PORTO AMÉLIA «» PEMBA - estrada do tempo 1
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sobre luis alvarinho ""20/06/2002
- Estando em preparação um livro de crónicas em que esta será
incluída, envio-a como homenagem ao Luís Alvarinho -
Glória de Sant'Anna
A Escuna Angra é um marco histórico navegando o mar no reinado de D. Pedro V, para as terras de Cabo Delgado ao norte de Moçambique.
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MENSAGEM RECEBIDA DO MISSIONÁRIO SÉRGIO CABRAL - PEMBA EM 31/10/2001:
Ele tinha partido daqui de Pemba no dia 14 por questões de saúde. Ele não sofria de nenhum mal em especial, apenas estava cansado e muito stressado. Viveu a guerra bem de perto que lhe ficou bem marcada no seu íntimo. Isso causou-lhe algumas perturbações psíquicas irreparáveis até à data da sua morte. De seguida apresento uma pequena biografia da sua vida: "Nasceu
em Vilar Seco, Vimioso, Diocese de Bragança. Foi ordenado sacerdote em
Cucujães a 30 de Maio de 1957. Foi
professor nos Seminários de Tomar, Cernache do Bonjardim e Mariri, na
Diocese de Pemba, Moçambique. Foi missionário nessa diocese durante 43
anos, nas paróquias de Macomia e Maria Auxiliadora, de Pemba. Foi
um dos grandes missionários do povo Maconde. Falava bem a sua língua,
conhecia a sua cultura, amava profundamente o povo daquela Missão com
12000 Km2. Lá viveu duas guerras: a colonial e a civil. Foi um homem
livre a capaz de fazer amigos em qualquer partido, para servir a todos.
Três vezes esteve em perigo de morte, escapou por milagre e nada o fez
desistir de anunciar o Evangelho e criar comunidades cristãs. Quando
era impossível visitar as comunidades escrevia cartas. Quando não
podia ir de carro, ia a pé. Andou milhares de quilómetros a pé, nas
estradas e nas matas para animar os cristãos e fortalecer os seus
catequistas e animadores. Foi
um homem simples, sereno, alegre, com grande capacidade de fazer amigos.
Deu o testemunho de Cristo com a própria vida. Era profundamente devoto
de Nossa Senhora. Sofreu
uma forte hemorragia cerebral ao rezar o 4º mistério do terço: Jesus
a Caminho do Calvário. Ficou 24 em estado de coma, nos hospitais de
Santarém e S.José, Lisboa. Aí faleceu em 25 deste mês. No dia
seguinte realizou-se o seu funeral em Cucujães." UMA VIDA SIMPLES MOVIDA PELO AMOR Dados Biográficos sobre o Padre Paulo O
Padre Manuel Paulo Lopes nasceu a 22 de Março de 1930 em Vimioso, Bragança.
Foi baptizado no dia 29 de Junho de 1930 e crismado a 17 de Maio de 1944.
Fez a sua 1ª comunhão em 1937. Entrou na Sociedade Missionária da Boa
Nova no dia 28 de Setembro de 1943 em Tomar. Foi ordenado sacerdote em 30
de Maio de 1957 e partiu para as missões em 11 de Setembro de 1958. Depois
de ter trabalhado um ano no seminário de Mariri em 1958, foi colocado em
Macomia em 1959. Em 1969 passa a ser o superior da Missão. Em Dezembro de
1978 foi obrigado a deixar Macomia e a residir em Pemba. Em
29 de Dezembro de 1981 recomeçou a residir em Macomia numa pequena casa
emprestada. Nos fins de Janeiro de 1982 foi novamente obrigado a deixar
Macomia por não haver Igreja. Em Maio de 1982 celebrou em Portugal o 25º
aniversário da sua ordenação sacerdotal. Durante
esse período foi pároco de Maria Auxiliadora. A
16 de Abril de 1992, recomeçou as visitas à paróquia de Macomia com
muito entusiasmo e dedicação.
No dia 14 de Outubro de 2001 embarcou
de Pemba para Maputo e dia 19 desse mesmo mês, de Maputo para Lisboa a
fim de descansar. No dia 24 sofreu um derrame cerebral multi-ramificado,
vindo a falecer no dia 25 de Outubro pelas 7h00 da manhã no hospital de
S. José em Lisboa. Foi sepultado no dia 26 de Outubro de 2001 em Cucujães
junto dos seus colegas e irmãos da Sociedade Missionária da Boa Nova. “O
Padre Paulo impôs-se pela sua simplicidade, interesse pelo outro e pela
sua sabedoria em escutar, ouvir os lamentos, as histórias, as vida dos
outros. Caminhar
era a sua melhor maneira de se aproximar das pessoas. Caminhava sempre ao
encontro do outro, pelas comunidades, pelos caminhos difíceis, pelas
ruas. Gostava de caminhar. O
amor a Nossa Senhora era bem visível na sua devoção e piedade: o terço
a Nossa Senhora de Fátima; os pastorinhos; o seu ataque, salvo
milagrosamente por Nossa Senhora. A
sua paixão pela missão de Macomia não tinha limites. Amou
verdadeiramente Macomia. Sofreu imenso por Macomia. Foi perseguido por
Macomia. Macomia rejuvenescia-o imenso. O
trabalho na diocese como secretário foi notável. Era uma autêntica
biblioteca viva. Informações históricas, casos, registos que só ele
sabia, datas de interesse dos outros. A vida do Padre Paulo entre nós não terminou. Acreditamos que ele junto de Deus, de Cristo e de Maria rogará por todos nós. Assante Padre Paulo, pela tua palavra, sorriso, gesto...” P.
Albino-Pemba |
LIDUVA LYAVALEKUA YESU (O DIA EM QUE NASCE JESUS). Mensagens, cartas, e-mail´s, são feitos, existem, encurtam distâncias e aproximam o ser humano. Seu conteúdo, normalmente fica entre dois ou poucos mais interlocutores... Mas esta mensagem, ( perdôe o Amigo Sérgio Cabral - seu autor) pela espontaneidade, sinceridade, atualidade e clareza de fatos vinculados a uma quadra tão típica e a locais tão especiais para todos nós, não merece ficar oculta...Por isso e à "revelia" do autor, aqui a publico integralmente, também como homenagem à dedicada doação desses abnegados e incansáveis Missionários: Antes de mais quero desejar-lhe um bom Natal embora atrasado! Não lhe escrevi antes porque tenho andado por aí a viajar e depois o computador apanhou umas viroses potentes... O Natal correu bem. Tivemos a Missa do Galo aqui na igreja de Maria Auxiliadora que durou umas 4 horas, incluindo uma pequena representação de Natal e baptismos. Como sempre as danças e os cânticos alegres tornaram esta celebração festiva ainda mais festiva. As quatro horas dentro da igreja passaram depressa de mais!!! No dia 25 pelas 5 da manhã arrancamos eu e o P. Albino para a missão de Macomia a fim de celebrar para aqueles que estão orfãos de padre, após a morte do P. Paulo. Chegamos lá e não conseguimos celebrar na igreja por causa das abelhas, por isso tivemos de celebrar à sombra das mangueiras que ficam logo ao lado. Apesar de tudo a comunidade estava organizada e até correu bem.
Quando chegamos a Macomia fomos encomendar um frango com batatas fritas no Bar Chung (Chinês) para enganar a fome que já era muita. Nos dia
seguinte também andamos por outras comunidades à volta de Macomia,
nomeadamente Nova Zambézia (20kms.), Nguído (50kms.) e
Chai (42kms.). Quase ninguém falava português, só o makonde!
Quiseram que eu
tirasse uma fotografia a um menino que estava a chegar do mato pois
tinha cumprido os ritos de iniciação. Puseram-no em pé numa
cadeira todo bem vestido, com um cofió na cabeça, para a
fotografia todos contentes. Assisti à dança das mulheres
makondes à volta dos batuques, vi grandes baterias feitas de paus e
chapas, conheci a makonde mais idosa do Chai já cega, mas que não
deixava de admirar-se com a presença Agora vejo como o P. Paulo foi um grande missionário. Nós percorremos as comunidades de carro com tracção, confortável, com música, sem percebermos nada de makonde e da cultura makonde. O P. Paulo não! Ia a pé, rasgava a mata, dormia e comia com eles sabe-se lá como? Dominava o makonde como os próprios makondes e até os ensinava. É preciso ter estômago e muita fé para se fazer o que ele fez!!! Nós só visitamos 5 comunidades, ainda existem mais de 30 no meio daquela mata infindável, onde se pode ver as pegadas dos muitos elefantes e onde existem leões e outros animais nada benevolentes. Como vê, o meu Natal foi assim. Longe da família, dos festejos tradicionais, do frio, das prendas, da boa comida portuguesa, mas mais perto da cultura makonde, dos ananases de Macomia, dos macacos de Macomia e enfim, mais perto da pobreza do menino Jesus que nasceu num curral espelhada naquela gente sem nada, mesmo nada. Espero que o seu Natal tenha sido bom na companhia dos seus familiares e pessoas amigas. Junto envio duas fotos do P. Paulo. Uma junto com outros missionários: (da esquerda para a direita) P. Zé Marques, P. Albino, Ir. Glória, Ir. Palmira, P. Paulo, Ir. João e em baixo P. Gonçalves; e outra ele sozinho. Um grande abraço e feliz ano novo!!! Sérgio Cabral - Pemba, 28/12/2001 - 19h24 |
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Não
sem uma certa dose de emoção, descobri ontem no “Bar da Tininha”
as fotos ali colocadas pelo Carlos Araújo. Nelas revi velhos
amigos e conhecidos. Alguns, infelizmente, já não estão entre
nós. Hoje,
por mensagem do Nelito Loureiro, colocada no mesmo local, soube com
pesar que mais um passou a fazer parte deste último grupo.
Foi o Dr. Manuel Talhante, ex-director da Escola Comercial Jerónimo
Romero de P. Amélia e, por caprichos do destino que aqui não vêm a
propósito, também meu professor de Português. Totalmente
diferente do seu antecessor, sobretudo no convívio, não tardou que
granjeasse a aceitação e estima de toda a massa estudantil.
Foi, naquela época, algo de novo a que não estávamos habituados, nas
relações professor/aluno. Bem haja, Doutor! Como
se de um filme se tratasse, desfila a memória deste personagem franzino
de corpo mas grande nas recordações, boas ou más, que deixou em todos
os que com ele conviveram. A
existirem, deixo de lado as más para quem e se as tiver. Das
outras, permito-me recordar duas que julgo pertencerem a toda uma geração: - Com certa frequência,
organizávamos uns bailaricos. Hoje em casa deste, amanhã na garagem
daquele, segundo a disponibilidade e paciência de uns e outros.
Como em todo o bailarico, em todas as épocas e locais, também nos
nossos se formava por vezes um ou outro par mais “atrevidote”. Era
fatal!... Mal se apercebia (e até parece que “tinha faro”…), lá
ia ele (Dr. Talhante) buscar alguma das senhoras presentes, de preferência
a que mais mal dançasse, para vir “obrigar” à troca de par,
desfazendo o idílio apenas iniciado e, por vezes, tão penado… -
Peripécia que também ficou célebre foi a ocorrida na placa do
aeroporto, em dia de chegada de uma alta individualidade. O aeroporto era um mar de gente. Autoridades, povo das mais diversas condições do mais cotado ao mais anónimo. Encasacados uns, fardados outros, pessoal da Escola, do Colégio, da MP (Mocidade Portuguesa). Havia de tudo com fartura… A
certa altura, um enxame resolve atacar tudo e todos, com especial incidência
a cabeça do dr Talhante, cuja protecção capilar era bastante frágil.
Gerada a confusão, logo houve quem “aproveitasse para uma vingançazita”,
prodigalizando-lhe alguns mimos servindo-se dos bonés usados pela MP. Sendo estes providos de fivelas, fácil é adivinhar as marcas ainda visíveis alguns dias depois… António
Coelho - Luxemburgo, 08/11/2001 |
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O
Dia de "S. Vapor" II Já,
na Estrada do Tempo, tentei dar uma idéia do que era o “Dia de São
Vapor”. Das
peripécias a ele ligadas, uma há que julgo merecedora de ser aqui
relembrada. Aconteceu no início dos anos 60, se a memória me não atraiçoa em 62,
aquando das viagens inaugurais dos navios Infante D. Henrique e Príncipe
Perfeito. O
aproximar do dia da chegada de um deles despertou a habitual efervescência,
mas bastante ampliada, por razões óbvias...
O luxo e dimensão do “bicho”, se atracava ou se ficava ao largo,
por quanto tempo estaria entre nós, haveria ou não possibilidade de o
visitar... tudo era assunto de conversa e contribuía para aumentar a
expectativa geral. Chegou, finalmente, o grande dia. Por precaução, o Comandante decidiu
ficar ao largo apesar de (constou-se...) o Piloto da barra garantir que
as condições de acostagem eram seguras.
Assim, houve que mobilizar umas quantas embarcações ligeiras, para
fazer o transporte de passageiros, visitantes e alguma carga. Além dos “gasolinas” cedidos pela Capitania do Porto e de umas
quantas lanchas, veio de Mocímboa o Gaspar com o seu barco. Chegado o dia, foi a bordo quem quis e/ou quem pode.
Um dos visitantes, na ânsia de afogar a sede (crónica) que o afligia,
foi um pouco além do razoável e, fatal como o destino, a visão e o
sentido de equilíbrio ressentiram-se.
No regresso,
aproximando-se o “gasolina” do local onde o pessoal iria
desembarcar, o nosso “herói” avaliou mal a distância.
A sorte, a perícia dos tripulantes e a ajuda dos presentes reduziram os
prejuízos a um fato molhado e uns quantos papeis ensopados. Papéis que, para a pessoa em causa, eram de “extrema importância”. Tratava-se de “Vales” do bar do Carneiro & Morais, que o nosso amigo saldara nessa tarde, como religiosamente fazia a cada fim de mês. |
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