Meu irmão Maurício, teve dores abdominais no dia 08/06/03 e no dia seguinte procurou o Hospital Pró Saúde ficando em observação, sendo realizados exames.
No dia 11 de Julho de 2003, constatou-se que aquela dor era sinal de infecção e como nos exames do ultra-som não foi constatado onde era a causa do problema, suspeitou-se tratar de problemas no apêndice. Foi encaminhado para cirurgia e o corte foi feito mais ou mesmo na parte superior do abdome e ao se fazer à incisão constatou-se que o problema na realidade era divertículite, sendo que um divertículo estava inflamado no intestino. Foi necessário retirar-se parte do intestino e colocar-se a colostomia, onde o intestino é desviado de seu curso normal, sendo feita uma abertura no abdome e ali colocada uma bolsa para coleta das fezes. Tal cirurgia foi realizada no Hospital do Convênio Pró-Saúde pelas Dras. Tâmara e Paola.
Em 19 de Outubro de 2003, Mauricio internou-se novamente com a finalidade de fazer o fechamento da colostomia e a religação do intestino para que pudesse defecar pelos meios naturais. Tal internação foi feita no Hospital São Luiz e a cirurgia de religamento foi realizada pelo Dr.X . Em 21 de Outubro foi submetido à cirurgia acima mencionada, a referida cirurgia ocorreu sem qualquer anormalidade. Conforme informou o Dr. X logo após o termino da mesma.
Porém, no mesmo dia, ao sair do CC e ser passado da maca para a cama, começou a vazar um "liquido" com sangue, a equipe de enfermagem, fez ligação telefônica para o Dr. X, informando que o curativo estava sangrando e molhando a cama, sendo autorizado a troca do curativo e mantendo a medicação anteriormente prescrita. Bom ressaltar que tal orientação foi dada via telefone e que o Dr. X não acompanhou mais de perto o pós-operatório de Mauricio.
Na visita feita após as 18 horas naquele dia, o Dr. X afirmou que era desnecessária a ligação telefônica feita para ele porque era absolutamente normal vazar sangue no pós-operatório e as próprias enfermeiras poderiam cuidar disso sem sua supervisão. Quando eu disse que o vazamento era tamanho que molhou a cama e pingava no chão o Dr. X disse que isso era normal e que as enfermeiras "não sabiam de nada" e "ficaram assustadas à toa". Tal vazamento ocorreu quando da transferência de Mauricio da maca da sala de cirurgia para a cama no quarto. As enfermeiras assustadas com o vazamento tão forte telefonaram e tal procedimento não foi por não saberem de nada, mas por estarem assustadas com algo que não viam normalmente ocorrer, pela quantidade de líquido que saia do corte cirúrgico e do curativo.
Em 22 de Outubro de 2003, começou a febre, novamente de acordo com o prontuário médico, Mauricio apresentou hipertermia (febre alta) de 39,5º e hipertensão (pressão alta) de 18x10. A ligação telefônica para o Dr. X teve que ser reiterada, uma vez que não houve retorno da primeira ligação, e prescreveu-se, por telefone, o medicamento Capoten 25mg, sem porém que o Dr. X sequer tivesse olhado o paciente. Tal informação foi transmitida pela secretaria do consultório do Dr. X e não por ele pessoalmente ou por telefone diretamente à equipe de enfermagem. ( consta no prontuáro)
Neste intervalo foi recebido o resultado do exame anátomo-patológico da boca da colostomia e detectou-se um processo inflamatório crônico leve. Ou seja, isso significa, que a primeira cirurgia feita pelas Dras. Tâmara e Paola estava absolutamente perfeita e que não haveria qualquer motivo de preocupação concernente a mesma, nada indicando que houvesse qualquer infecção anterior que pudesse agora estar provocando tal hipertermia e hipertensão.
No mesmo dia 22 de Outubro, á tarde, durante a visita diária do Dr. X, argumentei que estava preocupada com a febre alta de Mauricio e o Dr. X disse que isso era absolutamente normal depois de uma cirurgia de tal magnitude. A partir deste instante passei a monitorar a temperatura de Mauricio e constatei que ela não voltou mais a ser normal e variava entre 37,2 até 37,8. Confrontando o Dr. X com esta informação o mesmo disse que tal temperatura não caracterizava nem febre, nem estado febril.
Foi confrontado com a pergunta relacionada ao que todos sabem. Quando existe febre existe infecção. Será que não seria o caso de exames mais aprofundados? O Dr. X disse que isso era absolutamente desnecessário.
Dentro dessa internação, enquanto estava presente meu outro irmão, o Dr. X determinou a retirada da sonda nasogástrica e Maurício disse que sentiu que algo "estourou" dentro dele. O Dr. X simplesmente sorriu.
Mais ainda, meu irmão referia dores abominais intensas que partiam do abdômen e subiam para o lado esquerdo do tórax. O Dr. X dizia que aquilo era resultado de gases e que seria resolvido quando meu irmão andasse um pouco, mas meu irmão estava impossibilitado de fazê-lo, assim a dor continuava. Exames para diagnosticar se havia alguma coisa mais grave com Mauricio não foram feitos, nenhum ultra-som, nem radiografia depois da cirurgia.
No dia da alta médica foi novamente dito por mim ao Dr. X que o paciente não estava bem, continuando a referir fortes dores abdominais e praticamente impossibilitado de caminhar, o que foi completamente ignorado pelo Dr.X , que sem dar qualquer atenção às queixas de Mauricio simplesmente perguntou se ele queria ir embora para casa, então Mauricio respondeu que sim - que se aquelas dores eram normais ele preferia estar em sua casa, o que é bem natural, pois o ambiente hospitalar é peculiarmente opressivo. O Dr. X então respondeu: "Vou dar alta para você." Eu disse ao Dr. X, novamente: "Como você pode dar alta a ele com essas dores e a febre?" Irritado o Dr. X voltou a dizer que não era febre e que a dor era normal, e quem era o médico, eu ou ele.ao que respondi. "Se você, que é medico, acha que não há nada de errado quem sou eu para dizer o contrario". Assim mesmo contrariada aceitei sua alta, embora continuasse a dizer para o Dr. X que ele não tinha condições para tal.
Mauricio recebeu alta médica no dia 25/10/2003, referindo ainda estar com muitas dores. Tais dores não desapareceram em nenhum momento depois da cirurgia. Pelo contrário, naquele mesmo dia foi levado para sua residência e as dores foram aumentando. Desde o dia 19 até o dia 23 de Outubro ele ficou em quase completo jejum, primeiro por causa da cirurgia depois por causa da dor. Cerca das 22 horas do dia 25/10 liguei para Dr. X dizendo que meu irmão estava com fortes dores e este disse que se houvesse algum remédio em casa que servisse como analgésico deveria ser dado ou senão deveria ser-lhe aplicada uma injeção de Voltarem. Me Perguntou se Mauricio estava andando e lhe respondido que ele continuava no mesmo estado que se encontrava no Hospital, ou seja, sem condições de mobilidade, com fortes dores, e com a temperatura acima de 37º e o Dr. X informou que estava cansado de dizer que 37º não era febre, nem estado febril.No dia 26, voltei a entrar em contato novamente com o Dr. X, pois Mauricio estava cada vez pior, pedi para que ele viesse até minha casa para ver Mauricio, pois o mesmo estava até chorando de dor, e o Dr. X respondeu que não poderia ir, que se eu quisesse, que o levasse ao hospital. Eu disse que Mauricio não estava conseguindo nem se mover na cama, e que pagaria pela consulta se fosse necessário, mas o Dr. X continuou a afirmar que não viria, que eu "desse um jeito". Foi assim que chamei o SAMU. (Serviço de Atendimento Municipal de Emergência) Mas lá me disseram que não poderiam vir, por que não era emergência, que deveria ligar para a ambulância, mas eu acreditava que ele necessitava deum transporte com mais recursos, então liguei para o chefe o Dr. Agnaldo, e ele autorizou o atendimento.
referindo fortes dores abdominais. Foi novamente internado, tendo sido admitido com temperatura de 39º, o que caracteriza febre alta, própria de processo inflamatório e infeccioso. O trajeto entre o bairro Narciso Gomes, residência de Mauricio, e o Hospital precisou ser feito em 25 minutos, tamanha a intensidade das dores de Mauricio. Normalmente tal trajeto pode ser perfeitamente coberto em menos de 10 minutos. Bom lembrar que durante o trajeto Mauricio necessitou utilizar durante todo o tempo máscara de oxigênio.
Na recepção do Hospital São Luis a médica plantonista que atende Mauricio informa que não poderia dar-lhe nenhum remédio para dor porque ele estava muito distendido e provavelmente ele iria direto para o centro cirúrgico. O Dr. X apareceu, retirou a borracha externa do dreno, cheirou esta borracha e pediu que fossem tiradas radiografias e feita a internação. Ato contínuo foi embora do Hospital sem sequer ver o resultado das radiografias. Mauricio continuava com fortes dores. Pediu a uma médica que lhe desse algum sedativo para dormir, mas a médica disse que precisavam contatar o Dr. X. Mauricio chorava e implorava, mas em vão. O Dr. X não apareceu mais naquela noite. Houve muita demora neste atendimento. Mauricio chegou ao Hospital por volta das 21:30 horas e somente foi medicado para atenuar suas dores por volta das 23:00 horas. Durante esse período gemia e chorava de dor.
Naquela noite as enfermeiras insistiram em colocar sonda nasogástrica no Mauricio e ele não agüentava a dor e desta forma não conseguiam colocá-la. Ele implorava por uma anestesia ou um sedativo e elas diziam que não era possível e que este procedimento, da colocação da sonda, havia sido prescrito pelo Dr. X. Tentaram colocar a sonda por 5 (cinco) vezes, com excruciante dor para Mauricio.na primeira tentativa da colocação da sonda começou novamente a vazar nos pontos da cirurgia. Novamente uma grande quantidade de liquido que vazava da cirurgia que molhou novamente os lençóis, necessitando ser trocado várias vezes. Foi chamada a médica plantonista daquele corredor e a mesma apenas medicou Mauricio com Dramim e Buscopan. Pedi que as enfermeiras ligassem para o Dr> X, elas me diziam que já havia ligado, e que ele ordenou que se passasse de qualquer jeito essa sonda, pedi que as enfermeiras parassem o procedimento da colocação da sonda e telefonassem para o Dr.X, mesmo assim as enfermeiras continuavam tentando colocar a sonda e diziam que haviam telefonado mais de três vezes para o Dr.X e segundo elas o médico insistia no procedimento dizendo que após a colocação da sonda as dores desapareceriam. Esses fatos foram presenciados em parte pela minha outra irmã Vanilda, eu não agüentava mais ver o sofrimento do meu irmão, que chorava e me pedia pra levar ele embora, pra morresse em paz, e em casa.
Cerca de 4 horas após a última tentativa de colocação da sonda o Dr.X apareceu no quarto. Mauricio disse que não suportava a colocação da sonda sem um anestésico ou sedativo. O Dr.X disse que era óbvio que ele não agüentaria. Então perguntei porque o paciente foi praticamente torturado durante a noite inteira. O Dr. X disse que na primeira ligação telefônica havia informado que este procedimento não deveria mais ser realizado, alegação esta negada pelas enfermeiras. Ao ser indagado sobre a necessidade de nova cirurgia desconversou. E disse que iria ver o RX, foi através da enfermagem que ficamos sabendo que ele voltaria para o CC para nova cirurgia.
não recebemos qualquer explicação sobre o porque daquela cirurgia. Do nosso ponto de vista, a única coisa que ocorria com Mauricio é que ele tinha gases na região abdominal e com essa informação e expectativa é que aguardarmos a cirurgia.o (ULTRA PEDIDO NO ATO DA INTERNAÇÃO, SÓ FORAM FAZER DEPOIS QUE MEU IRMÃO JÁ ESTAVA NO CC), Mauricio foi levado ao Centro Cirúrgico do Hospital. Conforme o documento de fls. 39V tal procedimento seria uma revisão da hemicolactomia, ou seja, da retirada da colostomia e religação do intestino. Durante o procedimento Mauricio teve uma parada cárdio-respiratória e foi encaminhado ao Centro de Terapia Intensiva (CTI). Enquanto a família aguardava o médico para perguntar sobre como havia sido a cirurgia perguntei a enfermeira Marili o que havia de fato acontecido para necessitar da cirurgia. Esta enfermeira entrou no Centro Cirúrgico e informou que o problema era de deiscência de anastomose, que significa que um dos pontos da cirurgia de religação do intestino feita pelo Dr. X havia se rompido (Relatório anexo fl. 42). Após a cirurgia e sem o conhecimento de que o Mauricio houvera sofrido uma parada cardíaca, indaguei ao Dr. X como havia sido a cirurgia. Ele disse: "Voltamos a estaca zero, ele voltou a usar a colostomia"."foi um divertículo que FOI TIRADO que inflamou de novo" Nesta ocasião minha irmã Elizabeth estava comigo, Em nenhum momento o Dr. X informou que o Mauricio houvera sofrido uma parada cardíaca, durante a cirurgia, negando informação vital. Da mesma maneira o Dr. X disse que o divertículo que houvera sido extirpado na primeira cirurgia é que tinha infeccionado de novo, como se isso fosse possível, uma vez que tal divertículo foi retirado. Somente após conversa com o cardiologista Dr. Agnaldo Pispico é que me foi prestada tal vital e determinante informação. Uma das médicas da CTI, Dra. Julia, em conversa com a requerente confirma que o problema que resultou na cirurgia foi realmente o rompimento de um dos pontos da religação. Por não receber qualquer informação do Dr. X e ter ouvido explicação que era impossível de acontecer. liguei para um medico conhecido, Dr. Carlos Sanches e pedi conselho e ajuda, relatando tudo o que havia ocorrido com meu irmão e as mentiras contadas pelo Dr. X fui aconselhada a ir até o consultório do Dr. X e pedir maiores explicações, pois ele acreditava que foi o nervosismo que fez com que o Dr. X não se explicasse bem, pois uma parada cardíaca em uma cirurgia era difícil para qualquer médico, e só se ele insistisse com as mentiras que é que a requerente deveria procurar outro médico.
Seguindo seu conselho, eu e meu irmão Mauri, fomos então até o consultório do Dr. X e lá perguntei o que de fato havia acontecido com meu irmão, pois não havia entendido o que ele tinha falado ainda no hospital. Foi então que ele repetiu as mesmas palavras, ou seja "o divertículo que FOI TIRADO inflamou de novo". Quando perguntei sobre a parada cardíaca havida na cirurgia, o Dr. X perguntou dissimuladamente: "Que parada?" informei que houvera falado com o Dr. Pispico. Neste momento o Dr. X disse: "Ah... aquilo. Aquilo não é nada." então perguntei: "Uma parada cardíaca não é nada?". Ao que o Dr. X respondeu: "Não é nada. Isso é normal. É rotina".
Tentei contatar outros dois médicos para que assumissem o caso, mas nenhum deles se dispôs por motivos éticos. Naquele mesmo dia quando voltei ao Hospital o Dr. X, que estava conversando na ocasião com o Dr. Carlos Sanches, pela primeira vez me disse que o estado de seu irmão era grave, que ele estava consciente, mas que ainda corria risco de vida. Tal afirmação foi feita apenas algumas horas depois dele mesmo ter afirmado que estava tudo bem. Essa foi a última vez que ele falou com a família. A partir daí solicitei o prontuário do irmão, pois queria as respostas que ele se negou a dar, mais isso me foi negado, inclusive pelo diretor clínico da Santa Casa, Dr. Humberto, alegando que Mauricio estava sendo muito bem atendido e que inclusive o cateter colocado nele foi uma escolha entre ele e outro paciente que também necessitava, uma vez que o hospital só dispõe de um, nesse dia Mauricio ficou consciente pela ultima vez, mantido em coma induzido, e não retornou mais à consciência.
No dia 1º. de Novembro fui chamada pelo Hospital por volta das 6:00 horas da manhã e informada que meu irmão, 38 anos, perfeitamente saudável, alegre e disposto antes da cirurgia mal-sucedida feita pelo Dr. X, morrera.
Revoltada e indignada tentei pegar o prontuário que estava em cima do corpo sem vida de meu irmão, queria as respostas que ainda procuro, mas não consegui sair do hospital com o mesmo, todas as portas foram traçadas e fui perseguida pelos corredores do hospital até que me pegaram então não tive outra saída a não ser devolver.
Tentei mais uma vez ver o prontuário, mas me foi negado mais uma vez pelo diretor clínico.
Saí dali direto para delegacia, onde registrei um BO contra o médico e hospital.
Na CTI foram-lhe administrados os antibióticos, segundo os médicos de 1ª 2ª 3ª 4ª geração. O diagnóstico da autopsia foi de septicemia (infecção generalizada).
Feita a necropsia o laudo pessimamente redigido não constatou o corte da colostomia e foi completamente evasivo com respeito a causa da septicemia.
De lá para caminha vida desmoronou. Tenho dificuldades para dormir, concentra-se, sorrir. entendo que é perfeitamente possível que uma cirurgia não seja completamente bem-sucedida por motivos diversos, mas o que dói é a completa insensibilidade do Dr. X as queixas do meu irmão e da família. Se houvesse dado maior atenção aos reclamos legítimos e não apenas "empurrado com a barriga" o problema, certamente, Mauricio poderia ter reais chances de ser salvo. Da maneira como foi tratado, não estamos diante de um caso de fatalidade e sim da mais completa negligência.
Que o Hospital São Luis, cuja entidade mantenedora é a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Araras é solidariamente responsável por manter tal profissional em seus quadros e por não ter tomado pronta ação para resolver o problema que ceifou a vida de um ser humano. A responsabilidade do hospital é objetiva nos termos do artigo 37, § 6º da Constituição Federal. O hospital requerido se negou a entregar o prontuário antes e depois da morte de Mauricio, inclusive por escrito, foi feito um Boletim de Ocorrência e instaurado inquérito de nº 050/2003, uma vez que foram negados os direitos da família de ter acesso ao prontuário médico, valendo ressaltar que o Hospital Pró-Saúde imediatamente entregou o prontuário assim que foi solicitado.
Em andamento:
Inquérito policial 050/03 _ art. 121 homicídio culposo
Processo cível 869/04
Sindicância no CRM 112.677/04
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