Falar de Caboclos é uma tarefa
bastante agradável, ainda que extensa e difícil, pois existem tantos que seria
uma grande leviandade, declararmos conhecer a todos.
Inicialmente é importante
conhecermos uma diferenciação que se faz entre eles. Os Caboclos de Couro e os
de Pena. Caboclos de Couro, são os Boiadeiros, e os de Pena são os Índios. Ainda
tem os Caboclinhos, que são índios meninos, muito comuns no Nordeste do Brasil.
Muito se fala a respeito de
que tipo de espíritos poderiam ser os Caboclos, Pretos-Velhos, etc... Seriam
mesmo índios? Ou em relação aos Pretos-Velhos, seriam somente negros ou
escravos?
O trabalho da caridade
espiritual é muito grande e não caberia somente a esta ou aquela qualidade de
espíritos praticá-la. Se nas falanges de Caboclos ou em outra qualquer, não se
manifestarem somente espíritos daquela classe, isso não muda em nada sua força.
E qualquer espírito que se aproxime ou que lhe seja determinado trabalhar
naquela determinada linha vibracional, às características da falange deverá ser
amoldar.
Isso se aplica a qualquer
qualidade de espírito. Até mesmo aqueles que em suas vidas pretéritas tenham
convivido em camadas sociais diversas, podem depois de desencarnados trabalharem
em qualquer falange, mas para isso moldam-se a ela utilizando-se da roupagem
característica dela.
Já imaginaram um Caboclo
manifestado de paletó e gravata, dando consultas com um lep top?
O que quero dizer é que as
falanges de Caboclos, são mesmo índios, ou no caso dos Caboclos de Couro, são
boiadeiros, vaqueiros, trabalhadores do campo. Entretanto, não é impossível a
outros espíritos que viveram em outras classes sociais, aproximarem-se, por
gosto ou determinação superior, às características da falange em questão e
passarem a praticar a caridade, assim como, a perseguir a elevação espiritual,
dentro daquelas características. A evolução de cada entidade se dá mais pelo
trabalho que pratica, pelo bem que alcança e dirige a quem necessita, do que
pela maneira como se manifesta, fala ou se veste.
Assim sendo é muito mais
importante nos aproximarmos da figura que a entidade nos proporciona, do que
ficarmos procurando uma maneira de investigar e determinar o que não nos é
devido.
Os Caboclos são entidades
fortes, viris. Alguns tem uma dificuldade muito grande de se expressar em nossa
língua, sendo normalmente auxiliados pelos cambonos, que são filhos da casa,
normalmente iniciando seus desenvolvimentos ou alguém que não tenha a
mediunidade de incorporação. São sérios, mas gostam de festas e fartura. Dançam
muito e gostam de cantar também. Bebem vinho, cerveja, ou a Macaia que é uma
mistura de ervas. Fumam normalmente charutos, mas alguns Boiadeiros fumam o
palheiro, que é um cigarro feito de palha de milho com fumo de corda ou rolo ou
até mesmo cigarros normais.
Os Caboclos, embora
comandados por Oxosse, Orixá da caça, que na Umbanda é louvado como rei das
Matas, estão sempre ligados a um determinado Orixá e mantém suas
características, de alguma forma ligada a esse Orixá. As Caboclas normalmente
estão ligadas a Orixás femininos.
Os Caboclos de couro -
Boiadeiros - são alegres e festeiros, são bem mais descontraídos e extrovertidos
que os Caboclos de penas. Gostam de música, alguns gostam de samba, cantam
toadas que falam em seus bois e suas andanças por essas terras de meu Deus. Os
Boiadeiros também são conhecidos como " Encantados ". Eles não teriam morrido
para se espiritualizarem, teriam sido encantados e se transformados em entidades
especiais.
Os Caboclos de Pena são
exímios na arte de curar e na limpeza espiritual, são profundos conhecedores das
ervas medicinais e de suas propriedades espirituais, assim como suas
propriedades terapêuticas para o tratamento de muitos males. São grandes
passistas e os resultados de seus trabalhos aparecem muito rapidamente. Gostam
muito de crianças e se entristecem muito com o mal tratamento dispensado a elas
por maus pais.
Gostam muito de frutas,
plantas e flores e suas festas devem ser bem ornamentadas pelos Zeladores de
santo, que tem neles uma barreira muito grande contra os males de natureza
material e espiritual. A ornamentação não precisa ser suntuosa, pois são
entidades bastante simples, mas flores e folhas compõem arranjos que os deixam
muito satisfeitos.
Nas matas, cachoeiras,
praias, rios, montanhas, sempre haverá a presença de um Caboclo, assim como
entre as plantas e animais: Mata Virgem, Sete Cachoeiras, Sete Montanhas,
Caboclo Arruda, Caboclo Guiné, Cobra Coral, Sucuri, Jibóia; Os ligados
diretamente aos Orixás, Caboclo Rompe Mato ( Ogum/Oxosse), Caboclo da Pedra
(Xangô); aos ligados às forças da natureza, Caboclo Ventania, Sete Cachoeiras;
aos ligados às atividades nas florestas, Caboclo Caçador, Flecheiro; aos ligados
ao desmanche de feitiços, Serra Negra; aos ligados às cores, Caboclo Roxo; às
tribos, Caboclo Tupi, etc... Em suma, sempre haverá um Caboclo ligado a qualquer
área da natureza para nos proteger e auxiliar. Saravá Caboclo, Saravá toda a
Macaia. Saravá Jurema, Jupira, Jandira, Iara, e tantas outras Caboclas
maravilhosas que enfeitam os rios, as serras com sua beleza e força e nas festas
bradam e dançam, mostrando a feminilidade indígena, inocente, feliz, mas forte.
Grandes trabalhadoras da seara de Oxalá. Okê Caboclo, Okê!
Eu mandei fazer, três capacetes
de penas
Um é pra Iara o outro é pra Jandira e outro é pra Jurema!
Esses são os
Caboclos de pena! As características dos de couro são bastante diferentes, mas
que não modificam suas intenções na prática do bem e da caridade. Os Boiadeiros
também apresentam diversidades de manifestações. Boiadeiro menino, Boiadeiro da
Campina, Boiadeiro Bugre, Boiadeiro do Sertão e muitos outros tipos.
Ele é Boiadeiro lá do sertão, Um pé calçado outro no chão!
São cantigas
muito alegres, tocadas num ritmo vibrante, enquanto os Boiadeiros se esbaldam
nas festas a eles consagradas. São porém grandes trabalhadores e defendem a
todos das influências negativas com muita garra e força espiritual. Possuem
enorme poder espiritual e grande autoridade sobre os espíritos menos evoluídos,
sendo tais espíritos subjugados por eles com muita facilidade.
Boiadeiros
gostam de vinho,cerveja, fumam charutos, cigarros de palha, ou mesmo cigarros
comuns, alguns tomam cachaça com mel, vinho puro ou com mel, usam chapéus de
couro, rebenques ou laços, alguns tocam berrante. É tal e qual se poderia
presenciar no homem rude do campo. Durante o dia debaixo do calor intenso do sol
ele segue, tocando o gado,
tratando, marcando. A noite ao voltar para casa, o churrasco com os amigos e a
família, um bom papo, ponteado por um gole de aguardente e um bom palheiro, e
nas festas um arroubo de alegria.
Assim se manifestam os Caboclos, onde quer
que sejam chamados. Algumas casas adotam determinadas doutrinas que lhes tolhem
um pouco as características. Não lhes permitem fumar ou beber e se mesmo assim,
humildemente, aceitam as condições da casa é por que é maior o desejo da
caridade, do que mostrarem-se como realmente são. Isso não diminui nem seus
trabalhos nem a capacidade da casa, muito menos deprecia tal doutrina. No
entanto é muito importante que os respeitemos da maneira que se apresentem, sem
que queiramos por nossas variações sociais, determinar suas procedências ou
negar suas qualidades.