CENTRAL  DE  QUADRINHOS  BRASILEIROS - CARTILHA 1

CANGACEIROS - OS HOMENS DE COURO (formato 16 x 23 cm, 104 páginas, R$ 25,00) é a história do inicio da vida de Lampião e sua iniciação no cangaço. Por Wilson Vieira e Eugênio Colonnese, com capa de Mozart Couto. Lançamento do CLUQ (Clube dos Quadrinhos) - Coleção Mandacaru. Já famoso fora do Brasil.

(Por Marconi Lapada e Rod González)

Nossa cartilha esta sendo criada com fundamentos e metas de longo prazo. Queremos abrir os olhos de nossos artistas que tomem tento e vejam que ao fazer ``homenagens` , desenhando gratuitamente ou comentando animadamente personagens estrangeiros, os estão ajudando na manutenção da dominação e imposição cultural que a indústria de quadrinhos internacionais manipula no Brasil.

Lutaremos para que nossos representantes legisladores das leis do nosso país garantam o nosso direito a expressão e o desenvolvimento de nosso mercado de histórias em quadrinhos. Será um plano muito organizado que trará emprego pra milhões de brasileiros, e não só para os artistas dos gibis, como todas as indústrias que passarão a existir e empregar brasileiros em função desse mercado. Desenhos-animados, séries de tv, filmes para o cinema, brinquedos e jogos eletrônicos de nossos personagens. Tudo isso pode ser realidade.

 Tomemos o exemplo da China que recentemente aprovou uma lei de proteção de seu mercado, que proíbe por tempo indeterminado a fabricação de revistas e quadrinhos, brinquedos e produtos ligados a personagens estrangeiros, bem como a exibição de desenhos-animados estrangeiros. Tudo isso para fortalecer sua própria indústria. Se vai dar certo? O povo chinês é empreendedor e com certeza vai dar certo. Já o brasileiro, por mais genial que seja a arte fruto de seu trabalho, tem que se esforçar muito pra ganhar merreca. E muitas vezes desiste diante das dificuldades que os mecanismos do sistema de barragem da arte dos quadrinhos nacionais usa contra os que querem apresentar personagens originais, muitas vezes mais interessantes e carismáticos que os ``deles`` e com futuro promissor, mas que infelizmente, às vezes, se resumem a poucas páginas que se perdem com o tempo... Isso muda com leis! E nada de cota, pra acabar com essa desigualdade e exploração, dominação cultural e monopólio instalado a quase um século. Só proibindo a fabricação de revistas em quadrinhos, exibição de desenhos-animados, seriados de tv e filmes inspirados em personagens estrangeiros, assim como brinquedos e jogos derivados deles, por 10 anos, isso é claro, com o compromisso de suprir a demanda. Após o término desse período de 10 anos, os quadrinhos e produtos derivados estrangeiros estariam liberados, com cotas inferiores a 50%. Protecionismo total para nossas empresas, artistas e trabalhadores, que teriam uma cota bem maior que 50% do mercado, talvez 70%. Isso já garantido por lei. Os outros 30% ainda seriam disputados por eles com nós. Quem desejar estar junto nessa luta para revolucionar a cena da hq tem a oportunidade de se unir a nós e fazer maior o coro pró-quadrinhos nacionais! É a CQB  lado a lado com o quadrinho nacional, contra os quadrinhistas jack da arte genuína brasileira, x-9 dos ianques ! Vai acabar a mamata dos gringos!! REVOLUÇÃO E PAZ!!!

Para participar da CQB, o artista deve rezar pela nossa pequena cartilha. É preciso se esforçar para se livrar das minhocas que a mercadologia estrangeira colocou na sua cabeça desde os anos 30 do século XX. E como Brasileiro só se conserta por força de lei, vamos estabelecer umas regrinhas simples para quem quiser entrar para nosso grupo. Quem entrar nele, já sabe que tem de se submeter às regras, do contrário... está fora.

1) É terminantemente proibido fazer propaganda (desenhando, divulgando, noticiando, anunciando ou comentando) ou apologia de personagens, editoras e autores de quadrinhos estrangeiros, principalmente os já tão divulgados pela mídia e favorecidos pelas editoras ditas como brasileiras, mas que só publicam material importado. Se quer dar exemplos em algum texto, exemplifique um Brasileiro, pois não falta gente nossa que já tenha trabalhado em diversas áreas ou gêneros dos quadrinhos.

2) O único caso que excede à regra nº 1, acima descrita, é o de artistas que estejam sendo pagos para fazer trabalhos profissionais com personagens e para editoras estrangeiras, pois nesse caso, o quadrinhista está apenas sendo profissional, e assim, divulgando seu próprio trabalho para conhecimento público.

3) Pedimos que divulgue seus colegas quadrinhistas brasileiros e seus lançamentos, sempre que a oportunidade surgir.

4) Recomendamos que não desenhe gratuitamente nenhum personagem estrangeiro da classe já comentada no item 1. Enquanto se está desenhando um personagem não-nosso, está implicitamente fazendo divulgação do mesmo. E isso é o mesmo que dar um tiro no próprio pé. Se quer desenhar alguma criação, use uma Brasileira, pois não falta personagens nossos  nas diversas áreas ou gêneros dos quadrinhos.

Coelho Puto, criação de Edvânio Pontes, e aqui visto num desenho do Lorde Lobo, editor da já famosa Areia Hostil.

5) Pedimos também, sempre que possível, colaboração mútua, na forma de trabalho, com os projetos da CQB.

6) Como recomendação, prime por dar uma identidade nacional às suas criações, quer seja na forma de texto ou desenhos.  Evite criar personagens com nomes em inglês, que só causam mal impressão perante o público e os críticos. E para isso, é só ficar atento a algumas sugestões e recomendações fáceis. Leia o texto a seguir, como forma de recomendação a ser observada para quem quer criar ou modificar personagens Brasileiros de quadrinhos.

7) Nós da CQB não queremos coibir a liberdade criativa de quaisquer artistas. Se algum deles achar que é imprescindível para a sua história em quadrinhos que seu personagem tenha um nome que não em português, e/ou se passe num ambiente que não o brasileiro, mas em terras estrangeiras, lembre-se que nós ACEITAMOS sua decisão, porém PREFERIMOS muito mais nomes em língua portuguesa e ambientação em território brasileiro.  LEIA MAIS  >>>>> 

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