A Dama
de Ébano da Universidade do Estado da Bahia |
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Formada pela UFBA em
Licenciatura Curta / Português (1971) e em Letras Vernáculas (1975),
Ivete Alves Sacramento começou sua vida profissional como professora
de Língua Portuguesa e Redação na Escola Polivalente de Ubaitaba, no
interior do estado, ainda em 1972. Em 1981, foi admitida professora
universitária do antigo Centro de Educação Técnica da Bahia, uma das
unidades que originaram a UNEB, onde lecionou diversas disciplinas.
Daí em diante, sua vida foi dedicada à universidade. Entre outras atividades,
foi membro nato do conselho departamental do CETEBA, coordenadora de
colegiado de cursos, vice-diretora pro-tempore, diretora, subchefe
e chefe do Departamento de Ciências Humanas, membro nato do Conselho
Universitário (CONSU) da UNEB e presidente da Câmara de Legislação e
Normas do CONSU. Em 1984, fez especialização lato sensu em Gramática
da Língua Portuguesa na Faculdade de Educação, Ciências e Letras Olavo
Bilac (Rio de Janeiro) e cursou o mestrado em Educação num convênio
da UNEB com a Université du Québec à Montreal (Canadá) em 1990. Em paralelo à vida acadêmica, Ivete sempre esteve ligada à luta contra o racismo e à defesa da cidadania e dos direitos humanos. É membro do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra, do Conselho do Grupo Cultural Olodum, do Comitê Executivo do Programa Nacional de Direitos Humanos e do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, do comitê organizador da participação brasileira no Congresso Mundial contra o Racismo, Xenofobia e Outras Formas de Discriminação e é sócia honorária da Sociedade Protetora dos Desvalidos. Multicampi - Desde o estabelecimento da tua administração, a UNEB tem demonstrado à comunidade um trabalho profícuo em vários campos, com destaque para as áreas de pesquisa e da pós-graduação. Quais as conquistas nestas áreas? Quantos cursos de pós-graduação (especializações e mestrados) estão sendo oferecidos neste momento? IAS - Temos dado especial atenção à questão da pesquisa, principalmente aquelas que incorporam as regiões dos nossos campi e voltadas à melhoria da qualidade de vida das suas comunidades. Para incrementar a sua pesquisa, a UNEB investiu no equipamento e reequipamento de 42 laboratórios dos 98 implantados ou em implantação nos departamentos. Quanto à pós-graduação, quando assumimos a Reitoria, a universidade oferecia apenas três cursos de especialização, todos no Campus I. Hoje, temos cursos de pós-graduação em todos os campi porque acreditamos que são os nossos egressos que vão fazer a verdadeira academia no interior. Os números são, neste momento, muito diferentes: 41 cursos estão em andamento, 33 foram concluídos até 2000, quatro estão em oferta e quatro foram reprogramados para este ano. Além do mestrado em Educação e Contemporaneidade, no Campus I, está em andamento no Campus VII (Senhor do Bonfim) a segunda turma do mestrado de Educação em Rede – Recursos Tecnológicos para o Ensino Básico, realizado em convênio com a Université Chicoutimi, do Canadá. No Campus I, estamos oferecendo também o mestrado em Gestão Ambiental, em convênio com a Universidade de Brasília e o Centro de Recursos Ambientais. Os alunos deste mestrado estão agora fazendo um módulo de aulas em Brasília. Além de estarmos com as inscrições abertas para um doutorado auto-financiável em Semiótica no Campus I, em convênio com a Universidade do Quebéc, estamos em negociação com a PUC-SP, com a interveniência da Capes, para promovermos um doutorado em Semiótica e Comunicação na área de Design. Temos ainda em tramitação um doutorado na área de Ciências Agrárias no Campus III (Juazeiro), em parceira com a Unicamp, de Campinas (SP), também com a interveniência da Capes. Multicampi - O Mestrado em Educação e Contemporaneidade é o primeiro da nossa jovem instituição a ser recomendado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Fale-nos desse mestrado. Há previsão de mais outros em sua gestão? IAS - O reconhecimento por parte da Capes é muito significativo, porque este é na verdade o nosso primeiro curso institucional de pós-graduação stricto sensu, resultado dos estudos de professores e pesquisadores do Departamento de Educação do Campus I (Salvador) em articulação com colegas dos Campi II (Alagoinhas) e V (Santo Antônio de Jesus). Ele já é um sucesso, pois atraiu 140 candidatos para 20 vagas. A seleção foi feita em três etapas: a primeira com os 140 inscritos, a segunda, com 61 e a terceira, com 30. Alguns convênios já estão sendo implementados para a realização de cursos de mestrado nos campi de Teixeira de Freitas, Paulo Afonso e Guanambi. No Campus I encontra-se em projeto o mestrado em Química Aplicada. Além disso, estão em estudo um mestrado em História (Salvador), um doutorado em Letras / Lingüística (Alagoinhas) e Administração (Salvador). Multicampi - As universidades brasileiras sempre estiveram em crise constante pois, lamentavelmente, a Educação não é considerada prioridade em nosso processo cultural. Diante do atual quadro, que alternativas tem buscado a UNEB para superar-se com criatividade e realizar suas metas? IAS - Através de convênios, parcerias e cooperações que são firmados com órgãos dos governos municipal, estadual e federal, organizações não-governamentais e iniciativa privada. Aliás, precisamos buscar sempre mais parcerias junto aos empresários. Temos muitos planos, somos uma universidade muito grande e por isso não podemos ficar atrelados apenas aos recursos do Estado. Multicampi - Quais os principais convênios e/ou cooperações culturais firmados pela UNEB na atual gestão? IAS - Todos os convênios são importantes para a nossa universidade, mas vou comentar apenas alguns. Na esfera federal posso citar o Pronera, que promove a Educação e Capacitação de Jovens e Adultos em Áreas de Reforma Agrária e já atendeu a 4.800 jovens e adultos em 63 assentamentos. Vale ressaltar que a UNEB é a universidade baiana que mais participa do projeto. Participamos também da Alfabetização Solidária, Universidade Solidária e Capacitação Solidária, capitaneadas pela primeira-dama da nação, Sra. Ruth Cardoso. Participamos do Faz Cidadão, Educação Profissional Solidária, Alfabetização no Semi-Árido Baiano e Nossa Sopa, programas desenvolvidos com o governo estadual. Com as prefeituras de 57 municípios, nós temos uma parceria muito forte em função do Programa Rede UNEB 2000. Um exemplo da nossa parceria com a iniciativa privada é o convênio que firmamos ano passado com a Odebrecht. Juntas, além de preservar uma área da Mata Atlântica, na Paralela, vamos transformá-la em área de estudos para professores, alunos e pesquisadores. Multicampi - Muito em breve, a Universidade do Estado da Bahia será submetida, juntamente com outras universidades, a um processo de recredenciamento. Em que consiste esse processo e como a UNEB está se preparando para ele? IAS - O recredenciamento da UNEB junto ao Conselho Estadual de Educação deve ser realizado até 9 de novembro deste ano. Ou seja, este é o prazo para provarmos que temos condições de continuar oferecendo, em todos os níveis, um ensino superior de qualidade. Temos diante de nós uma grande tarefa que é a manutenção do status desta universidade. A nossa responsabilidade é com o futuro, pois não podemos deixar morrer o trabalho de construção da UNEB, que já dura quase 17 anos. Para isso, criamos uma comissão, formada por docentes e técnicos, com a finalidade específica de elaborar o projeto de recredenciamento. Após sua conclusão, o projeto será encaminhado ao Conselho Universitário (CONSU), para discussão e aprovação. Multicampi - Para atender às novas perspectivas elaboradas pela Lei de Diretrizes e Bases nº 9394, de 20 de dezembro de 1996, no seu artigo nº 62, que define que "a formação básica far-se-á em nível superior, em cursos de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação", a UNEB pioneiramente criou o Programa Rede UNEB 2000 que, desde 1998, tem 5.620 professores-alunos e já atingiu 57 municípios baianos. Fale-nos desse projeto. IAS - Este é um programa pelo qual eu tenho imenso carinho. Na verdade, o nome dele é "Programa Intensivo de Graduação para Docentes em Exercício nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental da Rede Pública". A LDB reforça que somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço, determinando um prazo máximo de seis anos para que todos os professores do ensino fundamental do Estado tenham o curso de graduação, ou seja, aqueles que estão ensinando apenas com o antigo curso de Magistério precisam ter formação superior. Então, a UNEB e 57 prefeituras das microrregiões de abrangência dos nossos 19 campi firmaram parceria para a instalação e implementação do curso. Com o convênio, a universidade é responsável pelos docentes e pelo know-how pedagógico e as prefeituras oferecem o suporte financeiro e o espaço físico. Nos dois anos do curso, o professor não precisa se ausentar da sala de aula e já pode aplicar, diariamente, com os seus alunos, o que aprende na UNEB. Multicampi - Quais os projetos da Reitora Ivete Alves do Sacramento para a UNEB no ano de 2001? IAS - São muitos: continuar a avaliação institucional; promover o recredenciamento que envolve melhorias para as condições de todos os cursos; continuação do programa de capacitação docente; realizar concurso público para professor, minimizando a falta de professores, principalmente nos cursos novos; estender o vale-refeição para o maior número possível de docentes e técnicos; ampliar o acervo bibliográfico; implantar o projeto de educação a distância; disponibilizar e-mail da rede de informática para docentes e técnicos pesquisadores; reforçar os entendimentos com a Capes e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico); ampliar convênios com empresas e órgãos estatais e não-governamentais; estruturar a Editora UNEB, possibilitando a publicação de maior número de exemplares e títulos de professores, técnicos e estudantes; encaminhar projetos de ampliação, manutenção e modernização de laboratórios; finalizar o projeto de modernização do sistema de biblioteca. Com tudo isso, ao fim deste mandato, pretendo tornar a universidade cada vez mais forte e consolidada. Multicampi - Que avaliação a senhora faz da UNEB, antes e agora com tua gestão? IAS - Desde 1998, mesmo diante de todas as dificuldades - que são comuns a todas as universidades - temos observado um crescimento em todos os setores. Na conjuntura das universidades do país, a UNEB, de acordo com a sua especificidade multicampi, tem se destacado. Em 1998, deu-se ênfase à extensão universitária, abrindo-se os muros da UNEB às comunidades regionais. Nesta área até o presente a UNEB já atendeu aproximadamente 600 mil pessoas. Por tudo isso hoje a UNEB é reconhecida como universidade do estado, de fato. No ano de 1999, deu-se ênfase aos cursos de pós-graduação lato sensu como forma de preparar principalmente o egresso de cursos do interior para assumir a universidade. Isso proporcionou a cerca de dois mil alunos a oportunidade de se iniciarem no campo da investigação do saber e da produção científica. Em 2000, enfatizamos iniciativas para ampliar o número de pesquisas e pesquisadores na UNEB. Além disso, entre outros feitos, temos a realização de concurso público para servidores técnico-administrativos, em 1999, e para professor auxiliar, em 2000, foi uma decisão acertada, pois minimizou o problema de falta de pessoal. Um marco também foi a outorga do título de doutor honoris causa, recentemente entregue a Thabo Mbeki, presidente da África do Sul, numa cerimônia muito bonita. Este fato foi muito importante para a UNEB, pois além de ser o primeiro título oferecido pela universidade, trouxe uma boa repercussão nos níveis estadual, nacional e internacional. Multicampi - O Vestibular UNEB tornou-se o maior do Norte/Nordeste durante tua gestão. Comente essa realidade. IAS - No Vestibular 2001, tivemos 57.275 candidatos pleiteando 2.854 vagas, o que prova a credibilidade e a esperança que o povo baiano tem na UNEB. Por isso, precisamos reforçar em todas as instâncias da sociedade baiana o papel que esta universidade tem e terá na formação intelectual do cidadão baiano. |
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Multicampi-
boletim informativo da UNEB Salvador/2001 |