De um ponto de vista religioso costumamos ouvir e ler que o termo religião vem de um termo latino religare, que significaria uma ligação com o divino. Entretanto, consultando o dicionário podemos ver que religião e seita têm, respectivamente, os seguintes significados:
Religião:
- Culto prestado a uma
divindade; crença na existência de um ente supremo como causa, fim ou lei
universal
- Conjunto de dogmas e práticas próprias dee uma confissão religiosa
- A manifestação desse tipo de crença por mmeio de doutrinas e rituais próprios
crença, devoção, piedade
Seita:
- Doutrina ou sistema que
se afasta da crença ou opinião geral
- Grupo de indivíduos
partidários de uma mesma causa; partido, bando, facção
- Sociedade cujos membros
se agregam voluntariamente e que se mantém à parte do mundo
Para que possamos ter uma idéia mais avançada creio que devamos consultar também o termo DOGMAS, que segundo o mesmo dicionário tem o seguinte significado:
Dogmas:
- Ponto fundamental de
uma doutrina religiosa apresentado como certo e indiscutível, cuja verdade se
espera que as pessoas aceitem sem questionar.
- Qualquer doutrina
(filosófica, política, etc...) de caráter indiscutível, em função de,
supostamente, ser uma verdade aceita por todos.
- Princípio estabelecido;
opinião firmada; preceito, máxima.
- Opinião sustentada em
fundamentos irracionais e propagada por métodos que também o são.
Baseados neste conjunto de definições podemos entender que Religião é uma corrente doutrinária, em busca de uma aproximação do homem com o divino de alguma forma, a qual abarca um certo número de pessoas seguindo determinadas práticas muito semelhantes, ou mesmo, completamente iguais independentes de regiões ou culturas. Ela é baseada em um conjunto de aceitações, além dos dogmas, (verdades aceitas pela fé) e que não têm necessidade de serem provadas à luz da ciência. Algumas religiões, ou mesmo doutrinas, se dizem adogmáticas, coisa que é difícil de compreender, pois, se a religião tem um componente espiritual, ou seja, acredita no espírito e na sua manifestação, ai já está o maior dogma que se pode conhecer, já que apesar de saber-se existir, verdadeiramente, o espírito, que ele é imortal e que é a sede da inteligência do homem, não sabemos, absolutamente, quantos existem, quando foram criados, se ainda o são e quando deixarão de ser, além de não sabermos do que efetivamente são criados. (Não podemos esquecer que a maior parte dessas afirmações sobre os espíritos são essencialmente aceitas apenas pelos que têm como base religiosa as religiões de caráter espírita, o que os torna ainda mais misteriosos e, dessa forma, essencialmente dogmática qualquer definição sobre eles).
Sobre seitas, podemos resumir que sejam movimentos filosóficos, políticos, partidários, gremistas que podem ou não ter regras tão fixas como as religiões e dificilmente terão a participação tão homogênea que as religiões apresentam.
Baseados nessas considerações podemos afirmar que a Umbanda é uma religião e não apenas mais uma seita e ainda, por aceitar a existência do espírito, crendo fielmente na sua manifestação, podemos, sem qualquer sombra de dúvidas, classificá-la como uma religião espírita sendo seus participantes, indubitável e inquestionavelmente, tão espíritas como os praticantes de quaisquer outras religiões do mesmo jaez.
A aceitação de que a Umbanda seja adogmática, parte de grupos novos que tentam impor à ela uma característica mais contemporaneamente social, considerada por estes grupos como mais inteligente ou mais evoluída. Estas intenções estão muito mais baseadas em características sócio-grupais do que em filosofias ou liturgias. Essas novas visões tentam dar à Umbanda uma conotação mais aproximada das características espíritas Kardecistas que se autodenominam como uma tríplice doutrina, composta de Ciência, Filosofia e Religião, por isso mesmo, uma arte composta de verdades provadas cientificamente, completamente desprovida de verdades baseadas somente à luz da fé (dogmas). Creio que isso só será possível provar no dia em que forem descobertas e divulgadas todas as verdades acerca das características dos espíritos, tais como já foram descritas, ou seja: O que são? De onde vieram? Quando foram criados? Se ainda o são? Quantos existem? E exatamente de que são formados?
Há, inclusive, em um dos livros que formam o Pentateuco Kardequiano a afirmação de que sobre esses assuntos é que reside o mistério (questão 78 LE). Neste caso, de acordo com a definição gramatical de dogma, em havendo um fato considerado misterioso sem que haja condições de prová-lo à luz de qualquer ciência, ai temos um dogma.
Não há com isso qualquer intenção de diminuir ou desmerecer qualquer religião, vertente doutrinária ou aceitação filosófica, mas, apenas a divulgação de um ponto de vista pessoal. Aos que se sentem melhores considerando-se adogmáticos que assim prossigam, pois não será isso que impedirá suas aproximações com o divino nem suas evoluções através de reformas íntimas pessoais e muito menos impedirá a busca do que considero o mais importante e verdadeiro norte da Umbanda que é a prática absoluta da caridade.