A experiência

Rogério Lacaz-Ruiz é professor de Metodologia Científica e Microbiologia na FZEA/USP.

e-mail roglruiz@usp.br http://br.geocities.com/rogeriolacazruiz/inicial.html

A potência humana relacionada com a experiência é a inteligência, e de certo modo, a memória. E desta maneira dizemos: me lembro de boas experiências que tive com meus pais; ou recordo que ele me falou que aquele local é maravilhoso. É possível deste modo distinguir dois tipos de experiência: a sensitiva e a intelectiva. A experiência sensitiva é aquela que sentimos "na pele"; enquanto que a experiência intelectiva é a que os outros sentiram em suas peles e nos relatam. Nunca levei um soco no rosto, e pela experiência dos outros, nunca quererei levar um. Sabendo destes dois tipos de experiência, evitamos o querer experimentar tudo pela simples curiosidade de saber como é. Contra a curiosidade, o estudo. Isto é, podemos e devemos refletir antes, estudar o assunto para evitar o pior, ou não perder a melhor. Outra atitude que podemos ter diante das experiências passadas é rescrevê-las em nossa memória. Tomemos o caso de uma bronca que levamos dos pais, do chefe ou de um amigo. Foi uma experiência desagradável, e que nos produziu um ódio, um rancor que carregamos durante anos. Chegamos a brigar com as pessoas ou até mesmo rompido o relacionamento. Mas pensando bem, com nossa experiência de anos, repensamos e percebemos que aquelas pessoas não só fizeram um bem, como queriam o nosso bem. Rescrever os fatos não é dizer que eles não existiram, mas enxergá-los por outro ângulo. Vale a pena fazer esta experiência sensitiva; nos fará muito bem! Publicado em 6 de agosto de 2001 (Ano LXVI – Nº 4972, p.A2) no Jornal O movimento.

 

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