Uma casa de santo, seja de
Umbanda ou Candomblé, além dos filhos de santo, tem outros elementos que dão
suporte aos trabalhos, além de serem considerados, um tipo de
autoridade da casa.
Tais elementos são os Ogãs,
Cambonos e Ekédis. A principal características desses filhos, notadamente Ogãs
e Ekédis, é a falta da capacidade de manifestarem o Orixá ou a Entidade
Espiritual. Não são rodantes, como se diz normalmente sobre os filhos de santo
que têm a capacidade de receberem a entidade, ou seja, de manifestarem através
da matéria a personificação do espírito.
Na Umbanda, os Ogãs são
naturalmente e normalmente os tocadores de atabaques. Aos Cambonos cabe o
auxílio às entidades e consulentes. Há uma característica muito comum na
Umbanda, que é iniciarem os trabalhos como Cambonos, a maioria dos filhos,
mesmo os que têm a capacidade da incorporação.
Enquanto a mediunidade vai
se desenvolvendo eles ajudam aos mais velhos que já têm a mediunidade desenvolvida.
Esse trabalho de ajuda, não cessa por completo com o desenvolvimento. Mesmo os mais antitos e mais
desenvolvidos, na Umbanda, quando não incorporados, procuram ajudar aos
demais, aos mais novos inclusive. Os Ogãs, mesmo os de Umbanda, normalmente não
são rodantes, embora pudemos, em várias ocasiões, observar isso ocorrer. Neste
caso, do meu ponto de vista, não podem ser considerados Ogãs, e sim alguém que
estariam momentaneamente ajudando a casa tocando o atabaque. De qualquer forma,
é um problema, pois o atabaque é o elemento que faz a chamada da Entidade, e se
no meio do toque, o Ogã ao invés de manter a vibração do toque, manifesta-se com
ela, poderá criar uma quebra de concentração e conseqüentemente uma quebra
fluídica. Seguramente isso ocasionará transtornos e mal estares em médiuns mais
novos como até nos mais velhos também.
No passado era uma regra
geral que atabaques eram instrumentos consagrados unicamente ao Ogã, que deveria
ser necessariamente do sexo masculino. Esta regra vem sendo quebrada
sistematicamente em algumas casas menos tradicionais. Há muita discussão sobre o
assunto e provavelmente muita água irá rolar por baixo da ponte, até que se
determine ser certo ou errado tal procedimento.
Em algumas casas de Umbanda
costuma-se dar à pessoas de bom nível social ou amigos que se apresentam para o
trabalho e ajuda da casa, títulos de Cambono e até Ogãs. Estes entretanto, que
na verdade não participam da vida ativa do centro e comparecem eventualmente às
sessões comuns e muito ativamente nas festas, são uma categoria especial e
recebem funções específicas como fiscais da freqüência, servem bebidas e comidas
aos convidados e procuram manter a normalidade dos trabalhos, impedindo o acesso
de elementos negativos que possam criar algum problema ao bom andamento dos trabalhos. Aqueles que participam
ativamente da vida vegetativa e espiritual da casa serão os Cambonos de terreiro
e participarão ativamente das sessões e festas, sendo na maioria das vezes os
futuro médiuns de trabalho com as entidades.
Em contrapartida
temos o Ogã e a Ekédi. São funções ou capacitações de elementos nas diversas
nações de Candomblé. Nas diversas nações afro-descendentes recebem nomes
específicos. Trataremos aqui como Ogã e Ekédi, levando em consideração a
importância e tipo de trabalho, além de ser naturalmente, os termos mais
conhecidos dentro da religião por iniciados ou neófitos. Não são apenas
iniciantes a espera da manifestação dos Orixás, ou pessoas que possam ajudar de
alguma forma a casa. No Candomblé, Ogã e Ekédi são cargos que já vêm
determinados às pessoas, assim como os que têm a obrigatoriedade de iniciar-se
na religião, fazendo o que comumente chamamos de FAZER O SANTO, ou
FAZER A CABEÇA!
O Ogã e a Ekédi,
primeiramente são suspensos pelo Orixá e futuramente confirmados em iniciação
particular, diferente em alguns aspectos, da iniciação do Omo-Orixá, ou Filho de
Santo. Possuem poderes específicos dentro dos barracões, pois são autoridades
especiais, sendo considerados pais e mães por natureza. A eles são atribuídos os
atabaques, os sacrifícios, a guarda de elementos espirituais, colheita de ervas,
responsabilidade pela cozinha do santo, auxílio imediato ao Babalorixá/Yalorixá
nos ebós e obrigações dadas nos filhos. São Mães e Pais Pequenos do barracão,
Mães Criadeiras, verdadeiras mães e pais a quem os filhos devem respeito e
carinho.
Podemos notar as diferenças
funcionais e fundamentais entre Cambonos e Ogãs que trabalham na Umbanda em
contrapartida aos Ogãs e Ekédis no Candomblé, porém é importante lembrar que
guardada as proporções de cada uma das funções, tantos uns como outros, são
importantíssimas suas funções e seria muito difícil, quiçá impossível, muitos
objetivos do culto serem alcançados sem a presença deles.
Respeitem e tratem muito
bem, com carinho, amor e devoção aos seus Ogãs, Ekédis, Mães e Pais Pequenos
além dos Cambonos, são eles que de alguma forma, fazem com que o caminho a ser
trilhado dentro da religião seja menos penoso, mais alegre e muito mais feliz.
E a vocês, Cambonos, Ogãs e
Ekédis, saibam o quanto suas presenças nos felicitam, o quanto suas capacidades
nos ajudam, o quanto seus carinhos nos confortam.