CANETA
POÉTICA
CÂNDIDO
PINHEIRO
Deslizo
suave
sobre
as folhas
de outono
do papel
Sou dançarina
que insisto
em manchar
todas
as linhas
E sobre
elas deixar
as mais
lindas
impressões
São
linguagens
do coração
em versar
sobre
amores
E mesmo
com certos
temores
vou saboreando
os sabores
O doce
e o amargo
que em
outras
folhas
já
provei
Registro
teus desejos
e paixões,
loucuras
e seduções
Vontades
que não
cabem
no segundo,
pois o
vento
sopra
o tempo
E a cada
momento
deixo
escrita
uma página
com saudades
As verdades
que escrevo
não
acontecem,
são
delírios
e ilusões
Tento
enganar
o meu
caminho
e por
isso desalinho
Na ânsia
e em desatino
de iluminar
o teu
destino
Sou formosa,
delicada
e elegante
Por isso
sou caminhante
de ir
e vir
a teus
impulsos
Rabisco
e ás
vezes
errante,
são
deslizes
do meu
cansaço
Mas me
sinto
protegida
no afago
terno
dos teus
dedos
Muitos
arrepios
em meu
corpo
no agora
desta
hora
Aperte-me
junto
a você,
pois meu
desejo
é
ser tua
Desnuda
de vaidades,
me entrego
ás
tuas vontades
Faça
de mim
o que
quiseres
e eu serei
os teus
dizeres
Em escritos
de afazeres
vou saciando
os teus
prazeres
Sou simples
e às
vezes
folheada,
tenho
todas
as cores
Pois na
tinta
eu me
tinjo
para enfeitar
os teus
poemas
Por isso
te peço
que nunca
me jogues
fora
Nem tão
pouco
me abandones
quando
chegar
o meu
final
Mas, se
acaso
não
precisares
mais de
mim
Deixe-me
ao menos
descansar
sobre
a tua
escrivaninha
E assim
à
tua espera
estarei,
certa
de que
irei encontrá-lo
Sempre
que voltares
a escrever...