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INFLAÇÃO X TAXA DE JUROS


O "LAJIDA" (Lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ou originalmente "EBITDA" (Earning before interest, taxes, depreciation and amortization) é um indicador de uso recente no Brasil para medir o desempenho operacional das empresas.

Muito bem, isto é o que dizem aqueles que trazem indicadores adotados em outros países para serem usados no Brasil.

Na realidade o LAJIDA, indica a capacidade de pagamento de dívidas (amortização do principal de financiamentos tomados junto ao mercado financeiro, para realização de programas de expansão das empresas) e dos juros decorrentes dessas dívidas.

O LAJIDA é o lucro das operações sociais da empresa adicionados dos custos de depreciação e amortizações que são despesas econômicas e não financeiras, portanto, não oneram o caixa das empresas.

Suponhamos uma empresa que tenha o seguinte perfil de endividamento relacionado a financiamentos:

Dívidas de curto prazo (Vencíveis em até 360 dias da apuração)... UM$   580
Dívidas de longo prazo (Vencíveis após 360 dias da apuração)...... UM$8.000
Dívidas totais............................................................................ UM$8.580

Para simplificar os cálculos, vamos supor que as dívidas de curto prazo vencerão no último dia do período designado.

Se a empresa contratou as dívidas a uma taxa de 10% ao ano, ela terá que disponibilizar no final do exercício UM$858, para pagar juros mais UM$580, para quitar as dívidas de curto prazo, totalizando UM$1.438.

UM$1.438 mais os impostos sobre os lucros das operações da empresa, somados às despesas com depreciação e amortização é o LAJIDA mínimo para que a empresa seja considerada saudável, quando este indicador é usado para avaliá-la. Nota-se que o acionista já está chupando o dedo diante deste indicador, o capital do acionista é considerado capital de risco, portanto não cabe no LAJIDA.

E o que tem a inflação e a taxa de juros a ver com isso?

Conceitualmente, nos bancos das escolas, diz-se que o mercado é que faz o preço dos produtos. Que o consumidor é quem dá as cartas e muitas outras balelas relacionadas à lei de oferta e procura. É o que se diz nas escolas.

Se o mercado tende a comprar mais do que se produz, os preços sobem e acontece a inflação de demanda. O equilíbrio volta a acontecer quando os produtores aumentam a oferta. No Brasil, não necessariamente, isso acontece. Basta que se veja os estoques nos pátios das montadoras de veículos.

Juntando as peças:

Vamos agradar os agentes financeiros, os acionistas, o governo com sua voracidade de arrecadar impostos, o governo como guardião da inflação baixa.

Qualquer ilusionista diria:
- Não dá para fazer esta mágica.

Na coxia alguém grita:
- O consumidor consegue fazer esta mágica!

Ironicamente quem gritou na coxia sussurra para alguém ao seu lado:
- O consumidor paga a conta e ficamos todos felizes.

Supondo que o acionista queira uma remuneração por seu capital de risco equivalente à taxa básica de juros, que os agentes financeiros cobrem uma taxa de risco de 3% acima da taxa básica, quando emprestam dinheiro a uma empresa, como ficaria o preço para o consumidor final dos produtos daquela empresa?

Vamos supor uma empresa que fabrica um mil de unidades de um único produto. Com um capital social de UM$500.000. Cada produto tem o custo de produção de UM$1.000 portanto seu custo de produção total é de UM$1.000.000. A empresa tem dívidas de curto prazo no total de UM$150.000 e de longo prazo no total de UM$1.250.000. O imposto de renda e contribuição social sobre os lucros é de 25%. Qual deverá ser o preço de venda de cada unidade do produto desta empresa para atender o mercado financeiro, os acionistas, o governo, considerando a taxa básica de juros?


Impacto na Inflação quando a curva da Taxa Básica de Juros, no Brasil a Taxa SELIC, evolui de um valor menor para um maior

Taxa Básica
de Juros

Lajida UM$

Preço unitário
de Venda UM$

D% anual na inflação
s/patamar anterior

10% 294.200 1.259  
11% 308.620 1.285 2,023
12% 323.040 1.311 1,983
13% 337.460 1.337 1,945
14% 351.880 1.363 1,908
15% 366.300 1.388 1,801
16% 380.720 1.414 1,865
17% 395.140 1.440 1,806
18% 409.560 1.466 1,798
19% 423.980 1.492 1,743
20% 438.400 1.518 1,713
Se considerarmos uma Taxa de Inflação Anual de 10% quando a Taxa Básica de Juros está no patamar de 10% ao ano um aumento da Taxa Básica para o patamar de 20% ao ano empurraria a Taxa de Inflação Anual para 12,06%.

Impacto na Inflação quando a curva da Taxa Básica de Juros, no Brasil a Taxa SELIC, evolui de um valor maior para um menor

Taxa Básica
de Juros

Lajida UM$

Preço unitário
de Venda UM$

D% anual na inflação
s/patamar anterior

20% 438.400 1.518  
19% 423.980 1.492 -1,736
18% 409.560 1.466 -1,766
17% 395.140 1.440 -1,798
16% 380.720 1.414 -1,831
15% 366.300 1.388 -1,865
14% 351.880 1.363 -1,900
13% 337.460 1.337 -1,937
12% 323.040 1.311 -1,976
11% 308.620 1.285 -2,015
10% 294.200 1.259 -2,057
Se considerarmos uma Taxa de Inflação Anual de 10% quando a Taxa Básica de Juros está no patamar de 20% ao ano a redução da Taxa Básica para o patamar de 10% ao ano empurraria a Taxa de Inflação Anual para 8,29%.

Se em muitos países a taxa básica de juros é um instrumento útil de frear a inflação, impulsionar o desenvolvimento, no Brasil, precisamos rever esses conceitos. Aqui, os números indicam que, como instrumento de freio da inflação, este freio está sem fluido, e a lona totalmente gasta. Como instrumento de desenvolvimento ao que tudo indica, seremos o primeiro país do mundo a voltar a praticar o escambo para sobreviver. As altas taxas de desemprego, a velocidade com que a renda das pessoas vem caindo é um sinal que nem um coma induzido reverterá a falência total dessas pessoas e a célula menor de uma nação coincidentemente é a pessoa.

JTTFilho 28/09/2003


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