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A Costa Oriental de África,
considerada o berço de Humanidade, serviu de base a intensos
movimentos externos de pessoas e culturas, conhecidos pelo menos
desde o século II DC, altura em que a costa africana foi
integrada nos fluxos do comércio marítimo do Índico, que
conjugados com os movimentos internos de povos africanos,
originaram a cultura suaíli ou swahili. Trata-se de uma
cultura com padrões típicos, marcadamente marítima, de raíz
bantu, mas de ideal islâmico que se enquadra, segundo Allen, na
denominada “unidade do Oceano Índico”(1) .
Para este extenso espaço africano, constituído por um vasto
conjunto insular e respectivas terras firmes, convergiram, por
razões de natureza comercial, política e religiosa e em épocas
históricas diferentes, fluxos migratórios provenientes do
Oriente, designadamente, da Arábia, Pérsia, Índia, China, e
Indonésia, do Ocidente (Portugal, Espanha, França, Holanda e
Inglaterra), da América (Brasil, Cuba,....) e da própria África.
Dos permanentes cruzamentos inter-genéticos e da constante
interpenetração de culturas nasceria a supracitada cultura
suaíli(2) e as suas variantes, aliás, sabiamente, observadas e
descritas, a partir dos finais do século XV, pelos destemidos
nautas portugueses, data a partir da qual passaram a sulcar,
regularmente, as agitadas águas do Índico. Os dados então
recolhidos , mostram a existência de :
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FIG. 1- Parte sul da costa swahili.
Fonte: NEWITT, Malyn, The Southern
Swahili ..., p 112
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-Sociedades pluri-raciais/pluri-étnicasconstituídas por
indivíduos possuidores de várias tonalidades de pele: pretos,
baços, ruivos e brancos;
- Uma religião comum assente nos princípios do Alcorão;
- Cidades-Estado com estruturas sociais complexas, estratificadas
e relativa autonomia política, governadas por reis mouros, com
excepção da Ilha Brava em que o poder político estava nas mãos
dos mais antigos da terra;
- Uma produção agrícola variada, com grande riqueza de caça grossa
e de produtos aquáticos. De realçar a existência de excedentes
destinados, essencialmente: à afirmação do status social;
à oferta de presentes; e ao reabastecimento e apoio da navegação
e moeda de troca ;
-
De cidades e vilas com casas assobradadas, com portas e janelas
de madeira muito bem lavrada, construídas a pedra e cal;
-
De um rico vestuário, de seda e algodão, por vezes bordado a
oiro, usado pelas camadas mais abastadas, por homens e mulheres
e de jóias, em ouro e prata que embelezavam as encantadores
damas suaílis.
Com a presença e domínio português imposto às
principais cidades da Costa Oriental de África, através de
tratados de vassalagem, desde os princípios do sec. XVI, extinto
definitivamente, a partir de 1729- perda definitiva de Mombaça-
a cultura suaíli foi enriquecida com muitos traços da cultura
portuguesa que, pela sua utilidade e compatibilidade e até
prestígio, acabariam por ser integrados nos léxicos do
kiswahili(3) e do kimwani, perdurando até aos nossos
dias. Recordam-se alguns vocábulos do kiswahili
relacionados com: cargos/profissões, meios e instrumentos
náuticos, armas , instrumentos de guerra e símbolos de
soberania, utensílios de uso doméstico, animais domésticos,
edifícios, fortificações e lugares, árvores de fruto, frutos,
ferramentas e objectos mecânicos, artigos de vestuário, meios de
pagamento, produtos e tecidos(4): almari, amari, bandera,
bao, baraza, barakinya, bastola, bata, batela, beramu, bereu,
biblia, bibo, bomba, boriti, boya, bulu, busha, chá, chapa,
chapeo, dadu, dama, faranga, foronya, fogau, gereza, hospitali,
idadi, kanderinya, kapa, kasha, kimau, kitalu, kopa, kopo,
korosho, lakir , lesso, limao, machila, meza, m’pera, mvinyo,
nahota, padre, pao, parafujo, pera, pesa, pilau, pipa, rateli,
riale, roda, rupia, saa, safari, seti, shumburere/sombrero,
shupaza, shuka, sukari, tabakelo, tarumbeta, turufu, uru,
e yaya(5).
Após a perda sucessiva do domínio português sobre as várias
cidades do Indico ocidental, as autoridades portuguesas
limitaram o exercício do seu poder colonial , depois de 1729, às
terras litorálicas situadas a sul do rio Rovuma, em cujo extremo
norte encontramos as Ilhas de Querimba ou de Cabo Delgado. O
arquipélago, habitado especialmente por wamwani (gentes
da praia), é constituído por cinco dezenas de ilhas e ilhéus,
pequenas em território- muitas delas com menos de um quilómetro
quadrado - e pobres em solos, quase todos de origem corálica.
Apesar destes condicionalismos mas atendendo à sua posição
geo-estratégica este conjunto insular, com as terras firmes
adjacentes, foi aproveitado, primeiro por árabes e persas e
depois por portugueses para aí instalarem alguns dos seus portos
de escala e desenvolverem uma importante rede comercial,
complementada por algumas práticas agrícolas, armentistas, de
construção naval e de pesca.
Antes da era gâmica dependeram as mesmas Ilhas, de acordo com as
circunstâncias políticas, de Mombaça e de Quiloa. Passariam,
definitivamente, para o domínio português, em 1523, após a sua
reconquista pelo capitão Pedro de Castro, perdurando a situação
colonial, então, instituída durante 452 anos. Conhecendo-se os
fracos recursos humanos e materiais, a debilidade e pouca
operacionalidade das estruturas político-administrativas,
económicas e religiosas de apoio implantadas, a concorrência
sempre crescente de um comércio internacional pouco favorável à
coroa portuguesa, os ataques de franceses, sakalava, makhwa
e mouros da costa e a resistência oferecida por uma elite local
influente e portadora de uma dupla herança cultural, é
pertinente interrogarmo-nos como foi possível uma permanência
tão prolongada dos Portugueses e do seu domínio nas Ilhas de
Querimba ou de Cabo Delgado?
Este verdadeiro “milagre”, que não foi o resultado da força das
armas que, aliás, primava pela insuficiência e pela ineficácia,
deveu-se principalmente, a uma política, concreta e espontânea,
de tolerância, solidariedade, miscigenação, adaptação e convívio
pluri-étnico, política essa, aqui e ali com alguns desvios e
conflitos, respeitadora das diferenças étnicas e culturais, das
crenças e dos valores humanos dos grupos dominados e dos seus
modos de vida. Estávamos perante uma prática política, um
diálogo intercultural, uma busca permanente de soluções para os
problemas comuns, que, só séculos mais tarde, mais precisamente
em 1948, viria a ser consagrada na Declaração Universal dos
Direitos Humanos, a qual não faz distinção entre etnias,
culturas ou crenças. Desde há séculos, é legítimo recordá-lo,
que os Portugueses consideravam e defendiam o princípio da
igualdade como uma relação entre coisas diferentes. Há muito
tempo e em muitas partes do Mundo e em contextos históricos e
sócio-culturais diversificados que praticavam, na sua vivência
do dia-a-dia, o princípio da tolerância: todos diferentes, todos
iguais, actualmente, pouco assumido e muito afastado dos
corações dos homens.
O
homem português, colono modesto, sem grandes letras, por vezes
desterrado, com o seu génio criativo e plástico, a sua grande
capacidade de improvisar e inovar e o seu caracter
individualista e sentido oportunista, soube, habilmente, em
novos espaços ecológicos, geográficos e sociais, viver em
situações de solidariedade, de contraste, de ambiguidade e de
conflito. Teve a capacidade de moldar e de se deixar moldar e de
criar novas realidades bio-culturais e de se adaptar a contextos
específicos deveras variados.
Com a implantação da situação colonial nas Ilhas iria
estabelecer-se no território um novo domínio e diferentes tipos
de contactos entre populações biológica e culturalmente
heterogéneas, há muito adaptadas a um meio geográfico específico
e comprometidas com uma história. Nesta parte norte de
Moçambique o colono português conviveu com gentes de outras
culturas e religiões (makhwa, mwani, yao, mouros da
costa( swahili),...) e aí constituíu famílias mestiças
não consagradas nas leis e costumes do Reino- mestiças pela
biologia e pela cultura - e originou novas formas sincréticas de
família, geradoras de consensos e de solidariedades, que se
desviavam, nítidamente, dos modelos da família real cristãmente
organizada e aceite. Era frequente reunirem-se num só grupo
familiar pessoas de mais de uma religião, etnia e posição
social. A prova factual de tal realidade encontramo-la na
Relação Geral de População de 1798 relativa às Ilhas:
famílias compostas por cristãos, maometanos e gentios, por
pessoas livres e por escravos, sendo grande parte delas formadas
através da mancebia que as autoridades político-administrativas
e religiosas, embora o tentassem, nunca conseguiram eliminar. A
título de exemplo dá-se conta dos seguintes registos: uma
cristã, de nome Luzia, solteira, com uma filha Ana, gentia e uma
mãe maometana, Muana Mungi, com uma filha Ana e duas netas,
Tomásia e Catarina, todas cristãs(6). Verificámos ainda uma
escrava amancebada com um homem livre( um m´zungo), a
qual, por sua vez possuía uma escrava.
Dos processos de fusão biológica e de interpenetração das
culturas em contacto, que foram realidades constantes ao longo
da colonização portuguesa, resultaram trocas recíprocas entre os
grupos em presença, variáveis em intensidade conforme a
compatibilidade e utilidade dos traços e complexos de cultura.
Relativamente à influência da cultura portuguesa, a maior
aceitação verificou-se nos domínios da antroponímia e da cultura
material, limitação que estava relacionada com o modo de vida
dos habitantes das Ilhas pautado por valores e normas culturais
de raiz africana ou afro-asiática, bem diferentes daqueles que o
poder colonial procurava impor. Os cristãos, livres e escravos e
os seus descendentes mesmo não aderentes à doutrina cristã, e
alguns não cristãos adoptaram nomes e apelidos portugueses e
indo-portugueses. Os cristãos livres por cultura e tradição
ligadas ao sistema de povoamento processado no território. Os
cristãos escravos por obrigação imposta no acto do baptismo,
também ele de natureza coerciva. Apesar do optimismo de Frei
João dos Santos, autor da Etiópia Oriental, que realça a
conversão nas Ilhas e terras firmes de l6 000 gentios , desde o
inicio da evangelização até l594, data em que deixou de
paroquear a freguesia da ilha de Querimba, a realidade, segundo
nos conta o Pedro Barreto Resende parece algo diferente:

“O
cafres são gente bárbara, natural e muito cruel e pouco dada ao
culto divino e só os que são nossos cativos se fazem cristãos
por esse respeito, durando-lhe a cristandade enquanto lhe dura o
cativeiro, sendo que não repugnam muito a nossa cristandade”.
Embora aderentes a valores sagrados diferentes, em
1798, - os habitantes das Ilhas estavam distribuídos pelos
seguintes credos: 48,85% cristãos, 29,43% maometanos e 21,70 %
de religião tradicional- verificava-se a existência de contactos
permanentes e efectivos entre os membros das várias religiões
praticadas. Afirmava-se naquela data que os cristãos que não
eram “parentes dos maometanos e deles descendentes, o são dos
cafres macuas e macondes”(7). Esta evidência vem mostrar que a
política inter-étnica condenada, em l592, pelo dominicano Frei
João dos Santos, não teve sucesso. O frade, como chefe religioso
e chefe político, não admitia e via com bons olhos alguns usos e
costumes e as relações de convivência e de amizade existentes
entre cristãos e maometanos:” ... em nossos Domingos e dias
santos de guarda virem as mouras visitar as cristãs suas amigas
e todas juntas, cantavam, bailavam, comiam e bebiam, tão
amigavelmente, como se fossem todas mouras”(8).
No
lº quartel do séc. XIX, Frei Bartolomeu dos Mártires confirmava
a política de convivência encetada após a imposição do domínio
colonial no território verificada a partir de 1523: “Os
mouros têm tal ascendente sobre os desgraçados habitantes que
até lhes tem pregado e introduzido a sua infame lei, seus
costumes depravados e as suas torpezas mais nefandas de maneira
que já não é fácil reconhecer as diferenças entre eles”(9).
Como resultado da aculturação e miscigenação
espontâneas vamos encontrar na sociedade colonial casos
específicos de uma dualidade cultural: uma herança cultural por
parte de uma elite local mestiça que se moldou às regras e
valores da sociedade dominante, que punha em prática sempre que
era preciso relacionar-se com os seus representantes e
substituía pelos próprios da sociedade dominada ao regressar ao
meio de origem; chefes que participavam nas duas culturas e
asseguravam, deste modo, o funcionamento das estruturas
coloniais, pondo ao serviço das autoridades coloniais, o seu
poder tradicional e as instituições indígenas pré-existentes.
Recorda-se o terço dos auxiliares, os prazos da coroa, a
cobrança de impostos, o fornecimento de mão-de-obra e de forças
militares sempre que estava em jogo a segurança do território e
a sobrevivência do domínio colonial; uma mestiçagem, com
significado mais cultural do que biológico, bem evidente e clara
na antroponímia constante da Relação de l798 supra citada, da
qual se respigaram alguns nomes próprios, sobrenomes e apelidos,
herança das várias culturas em presença. Encontramos, por um
lado, nomes próprios da língua portuguesa com apelidos
provenientes de línguas locais(kimwani, kiswahíli, makonde
,makhwa,...): Agostinho Quemissa, Alberto Lupulo,
Alexandre Mutema,Ambrósio Macogo, Ana Mulusso,
António de Faria Mussupia, Bruno Antunes Oengue,
Catarina Muadia, Cristina Muanseni, Domingos
Muzuzi , Francisca Muanessa ,João Madudo,
Lázaro Mazome, Macaelo Faque, Manuel Morindua,
Paulo Botelho Quidava, Roque Cassicazi, Sebastião
Malemoca e Sebastião Raimundo Aidoz .Por outro
lado, embora mais raros, surgem nomes em que o nome próprio
provem das línguas locais e os apelidos do português:
Mualenda Gonçalves, Muanassa de Faria, Mucoto
Ribeiro, Muenhe Mussa Ribeiro, Tima Simão e
Zina Faria(10).
Ao contrário do que acontecia em
1798, durante a nossa estadia nas Ilhas, entre 1969 e
l972,constatámos que os nomes de origem afro-suaíli atingiam
cerca de 94,50% contra 5,5% provenientes da língua portuguesa. A
mudança drástica verificada no período de quase de dois séculos
ficou a dever-se à consolidação do Islamismo na Costa Oriental
de África, designadamente em Moçambique, e à incapacidade dos
Portugueses, através do poder político-administrativo e poder
religioso, imporem o seu modelo de sociedade. Contudo, ainda
pude verificar, numa análise superficial ao léxico da língua
falada pelo povo mwani , o kimwani, a existência
de um grande de palavras portuguesas e aportuguesadas que
continuavam a fazer parte da linguagem dos Wamwani :
alfanete, ambari, armari,ayo, bacia,
balança, barbero, bata, biberau, blusa, bolo, brinco, buli,
cabido, cadiado, calça, camisa, camisola, capote, caxa, cesto,
chicra, colher, copo ya café, copo ya vidro , côr
ya café, curuneta, epangaio, fato, ferro yakongomar,
fogão ya makala, fogão ya patroli, fronha,
fundi ya candieiro, galação, galico, galo garrafão, garufu,
gelera, giz, gramafone, kifio ya cozinha, koroso,
janelazi, lata, lampeão, leço, loja, mala, malaya zinco,
, mala ya m´bawa, manchila, mantega, maquina ya
kossoma, marrau, masoldado, m,batata, mpapaia, marmita ya
alumínio, meias, mesa, moscaleta, m,pera, nakoda, nanazi, , n
caju, orive, paquete, patrol, piresse, prateleira, quadro,
rádio, reloyo, reloyo ya kajubera, reloyo ya
campaínha, sabau, safrau, , safrau, sucrire, tamangu, tamboro,
tampa ya kufinika, tcha kutaya mantega, telhado,
termo , tejolo, vestido, ... .
Entre a famosa doçaria que faz parte da culinária mwani
também encontramos a influência da presença portuguesa, sendo
bem conhecido o bolo denominado “biscoito”feito com farinha de
mapira, que na forma nada difere do biscoito confeccionado em
Portugal.
No
princípio do presente século o governador Ernesto de Vilhena
dá-nos conta de uma dança cantada de origem portuguesa a “
Margarida” que servia de divertimento aos rapazes em que a letra
do refreão incluía um vocabulário misto de português e de
kimwani: Ai ué niquareta/ Ai Mussa ladrão/Roubou
macarrão(11). A dança da corda , conhecida por Insóbué,
tão do agrado da mulher mwani, possivelmente, de origem
portuguesa, ainda era divertimento em 1974.
Nas Ilhas de Querimba, após a sua conquista pelos
Portugueses, nasceu e desenvolveu-se uma nova realidade
sócio-cultural constituída biologicamente pela miscigenação,
economicamente pela técnica escravocrata da produção e
sociologicamente pela interpenetração de culturas. As famílias
mestiças- pela cultura e pela biologia, desempenharam um papel
relevante no povoamento, na imposição de um modo de vida
próprio, no processo de mobilidade social, na solução de
conflitos, na convivência social e na continuidade e
revitalização da situação colonial.
Da situação colonial nesta parte norte de Moçambique
resultaram processos de aculturação- que foi mais espontânea do
que imposta- como a integração, a assimilação e diversos
sincretismo: famílias, prazos da coroa, religião, antroponímia
..., que devem merecer a curiosidade e análise sistemática por
parte das novas gerações para que se conheçam a riqueza, a
diversidade e o significado da vida humana em diferentes
contextos e as formas específicas de vida em comum e as
inter-relações que se estabeleceram entre a Europa e os outros
Continentes na era gâmica(12).
NOTAS
-
1-
Segundo este autor essa unidade cultural é constituída por três
componentes: uma unidade racial resultante de múltiplas e
seculares migrações humanas de natureza
inter-continental(África, Ásia, Europa e América); uma
unidade cultural que se estende da China até à África; e
uma unidade religiosa assente no Alcorão cujos princípios
doutrinais se adaptaram às diferentes condições ecológicas,
políticas, culturais e étnicas e teve a capacidade de
ultrapassar as divergências geradas pelos contactos de povos e
culturas em diferenciados contextos. Para mais pormenores ver
ALLEN,J-”Propuestas de Studios Sobre el Oceano Indico”,in
Relaciones Historicas Através de Oceano Indico.Barcelona,
1980, p.p. 164 e segtes e BENTO, Carlos Lopes- As Ilhas de
Querimba ou de Cabo Delgado- Situação Colonial, Resistências e
Mudança-1742-1822, 2 vols.
-
2- NEWITT, Malyn - "The Southern Swahili Cost
in the First Century of European Expansion". In
Azania,
Vol. XIII, 1978, p.p. 111-126.
-
3-
Os principais dialectos do Kiswahili são: o Kiamu,
falado em Kiamo, Kenia e Pate; o Kimvita falado em
Mombaça; o Kiunguja falado em em Zanzibar e Pemba(ilhas);
o Kimrima falado nas terras firmes de Zamzibar; o
Kingarija falado na Grande Cômoro; e o Kimwani falado
nas Ilhas de Querimba, Quissanga, Mossimboa, Thungui e cidade de
Pemba. Nas línguas do litoral , desde do sul da baía de Pemba
até Sofala o prefixo ki foi substituído por e : Émakha,Ésakati,
Ékoti, Éshwabo e Iboani ou Éboani.
-
4-
Vidé PRATA, Pe António Pires- “Influência do Português sobre o
Suaíli”, in Bol. do Museu de Nampula, Vol. 2,
1961,p.149-150.
-
5- Para mais pormenores consultar : MADAN, A.C.- Suahili
dictionary.Oxford, 1903, p.p.442 e SACLEUX, Charles-
Dictionnaire Swahili-Français.Paris , 2 Tom. e PRATA,
op.cit. p.p.133-175.
-
6- Para mais esclarecimentos ver BENTO, op. cit., Vol. I, p.,
532.
-
7-
BENTO, op.cit. Vol.I, p.519.
-
8-
Idem,Ibid.p. 518-519.
-
9-
Idem ,Ibid. p.524.
-
10-Idem, Ibid. p. 532.
-
11- Ver OLIVEIRA, Mário Baptista de-Monografia sobre a Ilha do
Ibo. Ibo, dac.,1962, p.223.
-
12- Este pequeno trabalho, aqui com pequenas alterações, foi
publicado na Revista de Estudos Políticos e Sociais, ISCSP,
Lisboa, 2000, p. 119-126. O seu autor, que foi administrador do
concelho do Ibo, é antropólogo,
doutorado, em Ciências Sociais e Políticas, especialidade
História dos Factos Sociais e licenciado em Ciências
Antropológicas e Etnológicas pelo I.S.C.S.P., da Universidade
Técnica de Lisboa, é professor coordenador do Instituto Superior
Politécnico Internacional e professor catedrático convidado, da
Universidade Internacional, onde exerce actividade docente e de
coordenação de estágios, nas licenciaturas bietápicas em Gestão
Turística e Hoteleira e Gestão Bancária e Seguradora. É director
do Centro de Investigação Aplicada em Gestão Turística e
Hoteleira e do Centro de Estudos de Gestão Turística e
Hoteleira. Interessa-se pela Antropologia Africana- Moçambique e
pela Antropologia Portuguesa, domínios do turismo e do
comportamento organizacional. Faz investigação no domínio da
cultura alimentar- Culinária tradicional.
TRABALHOS DO AUTOR
Entre a múltipla
colaboração dispersa por livros e publicações periódicas, realçam-se
os seguintes artigos publicados ou em prelo:
-
"Problemas Eco-Sociais e a Reconversão da Pesca Artesanal" ( 1980);
- "O
Trabalho de Campo na Antropologia e o Desenvolvimento" (1982);
- "O
Desenvolvimento das Pescas nas Costas do Algarve-Achegas para o
Estudo do seu Passado" (1984);
- " A
Historiografia e a Antropologia em África" (1984),
- "O Contributo do Estudo das Práticas Culinárias para um Melhor
Conhecimento das Migrações Humanas e dos Fenómenos da Difusão,
Mudança e Evolução Culturais - A caso específico da cozinha entre os
Wamwani das Ilhas de Querimba / Moçambique (1984);
- "Moínhos
e Azenhas em Mouriscas" (1985);
- "As
Potencialidades das Fontes Históricas na Pesquisa
Antropológica" (1986)
- "O
Desenvolvimento das Pescas nas Costas do Algarve-Achegas para o
Estudo do seu Passado. Breves Considerações Finais" (1986);
- "A
Pesca do rio Tejo. Os Avieiros: Que Padrões de Cultura? Que Factores
de Mudança Sócio-Cultural? Que Futuro?" (1987);
- "O
Desenvolvimento das Pescas nas Costas do Algarve-Achegas para o
Estudo do seu Passado.- Ambiente, Tecnologia e Qualidade de
Vida" (1988);
- "A
Posição Geo-Política e Estratégica das Ilhas de Querimba. As
Fortificações de Alguns dos seus Portos de Escala" (1989);
- «La
Femme Mwani e la Famille. Étude Quantitatif des Quelques
Comportements des Femmas de l’île d’Ibo» (1990);
- "As
Companhas de Ceifeiros Ribatejanos no Alto Alentejo- Uma Forma de
Organização Social Extinta" (1991);
- "O
1º Pré-censo de Moçambique- A Relação Geral de População de 1798 das
Ilhas de Querimba ou de Cabo Delgado" (1991);
- "Uma
Experiência de Desenvolvimento Comunitário na Ilha do Ibo/Moçambique
entre 1969 e 1972" (1992);
- "Os
Prazos da Coroa nas Ilhas de Querimba e a sua Importância na
Consolidação do Domínio Colonial Português” (1997);
-
"Ambiente, Cultura e Navegação nas Ilhas de Querimba: Embarcações,
Marinheiros e Artes de
Navegar" (1998);
- "A
Administração Colonial Portuguesa em Moçambique- Um Comando Militar
em Mogincual, entre 1886 e 1921" (1999);
-
"Situação Colonial nas Ilhas de Querimba ou de Cabo Delgado-
Senhorios, Mercadores e Escravos"(Resumo da Tese de
doutoramento) (2000);
-
“Contactos de Cultura Pós- Gâmica na Costa Oriental de África. O
Estudo de um Caso Concreto” (2000);
-
"Quem Defende os Interesses dos Pequenos Agricultores do Alto
Ribatejo? (2001);
- “A
Ilha do Ibo: Gentes e Culturas - Ritos de passagem” (2001);
-
“Mouriscas: Terra Pobre, Gente Nobre”. (2002);
- “A
Antropologia da Alimentação em Portugal.- Um estudo concreto” (2003);
- “A
Cozinha Tradicional na Área do Pinhal e o Desenvolvimento Regional
- O Maranho como Prato Emblemático num Processo de Mudança” (2003);
- “A
possessão em Moçambique - O Curandeiro N´kanga entre os
Wamwuani do Ibo (1969-74)” (2003).
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