Três tipos de bem
Rogério Lacaz-Ruiz é professor de Metodologia Científica e Microbiologia na FZEA/USP.
e-mail roglruiz@usp.br http://br.geocities.com/rogeriolacazruiz/inicial.html
Os provérbios são frases mágicas que nos tiram muitas vezes do estado de dúvida. Outras vezes nos servem como pano de fundo para conduta. E como exemplo vale o Faça o bem sem olhar a quem. Nem sempre é fácil saber se estamos fazendo o bem. E para tanto, recorrer aos filósofos é uma atitude prudente. Estes pensadores dizem que existem três tipos de bem, a saber: i) o bem útil, ii) o bem deleitável, e iii) o bem honesto. Basta saber algo para nos perguntar. Quando fazemos um bem útil? Quando estamos doentes e tomamos um medicamento ou um chá, ou dormimos para voltar ao estado de normalidade; quando comemos algo para o nosso sustento. Fazemos assim um bem útil ao nosso corpo. Quando fazemos um bem deleitável? Uma pessoa que use da sua inteligência para conseguir um diploma ou com seu trabalho para comprar um relógio ou um carro, se deleita com a meta obtida. Nestes dois tipos de bem, o útil e o deleitável, podemos nos alegrar, mas nunca sermos felizes, pois de certa maneira temos um valor superior àquilo que obtivemos. Finalmente, o que é o bem honesto? O bem honesto é a atitude que temos diante dos atos que realizamos que nos aproximam daquilo que estamos chamados a ser. Uma pessoa que se propusesse a falar sempre a verdade, seria uma pessoa leal, honesta. O homem, como é um ser axiotrópico (gr axios = valor) isto é, que busca valores, será mais humano quanto mais atos próprios do homem fizer. Para concluir, é possível dizer que nenhum ato humano é indiferente; ou nos torna – honestamente – mais humanos, ou não. Também não adianta buscar a felicidade no "ter" e no "fazer" e sim no "ser" mais humano.
. Publicado em 6 de agosto de 2001 (Ano LXVI – Nº 4972, p.A2) no Jornal O movimento.