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  Midi - Letras - Portugal

A Formiga no Carreiro - Zeca Afonso
Aldeia da Roupa Branca
Canção de Embalar - Zeca Afonso
Canoas do Tejo - Carlos do Carmo
Canto Moço (Filhos da Madrugada) - Zeca Afonso
Cinderela - Carlos Paião
Dunas - GNR
Estou na lua - Lunáticos
Gaivota - Amália Rodrigues
Lusitana Paixão - Dulce Pontes
Maria Faia - Zeca Afonso
Menina estás à janela - Vitorino
Não voltarei a ser fiel - Santos e Pecadores
Perdidamente - Luís Represas
Postal dos correios - Rio Grande
Teus olhos castanhos - Francisco José
Sou como um rio - Delfins


Sou como um rio - Delfins

Eu sempre gostei de ti
eu sempre te conheci
nunca pensei que me deixasses só

eu sempre te procurei
eu nunca te abandonei
nunca pensei que me deixasses só

sou como um rio
que vive só para ti
correndo só para te ver
sou como um rio
que acaba ao pé de ti
foi sempre assim
gostar de ti

porquê que tudo acabou
o que é que para ti mudou
e agora tenho de viver sem ti

sou como um rio
que vive só para ti
correndo só para te ver
sou como um rio
que acaba ao pé de ti
foi sempre assim
gostar de ti

foi sempre assim
gostar de ti

Gaivota - Amália Rodrigues

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Maria Faia - Zeca Afonso

Eu  não sei como te chamas 
oh Maria  Faia 
nem  que nome te hei-de eu pôr 
oh Maria Faia oh Faia Maria 

cravo não que tu és rosa
oh Maria Faia
Rosa não que tu és flor
oh Maria Faia oh Faia Maria 

Não te quero chamar cravo
Que te estou a engrandecer
Chamo-te antes espelho
Onde espero de me ver 

O meu abalou
Deu-me uma linda despedida
Abarcou-me a mão direita
Adeus oh prenda querida

Canção de Embalar - Zeca Afonso

Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será p'ra ti 

Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar 

Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor 

Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu'inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer

Teus olhos castanhos - Francisco José

Teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são pecados meus,
são estrelas fulgentes,
brilhantes, luzentes,
caídas dos céus,
Teus olhos risonhos
são mundos, são sonhos,
são a minha cruz,
teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são raios de luz.

Olhos azuis são ciúme
e nada valem para mim,
Olhos negros são queixume
de uma tristeza sem fim,
olhos verdes são traição
são crueis como punhais,
olhos bons com coração
os teus, castanhos leais.

Canoas do Tejo - Carlos do Carmo

Canoa de vela erguida, 
Que vens do Cais da Ribeira, 
Gaivota, que andas perdida, 
Sem encontrar companheira 

O vento sopra nas fragas, 
O Sol parece um morango, 
E o Tejo baila com as vagas 
A ensaiar um fandango 

[refrão:]
Canoa, 
Conheces bem 
Quando há norte pela proa, 
Quantas voltas tem Lisboa, 
E as muralhas que ela tem 

[1:]
Canoa, 
Por onde vais? 
Se algum barco te abalroa, 
Nunca mais voltas ao cais, 
Nunca, nunca, nunca mais 

Canoa de vela panda, 
Que vens da boca da barra, 
E trazes na aragem branda 
Gemidos de uma guitarra 

Teu arrais prendeu a vela, 
E se adormeceu, deixá-lo 
Agora muita cautela, 
Não vá o mar acordá-lo 

[refrão]

[Guitarra]

[1]

A Formiga no Carreiro - Zeca Afonso

A formiga no carreiro
vinha em sentido contrário
Caiu ao Tejo
ao pé de um septuagenário

Lerpou trepou às tábuas (bis)
que flutuavam nas águas (bis)
e do cimo de uma delas
virou-se para o formigueiro
mudem de rumo (bis)
já lá vem outro carreiro 

A formiga no carreiro
vinha em sentido diferente
caiu à rua
no meio de toda a gente 

buliu abriu as gâmbeas
para trepar às varandas
e do cimo de uma delas
... 

A formiga no carreiro
andava à roda da vida
caiu em cima
de uma espinhela caída 

furou furou à brava
numa cova que ali estava
e do cimo de uma delas

Canto Moço (Filhos da Madrugada) - Zeca Afonso

Somos filhos da madrugada  
Pelas praias do mar nos vamos 
À procura de quem nos traga 
Verde oliva de flor no ramo 
Navegamos de vaga em vaga 
Não soubemos de dor nem mágoa 
Pelas praias do mar nos vamos 
À procura de manhã clara 

Lá do cimo de uma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Mensageira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo de uma montanha 

Onde o vento cortou amarras
Largaremos p'la noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca, brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca.

Não voltarei a ser fiel - Santos e Pecadores

Fiz-me na noite 
Actor principal 
Entrei numa peça 
Nem sei bem qual 
Hoje sou o amante 
Que te vê dançar 

Amanhã o irrante 
Que te vai deixar 

Não,  não voltarei a ser fiel, fiel 

Procuro a loucura
Na noite fingida
Esquecer mais um dia
De vida vazia 

Nem sequer já me importa
O que possas dizer
Represento a verdade
Que eu bem entender 

Não, não voltarei a ser fiel, fiel
Não, não

Estou na lua - Lunáticos

Andava eu atrás dela 
como um príncepe atrás da Cinderela 
distraído bati num lampião 
dei-lhe um pontapé e disse um palavrão 

Mas porque é que eu estou aqui? 
vou mas é para casa pôr-me a estudar 
ela nem olha para mim 
ou então finge não olhar 

Estou na Lua 
não me chateies que eu agora estou na lua 
e em breve vou chegar ao céu 
onde tu estás toda nua (nuinha), só com véu 

Lá continuei eu atrás de minha amada
como um cavaleiro que defende a espada
ao virar da esquina entrei num restaurante
tinha um emprego muito importante 

Olhei para a vitrine a ver se estava belo
passei as mãos pelo cabelo
preparei-me para entrar - Here we go!

Dunas - GNR

Dunas são como divãs  
biombos indis cretos de alcatrão sujos 
rasgados por cactos e hortelã 
deita dos nas dunas alheios a tudo 
olhos penetrantes 
pensamentos lavados 

Bebemos dos lábios refrescos gelados 
selamos segredos 
saltamos rochedos 
em câmara lenta como na tv 
palavras a mais na idade dos porquês 

Dunas como são divãs
quem nos visse deitados
cabelos molhados bastante enrolados
sacos-cama salgados
nas dunas roendo maçãs
a ver garrafas d'óleo
boiando vazias nas ondas da manhã

Lusitana Paixão - Dulce Pontes

Fado
Chorar a tristeza bem
Fado adormecer com a dor
Fado só quando a saudade vem
Arrancar do meu passado
Um grande amor

Mas
Não condeno essa paixão
Essa mágoa das palavras
Que a guitarra vai gemendo também
Eu não, eu não pedirei perdão
Quando gozar o pecado
E voltar a dar a mim
Porque eu quero ser feliz
E a desdita não se diz
Não quero o que o fado quer dizer

Fado
Soluçar recordações
Fado
Reviver uma tal dor
Fado
Só quando a saudade vem
Arrancar do meu passado um grande amor

Mas não conceno essa paixão
Essa mágoa das palavras
Que a guitarra vai gemendo também
Eu não, eu não pedirei perdão
Quando gozar o pecado
E voltar a dar a mim
Eu sei desse lado que há em nós
Cheio de alma lusitana
Como a lenda da Severa
Porque eu quero ser feliz
E a desdita não se diz
O fado
Não me faz arrepender

Cinderela - Carlos Paião

Eles são duas crianças 
a viver esperanças, a saber sorrir.  
Ela tem cabelos louros,
ele tem tesouros para repartir.   

Numa outra brincadeira 
passam mesmo à beira sempre sem falar.   
Uns olhares envergonhados   
e são namorados  sem ninguém pensar.   

Foram juntos outro dia,
como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo:
'O meu nome é Pedro e o teu qual é?' 

Ela corou um pouquinho
e respondeu baixinho: 'Sou a cinderela'.
Quando a noite o envolveu
ele adormeceu e sonhou com ela... 

Então 
Bate, bate coração   
Louco, louco de ilusão  
A idade assim não tem valor.   
Crescer
vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor. 

Cinderela das histórias
a avivar memórias, a deixar mistério
Já o fez andar na lua,
no meio da rua e a chover a sério. 

Ela, quando lá o viu,
encharcado e frio, quase o abraçou.
Com a cara assim molhada
ninguém deu por nada, ele até chorou... 

Então ... 

E agora, nos recreios,
dão os seus passeios, fazem muitos planos.
E dividem a merenda,
tal como uma prenda que se dá nos anos. 

E, num desses momenteos,
houve sentimentos a falar por si.
Ele pegou na mão dela:
'Sabes Cinderela, eu gosto de ti...'

Aldeia da Roupa Branca

Ó rio não te queixes,    
Ai o sabão não mata,   
Ai até lava os peixes,   
Ai põe-nos cor de prata.

Três corpetes, um avental,   
Sete fronhas, um lençol,   
Três camisas do enxoval,
Que a freguesa deu ao rol. 

Água fria, da ribeira,
Água fria que o sol aqueceu,
Velha aldeia, traga a ideia,
Roupa branca que a gente estendeu.
Um lençol de pano cru,
Vê lá bem tão lavadinho,
Dormindo nele, eu e tu,
Vê lá bem, está cor de linho.

Postal dos correios - Rio Grande

Querida mãe, querido pai, então que tal?
Nós andanos do jeito que Deus quer
Entre os dias que passam menos mal
Lá vem um que nos dá mais que fazer

Já chegou direitinha a encomenda
Pelo expresso que parou na Piedade
Pão de trigo e linguiça p'rá merenda 
Sempre dá para enganar a saudade

Mas falemos de coisas bem melhores
A Laurinda faz vestidos por medida
O rapaz estuda nos computadores
Dizem que é um emprego com saída

Espero que não demorem a mandar 
Novidades na volta do correio 
A ribeira corre bem ou vai secar
Como estão as oliveiras de canteiro

Já não tenho mais assunto p'ra escrever
Cumprimentos ao nosso pessoal
Um abraço deste que tanto vos quer 
Sou capaz de ir aí pelo Natal

Perdidamente - Luís Represas

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhas de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dize-lo cantando a toda a gente!

Menina estás à janela - Vitorino

Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua

sem levar uma prenda tua
sem levar uma prenda dela
com o teu cabelo à lua
menina estás à janela

Os olhos requerem olhos
e os corações corações
e os meus requerem os teus
em todas as ocasiões

[Gosto muito dos teus olhos
mas ainda mais dos meus
se não foram os meus olhos
como iria (eu) ver os teus]

[Chorai olhos chorai olhos
que o chorar não é desprezo
também a virgem chorou
quando viu seu filho preso]
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