Apresentam-se também na Umbanda, além dos Orixás, uma categoria de espíritos denominados guias ou entidades, os quais nos acompanham no dia a dia e nos trabalhos espirituais. São eles: Os Caboclos, Pretos-Velhos, Crianças e Exus. Existem ainda outras entidades, como os Mineiros, Boiadeiros, Marinheiros, Ciganos e Ciganas. Já ouvi algo a respeito de Cangaceiros também.
    Essas entidades são providas de grande força espiritual e muita luz, trabalhando sempre nas curas, nas desobsessões, na tranqüilização dos filhos acometidos de problemas inquietantes, assim como na abertura de caminhos. Os Pretos-Velhos, verdadeiros psicólogos para os pobres, além de grandes médicos naturais utilizando o poder fitoterápico das ervas. Os Caboclos com a virilidade peculiar, inocência e seriedade, trabalham nas curas e limpeza do campo energético do filho, por intermédio de passes e banhos de descarrego. Ibeijada com seus sorrisos e trejeitos, vão ajudando, encaminhando as crianças da terra, como também os adultos, sempre sorridentes e barulhentos mas muito competentes . A menção de que os Velhos curam com ervas e os Caboclos com passes, não quer dizer que uns somente façam uma coisa ou outra. Todas as entidades, nos momentos devidos, utilizam-se de todas as forças necessárias para o auxílio ao consulente.
    Os guias, via de regra, são chamados à terra pelos pontos cantados, mas podem atender aos chamados apenas pelo poder da concentração ou da oração. Normalmente usa-se o som dos atabaques, mas em algumas casas eles não são utilizados sendo substituídos por palmas ou somente os cânticos. Os pontos na maioria das vezes descrevem alguma característica da entidade ou apenas demonstram o quanto estamos felizes com suas presenças. Alguns são apenas como gritos de guerra, onde estimulam mais pelo ritmo do que pela letra.
" O navio apitou lá no mar afora, salve o Preto-Velho que chegou agora"
    Esse ponto por exemplo, tão curtinho, serve para salvar qualquer Preto-Velho que chegue.
Um outro de saudação geral:
"Eu andava perambulando sem ter nada pra comer, fui pedir as santas almas, para vir me socorrer. Foi as almas quem me ajudou, foi as almas quem me ajudou, meu divino Espírito Santo, viva Deus Nosso Senhor. "
    A Umbanda tem uma grande aproximação com várias religiões, como o Kardecismo, o Catolicismo, e o Candomblé, aproveitando vários de seus fundamentos. Isso, ao invés de desmerecê-la, entendo que a fortalece ainda mais, pois se usa fundamentos tão diversificados e de grande poder espiritual em seus trabalhos, principalmente nos de cura, os resultados obtidos serão sempre muito elevados.
"Vermelho é a cor do sangue do meu pai e verde é a cor da mata onde ele mora. Ô Saravá todos os Caboclos da Umbanda! Saravá, as matas onde eles moram"
Okê Caboclo!

    É assim que todos, médiuns e assistência salvam os Caboclos quando vão chegando ao terreiro. O ponto é animado e os Caboclos, vão chegando, riscando e cantando seus pontos, mostrando assim sua identidade e maneira de trabalhar. Existem os Boiadeiros, que também vêm na linha de Caboclos, mas tem seus pontos particulares. São chamados Caboclos de couro assim como os índios, são chamados de Caboclos de pena.
" A menina do sobrado, ô mandou me chamar por seu criado. Eu mandei dizer a ela, tava tocando o  meu gado. Ê Boiadeiro, gosta de um samba rasgado"
A melodia desta cantiga é alegre e extremamente contagiante!
    Alguns consideram os guias da Umbanda, espíritos inferiores, porque usam um linguajar próprio e utilizam-se de seus artefatos durante as manifestações. Diz-se por aí, que a superioridade de um espírito é demonstrada pela qualidade de suas comunicações. Concordo com isso, mas entendo que essa qualidade é no que tange a exatidão e não apenas pela beleza da construção das palavras. Imagino que se fossemos aquilatar a elevação espiritual pela retórica apresentada, Hittler seria hoje um espírito bastante considerado, de primeira linha, em virtude de sua retórica e carisma apresentados quando encarnado. É interessante a aceitação da superioridade de um espírito que se denomina apenas "Um irmão", ou, "Um espírito amigo", fazendo-se distinção a um que tem um nome fixo, Pai João ou Jacó, ou José, ou qualquer outro, mas que sempre se apresente com essa identidade e mantenha o mesmo nível de comunicação, permitindo assim, a que todos possam aquilatar sua capacidade de acertos e evidenciar que não seria apenas uma colocação de nomes e sim uma identidade real.
    Salve meus Pretos-Velhos, Salve meus Caboclos, Salve Ibejada e Salve meus Exus!  Salve a todas as entidades que tornam a nossa Umbanda, uma religião linda, feliz e com ideais bastante definidos

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