Vamos tentar discorrer
sobre Linhas de Umbanda, Falanges e Legiões. Pretendo continuar na linha que
venho utilizando, ou seja, sem declarar-me Zelador de Santo ou Expert de alguma
forma. Não tentarei modificar ou ensinar qualquer coisa que seja, apenas
apresentar percepções diferentes, na intenção de que cada um possa, formar o
seu próprio ponto de vista. Devemos no entanto, mantermo-nos distante da
vaidade e da presunção da verdade única e pessoal. Mesmo que não concordemos com
determinadas afirmações, é seguro que entendamos ser difícil qualquer idéia
sobre Umbanda estar completamente certa ou completamente errada. Os diversos
entendimentos sobre suas origens, a mescla com fundamentos de outras religiões e
a metamorfose que sofre de determinadas culturas, até mesmo regionais, para
outras, fazem com que conhecimentos, sentimentos e posições possam ser aceitos
no seu todo ou apenas em partes.
Assim sendo, para que tenhamos um ponto de vista razoável sobre esta matéria é
necessário que nos posicionemos de alguma sorte sobre as origens da Umbanda.
Esse procedimento será muito importante para que possamos entender ou manifestar
algum tipo de consideração pessoal.
Antes de mais nada, vamos colocar algumas definições:
LINHA - Grupo de entidades que pertencem a determinada vibração de um Orixá. Tal
Orixá representa a Linha.
LEGIÃO - Cada linha é composta de Legiões e cada Legião tem um chefe que será
uma entidade espiritual de grande força e luz.
FALANGE - São todos as entidades que participam daquela Legião e produzem o
trabalho espiritual necessário.
Desde que conheci a Umbanda e dela faço parte, sempre ouvi falar em Linhas. "
Tal Caboclo é da linha de Ogum, outro era da Linha de Xangô", " Determinada
entidade era feita em sete linhas", há até a Vela das sete linhas, que é uma
vela comum de sete dias sendo no entanto confeccionada em sete cores distintas.
Essas considerações são bem comuns, entretanto é visível as diferenças de Linhas
para uma mesma entidade. Pude perceber tais diferenças com mais intensidade, nas
oportunidades que tive de perceber culturas diferentes em regiões diferentes ou
até mesmo por considerações diferentes.
Até mesmo as Linhas não são unânimes. Uns apontam as seguintes linhas: Oxalá,
Yemanjá, Ogum, Oxossi, Xangô, Yori e Yorimá, sendo Yori relacionado aos Ibejis e
Yorimá relacionado com os Pretos-Velhos.
Outros apresentam a Linha do Oriente e Linha Africana, Linha das Senhoras, Linha
do Congo, Linha de Cambinda, etc... Existem afirmações sobre a Linha de Exu,
que apesar de não constar nas sete linhas principais é muito importante, como
também uma Linha de Boiadeiros, Cangaceiros, etc....
Uma das aceitações é sobre as entidades estarem a serviço de todos os Orixás,
neste caso, cada um dos Orixás representaria uma Linha e determinadas entidades
seriam os chefes das legiões que a caracterizam. Eu particularmente enquadro-me
nesta idéia. Não considero somente sete linhas e não acho por exemplo que a
Linha de Yemanjá, possa representar concomitantemente as vibrações de Yemanjá e
Oxum, por exemplo. São vibrações completamente diferentes, áreas da natureza
completamente díspares, apesar de serem constituídas de água.
Quando digo que nos posicionemos de alguma sorte para as origens da Umbanda,
entendo que já temos nossas posições. Por exemplo, os que tem um ponto de vista
africanista, como eu, entende que os Orixás tendo uma categoria divinal, tem
realmente o comando das linhas, mas então nesse caso cada um teria uma linha
diferente e são bem mais que sete Orixás conhecidos. No que concerne às
entidades espirituais trabalharem dentro dessas linhas, já entra um ponto de
vista abrasileirado, pois na África não se cultuava Caboclos ou Pretos-Velhos, e
muito menos se juntavam Orixás com Eguns.
Cada um tem um ponto de vista diferenciado, nem mais certo nem mais errado que
outro. Talvez um pouco de boa vontade, um pouco de humildade, nos colocariam bem
mais perto da verdade, se é que existe uma única. Uma coisa é certa! Cada
entidade se remete a um Orixá, isso podemos ver em seus pontos cantados,
riscados e até mesmo em suas comunicações quando manifestados. Se determinado
terreiro propaga sete linhas e em outros se percebe mais linhas ou apenas as
sete mas com definições diferentes, nos cabe o dever de respeitá-los e se ali
quisermos repousar nossa mediunidade e oferecer nosso trabalho de caridade
então, além de respeitar, aprender e aceitar.