Discurso de Professor Paraninfo de XIX Turma de Zootecnia. 28 de julho de 2001.

Senhor Diretor e demais membros desta Congregação. Autoridades aqui presentes e amigos dos formandos. Senhores pais e queridos afilhados, eu vos saúdo a todos.

Vou iniciar contando um fato. Depois que vocês me escolheram como um dos paraninfos da XIX, alguns alunos de outras turmas me perguntaram por que eu não os tratava, como tratei a vós?! Na ocasião apenas sorri, mas agora respondo. Por que não fui eu quem os tratei, mas foram vocês quem trataram de mim. E não só trataram como cuidaram de mim em muitos detalhes. Vós bem o sabeis. Eu estava muito doente e vocês ficaram felizes pois cuidaram de mim. Qual a moral da história?! Só somos felizes quando servimos aos outros, com a nossa compreensão e trabalho. E servir é uma palavra fora de moda. Mas vocês aprenderam na prática antes da teoria. Somos infelizes quando buscamos só a nós mesmos, somos inúteis quando somos egoístas. Faço aqui então, um elogio a vocês e aos vossos pais – foi deles que vocês aprenderam a servir – e por este motivo, todos tem como prêmio a felicidade. Tenho portanto com todos da XIX e os senhores seus pais, uma dívida irreparável! Procurarei não esquecer!

E por falar em esquecer, me pediram para falar de algumas frases que repito com freqüência. E a primeira é: o homem é um ser que esquece... e eu complemento... e a mulher também! Esquecemos do dia do nosso aniversário? Esquecemos que fulano nos deve R$ 50,00? Ou que alguém está com nosso livro ou nosso CD faz mais de ano?! NÃO! Esquecemos quem somos. Somos uns eternos insatisfeitos pois somos axiotrópicos, buscamos valores verdadeiros. Temos um coração que foi feito para amar, e o amor não tem limites. Esquecemos que somos filhos prediletos de Deus e trocamos o Seu amor muitas vezes por uma glória vã: a vanglória! Qual a moral da história?! O amor está na lembrança e o desamor no esquecimento, já o disse Raimundo Lullio faz já mil anos. Por este motivo quando uma pessoa viaja, e diz na volta: -Te trouxe uma lembrança..., quer dizer que ela nos ama! Lembrai sempre de Deus como um Pai amoroso, e sereis sempre felizes. Ele não se esquece de nós.

Outra frase que repeti muitas vezes foi: As mulheres mandam, e complemento, é bom que seja assim! Aos que resistem a esta verdade, lhes pergunto: Quem manda?! A Mônica ou o Cebolinha?! A Wilma ou o Fred?! A Minie ou o Mickey?! Um rei indiano do Século I dizia: As mulheres já nascem inteligentes. Os homens precisam adquiri-la nos livros. Não digo isto para ficarem orgulhosas, mas para lembrar de vossa responsabilidade, principalmente agora, que existe uma campanha mundial para destruir a mulher, e transformá-las em mero objeto. Com vosso amor e fortaleza sois chamadas a transformar a sociedade, para que ela seja mais justa e solidária. Qual a moral da história?! A mulher complementa o homem e vice-versa. Sois as dona da casa e, fazei do homem o chefe de família. Isto é, em casa, no lar, mandam vocês, e fora de casa, vocês mandam o homem mandar. Tende paciência com os homens, e não sejais muito mandonas.

Meus afilhados, sei muito bem que não fui eu quem mais contribuiu para vossa formação profissional e humana, sei que todos os professores desta Casa são melhores que eu. Com estas palavras quero viver a justiça com meus colegas, professores e funcionários, elogiando o sacrifício escondido e eficaz. Sei que até mesmo seus amigos e colegas atuaram positivamente em vosso modo de ser, e a eles também agradeço,... a sociedade agradece. Qual a moral da história?! Procuremos pensar antes de fazer qualquer coisa, por pequena que seja. Não percamos nunca a chance de ajudar, mesmo que implique dizer não, e este não seja para o bem do próximo.

Trabalhai sempre com vistas ao Bem Comum, mesmo que por um momento o vosso trabalho seja procurar emprego. Eu também passei por isto. Não reduzais a relação com vossos pais a uma relação financeira. Senhores pais, tende paciência com os vossos filhos. Eu sei que o terão!

Não gastei o vosso tempo com intrigas, não vale a pena. Gastai vossas energias em construir um mundo mais justo e solidário.

Não transformai vossas vidas em um mero "fazer", nem a simplesmente em "ter"; mas procurais "ser" aquilo que estais chamados a ser, o que não é pouco. Tendes ideais altos, voai como as águias, e não como galinhas! Me entendeis...

Tende espírito crítico, e não se deixem enganar pelos números; pois detrás deles pode haver formas camufladas de dominação perversa e destrutiva. Não façais os outros esperar, pois isto se chama omissão, e pode fazer muito mal a vocês e ao Bem Comum.

Não acrediteis na última crise, na última moda, na última...! Sede vós mesmos, e viveremos a pluralidade. Paradoxalmente, a harmonia está na inclusão e não na exclusão.

Não sejais orgulhosos se já tendes um emprego. Não pensem por outro lado que não aprenderam nada, ou que erraram de profissão os que estão desempregados. Sabeis sempre algo que pode ser ensinado para melhorar a sociedade. Qual a moral da história?! Respondo com um ditado: Façam o bem, sem olhar a quem.

Finalizo pedindo desculpas. Em primeiro lugar porque falei demais – um dos meus defeitos –, e em segundo lugar, pelas broncas que dei e dou nos meus alunos. Estas broncas são para mim, e que as digo em voz alta para que continuem sendo melhores do que este que vos fala.

Muito obrigado.

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