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-----Mensagem Original-----
Olá amigos,
Segue relato das operações de PY2OC e PY2ZX em Ilha Comprida (IOTA
SA-024) no
mês de janeiro de 2005, litoral sul paulista.
No e-mail seguinte o log completo.
Indícios que o enlace PY2 - Caribe seria possível:
1 - Sinais estáveis de estações caribenhas em 28 e 50 MHz. O
problema: são QRGs
mais baixas, mais susceptíveis a TEP e outras formas de
propagação.
2 - Parte do Estado de São Paulo apresentar características
geográficas muito
próximas da região Sul. Problema: a visão viciante da geografia
convencional,
enquanto uma perspectiva geomagnética, pp relativa ao Equador
Magnético, seria
mais verossímil.
3 - Radioescutas do DXCB monitorando TEP entre 88 e 108 MHz no
norte de Ilha
Comprida com equipamentos e antenas relativamente simples.
Ainda, o escuta
Samuel Cássio monitorando TEP neste segmento em Ubatuba, ou
seja, mais ao norte
e em QRGs mais altas que 50 MHz. Problemas: As QRGs não serem
altas o suficiente
para atingir 144 MHz e radiodifusão utilizar potências bem
maiores do que os
amadores.
4 - Contatos de radioamadores paranenses com o Caribe, mesmo em
condições
operacionais simples em 144 MHz.
5 - A constatação que o geomagnetismo é algo dinâmico e que
tanto o Equador
Magnético quanto os polos magnéticos sofrem variações ao longo
do tempo. Isso
foi constatado com o reavivamento do tema Anomalia Magnética do
Atlântico Sul
pela imprensa relacionada a divulgação científica.
Assim estivemos em Ilha Comprida algumas vezes para
reconhecimento do local,
assim como em uma operação educacional com a LABRE e UNICID,
outra junto ao
Atlântico Sul DX Camp, posteriormente em novembro e finalmente
agora em janeiro
com maior tempo disponível, voltados à TEP.
Os dois primeiros dias (21 e 22 de janeiro) foram bem difíceis,
planejamos uma
configuração de estação praticamente impossível de ser montada
apenas por 3
pessoas (PY2OC, PY2ZX e o escuta Marcelo Bianchini), ainda mais
de maneira
provisória e com condições de tempo totalmente adversas: muita
chuva em uma
região baixa, com áreas literalmente submersas. Por isso
infelizmente não
utilizamos todo o planejado (inclusive o stacked para 2 metros).
No total trabalhamos com:
- 12 elementos Yagi PY2NI para 144 MHz na vertical;
- 12 elementos Yagi PY2NI para 144 MHz na horizontal;
- 15 elementos Yagi PY2NI para 432 MHz na vertical;
- 3 elementos Yagi PY2NI adaptada para 50 MHz;
- Yagi 4 elementos para recepção de radiodifusão FM (Thevear
416-C);
- Yagi 5 elementos para recepção de radiodifusão FM (Vital FM5);
- Log comum de 8 elementos para recepção de teledifusão (Vital
L8);
- FT-100-D, THD7A, Sony ICSW-7600D e outros receptores mais
simples.
Ainda nestes primeiros dias fizemos muita radioescuta em FM,
notando em 21 de
janeiro as emissoras convencionais de Barbados, bem como algumas
estações
caribenhas não completamente identificadas.
Realizamos contatos com PY5AQ e PY2HCD em 2 metros, mas os
sinais foram baixos
pois as polarizações eram diferentes (trabalhamos nestes dias
apenas com a
horizontal). Também monitoramos beacons em 6 metros,
especialmente 9Y4AT e
V44KAI; ocasionalmente YV4AB, TI2NA, OA4B. Assim, junto com o
monitoramento da
radiodifusão e dos beacons em 6 metros, sabíamos os horários de
abertura de
propagação, passando depois aos 144 MHz.
Nos 2 metros estávamos atentos às QRGs divulgadas em nossos
e-mails, mesclando
com as freq das repetidoras da região do Caribe, especialmente
146,910 MHz e
145,310 MHz, cujo comportamento de algumas portadoras notadas
nas operações
anteriores era muito semelhante ao apresentado durante uma TEP.
Ainda: são os
canais utilizados pelas repetidoras de Barbados, o país melhor
sintonizado na
faixa de radiodifusão em FM.
A partir do dia 23 as coisas melhoraram, inclusive o tempo,
permitindo a
montagem das verticais. Uma boa tropo permitiu contatos em CW,
SSB e FM em 2
metros com PY2RJ, PY2HL, PY2OE, PY2EJ, PY5AQ, PU5YFT, PP5CFL. Em
radiodifusão a
Tropo foi tão forte que as emissoras nacionais rivalizavam mesmo
com as mais
fortes caribenhas (Nativa x Hot FM em 95,3 MHz e Terra FM x
Liberty FM em 98,1
MHz). Em UHF contatos com PY2RJ em USB, PY2RJ em FM e PP5CFL em
USB e FM.
Na madrugada do dia 24 realizamos contatos em 6 metros com
PJ2BVU, FM5JC e a
clara noção que estávamos acionando as repetidoras citadas em 2
metros. O
retorno era tão forte que o Luiz chamou repetidamente nelas até
que, finalmente,
às 0200 Z, escutamos um sinal inteligível: 8P6JB, Ron, operando
móvel na ilha de
Barbados, trocando reportagem 55 pela 146,910 MHz com PY2OC!!!
Emoção absoluta:
é possível a propagação Transequatorial em 2 metros no Estado de
São Paulo!
Condições no momento: antena Yagi de 12 elementos, polarização
horizontal, 3
metros do solo, FT-100D com 50 Watts. Testamos também com a Yagi
de 12 elementos
na vertical: a recepção foi bem semelhante mas acionávamos a
repetidora com
maior dificuldade.
Os azimutes que trabalhamos estavam aproximadamente entre 335 e
345 graus.
Na madrugada do dia 25 mantivemos a mesma configuração da
estação e conseguimos
um novo contato pela mesma repetidora com o Ron (8P6JB), notando
que seu sinal
no invertido tinha praticamente a mesma intensidade da
repetidora! Obviamente
tentamos o direto e às 0200 Z realizamos contato no
ponto-a-ponto em 146,450
MHz, trocando 53 com PY2ZX. Um detalhe: 8P6JB novamente operando
móvel!
Na mesma noite uma nova estação caribenha estabelece contato com
a PY2OC pela
repetidora: 8P6RF, Andy, também móvel, às 0242 Z. O seu sinal no
direto, no
entanto, era perceptível enquanto portadora mas não era
inteligível. Ficou pois
o sked para na próxima noite com o Ron, solicitando que mais
radioamadores da
região pudessem aproveitar a experimentação (sim, há falta de
interlocutores).
Tentamos também acionar a repetidora pelo THD7A com 5 Watts, mas
sem sucesso.
No dia 26, conforme combinado, 8P6JB estabelece a terceira
rodada de contatos,
tanto pela repetidora como no ponto-a-ponto às 0042Z, mas com
sinais muito
instáveis, impossibilitando notar as demais estações. Na ocasião
trabalhamos com
a direcional horizontal a 6 metros de altura.
Por fim:
1 - Obviamente incentivamos e muito os colegas a tentarem a TEP
em QRGs mais
altas. No caso dos colegas ao norte de Ilha Comprida se o limite
desta área
afetada estaria ainda mais ao norte. Aos colegas do sul, onde a
propagação é
mais comum, os próprios QTHs principais seriam utilizados com
maior comodidade e
tempo disponível do que uma expedição como a nossa. Assim outras
experiências
relevantes e de longo prazo como da polarização, inclinação da
antena, horários
das aberturas, áreas abrangidas e mesmo a consolidação de
parceiros no Caribe
seriam empreendidas.
2 - Com a ocorrência ou não da TEP, notem que uma eventual Tropo
poderá ser
aproveitada e contatos muito interessantes dentro do Brasil
podem ser
estabelecidos.
3 - O monitoramento das estações de radiodifusão em FM pode
ajudar o trabalho do
radioamador interessado em TEP nos 144 MHz, diagnosticando uma
propagação que
iria além dos 50 MHz. Estas estações são bem carcaterizadas na
programação
(geralmente diferente da brasileira, com músicas tropicais, rap,
reggae, ska,
talk show em idiomas diferentes, re-transmissões da BBC). Mesmo
uma portadora
caribenha derivada da TEP é distinta do convencional pelo seu
fading, distorção
no áudio, certo espalhamento do sinal e mesmo doppler.
Tudo isso é maximizado nos 144 MHz. Em nosso site, ainda a ser
atualizado
(link "CQ Caribbean"), é possível fazer o download da Relação de
Frequências
Caribenhas, diagramada em Excell para justamente se adequar as
suas exigências.
http://paginas.terra.com.br/noticias/jdxg
4 - É muito interessante acompanhar os textos originais dos
primeiros
experimentadores de TEP nos enlaces Europa - África publicados na
QST e RadCom.
Foi um trabalho científico unido ao interesse DXista, um
segmento muito
autêntico e original do radioamadorismo. Suas conclusões são de
alta
confiabilidade dadas as condições daquele período. Alguns estão
disponíveis na
Internet no site de EA6VQ. No site do CB144 há texto em
português do Alberto
Laimgruber relatando também estas precursoras atividades. Na
nossa home são
encontrados estes links no texto inicial.
5 - Essa é uma descrição bem breve das nossas operações,
certamente há mais
detalhes que neste rápido e-mail informativo não conseguimos
abordar. No
entanto, qualquer dúvida, mandem a mensagem inclusive pela lista
VHF-DX
vhf-dx@yahoogrupos.com.br , onde outros colegas
compartilharão as
informações. Leiam também o nosso log, ele está em formato
cronológico pois é
possível acompanhar a evolução da propagação naquele período
monitorado. No site
estão disponíveis os logs das nossas outras operações em Ilha
Comprida que
envolveram TEP.
Agradecimentos ao Japy DX Group, ao amigo Horta, PY2NI, cujas
antenas
maximizadas para o DXismo novamente contribuíram para o
desenvolvimento do
hobby, bem como a atenção de W7GJ, KH6/K6MIO, J73CI, 9Z4BM,
F5NQL, F8OP, ON4IQ,
YV4DDK, PJ2BVU, P43L, P42E, PJ2BZ, FJ5DX, HI8ROX, HI3TEJ, CO8RF,
CO8LY, entre
tantos outros colegas nos QSPs e QTCs que acreditaram - mais do
que em nossa
missão - em uma atividade experimental radioamadora no VHF.
Até a próxima, HI!
Flávio Archangelo
"Ark", PY2ZX
Jundiaí - SP
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