O sono e o leite
Rogério Lacaz-Ruiz
Prof Dr de Microbiologia e Metodologia Científica
e-mail roglruiz@usp.br
Madre Teresa de Calcultá certo dia escreveu em tom de pergunta e resposta: "Qual é o pior defeito? O mau humor." E isto é verdade. Se ganha mais, como diz o velho ditado, com uma dedada de mel que com um barril de fel; e um sorriso abre muitas portas. Quando uma criança começa a choramingar, ou é fome ou é sono. E com os adultos isto também ocorre. Pela pressa que impomos ao nosso dia, e pelas metas muitas vezes sem norte, nunca terminamos as coisas, e mantemos uma pendência noturna que nos assola das mais variadas formas. Uma delas é o pesadelo, e outra a insônia. Conheci outro dia uma pessoa que tinha pesadelos quando brigava com alguém. E enquanto não pedia desculpas, ou em outros casos enquanto não perdoava, continuava ter pesadelos. A insônia por outro lado significa literalmente a completa perda do sono. Em termos práticos, a insônia é entendida como a inabilidade em "pegar" no sono, ou de manter-se dormindo, ou até mesmo despertar repentinamente, ou a combinação destes fatores. A insônia priva a pessoa da sua paz mental, e da perfeita interface com as atividades diárias. E isto é grave para a saúde se é freqüente. Dormir é fundamental para o descanso da mente e do corpo. São inúmeras as pesquisas que mostram que quem dorme melhor, vive mais e melhor. Quem dorme bem acorda em paz, relaxado e com energias para o dia que se inicia. Costumo dizer que todas as manhãs, nosso Pai nos dá uma garrafa com energia para o dia. Quem está em paz consigo mesmo e dormiu bem, acorda com esta garrafa repleta de energia. O sono já foi denominado sabiamente como "o bálsamo das mentes feridas e a maior conforto para o corpo cansado". Cada um pode e deve saber quanto precisa dormir, e o quanto cada um precisa dormir varia em função das idades da vida. Normalmente as pessoas se recompõem com sete ou oito horas de sono, enquanto que para outras quatro a cinco horas é o suficiente, pois dormem profundamente. A insônia é mais comum entre os idosos e se caracteriza por períodos de vigilância durante o sono. Nestes casos a qualidade do sono é comprometida qualitativamente. Os sintomas da insônia persistente são: lapsos de memória e perda da concentração, instabilidade emocional, perda da coordenação motora, confusão, lentidão para reagir e indiferença. As causas da insônia são as mais variadas e variam desde a tensão mental caracterizada pela ansiedade e excesso de trabalho, até problemas alimentares. Excesso de alimentos, ou a sua falta; bebidas como café ou chá interferem no sono. Excesso de barulho, cigarro, e tipo de colchão são fatores que atuam no sistema nervoso, particularmente naqueles ligados ao sistema digestivo, provocando a vigília durante o sono. Tomar remédios pode ser um paliativo e apresenta efeitos colaterais como indigestão, queda da resistência à infeções, problemas respiratórios e circulatórios, perda do apetite e problemas mentais. A dieta é um fator que tem merecido estudo por parte dos especialistas. Pessoas com insônia apresentam deficiência de nutrientes como vitaminas do complexo B, Vitamina C e D, cálcio, magnésio, manganês, potássio e zinco. O sono não entrará no seu ritmo biológico sem uma dieta balanceada. Aliás a dieta é um reflexo do quão bem a pessoa se conhece e respeita seu corpo, e isto inclui o respeito ao sono natural, que consiste em dormir e acordar no mesmo horário. Assim sendo, acordar na hora se torna algo rotineiro e agradável. Excesso de açúcar, chá, café, e os refrigerantes do tipo cola, álcool, frituras, etc. devem ser reduzidos ou eliminados para um bom sono. Isto inclui um processo de autoconhecimento. Se você pode beber leite, vale o conselho de tomar um copo de leite A, adoçado com mel antes de dormir. O leite possui o aminoácido triptofano, que sabidamente é indutor do sono. Não é a toa que as crianças mamam e dormem profundamente Publicado em 24 de fevereiro de 2001 (Ano LXVI – Nº 4926, p.A2) no Jornal O movimento.