CENTRAL DE QUADRINHOS BRASILEIROS - SAFADEZAS 2
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MYLAR, O HOMEM MISTÉRIO. Criação de Luis Meri e Eugênio Colonnese, lançado nos anos 60 pela Editora Taíka. Figura: Desenho de Watson Portela, na capa do álbum "A última missão"(Editora Opera Graphica) |
Um dos quadrinhistas Brasileiros mais atingidos pela máfia editorial dos
quadrinhos foi Emir Ribeiro, criador da estonteante Velta. Dono de uma força de
vontade e persistência invejáveis, nem isso foi o bastante para fazer frente ao
poderio monetário e mercadológico da indústria estranja. É ele mesmo quem nos
conta : "Eu distribuía minhas
revistas independentes por três estados do Nordeste, e elas estavam vendendo tão
bem quanto as da Editora Abril, na época. Mas um dia, ao viajar para as
capitais, a fim de distribuir as edições em Pernambuco e Rio Grande do Norte
(cujas vendas eram superiores às da Paraíba), fui surpreendido com uma recusa na
recepção dos exemplares. Alegaram “ordens” vindas de São Paulo ou a venda das
distribuidoras para uma outra do Rio de Janeiro. Mais detalhes não me deram. Com
prejuízo garantido, voltei com os pacotaços para casa. Um baque e tanto.
Sobraram só as bancas da Paraíba, além do correio (mas aí, é mais complicado,
pois o leitor paga antes, e só quando tenho a grana em mãos, envio as revistas –
e não há como ser de diferente)."
Além de ter suas revistas barradas pelas distribuidoras que pertencem às mesmas
editoras que só traduzem material estrangeiro, Emir viu também suas edições
começarem a decair em vendas, nas bancas do seu estado. Um funcionário de uma
banca acabou confidenciando para o artista o motivo: as suas revistas passaram a
ser escondidas das vistas do público, e assim não podiam vender bem. Contou mais
que grandes editoras enviavam uma espécie de "fiscal", o qual fazia "rondas"
pelas bancas, pressionando e ameaçando os banqueiros a tomar medidas de
represália contra eles, caso estes não ESCONDESSEM as revistas brasileiras e
colocassem as estrangeiras em destaque.
Outra sujeira grossa foi contada a Emir pelo mestre Gedone Malagola, criador do Raio Negro. O fato se passou com Salvador Bentivegna, que editou revistas brasileiras e as entregou para uma distribuidora. Sendo que a tal só colocou nas bancas umas merrecas pouquinhas e deixou a maior parte da tiragem guardada mofando dentro das suas dependências. A pobre revista Brasileira vendeu péssimamente, e alguém contou a falcatrua para Bentvegna, o qual, indignado e decepcionado, teve um ataque cardíaco fulminante.
Novamente, nos dias atuais, Emir Ribeiro foi vítima de outro boicote, quando seu livro HISTÓRIA DA PARAÍBA EM QUADRINHOS foi impedido de ser vendido nas bancas do seu próprio estado. Outra vítima foi o também paraibano Henrique Magalhães, dono da pequena editora MARCA DE FANTASIA, que não consegue colocar seus livros e gibis nas bancas. Isto é, o quadrinhista brasileiro não tem direito a uma concorrência leal, e não pode nem botar seu produto para vender, pois é impedido pelas máfias editoriais a mando da indústria estrangeira. CONTINUA >>>>>
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