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MR. CATRA, MARCOS MION, JULIANA PAES E A MENTIRA DO
"FUNK" Questionamos três fatos atribuídos a uma suposta reafirmação do sucesso do ritmo popularesco PALAVRAS-CHAVE: "Mr. Catra" + "faraós do funk", "Mr. Catra" + "portal Ego", "Ego" + "Globo.com", brega + popularesco, "funk" + popularesco, "funk" + "música brega", mídia + poder. Há algumas semanas, o MC do "funk carioca", Mr. Catra, denunciou a existência de um esquema de exploração do "funk carioca" pelos empresários das equipes de som, que o funkeiro classificou como "faraós do funk". O que o Mr. Catra, ou MC Catra, falou é mais do que óbvio. A ascensão do "funk carioca" se deu justamente pelo poderio dos "faraós do funk", ou seja, os empresários das equipes de som, que na sua terceira investida nacional no "modismo funk" - as duas anteriores foram entre 1990-1992 e 1999-2001; o modismo recente, ainda em voga, vem desde 2003 - , adotou uma retórica "socializante", copiando sobretudo o discurso "sociológico" que vemos em projetos como o Criança Esperança, da Rede Globo, aliás a maior parceira dos empresários funkeiros para a "nacionalização" do fenômeno. O "funk" se tornou a maior armação do poderio da Rede Globo, que muitos julgavam ter morrido com Roberto Marinho ou, no máximo, ter se confinado no Jornal Nacional. Por isso Mr. Catra não causa surpresa e não vai salvar a Música Popular Brasileira com sua denúncia e com sua promessa de fazer um "funk independente". Musicalmente, Mr. Catra não difere muito do que os maiores vassalos dos "faraós funkeiros", como MC Serginho e MC Créu, fazem. E o Catra ainda conta com a "assistência" das dançarinas "popozudas", como o Créu faz. A bronca de Catra - que foi "queridinho" da revista de Lobão, Outra Coisa, num grande erro cometido por um veículo de imprensa nanica - apenas revela o quanto é competitivo o mercado do popularesco - muito cruel para um universo musical que fala tanto em "inclusão social" - e que só uma parte participa do banquete do "sucesso", o que não significa que os prováveis excluídos virem "heróis" pela "injustiça" que acabam sofrendo. IRÔNICO - Marcos Mion, em seu blog, havia feito críticas às cantoras de MPB eclética. Classificou a música que elas fazem de chata e, aparentemente, recomendou a toda mulher que, pelo menos uma vez na vida, dançasse o "créu", a moda lançada pelo funkeiro MC Créu. O site Terra Gente, portal do provedor Terra dedicado às celebridades, na boa fé publicou nota declarando que Marcos Mion aprovou, a sério, o "funk carioca" e principalmente a sua manifestação mais grotesca, a onda do Créu, que derrubou qualquer ilusão de que o "funk" era o "novo folclore", a "verdadeira MPB" e outras baboseiras. Sem saber, o Terra Gente caiu na maior pegadinha. Marcos Mion é um humorista. Evidentemente sua missão não é dar um julgamento "científico" à cultura brasileira. Além disso, ele apresentou o programa Piores Clipes do Mundo, da MTV, que foi um verdadeiro festival de iconoclastia em relação ao mainstream brasileiro. Ora, um cara que foi capaz de mandar para o ostracismo o grupo de sambrega Molejo - um dos mais ridicularizados no Piores Clipes - , não iria defender, a sério, algo tão cômico quanto o MC Créu e suas musas popozudas. Foi uma incoerência, da parte da equipe do Terra Gente, levar a sério um comentário tão irônico como este. CONTRATO - Aparentemente, a atriz Juliana Paes, que começa a se desvincular da imagem de "gostosona" até porque já está de casamento marcado com um namorado de longa data, foi, com o noivo em questão, por "livre e espontânea vontade", para um evento de "funk" promovido pela equipe Furacão 2000. A aparição "espontânea" de Juliana num "baile funk" contradiz os projetos dela em se tornar uma mulher sofisticada, livre da imagem de "boazuda" que o mundo funkeiro tanto cultiva, sobretudo em tempos de "créu". Outras pessoas e sites - como o Faxina Cultural - já começam a falar que atores de televisão comparecem a eventos popularescos - como os da axé-music, do breganejo e do "funk carioca" - não porque gostam destes estilos, mas porque seguem contratos entre seus respectivos empresários. Em muitos casos, os atores detestam os estilos musicais associados aos eventos que têm que comparecer, mas têm que "dançar conforme a música". Segundo contam essas pessoas, o comparecimento "espontâneo" de ídolos jovens de TV a uma micareta e ao Carnaval baiano em cima de um trio elétrico específico, ou a uma vaquejada no interior do país, ou a um "baile funk", não é mais do que um compromisso de obrigação contratual. O processo seria o seguinte. Para se manter em evidência, o ídolo da TV tem que aparecer nestes eventos e até aderir a rituais constrangedores, como dançar o "créu" ou sorrir ao lado de gente como Bell Marques, do grupo Chiclete Com Banana. Como bom ator ou boa atriz, o ídolo em questão tem que cumprir todo o ritual da festa, nem que seja para "dançar até o chão" ou "sair do chão", conforme o evento que for. Ou então tem que cantar, com lágrimas fingidas, os principais sucessos de axézeiros, pagodeiros ou breganejos. Se o ídolo se recusar a comparecer a estes eventos, além de perder o cachê respectivo a cada evento, corre o risco de ser boicotado pela emissora de televisão. A atriz pode perder, além do papel de destaque na próxima "novela das oito" da Rede Globo, contratos mais refinados, como propaganda de produtos cosméticos, de grifes de roupas e outras coisas. Atores e atrizes que recusam ir a eventos popularescos ganham fama de "difíceis" nos bastidores do showbiz e o risco desses atores caírem no ostracismo é muito grande, dentro de um mercado competitivo. Se a atriz tal, de 29 anos, não se passar por funkeira num evento que a "convidou", além dela ser boicotada pelo mercado televisivo, com sua fama de "difícil" se espalhando pelas emissoras concorrentes, o cenário será perfeito para essa atriz entrar na "geladeira" (gíria usada para famosos que ficam na sala de espera para alguma atividade televisiva que lhes convidar) e dar lugar a uma ascendente atriz do seriado Malhação que estará prestes a fazer um papel comovente na "novela das oito". |