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O descobrimento do Brasil pelos europeus deu-se
no contexto da expansão marítima que ocorreu em fins do século XV.
A suspeita da existência de terras a ocidente era bastante forte,
sobretudo, após a primeira viagem de Cristóvão Colombo (1492), o que
explica a insistência do rei de Portugal dom João II durante as
negociações do Tratado de Tordesilhas (1494) para estender até 370 léguas
a oeste de Cabo Verde as possíveis terras portuguesas.
A presença de navegadores espanhóis no litoral brasileiro em 1499-1500 é
discutida. É o caso, por exemplo, de Alonso de Ojeda, que teria chegado ao
Rio Grande do Norte, de Vicente Yáñez Pinzón, que partiu de Palos, em 18
de novembro de 1499, e positivamente desembarcou no litoral do brasileiro.
Chegou ao cabo de Santo Agostinho, Pernambuco, que chamou de Santa Maria
de la Consolación. No entanto, alguns historiadores acham que pode ter
sido a ponta de Mucuripe ou a ponta da Jabarana, no Ceará. Seguindo em
direção noroeste descobriu a embocadura do rio Marañon e a do Orinoco que
chamou de mar Dulce. Ainda no litoral norte descobriu o cabo de São
Vicente, atualmente cabo Orange. Um mês depois da partida de Pinzón, Diego
de Lepe seguiu a mesma rota explorando a costa do Brasil ao sul do cabo de
Santo Agostinho.
Do lado português, é provável que Duarte Pacheco Pereira, autor do
Esmeraldo de situ orbis, tivesse estado no Brasil em 1498 ou 1499.
Entretanto, a descoberta oficial deu-se com a expedição de Pedro Álvares
Cabral, fidalgo português nomeado pelo rei para comandar a expedição que
se destinava à Índia (ver Índia portuguesa), dando continuidade à abertura
da rota para aquela região descoberta, em 1498, por Vasco da Gama (ver
Explorações e descobrimentos portugueses).
A frota de Cabral era composta por 13 navios, financiados com capitais
reais e particulares, inclusive de comerciantes estrangeiros. Partiu de
Lisboa no dia 9 de março de 1500. Acompanhavam Cabral navegadores
experientes como Bartolomeu Dias, o descobridor do Cabo da Boa esperança,
Nicolau Coelho, Sancho de Tovar e Gaspar de Lemos.
A viagem até o Brasil estendeu-se até o dia 22 de abril, quando foi
avistado no litoral sul do estado da Bahia um monte, batizado de monte
Pascoal. A nova terra foi primeiramente chamada Vera Cruz e, no ano
seguinte, Terra de Santa Cruz. Só posteriormente seria denominada Brasil
em decorrência da abundância da árvore pau-brasil existente, no século XVI,
na mata Atlântica.
A esquadra permaneceu no Brasil até o dia 2 de maio, tendo sido rezadas
duas missas, pelo franciscano frei Henrique de Coimbra (26 de abril e 1º
de maio). Foram feitos contatos com indígenas e deixados alguns
degredados.
A expedição seguiu viagem para a Índia, enviando-se Gaspar de Lemos de
volta a Portugal para informar ao rei a descoberta. O principal documento
que narra tais eventos é a carta escrita ao rei dom Manuel I, o Venturoso
pelo escrivão Pero Vaz de Caminha.
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