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Rádio FM e desemprego
Como se dá o discurso que dissimula o desemprego no rádio AM

O rádio AM sofre sérios problemas no Brasil. Emissoras fora do ar em várias partes do país, seitas "evangélicas" colocando pessoal desqualificado no lugar de profissionais competentes na Amplitude Modulada, concorrência desleal e predatória das FMs.

No Nordeste, o rádio AM, não bastasse sofrer tantos problemas, ainda tem que aturar um bem mais grave, que é a má fama. A grande imprensa tenta difundir a idéia errônea de que o rádio AM é o "vilão" do mercado de trabalho no rádio.

Volta-e-meia algum jornal veicula, com relativo alarde, mas sem fazer muita badalação para não despertar suspeitas, notas sobre demissão em massa nas emissoras AM. Tomando com exagero as reclamações de sindicalistas, que estão certos na sua indignação com o desemprego, só falta a imprensa usar do mesmo moralismo religioso das AMs "evangélicas" e classificar a Amplitude Modulada como "coisa do demônio".

Está corretíssimo que o desemprego, a demissão em massa, são coisas abomináveis, mas sempre constantes num sistema capitalista e injusto do mundo em que vivemos. Mas daí a dizer que todo empresário é "vilão" vai uma grande diferença. É óbvio que, no caso das empresas multinacionais, quando obtém companhias regionais em vários países do mundo, há o tal "enxugamento de pessoal" que visa tão somente as necessidades econômicas dos diretores estrangeiros que, alheios à realidade de outros países, ignoram que existam pais de família que precisam do emprego para sobreviverem e sustentarem seus dependentes, e que não têm recursos financeiros para pagar cursos profissionalizantes para aprender novas habilidades.

No entanto, nem todos são assim. Como classificar de gananciosa a demissão em massa nas rádios AM que não têm poder político nem econômico, embora muitas AMs já tinham exercido hegemonia no passado e tendo sido até corruptas, mas hoje a corrupção, diz a anedota popular, virou um "hit de FM". Existem FMs honestas também, mas elas também não figuram entre as mais poderosas.

FMS VENDEM FALSA IDÉIA DE QUE ESTÃO SEMPRE ABERTAS AO EMPREGO

Enquanto é vendida a idéia equivocada de que empresário de emissora AM demite por "hobby", a imprensa completa o maniqueísmo quando evoca FMs tendenciosas, que imitam o perfil das AMs, como "inesgotáveis postos de trabalho". Os próprios diretores e proprietários dessas FMs ajudam na difusão dessa idéia.

É comum ver um diretor de FM tendenciosa dizer, com um discurso otimista: "ah, o rádio sempre tem emprego, sim", "aqui sempre estamos precisando de repórteres e locutores", "sempre cabe mais um". Mesmo em emissoras que apostam na dupla transmissão AM/FM, que por conta disso restringem na prática o emprego de profissionais, também é feito esse discurso demagógico.

A história é essa: um sujeito com formação superior em Jornalismo ou Radialismo procura essa FM e fala com um profissional representante, nem que seja um locutor esportivo que se encarrega de receber currículos, por exemplo, ou então um sub-gerente ou secretário, e por aí vai. O funcionário da FM em questão, de maneira articulada, diz que a rádio está "em constante expansão", que "vai crescer muito" e aí inventa que está à procura de um grande contingente de jornalistas e radialistas. Garante que a contratação é "quase imediata", procurando criar uma esperança para o pretendente e fazê-lo crer que terá o emprego dentro de poucas semanas.

O jovem, animado, entrega o suado currículo para o responsável e sai da sede da emissora feliz da vida. Muitos candidatos similares fizeram e fazem o mesmo, sem perceber a verdade dos fatos: a FM em questão apenas está enganando a opinião pública com falsa abertura de emprego, que normalmente é um "jogo de cartas marcadas" e que, salvo exceções, se restringe apenas a um arquivamento de currículos, destinados a, dentro de alguns meses, serem depositados no lixo.

Essa falsa idéia de que as FMs estão sempre abertas ao emprego de pessoal é um marketing que tem por objetivo apenas vender uma imagem benévola de tais emissoras de rádio para a opinião pública. É uma espécie de prática publicitária sutil que busca difundir, de boca em boca, a imagem falsamente generosa das emissoras ante o grande público. As rádios não oferecem emprego, a não ser poucas vagas, mas as pessoas acabam acreditando na boataria do "emprego inesgotável" e daí para santificar tais FMs é um passo.

Como se vê, o capitalismo neoliberal não oferece milagres. Se as concorrências desleais ameaçam a sobrevida de muitas empresas, significa que as remanescentes e mais poderosas companhias não são entidades filantrópicas, operam por lucros e também impõem limites na contratação de pessoal. Mas a mídia festeja logo quando uma FM forja bom mocismo em diversas maneiras. Só que essa festa também tem seu preço. E quem vai pagá-lo, é o trabalhador que será demitido amanhã?

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