! Mas você fica aí, achando que sou uma retardada com brincadeiras estúpidas!”. Ela tampara o rosto com as mãos. O coração de Snape saltava a cada palavra dela, como se descesse até seu estômago e voltasse. Suas veias pulsavam como se fossem estourar. Era verdade? Como? O que faria? Uma raiva imensa tomou seu peito, e ele também se descontrolou: “ Eu não ligo? Quem é você, menina, pra falar de mim dessa maneira?”, um ódio ardia dentro de seu ser, como um vulcão: “A culpa é sua! Sua, sim! Você me procurou! Você me procurou naquele maldito lago!”. Ele ainda não saíra do mesmo lugar. Suava frio, tremia. Agatha tirara as mãos do rosto, seus olhos ainda inchados e surpresos: “A culpa é minha? Minha? Me desculpe, mas antes de me entregar á você no seu quarto eu era virgem, eu...!”, mas Snape a interrompera – “Ah, verdade? Que pena que era virgem, porque quem me procurou foi você! Eu estava bem, em minha maldita rotina de aulas, voltando para os meus aposentos, e você me surpreendeu no corredor! Você ficou se insinuado! Podia ser virgem, mas não era pura!”. Ele dera alguns passos em direção a garota, e agora estava muito próximo dela. Agatha, por sua vez, tampara os olhos com as mãos mais uma vez, e recomeçara a chorar. Disse, soluçando: “Eu... eu apenas queria que você gostasse de mim! Não tenho culpa se você me agarrou naquele dia, no quarto, eu não te obriguei a isso!”. Snape tremeu de fúria ao ouvir as últimas palavras dela. Agarrou uma das mãos da garota, puxando-a com violência para descobrir os olhos dela, e disse, impaciente: “Cale essa boca! Quer que todos escutem? Pare de chorar e converse como gente, sua tolinha!”, ele apertava o braço dela cada vez mais forte, descontando toda sua raiva – “Eu agarrei você porque você quis! Não negue! Foi você que começou com essa história ridícula de estar apaixonada! Por quê não me deixou em paz? Eu nunca te procurei, nunca!”, o pulso de Agatha já estava branco, pois o sangue já não passava mais naquela região, onde Snape ainda pressionava. Ela continuou a chorar, cada vez mais forte, mais alto, incapaz de dizer nada, cada palavra dele perfurando seu coração. “Vamos, diga algo! Vamos!”, o professor chacoalhou Agatha com fúria, descontrolado. Ela então berrou: “O que queria que eu fizesse? Você quis transar comigo! Deveria ter recusado se não me amava!”, ele, ainda sem soltá-la, olhou-a incredulamente: “Não me diga que não sabia que para  fazer sexo não é necessário amor? Homens necessitam de sexo! Acha o que, que sou santo? Você mexeu com algo muito sério, menina! Não é uma simples brincadeira de adolescente! Você mexeu com minha vida, meus desejos, e agora quer pular fora como a garotinha inocente? Me poupe!”, ele disparava as palavras, com pressa, agitado, desesperado: “Poderia ao menos ter tomado a poção antigravidez, se queria transar!”. Agatha puxou seu braço da mão dele, pois estava doendo de forma lancinante, mas Snape era muito forte, e ela não conseguiu se desvencilhar: “Eu nem pensei, eu...”, estava confusa. “Nem pensou?”, Severo apertou tanto o braço da garota que ela gritou de dor, mas ele não a largou, “Você não pensou? Sabe quais conseqüências terão esse seu ato, menina? Sou um professor, diretor de uma casa, e agora engravido uma estudante! Um ex-comensal, que finalmente adquiriu a confiança de Alvo Dumbledore, que estava começando a ter respeito... E tudo por água abaixo por causa de uma garota que queria brincar, que achou que estava apaixonada por seu professor! Que achou o sexo fosse uma simples brincadeira de criança!”, ele queria voltar no tempo. Sua vida acabara. Mas Agatha chorou ainda mais alto, incapaz de responder. Snape não agüentou. Aquele choro estava irritando-o ainda mais. Ele largou o braço dela com violência, e berrou: “Saia daqui! Saia daqui, cale essa boca! Se não é capaz de conversar então suma! Suma já!”, ele foi então em direção ao seu estoque no armário. Agatha apertou o pulso machucado, ainda soluçando, assustada, quando Severo reapareceu com vários potes de vidro nas mãos. Ele segurou um em uma mão e fez um movimento como se fosse atirá-lo nela. “Saia!’, ele berrou. “E não conte a ninguém, ou mato você, entendeu? Agora saia!”.  Agatha saiu desesperada, não contendo as muitas lágrimas que rolavam em sua face. Ao atravessar a porta e fechá-la, escutou o vidro se espatifando ás suas costas. Lá dentro, Snape tacava os potes na porta, com fúria. Passou a mão em sua prateleira, derrubando tudo no chão, chutando os cacos. Empurrou a cadeira, chutou a mesa. Vários cacos de vidro voaram em seu corpo, em seu rosto. Ele extravasava toda a fúria de uma vida inteira, a raiva corria em suas veias queimando-as.  De repente, a porta se abriu. Snape parou abruptamente. Dumbledore o olhava com um olhar alarmado. Alvo estudou a sala por um instante, e disse com a voz levemente alterada: “Severo? O que houve aqui? Estava passando e escutei os barulhos... Ouvi vozes, batidas...”. Mas Snape não respondeu. Seu coração gelara ao escutar Dumbledore falar das vozes. Apenas encarou o diretor longamente. Alvo recomeçou:  “Severo, você está bem? Não... não quer falar comigo, desabafar...” .“ Não!”, Snape o interrompera – “Não quero falar nada, Dumbledore! Quero apenas ficar sozinho, em paz! Será que é tão difícil, me deixarem em paz?” Alvo o encarou surpreso. Mas Snape não se importou. Foi em direção a porta, sem encarar o diretor, e saiu da sala  para o corredor escuro em direção aos seus aposentos, batendo a porta com fúria ao passar, deixando um Dumbledore estarrecido lá dentro.

 

Ele caminhou apressado, sem olhar para trás. Sua cabeça estava cheia, quente. Milhares de pensamentos invadiam-lhe a mente. Chegou aos seus aposentos, girou a chave com força na fechadura, e entrou fazendo estardalhaço. Foi em direção a mesa, jogando lá a chave. Deu um soco na mesa, ainda sem acreditar em tudo aquilo. Estava ofegante, suado. Resolveu tomar um banho gelado. Ao entrar no banheiro, mirou-se no espelho com espanto. Seu cabelo estava desarrumado, colado em seu rosto devido ao suor, que estava misturado ao seu sangue. Seu rosto estava cheio de cortes, com algumas manchas marrons dos vestígios de alguns ingredientes que ricochetearam em seu rosto quando o vidro se quebrara. Ele encarou-se por um longo tempo. Perdera o controle, e sabia muito bem disso. Mais uma vez, estragara tudo! Deu um soco no espelho, que se rachou. Foi então tomar seu banho gelado. Ao acabar, saiu do banheiro, ainda só com a toalha até a cintura, com o peito nu. Os cabelos molhados escorriam em sua tez. Sentou-se em sua velha  poltrona de chintz, que ficava próxima à lareira. Acendeu-a com um movimento da varinha, e ficou ali, observando as chamas crepitarem. Passou uma mão nos cabelos, puxando os fios que estavam em seus olhos para trás. Teria que encarar a realidade. Ele errara. Ela também. E agora, o erro deles daria um fruto. Um filho...Snape jamais se imaginara no papel de pai. Um medo o tomava. Ainda acreditava que a qualquer hora acordaria, e tudo não passaria de um pesadelo. Mas os cortes em sua perna, mãos e rosto ainda ardiam com tanta intensidade, que aquilo não poderia ser um simples pesadelo. Avistou, então, em cima de sua escrivaninha, uma bandeja com um bule e uma xícara. Aquilo não estava ali antes de ele entrar no banheiro. Levantou-se, intrigado, e avistou um bilhete junto ao bule. Leu-o:

 

Severo... Espero que esteja melhor. Creio que tenha todo o direito de não querer me contar seus problemas, mas não precisava ter agido daquela forma. Da próxima vez, terei que descontar do seu salário todos aqueles vidros que quebrou e ingredientes que desperdiçou.. Mas dessa vez passa. Deixe-me, já que não quer meus conselhos, lhe fornecer um chá? É um ótimo calmante, além de ajudar a cicatrizar esses cortes. Receita de meu velho irmão. Espero que possa ajudar de alguma forma. Sem mais, Dumbledore.”

 

Snape sentiu uma dor no peito, de remorso por ter tratado Alvo daquela forma tão rude. E Agatha, principalmente. Havia machucado- a, agido de forma violenta. Serviu-se de um pouco do chá, e voltou a se sentar na poltrona. O fogo ainda consumia a madeira, como o arrependimento e culpa consumiam sua mente, seu coração. Bebericou um pouco do chá, pensativo. Não poderia ter previsto sua reação. Tinha que admitir que fora a pior possível. Xingara Agatha, machucando-a sem se importar. Mas era tão difícil aceitar que sua vida mais uma vez desandaria! Batalhara tanto até aqui, se esforçando para mostrar a todos que mudara, que não seguia mais Voldemort, que era uma pessoa de confiança. Logo agora, que conseguira um emprego decente, um cargo importante, de diretor da casa que mais gostava! Os pais dos alunos estavam começando a elogiar seu trabalho, e o mais importante: conquistara a confiança de Alvo Dumbledore. Mas se Alvo soubesse... Se qualquer um soubesse, sua carreira estava no lixo, sua vida social também. Não teria mais o crédito de ninguém... Um ex-comensal que engravidava estudantes? Era Askaban na certa. E para piorar, mancharia o nome de Hogwarts, e a reputação de Dumbledore. Afinal, fora ele que trouxera Snape para a escola. Ele não poderia fazer isso com Alvo, jamais... A única pessoa que ousara lhe dar a mão, quando todos o ignoraram... Devia tudo ao Grande Dumbledore, e agradeceria dessa forma? Não poderia, não ousaria... Ele precisava desabafar. Precisava pedir a ajuda a alguém, um conselho. Mas quem? Não havia ninguém... Dumbledore? Nunca conseguiria confessar a ele... Teve que admitir para si mesmo que era só. Mas não suportaria muito mais tempo sem contar pra alguém tudo o que estava sentindo... Dos seus erros... Que seria pai! Seu peito doeu mais uma vez, ao imaginar-se segurando uma criança em seus braços, e saber que era sua... “Deixe de bobagens!”, disse a si mesmo. Tomou mais um pouco de chá. Precisava falar com Agatha, pedir desculpas... Como será que ela estaria agora? Ele ameaçou-a de morte... Sabia que seria incapaz de tal atitude, mas era impulsivo com as palavras. Talvez ela nunca mais quisesse vê-lo, nunca contaria a seu filho quem era seu pai... Uma lágrima escorreu de seus olhos, incapaz de ser contida. “Chega!” Precisava parar de se martirizar... Precisava desabafar... E no fundo, ele sabia muito bem com quem. A única pessoa que ele ousara fazer suas confidências mais íntimas. Alguém que não via há muito tempo, mas que fora sua única amiga na adolescência, na vida. Narcisa. Não a via desde o dia em que ela e Lúcio haviam se casado... Mas agora precisava dela mais do que nunca... Se não a procurasse, subiria pelas paredes... Foi então que uma sonolência gostosa foi tomando-o mansamente. Ele olhou as chamas na lareira. Estavam quase se apagando. Enxergava tudo meio embaçado... Tudo então foi escurecendo, e ele adormeceu.  

 Acordou na manhã seguinte com um feixe de sol, que adentrava da janela, iluminando seu rosto, e com uma terrível dor de cabeça. Havia tido mais um pesadelo, igual a esses últimos que tivera... Seu corpo também estava dolorido, pelo fato de ter dormido naquela poltrona, de mal jeito. Levantou-se de sopetão, e sentiu um pouco de tontura. Vestiu-se apressado, e desceu para o Salão Principal. Ao chegar lá, viu que todos já estavam quase terminando o café da manhã. Adiantou-se para a mesa, e se serviu de tudo o que pôde. Estava faminto como jamais esteve. Não dera bom dia a nenhum professor, e nem ousara encarar Dumbledore, que lhe lançava olhares de esguelha,  e que Severo ignorava. Estava envergonhado do que havia feito, e ainda não estava preparado para encarar Alvo. A sineta tocou sem que ele nem ao menos tivesse terminado sua refeição. Levantou-se primeiro que todos os outros. Não queria lhes dar a oportunidade de se aproximarem. Não queria falar com ninguém, e imaginava se eles haviam escutado os barulhos em sua sala. Mas queria evitar perguntas constrangedoras. Saiu rápido, dando uma olhada para a mesa da Sonserina, para ver se Agatha estava por ali, mas não a viu. Então foi em direção á sua sala, para dar as primeiras aulas para aqueles cabeças ocas, se perguntando por quanto tempo ainda seria professor...

Após o almoço ele tinha uma “janela”, um horário livre de aulas. Decidiu que aproveitaria para procurar Agatha, e conversar com ela. Sabia que o sétimo ano da sonserina estaria agora em uma aula de trato das criaturas mágicas. Foi então até os jardins. Viu a multidão de alunos se encaminhando para próximo do lago. Provavelmente estavam estudando criaturas marinhas. Ele se enfiou no meio dos alunos, procurando por Agatha. Se não falasse com ela agora, não falaria nunca. Foi então que a avistou. Andava sozinha, de cabeça baixa, pensativa. Ele correu para alcança-la. Quando chegou próximo dela, colocou uma mão em seu ombro e a segurou. Ela virou-se atônita. Encarou-o assustada, com uma expressão de medo em seu olhar. Ele se sentiu mal por faze-la se sentir daquela forma. Eles se encararam por um momento, sem saber o que dizer. Ela apertava os livros junto ao peito, apreensiva. Snape finalmente disse: “Pode vir comigo por um instante? Precisamos conversar...”. Ela não disse nada, ainda olhando-o com medo. “Vamos, menina! Não vou fazer nada de mais, mas você sabe muito bem que precisamos ter essa conversa!”, Snape sussurrou cauteloso, averiguando se ninguém o ouvia. Agatha inspirou fundo, e disse, num tom trêmulo: “Não tenho nada para lhe dizer. Acho que já ouvi o suficiente ontem.”, e se virou de costas para ele, recomeçando a andar em direção ao lago. Mas Snape agarrou seu braço por trás e a virou para si: “Pode ser que não tenha nada a dizer, mas eu tenho. Agatha...”, ele se aproximou mais dela, sua boca colada ao ouvido da garota: “...me...desculpe por ontem...”. Ele não acreditou que estava pedindo perdão a uma aluna. Nunca se imaginara numa situação dessas. Ela o encarou surpresa, aparentemente pensando o mesmo. Então disse: “Ok... se não for demorar muito...e se você soltar meu braço...”. Ele se tocou que ainda segurava a menina, e lhe soltou. Reparou que era o mesmo braço que havia apertado ontem, e que estava com uma marca vermelha meio arroxeada. Seu peito doeu um pouco, de remorso. Ele então concordou com a cabeça, e disse: “Siga-me. Precisamos ir a um lugar um pouco mais distante...”. Ele começou a caminhar em direção á orla da floresta, Agatha em seu encalço, aparentemente um pouco mais calma. Eles caminharam em silêncio. Snape à frente. Chegaram na orla da floresta, mas ele não parou. Adentrou por entre as árvores, enroscando suas vestes. Agatha ficou um pouco apreensiva, mas o seguiu. Então ele parou numa clareira pequena. E virou-se para ela, que havia se sentado em uma raiz de árvore psrticularmente grande. Mirava-o com grande interesse, nervosa. Snape a olhou, constrangido: “Bem... eu te chamei aqui porque...Creio que precisamos conversar...decentemente.”. Ela continuou encarando-o sem dizer nada. Ele recomeçou: “Então... Vamos...ter um...um....”, ele engoliu em seco. Era difícil dizer isso, acreditar nisso. “Um filho!”, completou Agatha, mais descontraída do que ele. “Sabe, Severo, se quer realmente conversar, então tenho algumas coisas a lhe dizer. E...”, ela fez um gesto com a mão para interromper o que ele ia começar a dizer, “espero que me escute. Deixe-me falar sem ficar nervosinho, nem tacar nada na minha cabeça.”. Ele corou de leve. Sabia que tinha feito um papel ridículo ontem, mas ela tinha que entender que ele tinha seus motivos! “Quero te dizer que sei que está sendo difícil para você aceitar essa idéia, como está sendo para mim...”, começou ela, decidida. “Por isso demorei tanto para lhe contar...” “O que quer dizer com...?”, Snape a interrompeu assustado, mas ela o reprimiu: “Olha, vai me deixar falar ou não? Já está bastante difícil sem você interromper toda hora!”. Seus olhos ficaram levemente molhados. Ele a encarou surpreso, e disse contrariado: “Desculpe. Continue.”. “Então, eu pensei muito antes de te contar. Na verdade eu engravidei na primeira vez em que transamos, ainda no seu quarto. Fiquei desesperada, pois sabia que você não me amava, não queria nada comigo... Amarguei muitos dias sem saber o que fazer, não tinha com quem contar. Se você acha que tem problemas com essa gravidez, não imagina que eu também os tenha. Meus pais jamais aceitarão...Eles estão esperando que eu termine Hogwarts esse ano para que eu noive com um Black, primo da esposa do meu irmão Lúcio, a  Narcisa. Sabe, para eles o importante é que a nossa família seja sempre de puros-sangues, não quer que a gente se misture com sangues ruins para não arruinar o nome da família, e essas idiotices...”, ela abaixou a cabeça,  visivelmente preocupada. Ele olhava para ela com horror. Ela escondera essa gravidez dele por quanto tempo? Seu coração batia forte. Esperou que ela voltasse a falar, sem ação. Então Agatha continuou: “ Não posso contar aos meus pais... Estou mais perdida que você... Te vigiei todas aquela noites tentando tomar coragem para lhe falar... Mas estava com muito medo... Foi então que me ocorreu a idéia de ir atrás de você mais uma vez, sabe, tinha certeza que se me quisesse, queria dizer que você sentia algo por mim, sabe, pensei: ‘a primeira vez foi um acidente, mas se houver uma segunda é porque ele sente algo de verdade...’, mas então você me disse aquelas besteiras todas e nós brigamos, e toda a felicidade que eu havia sentido por alguns momentos, de que talvez você me amasse, que eu poderia me abrir, foi embora com aquela briga que tivemos...”, algumas lágrimas caíam dos seus olhos, rebeldes. Ela abaixou a cabeça mais uma vez,  e levou as mãos aos olhos para enxuga-los. Snape a observava um tanto pesaroso, e chocado com todas aquelas informações. Mas não disse nada, pois sabia que ela ainda não tinha acabado. Esperou que ela se recuperasse. Agatha ergueu a cabeça e recomeçou: “Depois daquela briga, me senti pior. Não tinha mais esperanças com você. O tempo se passava, minha barriga começava a crescer, eu sentia enjôos, precisava sair de algumas aulas, logo alguém suspeitaria. Como eu poderia esconder essa gravidez? E quando a criança nascesse? Pensei em fugir, mas não havia onde ficar. Eu estava com muito medo. Evitava encontra-lo, não o encarava nas aulas de poções... Mas as coisas não poderiam ficar daquele jeito. Você tinha que saber, iria saber mais cedo ou mais tarde... Então, ontem decidi te procurar. Contar tudo, na esperança que me ajudasse a encontrar uma solução. Mas tudo não poderia ter saído pior. Você se descontrolou e... A última coisa que fez foi ajudar...”. Ele se sentiu péssimo. Ela tinha razão. Severo não pensara que para ela as coisas não poderiam estar melhores do que para ele. Sentiu-se angustiado, com raiva si mesmo por ter agido daquela forma, sem nenhum controle. Fora egoísta, infantil.... Agatha voltara a chorar, escondendo o rosto nas mãos, a cabeça baixa. Ele a mirava, pensando no quanto idiota ele fora... Ela era apenas uma garota, que se tornara mulher em seus braços... Era culpa sua. Não poderia ter descontado tudo nela daquela forma... Ela precisava de apoio, de compreensão, estava mais sozinha do que ele... Ele continuou observando-a, todo o peso da culpa recaindo sobre suas costas... Resolveu perguntá-la algo que estava martelando em sua cabeça: “Agatha... quanto tempo faz que você está grávida? Preciso saber, eu...”, “Vai fazer quatro meses...”, ela o interrompeu. Ele congelou. Quatro meses, já? Não era possível... Logo essa criança nasceria, o que fariam?... “Bastante tempo, não? Logo, logo nasce....e não sei o que fazer!”, disse ela, parecendo ter adivinhado o que ele estava pensando. Snape concordou com um gesto da cabeça. Ela voltou a chorar, aparentemente desesperada. Começou a chover. As gotas d´água caíam mansamente na clareira, sobre seus corpos, fazendo-os estremecer. Agatha continuava chorando, o rosto afundado nas mãos. Snape, num impulso, se aproximou dela e a abraçou. Ela colocou e cabeça no peito de seu Mestre, se sentindo reconfortada. Ela apertou o corpo dela contra o seu, acariciando o topo de sua cabeça. Ela era só uma menina, indefesa. Então ele encostou a boca no ouvido dela, e disse: “Não se preocupe. Não vou te abandonar. Teremos esse filho juntos, só...Me dê um tempo para que eu decida o que farei de minha vida agora, me dê um tempo para me acostumar com a idéia, por favor...”, ela balançou a cabeça positivamente, ainda encostada no peito dele. Ficaram ali por um longo tempo, sentindo a chuva lavar seus corpos, e suas mentes... Foi então que ele disse: “Vamos, Agatha, precisamos sair dessa chuva, você não pode apanhar um resfriado agora...”. Eles, então, seguiram para o castelo, com os corações um pouco mais leves...

 

Naquela noite, Snape estava um pouco mais tranqüilo do que antes, em certo ponto, pois havia pedido desculpas a ela, ouvira sua versão da história... Mas ao mesmo tempo não podia deixar de se sentir aflito. O que faria agora? Como iria contar isso para as pessoas? Prometera a Agatha que não a deixaria sozinha, o que era justo, mas precisava resolver o que faria... Não poderia simplesmente contar a todos, nem levá-la embora. Como os pais dela reagiriam? A verdade é que ele a ajudaria com a criança, mas isso não queria dizer que iria se casar com ela... Não a amava! Seria um casamento falso... E como iria sustentar essa criança? Tinha a nítida impressão de que quando a notícia se espalhasse, perderia o emprego e seria excomungado da bruxidade. Estava mais perdido que bruxo sem varinha... Resolveu ir dormir. Amanhã resolveria essa questão com mais calma...

 

Snape se levantou na manhã seguinte com mal-estar causado por mais um pesadelo particularmente desagradável com Voldemort. Mas achava que finalmente encontrara uma solução. Precisava falar com Agatha. Vestiu sua capa e foi para a sala comunal da Sonserina, ver se a encontrava lá, pois estava muito cedo para o café da manhã. Ao entrar na sala da Sonserina, avistou alguns alunos, mas ela não estava ali. Ele, então, se dirigiu a uma garota morena, que sempre vira junto de Agatha, e perguntou: “Com licença, senhorita Smith, pode me informar por aonde anda a senhorita Malfoy?”,  menina se surpreendeu ao ver o professor ali tão cedo, mas respondeu: “Agatha não passou bem á noite, professor Snape, e foi leveda para a ala hospitalar.”. Snape a encarou assustado: “Como assim não passou bem? O que ela teve?”. “Não sei, professor, eu fui com ela até a ala hospitalar, mas Agatha me mandou embora, disse que ficaria bem com Madame Ponfrey, e que não queria que eu ficasse...”, disse Ana Smith, num tom pesaroso. Snape saiu correndo da sala comunal em direção à ala hospitalar. O que teria acontecido a Agatha? Ao chegar lá, viu que havia uma grande movimentação. Madame Ponfrey estava sentada em uma das camas, aparentemente muito chocada, acompanhada de Dumbledore e McGonnagall, que estavam á sua volta. Snape entrou bruscamente. Todos o olharam, surpresos. Ele olhou em todos os leitos mas não havia nenhum sinal de Agatha. Então disse: “Soube que uma aluna de minha casa passou mal, e não fui avisado!”, disse com raiva. Dumbledore de adiantou: “Severo, receio que esteja falando da senhorita Malfoy...?”. Ao ouvir o nome de Agatha, Madame Ponfrey começou a chorar baixinho. Snape  olhou-a aterrorizado. O que havia acontecido? Dumbledore continuou: “Severo... Agatha Malfoy realmente não estava bem. Ela foi trazida para cá muito mal. Papoula tentou cuidar dela, mas....”. Madame Ponfrey o interrompeu: “ Mas aqui na escola não havia os ingredientes necessários para fazer o remédio que ela precisava. E mesmo se eu comprasse, demoraria muito para ficar pronto. Foi então que me lembrei de que um amigo meu, que tem uma loja de ingredientes e remédios em Hogsmeade... Ele é um médibruxo do St. Mungus, aposentado... Então pedi uma autorização de Dumbledore para leva-la comigo até ele... Ela precisava ir, sabe, não poderia ficar aqui esperando...  Ele é um especialista...” Ela levou o lenço que tinha nas mãos até o nariz, assoando-o de forma assustadora. “Mas, pelas barbas de Merlim, onde ela está?”, gritou Snape, incapaz de se conter, uma sensação de pânico subindo por seu ventre de forma incomoda. “Não sabemos, Severo.”, McGonnagall falou pela primeira vez. Snape a olhou incrédulo: “Como assim não sabem?”. “Acabou de acontecer...”, Madame Ponfrey recomeçara a falar, “eu estava voltando com ela de lá, em uma das nossas carruagens, quando três comensais da morte apareceram, e....e levaram-na, levaram-na sem que eu podesse fazer nada, eles me estuporaram e a arrancaram da carruagem, e a levaram!”. Papoula chorava agora com profundo desespero. Snape congelara. Se coração parara de bater abruptamente. Ele apenas encarou Dumbledore com um olhar de indagação, incapaz de assimilar o que acabara de escutar...

 

     

 

(continua)

 

 



 

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