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Afluentes corpóreos

sobre Corpo e Pele (limites e porosidades)

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Afluentes – um rio que desagua em outro, converge em fluxo. O corpo sitiado neste, é conduzido, arrastado, indagado.Um corpo sonoro ou quase, que exprime sua intimidade; nossa intimidade sonora. Um quase som, bocejo, respiro, grito, sussurro, gemido; o bebê, antes da fala, exprime estes sons, querendo dizer algo.

Este corpo presente, retorcido... coberto e descoberto por pele cujas impressões digitais imprimem sua autenticidade, ressoa junto às suas torções. Ruídos extravazam continuamente evocando imagens: um velho, uma criança, o feminino, o inanimado, ora consciente, ora inconsciente, como um corpo que dorme e produz ruídos e dobras de peles, ossos, vísceras. Um corpo inquieto que transita entre o macrocosmo e microcosmo, precisando se comunicar, sem uma gramática ou língua. Uivos necessários.

"As palavras não comunicam tudo que sinto"-------Antonin Artaud

Um mundo comparado ao dos surdos-mudos, sem uma programação linguística e congêneres. Sons entrecortados afetam invadem com seu corpo não habitual, mas sim um outro corpóreo. Outramentos: esta palavra vinda de Fernando Pessoa, designa as nossas personalidades que surgem a cada segundo de forma diferenciada. Como o devir "deleuzeano", que nos arrasta para campos de potência existencial.

Este campo pessoal de pesquisa surgiu na Faculdade de Comunicação e Filosofia da PUC de São Paulo no Curso de Comunicação e Artes do Corpo.

Meu primeiro interesse era de observar de perto e microscopicamente a pele e sua elasticidade, linhas, desenvolvimento embrionário, e como isso estava presente na Arte e Filosofia. Como estava e está inserido artisticamente no mundo. O que mais me chamou atenção foram as performances de Butô, onde este corpo retorcido e degradado tem poderes de afetar diversas culturas, por estar tratando do corpo humano que nasce, cresce e morre; Higikata o pioneiro no pensamento Butô pensou neste corpo; um corpo que perdura num vazio fértil; como se fosse um ventre materno não fecundo, mas com toda potencialidade para SER. Não pretendo fazer Butô, mas sim levar parte deste pensamento para meu corpo.

Como dar proximidade a este corpo? A câmera de vídeo captou os micromovimentos e som corpóreo. Através de anos de colagem e junção de material, estes elementos transformaram-se em um cenário virtual do meu corpo transeunte e presente para os expectadores. Todos, artista e espectadores, estão mergulhados numa instalação feita por elásticos. Ligia Clark é a mentora destes elásticos manufaturados transformados em arte.

 

 

 

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