Campanha pela volta da Pool FM
 

O ideal é a emissora entrar no lugar
a decadente "rede rock" da 89 FM

A 89 FM está moralmente falida. Não conseguindo ser uma rádio alternativa que tanto quis ser, a 89 fez erros que sua estrutura financeira impecável tenta ocultar mas não consegue.

A decadência da 89 FM vem de muito tempo. Seu declínio é até mais antecipado do que muitas rádios alternativas que foram falidas e extintas. Quem observou os rumos do radialismo rock com atenção e objetividade, pôde ver que a 89 FM sinalizou sua decadência já em 1987, quando os donos, de uma família milionária de sobrenome Camargo, decidiram corromper a "rádio rock" que implantaram no lugar que era da "Pool FM".

Esta emissora, que animava o segmento dance music (dos flertes da soul music com as pistas de dança nos anos 70, até a onda break dos anos 80) nos 89,1 mhz, surgiu em 1983 e incluiu o consagrado DJ Julinho Mazzei na sua equipe. O nome era cedido pela sócia Pool, uma famosa empresa fabricante de roupas, sobretudo jeans.

A parceria foi rompida em dezembro de 1985 (só retomada anos depois numa outra frequência), quando a emissora 89 FM buscou parceria com o Jornal do Brasil e, pegando carona no sucesso das rádios Fluminense (RJ) e 97 (SP), criou a 89 FM, já autodenominada "A Rádio Rock".

Embora a rádio se afirme como "definitiva" e ''à prova de qualquer crise no segmento rock", a 89 FM já tinha um temível odor pop desde quando surgiu. Durante os primórdios a 89, que se dizia "alternativa", na prática era apenas uma rádio de rock correta e eficaz, mas não ousada. Tinha bons programas específicos, era talvez a melhor coisa que a 89 tinha, porque a programação normal da emissora só era roqueira de fato até 1987.

Em 1987, a programação normal decaiu. Entraram os locutores engraçadinhos e a "filosofia pop" tomava conta das músicas mais tocadas. Os intérpretes alternativos, aos poucos, foram perdendo espaço, primeiro com sua divulgação se restringindo às "músicas de trabalho" e depois nem isso. As bandas "farofa", na contramão disso, ganharam mais espaço e fizeram da programação diária seu verdadeiro latifúndio.

Claro que a diluição ocorreu aos poucos. Até 1994 dava para ouvir, ao menos, alguns programas da 89, como "Rock Report", "Novas Tendências" e "Comando Metal". Mas o tempo fez com que o vírus do comercialismo, já ascendente na 89, tomasse até mesmo os programas específicos, depois que Luís Augusto Alper passou a coordenar a emissora, no final de 94.

Com Alper, a esperança de ouvir a 89 se restringiu à madrugada, quando, pelo menos, a programação era correta, ainda que longe de ser criativa. A 89 fez o estilo de radialismo rock decair de tal forma que a coisa se instituiu através de uma fórmula bastante similar ao da Jovem Pan adaptada para os clichês e estereótipos da cultura rock. Na prática, a 89 FM, cujo formato criou uma terrível "escola" para rádios como Mix FM e a carioca Rádio Cidade (esta afiliada da 89), desmoralizava os alternativos bem mais do que qualquer entidade do tipo "Tradição, Família e Propriedade", cujos integrantes devem até estar de férias ou com aposentadoria especial, porque a 89 faz todo o serviço de deturpação e ridicularização da cultura rock.

Por isso, seria melhor que a 89 FM largasse a cultura rock, trazendo de volta a velha Pool FM. Até porque de FM de dance music, a 89 FM só não tem o vitrolão, mas de locutores "poperó" a emissora está cheia, com o suporte de Alexandre Hovoruski, aquele sujeito que produziu várias coletâneas de dance baba para hoje posar de "homem do rock".

Aliás, a 89 FM e todas suas afiliadas e similares estão recebendo o repúdio cada vez mais crescente dos roqueiros autênticos que, a médio prazo, pode colocar a 89 FM nos últimos lugares de audiência. Sabemos todos que qualquer hipótese de largar o rock irrita os profissionais da 89, mas a pretensão deles tem seu preço, e ele é muito caro.

A campanha tem as seguintes reivindicações:

- Em primeiro lugar, a conversão da "rede rock" da 89 FM na "rede Pool", o que significa a subsituição do perfil pretensamente roqueiro pelo perfil dance music, com ênfase aos clássicos soul dos anos 60, à disco music e ao funk autêntico dos anos 70 e ao pop romântico dos anos 60, 70 e 80. É algo como uma Jovem Pan nos seus momentos mais dançantes, mas numa perspectiva próxima à da Antena Um, só que com a locução pop que aqui se encontra no segmento certo (afinal, qual locutor bem animado se sentirá bem diante de um repertório barra-pesada do rock, que ele só finge gostar porque ganha um bom salário?).

- Do contrário que a rádio de rock Fluminense (RJ) que, para ser reativada, mudou de sintonia (do FM para o AM), a Pool FM deve voltar EXATAMENTE NA MESMA FREQUÊNCIA que surgiu, os 89,1 mhz do dial de São Paulo, o que significa que suas afiliadas, a Rádio Cidade do Rio de Janeiro e a 103 FM de Sorocaba, devem seguir a mesma conduta.

- Com a Rádio Cidade, a mudança irá trazer um detalhe essencial: a emissora, embora hoje se autoafirme "A Rádio Rock", se consagrou como FM de dance music quando surgiu, em 1977, segmento que foi integralmente abordado pela emissora até 1984. A volta da Rádio Cidade à dance music irá recuperar a moral da emissora antes da comemoração dos 25 anos, em maio de 2002, para os quais a conduta pretensamente roqueira anula completamente a celebração.

LEMBRE-SE: A retomada da programação dance não segue exatamente o formato dos anos 90, que priorizava mais as chamadas "armações" de produtores europeus. Aqui não se pede para a rede Pool se concentrar em bobagens como Aqua, Vengaboys e DJ Bobo, nem fique tocando Backstreet Boys e Britney Spears cinquenta vezes ao dia, embora algumas cafonices e comercialismos sejam admitidos neste segmento, como tocar Village People, La Bionda, Boys Town Gang. Também algumas coisas consideradas "pop rock" nacionais e internacionais, que não sejam associadas aos estigmas do rock, podem ser incluídas, como Pato Fu, Jota Quest, Kid Abelha, Bon Jovi, Dido, Cássia Eller, Cidade Negra, Big Mountain, Bryan Adams.

As reivindicações tem que ser rigorosamente atendidas, afinal ninguém quer que a rede Pool FM seja remanejada para a frequência da Nativa FM (que já ocorreu antes) ou para a Jornal do Brasil AM no Rio de Janeiro, o que se quer é que a "rede rock" se desfaça, até porque aqueles radialistas de nome Zé Luís, Cadu, Régis, não têm o menor compromisso com o rock, no fundo são locutores pop que por um bom salário encenam o papel de supostos "especialistas em rock".

A preservação da chamada "rede rock" só causará problemas, uma vez que o público autenticamente rock condena duramente essa programação estereotipada que vê o roqueiro como "imbecil", "alienado", "punheteiro drogado" e outros adjetivos paródicos. Então, se é para não ajudar, então a 89 FM e suas afiliadas / similares nem deveriam atrapalhar. É mil vezes mais aceitável alguém condenar o rock do que usurpá-lo visando interesses escusos. Pelo menos quem condena o rock está sendo sincero no seu reacionarismo ideológico.

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