Então alçar as velas em tua noite,
cerzindo-as junto ao corpo. Eras
segredo
e o mar lançou-nos queda na
extensão da noite.
Assim vimos dobrar nossos
silêncios,
lancinando-os com o fogo de outras
sombras.
Abraçaras-me.
Então se fez tremor e era outono.
E ele luziu uma flor em nossos
seixos.
Abriste tuas asas ao róseo da
alba.
Doces teus olhos, de que sonho
te ergueste assim como a noite?
Tuas trevas densas.
Deixaste a luz adormecer teu
rosto.
E adentraste o meu sono com teu
sono.
E dividimos luz em teus açoites.
A inclinação dos pássaros, asas
fendidas.
Riscaram o horizonte anterior ao
sono.
Ali estiveras também com tuas
asas,
talhando este vento com que vimos
tocar-nos.
Ventos de cigano e de ágora,
azulam
a peregrinação do fogo em nossas
mãos,
e os umbrais do silêncio
repousados.
Nasceu no Rio de Janeiro. Autor de Flor
suspensa (poesia, 1997). Editor da revista Lagartixa, com Pedro
Marques e Caio Gagliardi. Organizou as Espumas Flutuantes e Os Escravos de
Castro Alves com Luiz Dantas (Martins Fontes, 2001). Doutorando em Literatura Comparada pela Unicamp, com a tese Rastro,
hesitação e memória: o lugar do tempo na poesia de Yves Bonnefoy. Publica semanalmente
em http://www.eutrapelias.blogspot.com/