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| Funk: O ritmo mais popular em todo o mundo |
| Qual o ritmo mais popular do mundo inteiro?
O rock? Nada disso! É o funk, o ritmo de música negra
que invade até vários estilos em todos os países. E
que ninguém diga que o funk é sinônimo de rock, afinal
o funk, o verdadeiro funk, tem vida própria e
independente do rock, ainda que haja alguns cruzamentos
em seu caminho. JAMES BROWN, PRECURSOR DO FUNK, POPULARIZOU A SOUL MUSIC A PARTIR DOS ANOS 50 DO SÉCULO XX. |
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O funk marca forte presença na música internacional. No folk norte-americano, um suíngue funk embala muitas canções, sobretudo em Alanis Morissette, Matchbox 20, Semisonic, etc.. A música africana também bebe nas fontes funk, como Manu Dibango, More Kante. O hip hop nada seria sem o funk e Afrika Bambataa, Grandmaster Flash e Beastie Boys devem muito ao legado do Godfather of Soul James Brown.
| Mesmo no rock, há vários exemplos, dos
quais se pode destacar os grupos Faith No More e Red Hot
Chili Peppers e grupos recentes como Limp Biskit, Korn e
Linkin Park. Noutro departamento, até a new age
rendeu-se ao funk, só que mais lento e mais leve, vide
algumas músicas gravadas por Sarah Brightman e o grupo
Era. O GRUPO CHIC, LIDERADO PELO GUITARRISTA NILE RODGERS E PELO BAIXISTA BERNARD EDWARDS, FAZIA DISCO MUSIC SEM SUCUMBIR À CAFONICE DOS DEMAIS INTÉRPRETES. |
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No entanto, devemos ter consciência de que o funk não é de modo algum um derivativo do rock. Temos que tomar cuidado com a tendência da imprensa norte-americana em classificar tudo que é pop como "rock", mesmo nomes pop que variam de Bee Gees a Britney Spears, de James Brown a Michael Jackson e de Donna Summer a Madonna. Esse pessoal de modo nenhum é rock, e o público que entende de rock sabe muito bem disso.
Na música pop convencional e na dance music, é o funk que reina soberano. Há até oportunistas que diluem e esvaziam a essência original do funk, roubando-lhe o nome para denominar um estilo grosseiro de uma batida eletrônica rudimentar e um discurso meio falado, meio cantado, de falsos MCs (MC= "mestre-de-cerimônia"), alguns deles exaltando a violência e qualquer baixaria (vide Bonde do Tigrão, Vanessinha Pikachu, Tati Quebra-Barraco, MC Serginho, SD Boyz e outros, no Brasil, e Ba-ha Men, nos EUA).
Na música brasileira, o funk teve em Tim Maia (1942-1998) seu maior expoente e "cabeça" de um cenário artístico bastante expressivo. Há também o "samba-rock", que de rock tem muito pouco, pois o estilo, na prática, é uma mistura de dois sons dançantes, a gafieira e o funk (aí, na desinformação de leigos, o que era funk virou "rock", mas isso é outra história). Há também a grande veia funk na MPB dos anos 80, a MPopB. Muitas bandas que se dizem "de rock" são na verdade influenciadas pelo funk.
A popularidade do funk chega a superar, e muito, o rock, uma vez que este rumou para tendências mais radicais e difíceis que agradam mais a públicos selecionados. O funk pode não ser teoricamente massificado, mas, em compensação, contagia muitas mentes musicais, por ser um ritmo dançante, alegre e por vezes sensual e vibrante.
A HISTÓRIA DO FUNK
Nos anos 50 veio o rock e a soul music. Já com um pé no soul, o cantor e pianista Richard Penniman, um dos autores de "Tutti-Frutti" e conhecido como Little Richard, teve o jovem James Brown como vocalista de apoio. Brown não tardou a sair da banda e, ambicioso, iniciou sua carreira-solo como cantor, compositor, dançarino e músico, liderando e fazendo arranjos para a banda JB's.
De início James Brown fazia uma espécie de releitura do estilo de Little Richard, só que num andamento mais lento. Com o tempo, Brown se tornou criador de um estilo peculiar de soul music (o ritmo que surgiu da evolução do rhythm and blues, a partir de artistas como Ray Charles), que pelo seu potencial festivo, deu origem ao ritmo funk, que se ascendeu no final dos anos 60.
Um dos grupos que impulsionaram o funk era formado por cinco irmãos, quase todos adolescentes, que se tornou grande sucesso em 1968. Era o Jackson Five, que revelaria o caçula do grupo, Michael Jackson, como um dos maiores popstars do planeta e um dos que mais popularizaram o funk no mundo.
| Nos tempos da disco music
(1973-1983), grupos como os norte-americanos Earth Wind
& Fire, KC & The Sunshine Band, Chic e o inglês
Kool & The Gang representaram a ala funk num
movimento mais marcado por cafonices kitsch de
Village People e similares. O GRUPO EARTH WIND & FIRE FOI UMA GRANDE ORQUESTRA COMANDADA PELO VOCALISTA E MÚSICO MAURICE WHITE E CUJO DESTAQUE FOI O OUTRO VOCALISTA, PHILIP BAILEY, CÉLEBRE PELO SEU TIMBRE AGUDO. |
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Quanto ao Chic, foi um caso peculiar, pois seus criadores, os músicos Nile Rodgers e Bernard Edwards (este já falecido), eram produtores e descobridores de talentos, tendo produzido grupos como Sister Sledge. Os dois se tornaram bastante requisitados por muitos artistas internacionais nos anos 80. Eles ficaram entusiasmados pela competência rítmica das composições, arranjos e instrumentais da dupla central do Chic.
Nos anos 80, são os astros Michael Jackson e Madonna, além do multiinstrumentista Prince, contribuíram decisivamente para a popularização do funk e sua ampla difusão na rede de televisão MTV, anos depois.
A partir daí, o funk se tornou um estilo subestimado pelo grande público, pelo menos no discurso. Porque, no fundo, o ritmo funk provocava fascínio e êxtase nos inconscientes coletivos da multidão dançante mundial.
O RITMO FUNK
Quem imagina que o ritmo funk consiste apenas numa "batida eletrônica com zé manés cantando" se engana completamente. O que é conhecido como "funk" no Brasil, na verdade, trata-se do miami bass, inventado pelos negros de ascendência latina no Sul da Costa Leste dos EUA.
Funk é muito superior a isso. O funk autêntico exige bons músicos. Uma banda funk tem que ter um bom cantor, uma boa "cozinha" (ou seja, a combinação instrumental de baixo e bateria), bons instrumentos de sopros (metais) e cordas e boas composições.
As letras não precisam ser intelectuais nem contestatórias, afinal o que importa aqui é o ritmo e a melodia. Se forem letras sobre casos de amor banais ou sobre o simples ato de dança, é até melhor aqui, porque se inserem no clima dance que o funk proporciona. Baixaria é que não pode, porque de "baixo" mesmo só o instrumento principal do funk, o contrabaixo, seja ele elétrico ou o clássico, o popular "baixo de pau".
Enquanto o rock tem a guitarra como instrumento de destaque, o funk tem o contrabaixo como carro-chefe. Ouça "Everybody dance", do Chic, e verá que o saudoso Bernie Edwards dá um solo de baixo. Bootsy Collins se tornou também outro especialista no gênero e Flea, do Red Hot Chili Peppers, sabe muito bem da responsabilidade musical de um baixista no funk.
As composições de funk autêntico devem ser elaboradas. Afinal, as melodias e os instrumentais tem que desenvolver um ritmo, que pode ser curtido tanto na audição quanto na dança. O funk autêntico, por isso, exige maestros competentes, arranjadores empenhados, e aqui as duplas Rodgers & Edwards, do Chic, e Casey & Finch, do KC & The Sunshine Band, além de Maurice White, do Earth Wind & Fire, e de Barry White (também falecido), ora um cantor solo, ora o maestro da Love Unlimited Orchestra, e, no Brasil, Tim Maia e Banda Black Rio são exemplos admiráveis.
POR QUE A CONFUSÃO ENTRE FUNK E ROCK
Muitos que gostam (fãs) ou sofrem influência (músicos) do funk pensam estarem fascinados pelo rock. Virou até lugar-comum uma banda brasileira que é influenciada pelo KC & The Sunshine Band "tirar o corpo fora" e, para agradar pessoas mais críticas, declarar que é influenciada pelo Led Zeppelin ou pelos Rolling Stones, confundindo o funk dessa banda com um som hard rock, o que nada tem a ver.
Na verdade, certas pessoas, dotadas de um gosto musical narcisista para o qual "só o rock é que importa", sentem vergonha ou simplesmente desconhecem que curtem outras tendências. Com freqüência, tais indivíduos "puxam a brasa para suas sardinhas" e para todo gosto eles puxam para um contexto "roqueiro".
O fato se explica pela tradição de "patrulhamento" (pressão psicológica) do rock contra outros gêneros, o que constrange uns e intimida outros. Isso incomoda até a diversificação musical, uma vez que o rock ruim se sobrepõe ao que há de melhor em outros gêneros, só porque "o rock é que é revolucionário".
Mesmo com a desinformação de uns e o constrangimento de outros, o funk continua tendo popularidade estrondosa, só que não-assumida. Ainda tratado pelo mercado como um sub-segmento da dance music ou como um "departamento" do "adulto contemporâneo", o funk ainda irá reagir ao etnocentrismo cultural de um mainstream demagógico que só adota o rock para dizer que é "progressista" e só adota o pop para dizer que é "democrático". Discurso político como esse nenhum outro candidato fez na História.