Palio Ex 1.0 8v "Fire" 2000/01 - Avaliações.
O novo Fiat Palio Ex 1.0 mpi, com motor 1.0 de 8 válvulas, é uma excelente opção entre os 1.0. Comprado em 19 de outubro de 2000, logo após o lançamento, tendo como opcional apenas a pintura metálica, é o modelo de entrada da nova linha Palio, tendo como alternativas mais barata na linha Fiat o Palio Young (similar ao EX da linha antiga) e o Uno Mille Smart.
Devemos levar em consideração, inicialmente, a evolução do Palio EX em relação à sua geração anterior. O carro subiu de padrão de acabamento (e conseqüentemente de preço), porém as mudanças acabam compensando. Além do novo visual, com faróis dianteiros com lente de policarbonato transparente e duplo refletor, mais eficientes, devemos destacar o novo design da traseira, que eliminou o antigo ressalto arredondado, fonte de reclamações de vários proprietários de Palio , por sua facilidade em sofrer danos durante manobras devido a seu formato abaulado. O novo conjunto ficou muito agradável, e a sensação de semelhança com o Gol, da Volkswagen, muito comum ao observar fotos do carro, desaparece totalmente quando o carro é visto de perto.
O acabamento interno melhorou muito de qualidade. Destacamos inicialmente o novo design do painel, agora com iluminação laranja e que inclui termômetro de água (não existente na versão EX anterior e ainda inexistente na Young), com botões do tipo "soft touch" (apenas um toque aciona, grosso modo, similar a um "clique" de mouse) e temporizador dos faróis de série. Além disso, o revestimento das portas, que anteriormente deixava uma parte da lataria exposta , agora é integral, e os pára-choques são pintados na cor da carroceria, eliminando aquela sensação de carro "pé-de-boi" existente na linha anterior do Palio. Calotas integrais (pneus 155/80x13 no EX) são de série, bem como a preparação (fiação e antena de teto apenas) para som, o conjunto limpador/desembaçador traseiro e os vidros verdes (de série em todas as versões). Porém ainda faz falta a faixa degradê no pára-brisa, não disponível nem como opcional. Outra falha é a ausência dos porta-mapas nas portas, que deveria vir de série já que o carro vem com a fiação para som, ainda que sem alto-falantes. Apenas para constar, a versão básica do Palio ELX 1.0 16v vem com a preparação de som sem falantes , similar à do EX básico, mas já vem com os porta-mapas.
O carro, embora 1.0, tem boas respostas. Para quem saiu de um carro completo com motor 1.6 (anteriormente dirigia um Tipo 1.6 i.e. importado), não há tanta diferença no desempenho. A pouca diferença, é rapidamente acostumável, e o ganho de consumo compensa. Na estrada, ele também não decepciona, tendo um bom torque para um carro 1.0, e não requerindo tantas esticadas e reduções de marcha como a versão anterior do Palio.
O novo motor, aliás, merece um capítulo à parte. Apesar de ser menos potente (6cv a menos) que o antigo motor Fiasa, possui um torque ligeiramente maior, que vem a rotações mais baixas, o que deixa o carro muito agradável de dirigir. Os donos de Palio com motor Fiasa conhecem muito bem a história: para fazer o carro andar bem, tem que reduzir e esticar as marchas e acelerar muito. Como resultado, o carro acaba bebendo demais. Com o novo motor Fire (o 1.0 8v que equipa o EX não tem o sistema drive-by-wire das outras versões, utilizando o tradicional acelerador com cabo) , esse problema é parcialmente eliminado. Podemos dizer que enquanto meus conhecidos com Palios de motor Fiasa nunca conseguem marcas de consumo melhores que 14 km/l, o meu em nenhuma vez, em seus 17 mil km, conseguiu uma média pior que 13,8 km/l, rodando normalmente com média entre 15 e 16 km/l. Na estrada, consegui a excelente média de 19,0 km/l a 100 km/h constantes, o que é um número digno de envergonhar qualquer Peugeot 106...Para entender o que estou dizendo, isso significa que saí de Brasília com destino a Pirenópolis (170 km) e voltei no mesmo dia, depois de passear um bocado na cidade, e o tanque estava um pouco abaixo de 3/4 do total, depois de rodar uns 368 km. Além disso, como não há a necessidade de "esgoelar" o carro para ele andar satisfatoriamente, o rodar dele é bem silencioso, o que aumenta o conforto a bordo.
A direção é mecânica, a assistência hidráulica realmente não faz falta (mesmo levando em consideração que os pneus 155/80x13 originais do carro foram trocados por larguíssimos 195/50x15) , o que indica que se o novo Palio já é macio sem a direção hidráulica, deve ser uma delícia quando equipado com a mesma.
A ergonomia é quase perfeita, todos os comandos estão à mão e a posição do rádio é a ideal. Cintos de três pontos para 4 passageiros (os dianteiros, retráteis e com regulagem de altura, os traseiros fixos com central subabdominal) ajudam para a segurança, porém não dá pra entender porque os encostos de cabeça traseiros não são de série. Da mesma forma, não dá para entender porque os cintos traseiros não são retráteis.
A estabilidade é espetacular, o carro é excelente nas curvas. Os freios são muito bem calibrados, e o carro não desliza de jeito nenhum. Os pneus mais largos (não originais) com certeza colaboram para isso.
Como pontos negativos, devo ressaltar os bancos (confortáveis, mas não dão muita firmeza, além de ter um estofamento macio demais, que se solta da estrutura com muita facilidade) , e o sistema de rebatimento do banco traseiro, que embora dê a vantagem de trazer um assoalho plano para as cargas, é realmente chato de colocar de volta no lugar.
O carro está atualmente com 17 mil km, e o único defeito apresentado foi de fabricação, na luz interna, e que foi rapidamente resolvido apenas usando uma chave de fenda. Até mesmo o consumo de óleo está bem abaixo do previsto pelo fabricante no manual do proprietário.
Teste por Ubiratã Muniz da Silva - Proprietário