Nome da fic: Era só o que faltava. Autor: Susi A. R. Gil Pares: Não há. Censura: livre Gênero: Comédia bem sem graça Spoilers: Não há. Desafio: Essa fic foi uma resposta ao Desafio 62 - Nosso estimado mestre, fica perdido em meio a uma cidade grande dos trouxas. (Claire) Resumo: A serviço de Dumbledore, Snape vai até Londres. Durante o dia, ele acaba encontrando com uma pessoa que iria o surpreender mais do que ninguém. Agradecimentos: A Elisabeth e a Tammy pelas leituras e correções. Esta fic faz parte do SnapeFest, uma iniciativa do grupo SexySnape, e está arquivada no site http://sexysnape.blig.com.br e no meu site http://www potionoflove.kit.net Era só o que faltava Fan fic de Susi A. R. Gil "A diferença entre a verdade e a ficção É que a ficção faz mais sentido" Mark Twain Dumbledore passeava pelos jardins de Hogwarts inquieto. Mas era tão discreto que ninguém que passasse por ele poderia perceber sua ansiedade. Após algumas voltas em zigue-zague, parou repentinamente quando ouviu passos rápidos vindo em sua direção. - Mandou me chamar, professor? Era Snape. Dumbledore virou-se vagarosamente e, com um tom grave disse: - Preciso que você vá a Londres, Snape. Snape baixou os olhos pensativo. Aparentava já saber do que o diretor estava falando. Dumbledore continuou: - Eu sei que é difícil, mas você é a única pessoa em que posso confiar a essas alturas. A pessoa que trará as informações necessárias, irá lhe encontrar em uma lanchonete trouxa em Londres. Ela e você estarão vestidos de trouxas. Você não a conhece, mas ela é uma senhora dos seus cinqüenta anos, ela procurará por você, fique tranqüilo. - Sim, professor. Quando deverei ir? - Vá na próxima quinta-feira. Direi aos alunos que você não está bem disposto. A professora Sprout irá substituí-lo. À noite você já estará aqui. Deixarei no seu quarto um bilhete com todas as orientações e endereço da lanchonete. Vá, converse com a mulher, dê uma volta pela cidade e volte. - É seguro? - Sim, totalmente. Quinta-feira é o dia em que sei que Voldemort e seus comparsas estão todos ocupados. Você mesmo me confirmou isso, lembra? - Pois é, professor. - Fique tranqüilo. Vocês estarão em um lugar trouxa e vestidos como tal. Dumbledore viu por cima dos ombros de Snape, que alguns alunos da Sonserina estavam se aproximando. Fez um discreto sinal para o professor e este se dirigiu aos alunos. Chegou a quinta-feira e até o momento em que Snape pegou o trem para Londres vestido de trouxa tudo ocorreu como o planejado por Dumbledore. Apesar de não demonstrar, Snape estava apreensivo, pois era a primeira vez que fazia algum serviço de espionagem para Dumbledore fora do mundo bruxo. Ele não sabia como se comportar, tinha medo de que algum trouxa, ou até mesmo outro bruxo disfarçado, percebesse seu disfarce. Era uma fria e escura manhã de Outono em Londres. Com suas negras roupas trouxas, Snape se misturou a multidão que corria para o trabalho, e ninguém reparou nele. Conforme Dumbledore havia orientado, ele pegou um táxi e se dirigiu diretamente à lanchonete. Snape sabia que iria esperar por volta de meia-hora até a chegada da misteriosa mulher. Pediu um chá e sentou na mesa indicada por Dumbledore. A lanchonete foi se enchendo aos poucos. Provavelmente, eram as pessoas que
trabalhavam nas redondezas e que paravam lá para tomar seu café da manhã. Snape pediu alguns biscoitos para disfarçar e começou a prestar atenção na conversa da mesa vizinha. Ele estava de costas para ela, mas percebeu que havia apenas um homem sentado nela, falando com a garçonete: - Pode ser no guardanapo? Estou sem papel. Depois de alguns segundos de silêncio, a garçonete respondeu: - Muito obrigada! Meus filhos vão adorar. - Por nada! Eu estou esperando duas pessoas, pode trazer mais uma cadeira? - Claro, só um minuto. Fique à vontade. Snape não ouviu mais nada, mas sabia que o homem continuava lá. Passados uns cinco minutos, um grupo de crianças com uniforme de escola se aproximou, olhou para ele e exclamaram entre si: - Meu Deus, o que é isso? Será que tomamos alguma coisa errada no café da manhã? - cochichou uma garota. - Vocês estão vendo o que eu estou? - perguntou um garoto ao resto da turma. Snape estremeceu. Provavelmente eram crianças bruxas de passeio em Londres que o haviam reconhecido. Os planos de Dumbledore haviam ido por água a baixo. Mas ainda tinha esperança de estar errado, fingiu que os comentários não eram com ele. Mas em seguida, o grupo de crianças, o encarou com espanto e em seguida encararam o homem que estava sentado às suas costas. - A quem deveremos pedir autógrafo? - perguntou olhando para as duas mesas o garoto com aparência de mais velho. O professor cerrou os olhos e quando ia dizer algo para o garoto, o homem da mesa ao lado respondeu: - Porque? Quem está sentado às minhas cos... Nesse momento, Snape virou-se também para olhar para o homem. Quando os dois se olharam, ficaram brancos como papel e boquiabertos. As cinco crianças ficaram caladas, pareciam estar tão espantadas quanto eles. - Quem é você? - perguntou o homem encarando Snape. - Porque quer saber? - perguntou rispidamente. - Meu Deus, ou você é um sósia, ou realmente existe. - Sou apenas muito parecido com você, oras. Só que sou moreno e você é loiro o que há de errado nisso? - respondeu Snape com desdém. - Vou ligar para a minha mãe, ela precisa saber disso. - disse uma das garotas, tirando o celular na mochila. - Qual seu nome, colega sósia? - perguntou o homem com ar risonho. Snape pensou em inventar um nome...mas quando ia falar, a mulher que estava esperando, apareceu: - Severo? Está tudo bem? Todos na roda ficaram boquiabertos, inclusive o próprio Severo. Mesmo sem entender nada, ele não queria revelar seu nome para os trouxas. Seu coração disparou e ele se levantou rapidamente em direção à mulher. Ela era uma senhora de seus cinqüenta anos, como Dumbledore havia descrito. Gorda, estatura média e cabelos grisalhos e curtos. A mulher pegou Snape pelo braço e cochichou: - Fique mais uns dez minutos com esse pessoal, eu estou desconfiando de um homem que está do outro lado da rua. Quando ele for embora eu volto, só mais dez minutos. - Foi você que trouxe esse pessoal para me distrair? - Não ganho tão bem para contratar atores para distrair as pessoas. Foi uma feliz coincidência. - e saiu sem esperar a resposta de Severo. - Atores? - pensou alto Snape enquanto voltava-se para a mesa. Viu então que as crianças estavam pedindo autógrafo para o homem da mesa em seus cadernos. Aproximou-se e leu alto um dos cadernos já autografados: - Alan Rickman? -Não. Hugh Grant! - respondeu um dos garotos. Snape cerrou os olhos para o garoto e perguntou: - O que você disse? - Chi...pessoal, ele vai tirar pontos das nossas casas e nos dar detenção. - comentou a menina mais nova. - Olha a cara dele! - Como...sabe...essas...coisas...? - sibilou Snape. - Um dos garotos abriu sua mochila e tirou um enorme livro. Jogou-o então na mesa. Seu título era: Harry Potter and the Order of Fênix. Snape gelou. Puxou uma das cadeiras da mesa de Alan e ficou com os olhos fixos no livro. Todos ficaram em silêncio. Pareciam perceber que Snape era realmente quem aparentava ser. Tremendo, Snape pegou o livro e começou a folhea-lo e procurar seu nome nas páginas. Rapidamente, leu alguns trechos e levantando os olhos assustados perguntou mansamente para todos: -Que... tipo de brincadeira é essa? - A Rowling havia dito que era tudo fruto da imaginação dela...- comentou Alan. - eu fui escolhido para representar você no cinema. - Rowling? - perguntou Snape consternado. - É, JK Rowling. É a autora de Harry Potter. Ela está escrevendo os livros, são sete. Um para cada ano letivo de Harry. Esse é o quinto. Estamos acabando de filmar o terceiro. - respondeu Alan também assustado. - E o moleque ainda é leva o nome do livro? - vociferou Snape passando as mãos no cabelo. - Professor, posso matar uma curiosidade? - perguntou a menina mais nova Snape não respondeu, apenas virou seus olhos para ela: - O senhor lava os cabelos? Todos caíram na gargalhada. Snape levantou-se furiosamente, mas Alan segurou-o pelo braço. - O que essa maldita Rowling fala de mim? - perguntou Snape para Alan. - Calma, é que alguns comentam que...bem...como seu cabelo é oleoso...tem aparência de que não é lavado, entende? Inclusive eu passo horas no camarim para fazer isso viu? Mas fique tranqüilo, sabia que tem gente que considera você um símbolo sexual? Tem até fã-clube! Fiquei sabendo esses dias que até no Brasil você tem milhares de fãs. - Quanta idiotice! Então é você que tem fãs e não eu. Eu sou um professor, só exijo respeito desses moleques indolentes. - Não é isso que eu ando vendo...elas só falam em Snape...Snape...Snape. - respondeu com ar malicioso. - Olha, estou achando que isso não passa de uma brincadeira muito idiota, vou embora...- comentou Snape com tom estressado. - Não, professor, fica. - pediu um dos garotos - autografa o livro pra gente! - Professor, não fica bravo com a gente, nós não somos grifinórios! - implorou a menina mais velha - dê uma colher de chá para nós trouxas. - Grif...oras...eu vou fingir que nada disso aconteceu, isso não passa de uma brincadeira de mal gosto. - disse Snape. - Para dizer a verdade, nós é que deveríamos achar que tudo isso é uma brincadeira, e não você. - concluiu Alan enquanto dava seu último autógrafo - Afinal, como vamos acreditar que realmente tudo o que a Rowling criou é verdade, e que, por pura coincidência eu sentei ao lado do personagem que eu represento, isso sim é brincadeira. As crianças fecharam a expressão em tom pensativo. Não havia passado pela cabeça delas que Snape poderia ser uma fraude. - Não faz diferença para mim vocês trouxas acreditarem na minha existência ou não. O que me preocupa é saber que tudo o que acontece conosco estar sendo contado por uma trouxa e do ponto de vista do Potter. Sinceramente, acho melhor que vocês esqueçam que me viram, é o melhor. Ou até, se preferirem, continuem achando que eu sou uma fraude. - falou Snape voltando a folhear o livro. Todos ficaram em silêncio, Snape continuou. - Que ridículo! Eu sendo representado em um livro e no.no que mesmo? - Cinema! - disseram em coro as crianças. - Humpf! - resmungou Snape. - Ridículo nada, professor, escolheram um dos melhores atores britânicos para lhe representar! - exclamou a garota mais velha. - Éééééé.... - responderam em coro as demais crianças. Alan baixou a cabeça e deu um sorriso sem graça. - E com a voz bem mais bonita, diga-se de passagem! - completou a mesma garota. Alan abanou a cabeça em sinal negativo. As outras crianças deram uma risada. - Quanta idiotice, até mais ver... - disse Snape virando-se. - Ei...- interrompeu um garoto, pegando no braço de Snape - você não pode ir esqueceu que aquela senhora pediu para você esperar aqui? - Vocês ouviram, seus pestinhas? - resmungou Snape. - Claro, acha que iríamos perder isso? Quem é ela, a professora Sprout? - perguntou o garoto. Snape arregalou os olhos. - Não é da sua conta! - respondeu, soltando-se do menino. - Não vai se despedir da gente, professor? - perguntou um dos meninos. O professor se virou e disse olhando para Alan: - Eu só espero estar sendo bem representado. - Pode ficar tranqüilo. - respondeu - O seu papel é o mais fácil da minha carreira. As crianças seguraram o riso. Snape cerrou os olhos. Alan continuou com tom irônico: - Aproveitando, você não quer me explicar como foi aquele seu primeiro encontro com o Sirius, no terceiro ano do Harry? Não que seja difícil, mas é que eu posso tentar ser o mais fiel possível. Eu vou filmar isso na semana que vem. Snape fez uma careta e percebeu que sua colega estava abrindo a porta da lanchonete. Não deu atenção ao que Alan perguntou e só disse: - Passar bem! - virou-se e foi de encontro a mulher. Os dois saíram do local e sentaram em um banco de uma praça nas imediações. A misteriosa mulher ficou sabendo de tudo o que ocorrera na lanchonete. Ela então comunicou ao Ministério da Magia o ocorrido, para que fossem tomados os devidos procedimentos de apagar da memória dos trouxas o acontecimento. A essa altura, Snape tinha até esquecido de sua missão em Londres. A mulher - que não se identificou para o professor, apresentou-se apenas como ajudante de Dumbledore - passou algumas informações sobre possíveis seguidores de Voldemort e mais nada. Mas essas novas informações pareciam não impressionar o professor. Não porque ele tivesse algum envolvimento, mas porque não conseguia esquecer o episódio da lanchonete. Vendo a perturbação de Snape, a mulher perguntou: - Assustado ainda com o que ocorreu lá dentro? O Ministério da Magia tomará todas as providências. -Não é por isso. Eu não me conformei com a história do livro... - Ah, pois é, eu já sabia disso. - Então é verdade? Tudo o que lhe contei é verdade? - Sim. - respondeu a mulher com ar de riso. - Como essa trouxa soube de tudo o que está acontecendo e com tantos detalhes? - perguntou Snape inconformado. O Ministério deveria tomar providencias! - Severo, não seja ingênuo, não vê que isso é uma forma de nos manter seguros? O mundo inteiro acha que é uma criação literária. Não há um trouxa que desconfie de nada. - Mas como ela soube de tudo isso? - insistiu Snape perdendo a paciência - É uma longa história. Pode ficar tranqüilo que isso foi totalmente proposital. O Ministério já estava ciente desde o princípio de tudo. É melhor a história de Potter vazar assim do que de outra forma. - Potter...Potter...só o Potter...TUDO O POTTER! - vociferou Snape. - Fale baixo Severo, pode atrair a atenção dos trouxas! - cochichou a mulher com o dedo indicador na boca. - E ainda colocaram aquele babaquinha todo sorridente para fazer o MEU PAPEL! - continuou Severo abaixando a voz. - Não reclame, Severo. Ele é um dos melhores atores daqui. E é considerado um galã. - Humpf...mas aposto que o garoto que faz o tal Potter é mais bonitinho...- completou com ironia. - Oras, por favor. Ele é um adolescente. Até que foram fiel na escolha, tudo bem que a representação dele não é aquelas coisas, a Hermione está melhor... - Não me venha com os detalhes...já chega. - Então vamos trabalhar, professor? Acho que já pode voltar para Hogwarts. - Posso só perguntar mais uma coisa? - perguntou Snape com a expressão incomodada. - Claro! - A minha voz é muito feia? FIM